Crianças crescem sem saber que têm TDAH e fracassam na escola
Na Câmara Municipal de Sorocaba, médicos, gestores e representantes sociais se reuniram para nomear aquilo que tantas vezes permanece sem nome: o TDAH que cresce junto com a criança sem jamais ser reconhecido. O encontro revelou que a invisibilidade de um transtorno que afeta cerca de 7,5% da população não é acidente, mas sintoma de falhas estruturais na educação, na saúde e nas políticas públicas. Quando uma condição passa despercebida, o custo não é apenas clínico — é uma vida inteira moldada pela inadequação sem explicação.
- Crianças com TDAH não diagnosticado crescem carregando dificuldades sociais, profissionais e emocionais que nunca recebem um nome — e, portanto, nunca recebem resposta.
- A confusão entre TDAH e autismo agrava o problema: 26% das crianças avaliadas com suspeita de autismo tinham, na verdade, TDAH, revelando um sistema diagnóstico ainda despreparado para distinguir transtornos próximos.
- Especialistas alertam que a subnotificação torna os números oficiais de 7,5% de prevalência provavelmente subestimados, e que o risco de dependências químicas entre não diagnosticados é uma consequência silenciosa e grave.
- A audiência pública em Sorocaba funcionou como um chamado coletivo: médicos, gestores e organizações sociais convergem na exigência de políticas públicas que tornem o diagnóstico precoce uma realidade acessível, e não uma exceção.
Na segunda-feira, a Câmara Municipal de Sorocaba reuniu médicos, gestores públicos e representantes de organizações sociais para debater o que acontece quando crianças crescem sem saber que têm TDAH. O evento, chamado de "Crise Silenciosa", colocou no centro da discussão um transtorno que, apesar de prevalente, permanece frequentemente invisível.
O médico Marcos Roberto Feltrin explicou que o TDAH afeta as funções executivas do cérebro — responsáveis por organizar pensamentos, planejar e manter o foco — e atinge cerca de 7,5% da população. Esse número, porém, provavelmente subestima a realidade: muitos casos nunca chegam ao consultório e nunca são contabilizados. O custo dessa invisibilidade é concreto: inadequação social, desempenho profissional abaixo do potencial e maior propensão ao desenvolvimento de dependências químicas.
Adriano Garcia, do Instituto TEA Neurolink, trouxe um dado revelador sobre a confusão diagnóstica: em uma avaliação de cinquenta crianças com suspeita de autismo, 26% tinham, na verdade, TDAH. A sobreposição de sintomas entre os dois transtornos faz com que muitas crianças recebam o diagnóstico errado — ou nenhum diagnóstico — e sigam sem o apoio de que precisam.
O que emergiu da audiência foi uma pergunta que vai além da medicina: por que uma condição tão impactante permanece tão frequentemente ignorada? A resposta aponta para falhas na formação de profissionais, nos sistemas de detecção precoce e na ausência de políticas públicas voltadas à identificação diferenciada de transtornos do neurodesenvolvimento. O evento em Sorocaba foi, acima de tudo, um chamado para que o diagnóstico tardio deixe de ser a norma.
Na segunda-feira, a Câmara Municipal de Sorocaba abriu as portas para uma conversa que raramente ocupa o centro das atenções públicas: o que acontece quando crianças crescem sem saber que têm TDAH. O evento, intitulado "Crise Silenciosa — o impacto do diagnóstico tardio do TDAH", reuniu médicos, gestores públicos e representantes de organizações sociais para examinar as consequências de um transtorno que passa despercebido.
O médico Marcos Roberto Feltrin explicou aos presentes que o TDAH é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta áreas específicas do cérebro responsáveis pelas funções executivas — aquelas que nos permitem organizar pensamentos, planejar ações e manter o foco. Segundo ele, o transtorno atinge aproximadamente 7,5% da população. Mas esse número, alertou, provavelmente subestima a realidade. Muitos casos nunca chegam ao consultório, nunca recebem um nome, nunca são contabilizados.
O custo dessa invisibilidade é concreto. Crianças que vivem com TDAH não diagnosticado enfrentam inadequação social — dificuldade em se relacionar com colegas, em seguir regras implícitas do convívio. Seu desempenho profissional, quando chegam à idade adulta, fica aquém do que poderiam alcançar. E há um risco adicional que os especialistas não deixaram passar em silêncio: uma propensão aumentada a desenvolver dependências químicas.
Adriano Garcia, do Instituto TEA Neurolink, trouxe um dado que ilustra um problema ainda mais profundo: a confusão diagnóstica. Em uma avaliação recente de cinquenta crianças em idade escolar que chegaram aos consultórios com suspeita de autismo, vinte e seis por cento não tinham Transtorno do Espectro Autista. Tinham TDAH. Essa sobreposição de sintomas — a dificuldade em diferenciar um transtorno do outro — significa que muitas crianças recebem o diagnóstico errado ou nenhum diagnóstico, e seguem adiante sem o apoio adequado.
O que emergiu da audiência foi uma questão que transcende a medicina: por que uma condição tão prevalente, tão impactante no desenvolvimento de uma pessoa, permanece tão frequentemente invisível? A resposta aponta para falhas no sistema de detecção precoce, na formação de profissionais da educação e saúde, e na falta de políticas públicas que priorizem a identificação diferenciada de transtornos do neurodesenvolvimento em crianças. O evento em Sorocaba foi um chamado para que isso mude — para que o diagnóstico deixe de ser tardio e se torne, finalmente, uma possibilidade real para quem dele precisa.
Notable Quotes
O TDAH é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta áreas do cérebro responsáveis pelas funções executivas— Médico Marcos Roberto Feltrin
A confusão diagnóstica entre TDAH e autismo significa que muitas crianças recebem o diagnóstico errado ou nenhum diagnóstico— Adriano Garcia, Instituto TEA Neurolink
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que uma audiência pública sobre TDAH agora? O que mudou?
O reconhecimento de que estamos perdendo gerações de crianças. Elas crescem, fracassam na escola, desenvolvem problemas emocionais, e ninguém entende por quê. Quando finalmente descobrem que têm TDAH, já é tarde demais para recuperar aqueles anos.
Mas 7,5% é um número alto. Como isso passa despercebido?
Porque o TDAH não é visível como uma deficiência física. Uma criança com TDAH pode parecer preguiçosa, desatenta, mal-educada. Os pais culpam a si mesmos. Os professores culpam a criança. Ninguém pensa em um transtorno do neurodesenvolvimento.
E essa confusão com autismo — como isso acontece?
Os sintomas se sobrepõem. Dificuldade de atenção, comportamento impulsivo, problemas sociais. Um profissional menos treinado pode facilmente confundir um com o outro. E se você recebe o diagnóstico errado, o tratamento errado, a criança continua sofrendo.
Qual é o risco maior para uma criança sem diagnóstico?
O isolamento. Ela não entende por que é diferente, por que não consegue fazer o que os outros fazem. Isso leva a depressão, ansiedade, e sim, a uma vulnerabilidade maior a vícios na adolescência. É como deixar alguém navegar no escuro.
O que precisa mudar?
Treinamento de professores para reconhecer sinais. Acesso a diagnóstico em toda a rede pública. E campanhas que normalizem a conversa sobre transtornos do neurodesenvolvimento. Não é fraqueza. É neurobiologia.