Celina Leão defende sua gestão na crise do BRB e afirma que não há risco de quebra; Arruda propõe fechamento de agências fora de Brasília e redução de custos. Leandro Grass quer auditoria completa da operação BRB-Master e rejeita privatização; Paula Belmonte cobra transparência e critica falta de divulgação de informações financeiras.
Candidatos ao GDF debatem crise do BRB e internação involuntária em entrevistas
Quem está na rua precisa de cidadania e dignidade para sair da rua
Por que a crise do BRB virou tão central nessa eleição? Parece que todos os candidatos têm uma resposta diferente.
Porque o BRB perdeu 21 bilhões de reais em uma operação com o Banco Master, e 3 bilhões desse valor foram títulos fraudulentos. É dinheiro público que desapareceu. Cada candidato está tentando explicar como isso aconteceu e como salvaria o banco.
Mas espera — Celina Leão diz que pediu um aval, não um empréstimo. Isso é tecnicamente diferente? Porque a narrativa muda bastante se o Estado está garantindo algo versus tomando dinheiro emprestado.
Sim, é diferente. Um aval é uma garantia — se o BRB não conseguir pagar, o Estado paga. Não é dinheiro que sai da União imediatamente. Mas o risco é real.
E quanto à internação involuntária? Parece que Celina diz que funcionou, mas Arruda diz que foram apenas duas pessoas.
Exatamente. Celina aponta 410 pontos desobstruídos de um total de 450. Arruda diz que apenas duas pessoas foram realmente internadas. São números muito diferentes.
Mas qual é a métrica correta? Desobstruir um ponto na rua é o mesmo que internar uma pessoa? Porque se Celina está falando de limpeza de espaços públicos e Arruda está falando de internações de pessoas, eles podem estar medindo coisas diferentes.
Ótima observação. A lei fala de internação involuntária humanizada, mas parece que na prática o que aconteceu foi principalmente remover pessoas de certos locais, não necessariamente interná-las em instituições.
Grass e Belmonte parecem mais cautelosos com a internação involuntária.
Sim. Grass quer avaliação médica prévia — não internar todo mundo. Belmonte quer trazer a família de volta, oferecer moradia. Eles estão questionando se internação é realmente a solução.
Mas ninguém está dizendo como vai pagar por isso. Belmonte menciona 105 mil moradias faltando em Brasília. Isso é um número verificado ou é uma estimativa dela?
É uma afirmação dela no contexto da entrevista. Não há confirmação independente mencionada na reportagem.
Então no fim, os candidatos estão oferecendo soluções muito diferentes para o mesmo problema.
Completamente diferentes. Desde auditoria até limpeza de rua, desde incorporação por bancos federais até fechamento de agências. E sobre internação, desde humanizada com firmeza até perspectiva familiar e habitacional.
The Pulse
- Crise do BRB: 21 bilhões de reais em títulos do Banco Master, dos quais 3 bilhões foram identificados como fraudulentos
- Internação involuntária: Celina Leão afirma ter desobstruído 410 de 450 pontos; Arruda diz que apenas 2 pessoas foram internadas
- Aproximadamente 3,5 mil pessoas em situação de rua no Distrito Federal
- Brasília tem déficit de mais de 105 mil moradias, segundo Paula Belmonte
- Fundo Constitucional movimenta 15 bilhões de reais ao ano, conforme proposta de Arruda
Celina Leão defende sua gestão na crise do BRB e afirma que não há risco de quebra; Arruda propõe fechamento de agências fora de Brasília e redução de custos. Leandro Grass quer auditoria completa da operação BRB-Master e rejeita privatização; Paula Belmonte cobra transparência e critica falta de divulgação de informações financeiras.
Quatro candidatos ao Governo do Distrito Federal apresentaram propostas distintas sobre a crise do BRB e políticas de internação involuntária em entrevistas ao DF1 entre segunda e quinta-feira.
Entre segunda e quinta-feira desta semana, a TV Globo colocou frente às câmeras os quatro candidatos ao Governo do Distrito Federal melhor posicionados na pesquisa Datafolha divulgada na sexta anterior. Leandro Grass, do PT; Celina Leão, do PP; Paula Belmonte, do PSDB; e José Roberto Arruda, do PSD, responderam perguntas sobre dois temas que definem o debate eleitoral local: a crise do Banco de Brasília e a política de internação involuntária para pessoas em situação de rua.
