Cangurus comunicam intencionalmente com humanos, revela estudo

Olharam para trás, como se realmente estivessem a comunicar
O comportamento dos cangurus quando confrontados com uma tarefa impossível sugeriu intenção clara de pedir ajuda aos investigadores.
Mark

O que é que torna este estudo diferente de outras investigações sobre comportamento animal?

Mimi

A maioria dos estudos sobre comunicação animal focam-se em espécies domesticadas — cães, cavalos, cabras. Os cangurus nunca foram domesticados, mas mostraram o mesmo padrão de comportamento. Isso sugere que a capacidade está lá, independentemente da domesticação.

Luke

Mas espera — estamos a falar de onze animais. Onze. Como é que podemos generalizar a partir de uma amostra tão pequena?

Mimi

É um ponto justo. Os investigadores reconhecem que é uma amostra pequena. Mas é a primeira vez que isto é estudado em marsupiais, portanto é um começo.

Mark

E o que é que o comportamento específico deles nos diz sobre o que estão a pensar?

Mimi

Quando olham para o investigador e depois para a caixa, estão a fazer algo que parece muito com pedir ajuda. Alguns até se aproximaram, arranharam, farejaram — como se estivessem a tentar comunicar algo muito deliberado.

Luke

Mas "parece muito com" não é a mesma coisa que "é". Como é que sabemos que não é apenas um comportamento aleatório que interpretámos como comunicação?

Mimi

É verdade que há interpretação envolvida. Mas o padrão é consistente com o que vemos noutros animais que sabemos estar a comunicar.

Mark

Porque é que isto importa para os australianos?

Mimi

Os cangurus têm uma reputação terrível na Austrália. São vistos como pragas, como agressivos. Se as pessoas compreenderem que são inteligentes e capazes de comunicar, talvez a atitude mude.

Luke

Mas isso é esperança, não é facto. O estudo não prova que a perceção pública vai mudar.

Mimi

Não, não prova. Mas é o que os investigadores esperam que aconteça.

  • Onze cangurus em cativeiro foram colocados perante uma caixa de comida impossível de abrir — e em vez de desistirem, olharam diretamente para os investigadores como se pedissem ajuda.
  • Alguns animais foram mais longe: aproximaram-se dos humanos, arranharam-nos e farejaram-nos antes de voltarem o olhar para a caixa, num padrão de comunicação intencional que surpreendeu os cientistas.
  • O que perturba as certezas estabelecidas é que este comportamento era conhecido apenas em animais domesticados há séculos — os cangurus nunca o foram, o que sugere um potencial cognitivo sistematicamente ignorado.
  • Com uma amostra de apenas onze animais, o estudo é modesto, mas os seus autores veem-no como ponto de partida para investigação mais ampla sobre cognição em espécies não domésticas.
  • Alexandra Green espera que a descoberta transforme também a perceção pública: na Austrália, os cangurus são simultaneamente símbolo nacional e praga — e revelar a sua inteligência pode começar a reescrever essa contradição.

Numa descoberta que desafia as fronteiras entre o selvagem e o domesticado, investigadores de Sydney e Londres revelaram que os cangurus são capazes de comunicar intencionalmente com humanos — pedindo ajuda com gestos e olhares deliberados quando confrontados com um problema insolúvel. O que torna este achado singular é que, ao contrário de cães ou cavalos moldados por milénios de convivência humana, os cangurus nunca passaram por esse processo. A ciência começa, assim, a suspeitar que a inteligência animal foi, durante muito tempo, medida com réguas demasiado curtas.

Investigadores da Universidade de Sydney e da Universidade de Roehampton, em Londres, descobriram que os cangurus são capazes de comunicar intencionalmente com humanos — uma revelação que sugere uma vida mental muito mais rica do que se supunha.

O ponto de partida foi simples: colocar comida dentro de uma caixa que os animais não conseguiam abrir. Onze cangurus de várias espécies, mantidos em cativeiro, foram confrontados com este problema sem solução. A maioria não desistiu nem ignorou a situação — olhou diretamente para um dos investigadores e depois voltou a atenção para a caixa. Alexandra Green, coautora do estudo, interpretou este padrão como um pedido claro de ajuda. Alguns animais foram ainda mais longe, aproximando-se dos humanos, arranhando-os e farejando-os antes de olharem de volta para a caixa.

