Em meio ao processo de reforma tributária brasileira, a campanha de Flávio Bolsonaro propõe eliminar o split payment — mecanismo que distribui a responsabilidade fiscal entre fornecedores e varejistas para dificultar fraudes. Críticos como Durigan e Daniella Marques interpretam a proposta não como simplificação técnica, mas como um enfraquecimento deliberado dos controles do Estado sobre a sonegação. A escolha de onde situar a responsabilidade tributária raramente é neutra: ela revela, em última instância, quem o sistema foi desenhado para proteger.
Campanha de Flávio Bolsonaro tenta sabotar reforma tributária, acusa Durigan
Remover o split payment significa confiar em um único ponto de controle
Por que o split payment é tão importante nessa reforma? Parece um detalhe técnico.
Não é detalhe. É o que torna possível rastrear o dinheiro. Quando duas partes compartilham a responsabilidade, uma fiscaliza a outra naturalmente.
Mas precisamos ser claros: o split payment já existe? Ou é parte da reforma proposta?
Já existe e faz parte da reforma. A proposta de Flávio é eliminá-lo.
E quanto aos números? Quanto a reforma arrecadaria a mais com o split payment mantido?
Ótima pergunta. A matéria não fornece números específicos de impacto fiscal. Sabemos que especialistas alertam sobre redução de eficiência, mas não temos quantificação.
O que sabemos é que fraudadores se beneficiariam. Isso é consenso entre tributaristas.
Flávio respondeu a essas acusações?
A matéria não inclui resposta da campanha. Temos apenas críticos falando.
Durigan é quem lidera a acusação de sabotagem. Mas a questão real é: por que uma campanha proporia algo que enfraquece o combate à fraude?
Talvez haja razões que não estão aqui.
Exatamente. A matéria nos diz o que os críticos pensam, mas não nos diz por que Flávio propõe isso ou qual é a lógica da campanha.
Seja qual for a intenção, o efeito prático seria o mesmo: mais espaço para sonegação.
Il Polso
- A campanha de Flávio Bolsonaro propõe eliminar o split payment, mecanismo que divide a obrigação fiscal entre duas partes da transação comercial para reduzir fraudes.
- Críticos acusam a proposta de ser uma sabotagem deliberada à reforma tributária, abrindo caminho para que fraudadores operem com menos obstáculos.
- Especialistas alertam que concentrar a responsabilidade fiscal em um único ponto da transação é uma simplificação perigosa que enfraquece a capacidade do Estado de combater a sonegação.
- O debate divide tributaristas e acirra o embate político sobre quem, afinal, arca com o custo quando contribuintes deixam de pagar o que devem ao fisco.
Em meio ao processo de reforma tributária brasileira, a campanha de Flávio Bolsonaro propõe eliminar o split payment — mecanismo que distribui a responsabilidade fiscal entre fornecedores e varejistas para dificultar fraudes. Críticos como Durigan e Daniella Marques interpretam a proposta não como simplificação técnica, mas como um enfraquecimento deliberado dos controles do Estado sobre a sonegação. A escolha de onde situar a responsabilidade tributária raramente é neutra: ela revela, em última instância, quem o sistema foi desenhado para proteger.
A campanha de Flávio Bolsonaro acumula críticas ao propor o fim do split payment, instrumento que distribui entre fornecedores e varejistas a responsabilidade de recolher impostos nas transações comerciais. Para Durigan, a iniciativa representa uma tentativa deliberada de minar a reforma tributária em curso.
O mecanismo funciona como uma redundância protetora: ao exigir que dois agentes respondam pela obrigação fiscal, ele dificulta a ação de fraudadores. Eliminar esse duplo controle, segundo especialistas, equivale a confiar em um único ponto de vigilância onde antes havia dois — uma mudança que Daniella Marques e outros tributaristas consideram perigosa e contrária ao espírito da reforma.
O que está em jogo vai além da técnica fiscal. A disputa revela uma escolha política sobre quem suporta o risco de fraude e quem se beneficia quando o sistema falha. Ao propor essa alteração, a campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta a resistência de quem vê na medida uma abertura calculada para a evasão fiscal — exatamente o oposto do que a reforma tributária deveria alcançar.
A campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta acusações de tentar minar a reforma tributária ao propor a eliminação do split payment, um mecanismo central do sistema de arrecadação que funciona dividindo a responsabilidade fiscal entre fornecedores e varejistas nas transações comerciais. Durigan, crítico da proposta, afirma que a campanha busca deliberadamente sabotar a reforma ao sugerir o fim desse instrumento.
O split payment opera como uma ferramenta de controle: quando uma venda ocorre, tanto o fornecedor quanto o varejista compartilham a obrigação de recolher impostos, criando redundância que dificulta a fraude. Ao eliminar esse mecanismo, segundo especialistas, o governo abriria espaço para que fraudadores operem com maior liberdade, já que a responsabilidade recairia inteiramente sobre uma única parte da transação.
Daniellla Marques, entre outros críticos, argumenta que um governo Bolsonaro eliminaria o split payment, enfraquecendo significativamente a capacidade do Estado de combater a sonegação fiscal. A proposta reduz a eficiência dos controles tributários justamente quando a reforma busca fortalecer a arrecadação e a integridade do sistema.
Tributaristas consultados sobre a questão expressam preocupação com os impactos práticos. A mudança não é meramente técnica: ela representa uma escolha sobre quem arca com o risco de fraude e, consequentemente, quem se beneficia quando o sistema falha. Remover o split payment significa confiar em um único ponto de controle onde antes havia dois, uma simplificação que especialistas veem como perigosa.
O debate que emerge não é apenas sobre economia ou arrecadação abstrata. Trata-se de uma disputa sobre a estrutura fundamental da reforma tributária e sobre quem suporta o custo quando contribuintes deixam de pagar o que devem. A campanha de Flávio Bolsonaro, ao propor essa mudança, enfrenta a resistência de quem vê nela uma abertura deliberada para a evasão fiscal, exatamente o oposto do que a reforma deveria alcançar.
Citazioni salienti
Eliminar o split payment favorece quem frauda— Durigan
Um governo Flávio Bolsonaro acabaria com o split payment da reforma tributária— Daniella Marques