Britânica com tumor cerebral inoperável processa Pfizer por contraceptivo injetável

Lauren Lewington sofre dores intensas incapacitantes, impossibilitada de cuidar adequadamente de dois filhos autistas; marido deixou trabalho para assumir responsabilidades familiares.
Não há um dia em que eu não chore
Lauren descreve a realidade de viver com um tumor cerebral inoperável causado pelo contraceptivo que usou por 15 anos.
Mark

Como é que um contraceptivo que tantas mulheres usam durante anos acaba causando um tumor cerebral sem que ninguém saiba?

Mimi

Porque o risco não estava na bula. Lauren tomou Depo-Provera por 15 anos sem qualquer aviso sobre meningiomas. O estudo que mostrou a conexão só foi publicado em 2024, e a bula só foi atualizada depois disso.

Mark

Mas ela sentiu os sintomas em 2022. Por que ninguém conectou os pontos antes?

Mimi

Os sintomas pareciam enxaqueca no início. Dores de cabeça são comuns. Levou uma tomografia em dezembro de 2022 para revelar o tumor, e mesmo assim a conexão com o contraceptivo só surgiu meses depois, quando os médicos viram que o tumor tinha receptores de progesterona.

Mark

E agora que ela parou de tomar o medicamento, o tumor está diminuindo?

Mimi

Sim. Os exames mostram redução desde que ela interrompeu o uso em janeiro de 2025. Mas o dano já estava feito. Ela não consegue se livrar completamente dele por causa da localização, perto de vasos sanguíneos importantes.

Mark

Qual é o impacto real na vida dela?

Mimi

Ela sofre dores tão intensas que não consegue cuidar de seus dois filhos autistas. O marido deixou o trabalho. Ela passa noites acordada com medo. Não é apenas um diagnóstico médico, é uma vida inteira desorganizada.

Mark

E as outras 100 mulheres que estão processando a Pfizer?

Mimi

Elas têm histórias semelhantes. Mulheres que tomaram o medicamento por anos, desenvolveram meningiomas, e agora estão buscando responsabilidade. O estudo de 2024 mostrou que o risco é 5,6 vezes maior para quem usou por pelo menos um ano.

  • Lauren Lewington, 35 anos, desenvolveu meningioma após 15 anos usando Depo-Provera
  • Estudo 2024 no British Medical Journal: risco 5,6 vezes maior de meningioma com uso de contraceptivo injetável
  • Aproximadamente 100 mulheres processam a Pfizer por possível relação entre medicamento e tumores cerebrais
  • Tumor é inoperável por estar próximo a vasos sanguíneos; Lauren interrompeu uso em janeiro de 2025 e exames mostram redução

Lauren Lewington convive com tumor cerebral benigno mas inoperável que causa dores severas desde 2022, impossibilitando cuidar dos filhos autistas. Estudo 2024 no British Medical Journal associa Depo-Provera a risco aumentado de meningiomas; bula foi atualizada com essa informação.

Britânica de 35 anos desenvolve meningioma inoperável após 15 anos usando Depo-Provera; integra ação judicial de 100 mulheres contra Pfizer após estudo apontar risco 5,6 vezes maior.

Lauren Lewington, uma mulher de 35 anos de Bangor, no norte do País de Gales, passou 15 anos tomando o contraceptivo injetável Depo-Provera sem saber que estava correndo um risco que ninguém lhe havia explicado completamente. Em julho de 2022, começou a sentir dormência no rosto, dores no ouvido e dores de cabeça tão intensas que os médicos inicialmente as atribuíram a enxaqueca. Poucos meses depois, durante o aniversário de nove anos de seu filho, a dor se tornou tão violenta que ela caiu no chão quando chegou ao pronto-socorro, descrevendo a sensação como se sua cabeça fosse explodir dos ombros.

Em dezembro de 2022, uma tomografia revelou o que estava acontecendo: um meningioma, um tumor benigno que se desenvolve nas membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal. Embora tecnicamente benigno, o tumor crescia cerca de um milímetro por mês. Os exames mostraram que a lesão havia desencadeado uma das dores mais severas conhecidas pela medicina, uma condição tão debilitante que é popularmente chamada de "dor do suicídio" pela sua intensidade insuportável. Lauren passou a noites acordada, preocupada com o que o tumor poderia fazer enquanto dormia. "Não há um dia em que eu não chore", disse ela ao The Independent.

A primeira cirurgia aconteceu em janeiro de 2023, mas naquele ponto Lauren já não conseguia cuidar adequadamente de seus dois filhos, ambos autistas, com idades de 12 e 9 anos. Seu marido, Aaron Edwards, deixou o trabalho para assumir as responsabilidades da família. Duas cirurgias adicionais se seguiram, mas os médicos informaram que não seria possível remover completamente o tumor porque ele estava muito próximo de vasos sanguíneos vitais. A perspectiva de nunca ficar completamente livre da lesão a devastou.

Foi apenas após a última cirurgia que a possível conexão entre o tumor e o contraceptivo emergiu. Um exame mostrou que o tumor apresentava 80% de positividade para receptores de progesterona, levando os médicos a recomendar a interrupção imediata do Depo-Provera. A conexão ganhou credibilidade científica em 2024, quando um estudo publicado no British Medical Journal revelou que mulheres que utilizaram o contraceptivo injetável por pelo menos um ano apresentavam um risco 5,6 vezes maior de desenvolver meningiomas. Naquele mesmo ano, a bula do medicamento foi atualizada para incluir essa informação.

Lauren interrompeu o uso do anticoncepcional em janeiro de 2025, e desde então os exames indicam redução do tumor. Ela agora faz parte de um grupo de aproximadamente 100 mulheres que movem uma ação judicial contra a Pfizer, a fabricante do Depo-Provera, alegando uma possível relação entre o medicamento e o surgimento de tumores cerebrais. Sua esperança agora é que o medicamento deixe de ser comercializado. "Não quero que mais ninguém passe pelo que eu e minha família passamos", declarou. O caso dela representa não apenas uma batalha legal, mas um testemunho do custo humano quando os riscos de um medicamento amplamente utilizado não são plenamente comunicados aos pacientes que o tomam.

Não há um dia em que eu não chore. Passo as noites acordada, preocupada com o que o tumor pode fazer enquanto durmo.
— Lauren Lewington ao The Independent
Não quero que mais ninguém passe pelo que eu e minha família passamos
— Lauren Lewington
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