Sobre o BRB, Celina Leão argumentou que sua participação na crise foi limitada — que ela ocupava um papel restrito de representação política. Descreveu a operação com o Banco Master como um erro de estratégia: o BRB, segundo ela, é um banco regional que entrou numa disputa de mercado para a qual não tinha tamanho. O prejuízo real, afirmou, não foi de 30 bilhões de reais, mas de 21 bilhões em títulos do Master, dos quais 3 bilhões foram identificados como fraudulentos. Leão negou risco de quebra e apresentou sua gestão como responsável: disse ter equilibrado as contas públicas com decretos de redução de custos e ter buscado soluções no Judiciário e junto ao Fundo Garantidor. Argumentou que pediu um aval, não um empréstimo — uma garantia que não retira dinheiro da União, mas compromete o Estado.
Arruda propôs uma abordagem mais drástica. Sugeriu fechar as 19 agências do BRB fora de Brasília, eliminar patrocínios de times de futebol e eventos como a Fórmula 1, e devolver o banco à sua missão fundamental: servir Brasília e o Entorno. Defendeu a aplicação do Fundo Constitucional, que segundo ele movimenta 15 bilhões de reais ao ano, como instrumento de recuperação através de um acordo com o governo federal.
Grass, por sua vez, colocou a auditoria no centro de sua proposta. Nos primeiros 90 dias de governo, prometeu uma auditoria completa da operação entre BRB e Master, além de um balanço financeiro transparente. Sem esses documentos, disse, seria impossível organizar o rombo ou salvar o banco. Rejeitou a privatização e mencionou possibilidades como incorporação do BRB por bancos federais ou crédito especial para capitalização. Também defendeu que bens de investigados no caso Master, como Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, cubram parte do prejuízo.
Belmonte criticou a falta de transparência e cobrou auditorias e divulgação de balanços. Questionou a estratégia de expansão nacional do banco e sugeriu que ele retorne ao foco no fomento da economia local. Também atacou Celina Leão, afirmando que a governadora tinha conhecimento das negociações com o Master por ser presidente de um partido cujos deputados votaram a favor da operação na Câmara Legislativa.
No tema da internação involuntária, o contraste entre as propostas foi igualmente marcado. Celina Leão apresentou-se como pioneira em enfrentar o problema. Citou a lei de internação involuntária humanizada e afirmou ter desobstruído mais de 410 pontos onde havia pessoas em situação de rua — de um total de 450 identificados. Listou programas sociais implementados: DF sem Miséria, Vale Gás, cartões de material escolar, uniforme e alimentação, além de três refeições diárias em restaurantes comunitários.
Arruda criticou a implementação como meramente simbólica — apenas duas pessoas foram internadas, disse. Prometeu internação involuntária humanizada, mas com firmeza. Falou em limpeza da cidade como questão de segurança e propôs que os Centros Pop sejam localizados longe dos centros urbanos, em instalações já existentes do governo, para evitar que pessoas saiam facilmente para usar drogas ou cometer crimes.
Grass enfatizou que internação involuntária exige avaliação médica prévia e rejeitou a ideia de internar indiscriminadamente quem está na rua. Argumentou que pessoas em situação de rua precisam de cidadania e dignidade, não apenas de internação. Belmonte propôs uma perspectiva familiar: cada pessoa na rua tem uma família, e o objetivo deveria ser retorná-la ao convívio familiar. Apontou que muitos em situação de rua têm doenças como Alzheimer e precisam de cuidado. Também mencionou que internação involuntária sem programa habitacional é incompleta — Brasília, segundo ela, tem déficit de mais de 105 mil moradias. O Instituto de Pesquisa Estatística do DF aponta a existência de aproximadamente 3,5 mil pessoas em situação de rua na capital, um número que contextualiza a escala do desafio que qualquer política pública terá de enfrentar.
Notable Quotes
O BRB é um banco regional. Ele entrou numa briga de mercado que não era dele. Ele não tinha tamanho para isso— Celina Leão
Essa ideia de que vai sair internando todo mundo que está na rua não funciona. Quem está na rua precisa de cidadania e dignidade para sair da rua— Leandro Grass
Cidade suja é cidade insegura. A cidade tem que ser limpa, cortar mato— José Roberto Arruda