Cade aprova saída de MSC e Maersk do BTP em disputa pelo Tecon Santos 10

Cada armadora disputa sabendo que, em derrota, tem assegurada uma posição
A ICTSI questionou se o acordo criava incentivos que poderiam configurar coordenação disfarçada entre concorrentes.
Mark

Por que duas armadoras rivais estruturam um acordo assim, vendendo participações uma para a outra?

Mimi

Porque o governo está pensando em permitir que empresas já instaladas em Santos disputem o novo terminal, mas apenas se abrirem mão de seus ativos atuais. MSC e Maersk encontraram uma forma de participar da disputa sem perder completamente sua presença no porto.

Mark

Mas isso não concentra o poder nas mãos de uma única empresa?

Mimi

Sim, concentra. Mas o Cade argumenta que não há coordenação entre elas, apenas uma separação clara: uma fica com o novo terminal, a outra fica com o antigo. Cada uma tem incentivo para competir independentemente.

Mark

A ICTSI levantou preocupações legítimas sobre o histórico de parceria entre as duas?

Mimi

Levantou, mas os técnicos do Cade disseram que são conjecturas sem prova. A aliança 2M no transporte marítimo é um fato, mas não há evidência de que isso se traduziria em coordenação nos terminais de Santos.

Mark

O que muda agora que o Cade aprovou?

Mimi

Formalmente, pouco. O tribunal ainda pode pedir uma análise mais profunda nos próximos 15 dias. Mas simbolicamente, as duas armadoras ganham um sinal de que há espaço para elas participarem do leilão.

Mark

E o governo? Ainda não decidiu as regras finais?

Mimi

Não. Está oscilando entre restringir completamente a participação de empresas já instaladas ou permitir, desde que se desfaçam de ativos. O acordo de MSC e Maersk foi estruturado para se encaixar na segunda opção.

  • MSC e Maersk, que já respondem juntas por quase metade da movimentação de contêineres em Santos, estruturaram um acordo que garante a cada uma uma posição sólida independentemente de quem vença o leilão do novo megaterminal.
  • A operadora filipina ICTSI denunciou que o arranjo não dissolve a concentração de mercado, mas apenas a redistribui, e que a histórica aliança entre as duas armadoras cria riscos reais de coordenação velada.
  • Os técnicos do Cade rejeitaram os argumentos da ICTSI por falta de provas concretas e negaram à empresa filipina até mesmo o direito de participar formalmente da análise, por ela não operar em Santos.
  • O tribunal do Cade ainda pode reabrir o caso nos próximos 15 dias, enquanto governo e Antaq seguem indefinindo as regras finais do leilão — e o futuro do maior porto do país permanece em aberto.

No porto de Santos, onde flui boa parte do comércio exterior brasileiro, duas das maiores armadoras do mundo obtiveram aval regulatório para um rearranjo societário que pode concentrar o controle de terminais de contêineres em mãos ainda mais definidas. O Cade aprovou o acordo entre MSC e Maersk pelo qual a vencedora do leilão do Tecon Santos 10 cederá sua fatia no Brasil Terminal Portuário à outra, transformando uma parceria compartilhada em domínios separados. A decisão, contestada por uma operadora filipina que deseja entrar no mercado, revela como a disputa por infraestrutura portuária é também uma disputa sobre quem molda as regras do comércio global.

Na noite de segunda-feira, a área técnica do Cade aprovou um acordo entre MSC e Maersk que pode redesenhar o controle dos terminais de contêineres em Santos. A lógica é direta: quando uma das duas armadoras vencer o leilão do novo Tecon Santos 10, venderá sua participação no Brasil Terminal Portuário à outra. O resultado será uma armadora por terminal, em vez de duas dividindo dois.

O Tecon Santos 10 é um projeto de peso — 622 mil metros quadrados no bairro do Saboó, investimento previsto de até R$ 40 bilhões ao longo de 25 anos, com capacidade para contêineres e carga solta em quatro berços de atracação. O governo ainda não fechou as regras do leilão, mas a aprovação do Cade sinaliza que as duas armadoras têm caminho aberto para disputá-lo.

A decisão encontrou resistência. A ICTSI, operadora filipina sem presença em Santos, pediu para integrar o processo como terceira interessada e contestou o acordo com vigor. Argumentou que MSC e Maersk, juntas responsáveis por 49,1% da movimentação de contêineres no porto, não promoveriam desconcentração real — apenas redistribuiriam poder entre si. Apontou ainda que os terminais seriam vizinhos e que a longa história de parceria entre as duas empresas, incluindo a aliança 2M no transporte marítimo, criaria condições favoráveis à troca de informações sensíveis e à coordenação entre concorrentes.