O que torna a descoberta particularmente significativa é que este tipo de comportamento era até agora associado apenas a animais domesticados há séculos, como cães, cavalos e cabras. Os cangurus nunca passaram por esse processo. Alan McElligott, autor principal do estudo, sublinha que o padrão observado é praticamente idêntico ao de espécies domésticas — o que levanta uma questão fundamental sobre o potencial cognitivo real destes marsupiais, os primeiros da sua ordem a serem estudados desta forma.

Apesar da amostra reduzida, McElligott vê os resultados como ponto de partida para investigação mais ampla. Alexandra Green nutre ainda uma esperança adicional: que o estudo ajude a mudar a forma como os australianos veem os cangurus — animais que, apesar de serem um símbolo nacional, são frequentemente tratados como uma praga. Revelar a sua inteligência pode, talvez, começar a reescrever essa narrativa contraditória.

Investigadores da Universidade de Sydney e da Universidade de Roehampton em Londres descobriram que os cangurus conseguem comunicar intencionalmente com os humanos — uma capacidade que sugere uma vida mental muito mais complexa do que se acreditava até agora.

O estudo partiu de uma ideia simples: colocar comida dentro de uma caixa que os animais não conseguiam abrir. Onze cangurus de várias espécies, mantidos em cativeiro, foram confrontados com este problema sem solução. O que aconteceu a seguir surpreendeu os investigadores. Em vez de desistirem ou ignorarem a situação, a maioria dos cangurus olhou diretamente para um dos responsáveis pela investigação e depois voltou a atenção para a caixa — um padrão de comportamento que Alexandra Green, coautora do estudo, interpretou como um pedido claro de ajuda.

Alguns dos animais foram ainda mais longe. Aproximaram-se dos investigadores, arranharam-nos, farejaram-nos, e depois olharam para trás na direção da caixa, como se estivessem a tentar comunicar algo muito específico. Green explicou que este tipo de comunicação entre espécies pode ser aprendido por qualquer criatura que possua "poder cerebral" suficiente. O que torna esta descoberta particularmente notável é que os cangurus nunca foram domesticados — ao contrário dos cães, cavalos e cabras que mostram comportamentos semelhantes.

Alan McElligott, o autor principal do estudo, sublinhou que o padrão de comportamento observado nos cangurus é praticamente idêntico ao que se vê em animais domesticados há centenas de anos quando enfrentam a mesma tarefa impossível. Isto levanta uma questão fundamental: se os cangurus conseguem fazer isto sem terem sido domesticados, qual é realmente o potencial cognitivo destes marsupiais? McElligott argumenta que a capacidade de comunicação intencional com humanos foi sistematicamente subestimada no reino animal, e que os cangurus são os primeiros marsupiais a serem estudados desta forma.

É verdade que a investigação trabalhou com uma amostra pequena — apenas onze animais. Mas McElligott vê isto como um ponto de partida, não como uma limitação definitiva. Os resultados positivos, defende, devem abrir caminho a mais investigação sobre cognição animal para além das espécies domésticas habituais.

Alexandra Green tem uma esperança adicional: que este estudo ajude a mudar a forma como os australianos veem os cangurus. Estes animais têm uma reputação complicada no seu país de origem. Não têm a ternura associada aos coalas. São considerados superabundantes, são caçados regularmente, e muitas pessoas veem-nos como uma praga. Há uma divisão estranha: os cangurus são uma espécie icónica australiana, mas ao mesmo tempo são frequentemente tratados como um problema a resolver. Um estudo que revele a sua inteligência e capacidade de comunicação pode, talvez, começar a reescrever essa narrativa.

A nossa investigação mostra que o potencial de comunicação intencional referencial para os seres humanos por parte dos animais foi subestimado
— Alan McElligott, autor principal do estudo
Os cangurus não são considerados tão fofos como os coalas, por isso têm uma má reputação
— Alexandra Green, coautora do estudo
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