O café arábica alcançou sua cotação mais alta em mais de seis meses na Bolsa de Nova Iorque, impulsionado por uma convergência de forças que comprimem a oferta global: a colheita brasileira avança em ritmo mais lento que o habitual, os estoques da ICE encolheram a mínimas de quase três anos, e um terremoto na Colômbia interrompeu parcialmente as exportações de um dos maiores produtores mundiais. O mercado vive, assim, a tensão clássica entre a escassez do presente e a promessa de abundância futura — pois as projeções do USDA apontam para uma safra global recorde em 2026/27.
Café dispara mais de 4% em NY com safra brasileira atrasada e estoques em queda
O arábica atingiu sua cotação mais alta em mais de seis meses
Por que exatamente o atraso na colheita brasileira está movimentando os preços em Nova Iorque?
Porque o Brasil é responsável por cerca de um terço da produção mundial de café. Quando a colheita atrasa lá, toda a oferta global fica apertada. Os estoques caem, e quem precisa de café agora tem que pagar mais.
Mas o USDA prevê um recorde de produção global em 2026/27. Por que os preços não caem antecipadamente?
Porque os mercados vivem no presente. O que importa agora é que há pouco café disponível nos armazéns. As promessas de colheita maior no futuro não alimentam ninguém hoje.
O terremoto na Colômbia realmente prejudicou a produção, ou foi mais um susto?
Mais um susto do que um desastre real. As instalações de processamento não foram danificadas significativamente. O problema foi a interrupção nas exportações pelo porto. Mas isso é temporário — a Colômbia já está retomando.
E o El Niño? Isso é uma ameaça real para os preços?
Sim, mas para o futuro. Se atrasar as chuvas em setembro e outubro no Brasil, a floração sofre, e a próxima safra fica comprometida. Isso mantém os preços elevados por mais tempo.
O Vietnã está exportando muito mais café. Por que isso não derruba os preços?
Porque o Vietnã produz robusta, não arábica. São mercados diferentes. O arábica é mais nobre, mais caro, e está realmente escasso. O robusta abundante não substitui a falta de arábica.
Então quanto tempo dura essa alta?
Até a próxima colheita brasileira chegar ao mercado em volume. Se o El Niño não prejudicar a floração, os preços devem cair quando a oferta aumentar. Mas há muita incerteza no caminho.
Der Puls
- O arábica disparou mais de 4% em um único pregão, atingindo o nível mais alto em seis meses e sinalizando que o mercado está operando sob pressão real de escassez.
- A colheita brasileira de 2026/27 está 90% concluída em agosto — bem abaixo dos 97% do ano anterior —, e para o arábica especificamente apenas 86% foi finalizado, restringindo a oferta no momento mais crítico.
- Os estoques de arábica na ICE caíram para 229.214 sacas, o menor nível em quase três anos, enquanto um terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia perturbou exportações das províncias de Caldas e Risaralda, responsáveis por um quarto da produção colombiana.
- A estiagem em Minas Gerais e a ameaça de um El Niño excepcionalmente intenso alimentam temores de que a floração de 2027/28 seja prejudicada, mantendo a pressão de alta além do ciclo atual.
- Na outra ponta, o Vietnã exportou 21,1% mais café entre janeiro e julho de 2026, e o USDA projeta produção global recorde de 189,7 milhões de sacas — sinais de que o aperto pode ser temporário.
O café arábica alcançou sua cotação mais alta em mais de seis meses na Bolsa de Nova Iorque, impulsionado por uma convergência de forças que comprimem a oferta global: a colheita brasileira avança em ritmo mais lento que o habitual, os estoques da ICE encolheram a mínimas de quase três anos, e um terremoto na Colômbia interrompeu parcialmente as exportações de um dos maiores produtores mundiais. O mercado vive, assim, a tensão clássica entre a escassez do presente e a promessa de abundância futura — pois as projeções do USDA apontam para uma safra global recorde em 2026/27.
Na terça-feira, os preços do café arábica subiram mais de 4% na Bolsa de Nova Iorque, atingindo a cotação mais alta em mais de seis meses. O movimento reflete uma combinação de fatores que estão comprimindo a oferta global justamente quando a demanda permanece firme.
O principal motor é o ritmo lento da colheita brasileira. Segundo a consultoria Safras & Mercado, até 12 de agosto apenas 90% da safra 2026/27 havia sido concluída — abaixo dos 97% do ano anterior e da média histórica de 94%. Para o arábica, o atraso é ainda maior: apenas 86% colhido, contra 95% no mesmo período de 2025. Esse ritmo alimenta diretamente a pressão sobre os preços. Os estoques de arábica na ICE chegaram a 229.214 sacas na terça-feira, o menor nível em quase três anos.
Um terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia na segunda-feira agravou o quadro. As províncias de Caldas e Risaralda — responsáveis por cerca de um quarto da produção colombiana de arábica — foram diretamente afetadas. O porto de Buenaventura retomou operações parcialmente, mas o tráfego permanece intermitente, adicionando incerteza ao mercado.
