Em um país onde mais de 84 mil pessoas desapareceram apenas em 2025, o Brasil abre nesta semana 334 pontos de coleta de DNA para reunir o material genético de familiares e cruzá-lo com o de pessoas encontradas sem identidade. A quarta edição da Semana de Mobilização Nacional de Coleta de DNA, coordenada pelo Ministério da Justiça, é um gesto de persistência coletiva: um banco de dados que nunca para de trabalhar, comparando o passado com o presente, à espera do momento em que uma compatibilidade transforma um corpo sem nome em alguém que pode voltar para casa.
Campanha nacional coleta DNA de familiares de desaparecidos; saiba como participar
Quanto maior o número de perfis cadastrados, maior a chance de encontrar uma correspondência
Por que o DNA é tão importante nessa busca? Não existem outras formas de identificar uma pessoa desaparecida?
Existem, mas o DNA é a ferramenta mais confiável quando tudo mais falha. Quando alguém é encontrado sem documentos, sem memória, ou já está morto há tempo, o DNA é muitas vezes a única ligação possível com a família.
E como funciona esse banco de dados? É permanente?
É cumulativo e permanente. Você doa uma vez, seu perfil fica armazenado. Quando uma pessoa não identificada é encontrada, seu perfil é comparado com todos os que estão no banco. E continua sendo comparado com novos registros que entram depois.
Então quanto mais gente participar, melhor?
Exatamente. Cada novo perfil aumenta as chances de encontrar uma correspondência. É por isso que essas campanhas de mobilização nacional importam tanto.
Qual é o obstáculo principal para as pessoas participarem?
O registro formal. Você precisa de um Boletim de Ocorrência registrado antes de poder fazer a coleta. Sem isso, o instituto não consegue cadastrar nada. É uma proteção, mas também é uma barreira para quem não formalizou o desaparecimento.
E depois que a identidade é confirmada? O que acontece com os dados?
São removidos do banco. O material genético do familiar é usado exclusivamente para identificação. Depois que a pessoa é encontrada, aquele perfil sai do sistema.
Parece um trabalho lento.
É. Mas é o trabalho que funciona. Esses bancos de DNA já identificaram centenas de pessoas. Não é rápido, mas é confiável.
El Pulso
- Mais de 84 mil desaparecimentos registrados em 2025 deixam centenas de famílias brasileiras à espera de notícias sobre entes queridos encontrados vivos, mortos ou sem identidade confirmada.
- A campanha funciona até sexta-feira com 334 pontos espalhados pelo país, mas a participação histórica ainda é modesta — no DF, apenas 74 familiares compareceram em 2024 e 54 em 2025.
- O banco de dados genético é cumulativo e permanente: perfis antigos continuam sendo cruzados com novos registros indefinidamente, aumentando as chances de identificação a cada caso novo que entra no sistema.
- Para participar, é obrigatório ter um Boletim de Ocorrência formal registrado — sem esse documento, o cadastramento genético não pode ser realizado.
- A coleta é simples e indolor — um cotonete na bochecha ou uma gota de sangue do dedo — e quem já participou de edições anteriores não precisa repetir o procedimento.
Em um país onde mais de 84 mil pessoas desapareceram apenas em 2025, o Brasil abre nesta semana 334 pontos de coleta de DNA para reunir o material genético de familiares e cruzá-lo com o de pessoas encontradas sem identidade. A quarta edição da Semana de Mobilização Nacional de Coleta de DNA, coordenada pelo Ministério da Justiça, é um gesto de persistência coletiva: um banco de dados que nunca para de trabalhar, comparando o passado com o presente, à espera do momento em que uma compatibilidade transforma um corpo sem nome em alguém que pode voltar para casa.
Toda busca por uma pessoa desaparecida depende de pistas que ainda não chegaram — e às vezes o DNA é essa pista. Nesta segunda-feira, o Brasil inicia a quarta edição da Semana de Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, com 334 pontos de coleta funcionando até sexta-feira em todo o país. O Ministério da Justiça e Segurança Pública coordena a ação com um objetivo direto: reunir material genético de parentes para comparar com pessoas encontradas vivas ou mortas, mas sem identidade confirmada.
Os números que motivam a campanha são pesados. Em 2025, mais de 84 mil pessoas desapareceram no Brasil. No Distrito Federal, foram 2.181 registros no ano passado — dos quais 2.121 foram localizadas, mas centenas de casos permanecem em aberto. O material coletado alimenta bancos de perfis genéticos que funcionam de forma cumulativa: softwares estatísticos cruzam os dados com novos registros continuamente. Marinã do Amaral, diretora-adjunta do Instituto de Pesquisa de DNA Forense do DF, explica que quanto maior o número de perfis cadastrados, maior a chance de encontrar uma correspondência. Após a confirmação de identidade, os dados do familiar são removidos do banco.
