Busca por segurança em Treasuries americanos resulta em prejuízos para investidores brasileiros

Baixo risco de crédito não significa baixo risco de mercado
A confusão entre segurança de inadimplência e segurança de preço custou caro aos investidores brasileiros em Treasuries americanos.
Mark

Por que investidores brasileiros foram tão atraídos para esses Treasuries longos? Parecia uma decisão racional na época?

Mimi

Parecia, sim. A ideia era que os juros americanos já tinham subido bastante e só cairiam dali em diante. Se os juros caem, o preço dos títulos sobe. Além disso, havia a moeda forte como colchão.

Luke

Mas espera — quantos investidores realmente fizeram isso? O texto fala em "muitos brasileiros", mas não há números. Sabemos que foi uma tendência significativa ou estamos generalizando?

Mimi

É uma boa pergunta. O texto não quantifica, mas a lógica era atraente o suficiente para que muitos caíssem nela. O que importa é que quem fez isso perdeu bastante.

Mark

E quanto ao dólar? Ele não ajudou a compensar as perdas?

Mimi

Em cinco anos, não. O dólar caiu 1,2% ao ano, piorando ainda mais o resultado. Em dez anos, sim, o dólar valorizou 4,7% ao ano, o que ajudou. Mas mesmo assim, os retornos foram modestos comparados ao Brasil.

Luke

Então o timing importa muito aqui. Se alguém tivesse comprado esses Treasuries dez anos atrás, teria saído melhor do que nos últimos cinco anos?

Mimi

Exatamente. Dez anos atrás, o dólar estava mais fraco. Quem entrou naquela época e saiu agora ganhou com a valorização cambial. Mas quem entrou nos últimos cinco anos pegou a pior combinação possível.

Mark

O Fed cortou juros, certo? Então por que os Treasuries longos continuaram caindo?

Mimi

Porque os juros longos não dependem só do Fed. Dependem também de expectativas de inflação, da situação fiscal dos EUA, de quanto o governo está emitindo de dívida. Quando o Fed corta, mas a inflação continua alta, os juros longos podem subir mesmo assim.

Luke

Mas isso é especulação sobre expectativas, não é? Ninguém sabe ao certo por que os juros longos subiram em setembro. O texto diz que subiram, mas não explica o motivo específico.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que subiram. O motivo exato é sempre uma questão de interpretação. Mas o ponto é que quem apostou na queda perdeu.

Mark

Então a lição é: não confundir risco de crédito com risco de mercado?

Mimi

Exatamente. Um Treasury é praticamente sem risco de crédito. Mas o risco de mercado — o risco de o preço cair — é enorme em títulos longos.

  • Treasuries com vencimento acima de 20 anos caíram 8% ao ano em dólares nos últimos cinco anos — perdas que superaram até os ativos brasileiros mais criticados no mesmo período.
  • O dólar, que deveria funcionar como amortecedor, recuou 1,2% ao ano frente ao real na janela de cinco anos, amplificando o prejuízo para o investidor brasileiro em vez de atenuá-lo.
  • Mesmo após o Federal Reserve iniciar cortes na taxa básica, os juros longos voltaram a subir — derrubando a tese de quem apostou na valorização dos títulos com o fim do ciclo de alta.
  • Enquanto isso, o CDI brasileiro entregou 12,5% ao ano nos últimos cinco anos e o IRF-M chegou a 10,8% — tornando a renda fixa local uma das apostas mais rentáveis do período.
  • O nó central permanece sem solução fácil: diversificação internacional faz sentido, mas exige que o investidor compreenda que baixo risco de crédito e baixo risco de mercado são conceitos radicalmente distintos.

Por instinto, investidores buscam abrigo em tempos de incerteza — e muitos brasileiros encontraram nos títulos públicos americanos de longo prazo o que pareciam ser paredes sólidas. Mas a segurança de crédito de um ativo não é o mesmo que segurança de mercado, e essa distinção, ignorada por milhares, custou perdas de até 9,1% ao ano em reais nos últimos cinco anos. A história que se desenha aqui não é de má-fé nem de imprudência óbvia, mas de uma confusão antiga e humana: a de que fugir de um risco conhecido é o mesmo que estar protegido.

Quando a incerteza bate à porta, o impulso é buscar o que parece mais seguro. Para milhares de brasileiros nos últimos anos, isso significou transferir recursos para os Estados Unidos e comprar Treasuries de longo prazo — moeda forte, governo sólido, uma combinação que soava como proteção. Os números, porém, contam outra história.

Nos últimos cinco anos, títulos americanos com vencimento de dez anos perderam 1,7% ao ano em dólares. Os de prazo superior a vinte anos caíram 8% ao ano. Com o dólar recuando 1,2% ao ano frente ao real no período, o investidor brasileiro acumulou perdas de 2,9% e 9,1% ao ano, respectivamente. Para efeito de comparação, o CDI rendeu 12,5% ao ano no mesmo intervalo, o IRF-M entregou 10,8% e o IMA-B, 8,4% — todos muito acima do que os Treasuries proporcionaram.