Os técnicos do Cade não se convenceram. No parecer, afirmaram que os argumentos da ICTSI eram conjecturas sem respaldo probatório, que o acordo não cria mecanismos adicionais de coordenação e que encerrar a sociedade no BTP tende a intensificar a rivalidade entre as duas armadoras. O pedido da filipina para participar da análise também foi negado, pois ela não demonstrou como seria concretamente afetada pela operação.

A aprovação técnica não é definitiva. O tribunal do Cade tem até 15 dias para determinar se uma análise mais aprofundada é necessária. Paralelamente, governo e Antaq ainda debatem as regras do leilão — uma das propostas limitaria a participação de empresas já instaladas em Santos, outra a permitiria desde que houvesse desinvestimento em caso de vitória. É nesse cenário ainda fluido que MSC e Maersk consolidaram seu acordo, avaliando que o aval regulatório abre a largada para a corrida pelo novo terminal.

Na noite de segunda-feira, a área técnica do Cade liberou um acordo que pode redefinir quem controla os terminais de contêineres em Santos. MSC e Maersk, duas das maiores armadoras do mundo e sócias atuais do Brasil Terminal Portuário, estruturaram uma operação simples em sua lógica, mas complexa em suas implicações: quando uma delas vencer o leilão do novo Tecon Santos 10, venderá sua participação no BTP à outra. Assim, em vez de duas empresas dividindo dois terminais, haverá uma única armadora controlando um deles completamente.

O novo terminal será construído em uma área de 622 mil metros quadrados no bairro do Saboó, em Santos, com investimento previsto de até R$ 40 bilhões ao longo de 25 anos de concessão. Será um megaterminal multipropósito, capaz de movimentar contêineres e carga solta, com quatro berços para atracação de navios. O governo ainda não definiu as regras finais do leilão, mas a aprovação do Cade nesta segunda-feira sinaliza que há um caminho aberto para que as duas armadoras participem da disputa.

A decisão não foi unânime no mercado. A International Container Terminal Services Inc., operadora filipina que não atua atualmente em Santos, pediu para ingressar nos processos como terceira interessada e contestou veementemente o acordo. A ICTSI argumentou que a operação não produziria uma desconcentração real do mercado, apenas redistribuiria poder entre MSC e Maersk. Segundo dados citados pela empresa, as duas armadoras responderam juntas por 49,1% de toda a movimentação de contêineres em Santos. A filipina também apontou que os dois terminais seriam vizinhos, o que poderia ampliar ganhos de escala para as empresas que permanecessem com os ativos.

Outro ponto de preocupação levantado pela ICTSI era o histórico de associação entre as duas armadoras. MSC e Maersk foram sócias no BTP e mantiveram durante anos a aliança 2M no transporte marítimo internacional. Para a filipina, essa relação poderia facilitar a troca de informações sensíveis e criar riscos de coordenação entre concorrentes. A ICTSI também questionou os incentivos criados pelo acordo: cada armadora passaria a disputar o leilão sabendo que, em caso de derrota, teria assegurada uma posição no BTP, o que poderia configurar uma forma de coordenação disfarçada.

Os técnicos do Cade rejeitaram esses argumentos como meras conjecturas sem elementos probatórios suficientes. No parecer que aprovou a operação, afirmaram que o acordo não reduz a rivalidade existente entre as duas empresas, não cria mecanismos adicionais de coordenação e, ao encerrar a relação societária no BTP, tende a reforçar os incentivos para que cada uma maximize independentemente o desempenho de seu próprio terminal. A superintendência também negou o pedido da ICTSI de participar da análise, argumentando que a empresa não comprovou como seria afetada pela operação, já que não atua no complexo portuário de Santos.

A aprovação da área técnica não encerra o caso. O tribunal do Cade tem até 15 dias para determinar se uma avaliação mais aprofundada é necessária caso entenda que os efeitos concorrenciais não foram suficientemente examinados. Enquanto isso, o governo e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários ainda discutem as regras finais do leilão. Uma das propostas em circulação restringiria a participação de empresas já instaladas em Santos, enquanto outra permitiria a participação de grupos já presentes no mercado desde que se desfizessem de ativos existentes caso vencesse a disputa. É nesse contexto que MSC e Maersk estruturaram seu acordo. A decisão do Cade não define quem participará do certame, mas as empresas avaliam que o aval abre um caminho para a corrida pelo novo terminal.

A operação mostra-se no mínimo neutra, na medida em que não reduz a rivalidade existente e tende a reforçar os incentivos para que cada agente maximize de forma independente o desempenho econômico de seu próprio terminal
— Técnicos do Cade no parecer de aprovação
Inexiste nexo causal entre o ato de concentração ora analisado e a definição do resultado do certame, o qual permanece incerto
— Parecer técnico do Cade
Contact Us FAQ