A prioridade para doação recai sobre pais, filhos e irmãos biológicos da pessoa desaparecida. A coleta é simples — um cotonete na bochecha ou uma gota de sangue do dedo, sem necessidade de jejum. No DF, o atendimento ocorre no Complexo da Polícia Civil, preferencialmente por agendamento via delegacias, entre 24 e 28 de agosto, das 8h às 18h. Um requisito é indispensável: o Boletim de Ocorrência formal sobre o desaparecimento deve estar registrado antes da coleta.
Nas edições anteriores, a participação no DF foi discreta — 74 familiares em 2024 e 54 em 2025. A campanha desta semana busca ampliar esses números, mantendo vivo um banco de dados que nunca para de trabalhar, à espera da compatibilidade que transforma um corpo sem nome em alguém que pode finalmente voltar para casa.
A busca por uma pessoa desaparecida frequentemente depende de pistas que ainda não chegaram. Às vezes, o DNA é essa pista. Nesta segunda-feira, 24 de agosto, o Brasil inicia a Semana de Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas — a quarta edição de uma campanha que funciona até sexta-feira com 334 pontos de coleta espalhados pelo país. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, coordena a ação com um objetivo simples e urgente: reunir material genético de parentes para comparar com pessoas encontradas vivas ou mortas, mas sem identidade confirmada.
Os números que motivam essa mobilização são pesados. Em 2025, mais de 84 mil pessoas desapareceram no Brasil, segundo registros enviados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. No DF especificamente, a Polícia Civil registrou 2.181 desaparecimentos no ano passado. Desse total, 2.121 foram localizadas — uma taxa de 97,2% — mas ainda restam centenas de casos em aberto, famílias esperando notícias, corpos sem nome.
O processo funciona assim: o material genético dos familiares entra em bancos de perfis que funcionam de forma cumulativa. Quando alguém é encontrado sem identificação — vivo, com amnésia, internado em hospital; ou morto, cadáver ou ossada — seu perfil genético é cruzado com os registros já armazenados. Softwares estatísticos procuram compatibilidades. Marinã do Amaral, diretora-adjunta do Instituto de Pesquisa de DNA Forense do DF, explica que quanto maior o número de perfis cadastrados, maior a chance de encontrar uma correspondência. Depois que a identidade é confirmada, os dados do familiar são removidos do banco. Quem já participou de campanhas anteriores não precisa repetir — seus perfis continuam sendo comparados com novos registros indefinidamente.
A prioridade para doação é clara: pais biológicos, filhos biológicos da pessoa desaparecida (preferencialmente com o outro genitor), e irmãos biológicos. Na ausência desses, outros familiares podem ser avaliados caso a caso. Menores de idade podem participar com autorização de responsável legal. A coleta é simples — um cotonete ou pequena esponja passada na parte interna da bochecha, ou uma gota de sangue do dedo. Não é necessário estar em jejum.
No Distrito Federal, o procedimento ocorre no Instituto de Pesquisa de DNA Forense, no Complexo da Polícia Civil, entre 24 e 28 de agosto, das 8h às 18h. Diferentemente de outros estados, aqui o atendimento funciona preferencialmente por agendamento via delegacias. Existe um requisito essencial: um Boletim de Ocorrência formal sobre o desaparecimento deve estar registrado. A delegacia encaminha o familiar ao instituto com um memorando. Marinã deixa claro que sem esse registro formal, o cadastramento não pode ser feito. Quem vai fazer a coleta deve levar documento de identificação, o memorando da delegacia, documento da pessoa desaparecida se houver, e o número ou cópia do BO. Se o desaparecimento foi registrado em outro estado mas o familiar mora no DF, também é possível fazer a coleta — recomenda-se levar uma cópia do BO para agilizar.
Os canais para dúvidas no DF são: telefones (61) 3207-4362 e (61) 3207-4370, WhatsApp (61) 98253-8016, e e-mail ipdnadesaparecidos@pcdf.df.gov.br. Nos demais estados, familiares devem procurar o ponto de coleta indicado na lista oficial do Ministério da Justiça. Nas campanhas anteriores, o DF registrou participação modesta: em 2024, 74 familiares fizeram coleta relacionada a 45 desaparecidos; em 2025, 54 familiares para 42 desaparecidos. O número de familiares pode ser maior porque múltiplos parentes podem fornecer material para ajudar na identificação de uma mesma pessoa. A campanha desta semana busca ampliar esses números, alimentando um banco de dados que nunca para de trabalhar, comparando perfis antigos com novos registros, esperando encontrar aquela compatibilidade que transforma um corpo sem nome em alguém que pode finalmente voltar para casa.
Citas Notables
Quanto maior o número de perfis de familiares cadastrados no banco de dados, maior a chance de conseguir fazer esse match quando encontramos uma pessoa não identificada— Marinã do Amaral, diretora-adjunta do Instituto de Pesquisa de DNA Forense do DF
Não conseguimos fazer esse cadastramento aqui no Instituto de DNA se nunca foi registrada ocorrência formal desse desaparecimento— Marinã do Amaral