A lógica da aposta era sedutora: os juros americanos já haviam subido o suficiente, e quando caíssem, os títulos se valorizariam. O problema é que acertar a direção do Fed não basta. Mesmo após o início dos cortes, os juros longos voltaram a subir, porque eles respondem também a expectativas de inflação, ao quadro fiscal americano e ao volume de dívida emitida — não apenas às decisões do banco central. Quanto mais longo o vencimento, maior a sensibilidade do preço a essas variáveis.

Ampliando a janela para dez anos, o cenário melhora um pouco: a valorização do dólar em 4,7% ao ano ajudou a elevar o retorno de um Treasury de dez anos para 5% ao ano em reais. Mas os títulos acima de vinte anos ainda entregaram apenas 2,1% ao ano — contra 9,6% a 9,8% da renda fixa brasileira no mesmo período.

Diversificar internacionalmente continua sendo uma estratégia válida. O equívoco está em confundir diversificação com proteção automática. Baixo risco de crédito — e poucos ativos no mundo têm risco de inadimplência menor do que um Treasury — não é o mesmo que baixo risco de mercado. Antes de buscar segurança no exterior, duas perguntas simples merecem resposta honesta: quanto risco se está realmente assumindo e quanto se está deixando de ganhar ao virar as costas para o Brasil.

Quando a chuva começa a cair, o instinto é procurar abrigo. Mas há um risco que ninguém considera: entrar no primeiro lugar que encontra e descobrir que ali o perigo é maior do que ficar molhado. Nos investimentos, a lógica funciona de forma parecida. Na tentativa de escapar de um risco, muitas vezes nos colocamos diante de outro que nem tínhamos na conta.

Nos últimos anos, milhares de brasileiros transferiram recursos para os Estados Unidos e compraram títulos públicos americanos de longo prazo. A estratégia parecia sólida: moeda forte, títulos do governo americano, duas características historicamente associadas à segurança. Os números, porém, revelam uma realidade bem diferente. Nos últimos cinco anos, Treasuries com vencimento de dez anos perderam aproximadamente 1,7% ao ano em dólares. Os títulos com prazo superior a vinte anos tiveram desempenho ainda pior: queda de 8% ao ano. Como o dólar também recuou 1,2% ao ano frente ao real nesse período, o investidor brasileiro que apostou nesses ativos enfrentou perdas de cerca de 2,9% e 9,1% ao ano, respectivamente.

Para entender o tamanho dessa decepção, é útil comparar com o que estava disponível no Brasil. Nos últimos cinco anos, o CDI rendeu 12,5% ao ano. O IRF-M, índice que acompanha títulos públicos prefixados, entregou 10,8% anuais. O IMA-B, ligado aos títulos indexados ao IPCA, rendeu 8,4% ao ano. Mesmo os ativos brasileiros que geraram frustração superaram em muito o desempenho dos Treasuries americanos. Quando se amplia a janela para uma década, o quadro muda um pouco, mas a conclusão permanece. O CDI rendeu 9,3% ao ano, o IRF-M chegou a 9,8%, e o IMA-B, a 9,6% anuais. Um Treasury de dez anos, mesmo com a ajuda da valorização do dólar em 4,7% ao ano nesse período, proporcionou apenas 5% ao ano em reais. Os títulos acima de vinte anos entregaram apenas 2,1% ao ano.

A tese por trás dessa aposta era aparentemente simples. Muitos investidores acreditavam que os juros americanos já haviam subido o suficiente e que, quando começassem a cair, ganhariam não apenas com os cupons, mas também com a valorização dos títulos. O problema é que acertar a direção da taxa básica não é suficiente. Mesmo depois que o Federal Reserve iniciou seus cortes de juros, os juros longos voltaram a subir. Em setembro, Treasuries com mais de vinte anos se desvalorizaram mais de 1,5%. Quem alongou os prazos apostando na queda das taxas voltou a sofrer com a marcação a mercado.

Isso ocorre porque a taxa de um Treasury longo não depende apenas das decisões do Fed. Expectativas de inflação, a situação fiscal americana e o volume de dívida que o governo emite também influenciam esses juros. Quanto mais longo o vencimento, maior a sensibilidade do preço às mudanças nas taxas. Baixo risco de crédito não significa baixo risco de mercado. Um título do governo americano pode ser um dos ativos com menor risco de inadimplência do mundo e, ainda assim, representar um investimento arriscado quando seu prazo é longo.

Diversificar internacionalmente continua fazendo sentido. O problema está em confundir diversificação com proteção. Antes de buscar segurança no exterior, vale a pena refletir sobre duas perguntas simples: quanto risco estou realmente assumindo e quanto estou deixando de ganhar ao não investir no Brasil.

Na tentativa de eliminar um risco, podemos assumir outro que nem estávamos considerando
— Análise do texto
Diversificar internacionalmente continua fazendo sentido. O problema é confundir diversificação com proteção
— Conclusão do artigo
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