Campanha de Lula pede cassação de chapa de Flávio por uso de perfil de Marçal e criptomoeda

Potencial concreto de desequilibrar a disputa eleitoral
Advogada da campanha de Lula descreve o impacto da atuação de Pablo Marçal na campanha de Flávio Bolsonaro.
Mark

Por que a campanha de Lula está pedindo cassação da chapa inteira de Flávio, e não apenas investigar Marçal separadamente?

Mimi

Porque segundo a ação, Flávio não registrou o perfil de Marçal como conta oficial de campanha, o que é uma violação das regras eleitorais. Se você usa a conta de alguém para fazer campanha, tem que declarar isso ao TSE.

Luke

Mas a campanha de Flávio nega qualquer ligação com o B22 e diz que vai processar o site. Como o tribunal vai estabelecer se Flávio realmente autorizou isso ou se Marçal está agindo por conta própria?

Mimi

Essa é a questão central. Os advogados do PT argumentam que o próprio Marçal anunciou publicamente sua entrada na campanha, ao lado de Flávio, em 29 de setembro. E depois disso, o perfil dele começou a fazer propaganda eleitoral sem ser registrado como conta oficial.

Mark

E quanto ao vídeo com as crianças de Uganda? Como isso se encaixa?

Mimi

O PT argumenta que é pagamento por propaganda. As crianças receberam 120 milhões de tokens e gravaram um vídeo pedindo votos para Flávio. Isso violaria a lei porque apenas candidatos podem pagar por propaganda eleitoral.

Luke

Mas quem realmente pagou? O site diz que é um projeto de criptomoedas que financia casas em Uganda. Kevim Flores, o idealizador, não respondeu aos contatos. Nahuel Medina, que é da campanha de Flávio, estava em uma transmissão ao vivo falando sobre os objetivos eleitorais, mas isso não prova necessariamente que Flávio autorizou.

Mark

Marçal já foi condenado por abuso de poder econômico antes?

Mimi

Sim, em 2024, quando oferecia incentivos financeiros para pessoas compartilharem cortes de seus vídeos. A Justiça Eleitoral o condenou e confirmou sua inelegibilidade em segunda instância. O B22 funciona de forma muito parecida.

Luke

Então há um padrão, mas o padrão não é prova de que Flávio está envolvido desta vez. O tribunal vai precisar estabelecer se houve coordenação real entre a campanha de Flávio e Marçal, ou se Marçal está operando de forma independente.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

O TSE vai analisar a ação e decidir se suspende os perfis, bloqueia o site do B22 e abre investigação sobre as ligações entre Marçal e a operação do token.

Luke

E enquanto isso, os perfis continuam funcionando normalmente, alcançando milhões de pessoas. A decisão do tribunal vai ser importante para determinar se isso é propaganda eleitoral irregular ou se é atividade independente de um influenciador.

  • Perfil de Marçal no Instagram tem 14,1 milhões de seguidores
  • Vídeo com crianças de Uganda alcançou 1,2 milhão de visualizações
  • Crianças receberam 120 milhões de tokens B22 segundo o site do projeto
  • Marçal foi condenado por abuso de poder econômico em 2024

PT acusa Flávio Bolsonaro de usar perfil de Marçal com 14,1 milhões de seguidores sem registrar como conta oficial de campanha, violando restrições eleitorais. Esquema B22 oferece criptomoedas como recompensa para compartilhamentos de propaganda, incluindo vídeo com crianças de Uganda incentivando voto no candidato do PL.

Campanha de Lula protocolou ação no TSE pedindo cassação da chapa de Flávio Bolsonaro por uso irregular do perfil de Pablo Marçal para propaganda eleitoral e esquema de criptomoedas B22.

A campanha do presidente Lula apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma ação judicial pedindo a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro, acusando o candidato do PL de usar irregularmente a conta de redes sociais do influenciador Pablo Marçal para disseminar propaganda eleitoral e informações falsas. O pedido, protocolado como Ação de Investigação Judicial Eleitoral, também solicita o bloqueio de uma plataforma de criptomoedas chamada B22 token, que segundo a acusação funciona como esquema de abuso de poder econômico.