No Brasil, a estiagem em Minas Gerais — apenas 0,6 mm de chuva na semana encerrada em 16 de agosto, 11% da média histórica — pode acelerar a colheita no curto prazo, mas levanta preocupações maiores. Analistas alertam que um El Niño previsto como um dos mais intensos em 75 anos pode atrasar as chuvas de setembro e outubro, comprometendo a floração e, consequentemente, a safra de 2027/28.
Do lado oposto, há forças que podem conter a alta. O Vietnã aumentou suas exportações de café em 21,1% no primeiro semestre de 2026, e o USDA projeta produção global recorde de 189,7 milhões de sacas em 2026/27, com crescimento de 12% no arábica. O mercado está, portanto, suspenso entre a escassez imediata e a perspectiva de maior abundância — e essa tensão deve ditar os próximos movimentos dos preços.
Na terça-feira, os preços do café dispararam mais de 4% na Bolsa de Nova Iorque, ampliando ganhos já robustos do pregão anterior. O arábica atingiu sua cotação mais alta em mais de seis meses, refletindo uma convergência de fatores que estão comprimindo a oferta global no momento em que a demanda permanece firme.
O motor principal dessa alta é o ritmo lento da colheita brasileira. Segundo a consultoria Safras & Mercado, até 12 de agosto a safra 2026/27 do Brasil estava apenas 90% concluída — bem abaixo dos 97% registrados no mesmo período do ano anterior e da média histórica de 94% dos últimos cinco anos. Para o arábica especificamente, o atraso é ainda mais pronunciado: apenas 86% da colheita havia sido finalizada, contra 95% no ano passado. Esse ritmo lento está limitando a oferta de café no mercado internacional, criando pressão de alta nos preços.
O encolhimento dos estoques amplifica esse efeito. Os estoques de arábica mantidos pela ICE caíram para seu menor nível em quase três anos, chegando a 229.214 sacas na terça-feira. Esse cenário contrasta com o robusta, cuja oferta está mais abundante — os estoques da ICE para essa variedade atingiram seu maior patamar em 5,25 meses, com 4.622 lotes. A dinâmica diferente entre as duas variedades reflete a realidade de mercados distintos, com o arábica mais sensível aos problemas de oferta.
Um choque geográfico também contribuiu para sustentar os preços. Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na segunda-feira, afetando diretamente as províncias produtoras de Caldas e Risaralda, que respondem por aproximadamente um quarto de toda a produção colombiana de arábica. Embora a Colômbia tenha retomado parcialmente as exportações pelo porto de Buenaventura — responsável pela maior parte do comércio internacional de café colombiano — o tráfego portuário permanece intermitente e limitado. Segundo relatos, as instalações de processamento não sofreram danos significativos, mas a interrupção nas operações de exportação criou incerteza no mercado.
No Brasil, as condições climáticas atuais podem acelerar ainda mais a colheita. A região de Minas Gerais, principal produtora de arábica do país, recebeu apenas 0,6 milímetros de chuva na semana encerrada em 16 de agosto — apenas 11% da média histórica para o período. Essa estiagem, embora possa acelerar o ritmo da colheita no curto prazo, alimenta preocupações maiores. Analistas alertam que o fenômeno El Niño, previsto para ser um dos mais intensos em mais de 75 anos, pode atrasar as chuvas críticas de setembro e outubro, período em que normalmente ocorre a floração das plantas de café. Se isso se confirmar, a safra brasileira de 2027/28 poderia ser prejudicada, mantendo os preços elevados por mais tempo.
Em contrapartida, há pressões de baixa no horizonte. O Vietnã, maior produtor mundial de robusta, está aumentando significativamente suas exportações. Entre janeiro e julho de 2026, o país exportou 1,31 milhão de toneladas de café, um crescimento de 21,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A produção vietnamita para 2025/26 deverá crescer 6%, atingindo 1,76 milhão de toneladas — o maior volume em quatro anos. Esse aumento de oferta de robusta, embora não afete diretamente o arábica, sinaliza uma dinâmica global de maior disponibilidade em algumas regiões.
As previsões oficiais também sugerem cautela. Em julho, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projetou que a produção global de café na safra 2026/27 crescerá 6%, atingindo um recorde de 189,7 milhões de sacas, impulsionada principalmente pela recuperação esperada no Brasil. O USDA prevê que a produção de arábica cresça 12%, enquanto a de robusta deve cair 0,7%. Os estoques mundiais finais devem aumentar 1,9 milhão de sacas, chegando a 26,3 milhões. Essas projeções, se confirmadas, sugerem que o aperto atual de oferta pode ser temporário.
O mercado de café está, portanto, em um momento de tensão entre realidades imediatas e expectativas futuras. A colheita lenta no Brasil e os estoques reduzidos de arábica estão sustentando preços elevados agora, enquanto o terremoto colombiano adiciona incerteza. Mas a perspectiva de maior produção global e o aumento de exportações vietnamitas criam dúvidas sobre quanto tempo essa alta pode ser mantida.
Bemerkenswerte Zitate
A safra brasileira 2026/27 estava 90% concluída até 12 de agosto, abaixo dos 97% do ano passado e da média de 94% dos últimos cinco anos— Consultoria Safras & Mercado
O El Niño pode atrasar as chuvas no Brasil em setembro e outubro, período em que normalmente ocorre a floração das árvores, prejudicando a safra de café brasileira de 2026/27— Commercial, empresa de comercialização de café