Marçal, ex-candidato à Prefeitura de São Paulo, anunciou sua entrada oficial na campanha de Flávio em 29 de setembro, durante evento público ao lado do próprio candidato. Sua conta no Instagram possui 14,1 milhões de seguidores. Os advogados do PT argumentam que a campanha de Flávio cometeu irregularidade ao não informar ao TSE que o perfil de Marçal passou a funcionar como conta oficial de campanha, o que a submeteria a restrições legais, incluindo a proibição de recomendações algorítmicas. Segundo a ação, o perfil continua sendo recomendado pelas plataformas normalmente, violando essas limitações.

Nos dias anteriores ao protocolo da ação, Marçal publicou uma montagem contendo áudios de uma ligação telefônica de 2016 entre Lula e o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes. A edição manipulada induz ouvintes a concluir que o presidente não gosta de evangélicos, fazendo parecer que uma expressão ofensiva usada por Lula se referia especificamente a esse segmento religioso. Michel Bertoni Soares, um dos advogados autores da ação, descreveu as estratégias como repetição do que Marçal já havia feito na eleição de 2024: utilizar sua penetração nas redes sociais para disseminar desinformação e deep fakes. A advogada Maíra Recchia reforçou que a atuação de Marçal, agora publicamente integrado à campanha, alcançou milhões de pessoas e apresenta potencial concreto de desequilibrar a disputa eleitoral.

O esquema de criptomoedas B22 funciona oferecendo tokens como recompensa para usuários que compartilham mensagens e materiais de incentivo ao voto em Flávio Bolsonaro. O site do projeto vem sendo divulgado através da conta "hyperskidsafrica" no Instagram, que acumula 12,9 milhões de seguidores e arrecada recursos para construção de casas para crianças em Uganda. Um vídeo publicado nessa página mostra crianças ugandesas dançando com camisetas amarelas com a inscrição "B22 token" e cantando "vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro", publicação que superou 1,2 milhão de visualizações. No vídeo, as crianças incentivam a compra e o compartilhamento do token, pedindo confiança em nomes como o deputado Nikolas Ferreira e Pablo Marçal, afirmando que o propósito do novo token é ajudar o Brasil.

Segundo a ação do PT, as crianças de Uganda receberam 120 milhões de tokens do projeto e gravaram o vídeo pedindo votos para o candidato do PL, o que configura pagamento efetuado por terceiros e pessoa jurídica para realização de propaganda eleitoral — prática proibida pela legislação eleitoral. A resolução do TSE estabelece que apenas os próprios candidatos ou coligações podem custear propaganda, a qual deve ser contratada exclusivamente e de forma direta com provedores de internet. Kevim Flores, idealizador do projeto B22, realizou uma transmissão ao vivo no Instagram para detalhar os objetivos eleitorais do ecossistema, afirmando que conseguiriam fazer com que pessoas que votaram no candidato 13 compartilhassem o B22 em suas redes sociais, descrevendo isso como "extremamente estratégico". Flores estava acompanhado de Nahuel Medina, braço-direito de Pablo Marçal e integrante da campanha de Flávio Bolsonaro.

O formato do B22 reproduz a dinâmica dos campeonatos de cortes promovidos por Marçal na eleição municipal de 2024, que ofereciam incentivos financeiros para difusão de conteúdos favoráveis à sua candidatura. Marçal foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico naquele esquema, tendo sua inelegibilidade confirmada em segunda instância. A campanha de Flávio Bolsonaro negou qualquer ligação com o esquema de criptomoedas, afirmando que entraria com ação judicial para derrubar a página. Em comunicado, a assessoria do candidato do PL declarou que adotará medidas judiciais "contra a publicação mencionada nas esferas eleitoral, cível e criminal para derrubar o site", reafirmando que a campanha desconhece a autoria do site e não tem qualquer relação com seu conteúdo ou com a venda de criptomoedas. Procuradas pela reportagem, a campanha de Flávio Bolsonaro e a assessoria de Pablo Marçal não responderam aos questionamentos. Kevim Flores também não respondeu aos contatos. O TSE agora deve decidir sobre a suspensão de perfis, o bloqueio do site de criptomoedas e a investigação de ligações entre Marçal e a operação do token.

A gente vai conseguir com que várias pessoas que votaram no 13 compartilhem em suas redes sociais o B22. Isso é extremamente estratégico.
— Kevim Flores, idealizador do projeto B22, em transmissão ao vivo no Instagram
A atuação de Pablo Marçal, agora publicamente integrado à campanha, alcançou milhões de pessoas e apresenta potencial concreto de desequilibrar a disputa eleitoral.
— Maíra Recchia, advogada da campanha de Lula
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