BRB cancela venda de R$ 15 bilhões em ativos do Banco Master

Operações fraudulentas comprometem programas sociais do DF operados pelo BRB e afetam credibilidade institucional junto a clientes e funcionalismo distrital.
O banco optou por conduzir diretamente a gestão dos ativos
Após cancelar negociação de R$ 15 bilhões com gestora de fundos, BRB mantém controle sobre créditos problemáticos.
Mark

Por que o BRB decidiu cancelar essa venda agora, depois de três meses de negociações?

Mimi

As duas instituições simplesmente não conseguiram chegar a um acordo sobre quanto esses ativos valem e em que termos a transferência deveria acontecer. Quando as divergências ficaram claras, ambas preferiram encerrar consensualmente a negociação.

Mark

Mas R$ 15 bilhões é uma quantia enorme. O banco não precisava desse dinheiro para cobrir os prejuízos?

Mimi

Precisava, sim. Mas a Quadra Capital provavelmente oferecia condições que o BRB considerou inadequadas — talvez um preço muito baixo pelos ativos, ou termos que não protegessem suficientemente os interesses do banco. Às vezes é melhor manter o controle e tentar vender depois do que aceitar uma oferta ruim agora.

Mark

E agora o BRB vai tentar vender esses ativos sozinho?

Mimi

Exatamente. O banco vai conduzir diretamente o processo de recolocação no mercado. É uma estratégia mais trabalhosa, mas que mantém o BRB no comando das decisões sobre preço e condições.

Mark

Isso não piora a situação do banco, que já está em crise?

Mimi

Potencialmente, sim. O BRB tem R$ 8,8 bilhões em créditos que podem ser irrecuperáveis. Sem um parceiro como a Quadra Capital para ajudar a monetizar esses ativos, o banco terá que lidar com esse problema sozinho enquanto tenta manter a confiança de clientes e do governo.

Mark

O governo do DF pode deixar o banco quebrar?

Mimi

Não pode. O BRB opera programas sociais, crédito habitacional e a folha de pagamento do funcionalismo. Se o banco falhar, o governo inteiro falha. Por isso o DF é obrigado a encontrar uma solução, mesmo que custe caro.

Mark

E o ex-presidente preso — ele vai responder por tudo isso?

Mimi

A investigação da Polícia Federal continua. Paulo Henrique Costa foi preso por permitir operações sem lastro e sem governança adequada. Mas há muitas questões ainda em aberto sobre quem mais estava envolvido e como essas fraudes conseguiram passar despercebidas por tanto tempo.

  • A operação de R$ 15 bilhões entre BRB e Quadra Capital, que prometia aliviar a exposição do banco a ativos problemáticos, foi cancelada após meses de negociações sem acordo sobre os parâmetros financeiros.
  • O banco enfrenta uma crise de proporções históricas: de R$ 30 bilhões em operações com o Banco Master, pelo menos R$ 8,8 bilhões são considerados inexistentes, fraudados ou irrecuperáveis.
  • O governo do Distrito Federal, acionista controlador e dependente do BRB para pagar servidores e operar mais de trinta programas sociais, precisa encontrar bilhões de reais para cobrir os títulos podres — e já admite precisar de empréstimo.
  • O ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, está preso desde abril, acusado pela Polícia Federal de ter autorizado negócios sem lastro e sem governança adequada na operação Compliance Zero.
  • Sem o acordo com a Quadra Capital, o BRB assume diretamente a gestão dos créditos e tenta recolocá-los no mercado, reafirmando solidez — mas a credibilidade institucional permanece sob pressão enquanto as investigações continuam.

O Banco de Brasília encerrou, nesta sexta-feira, as negociações com a Quadra Capital para transferir R$ 15 bilhões em ativos herdados do Banco Master — uma tentativa de aliviar o peso de uma crise que já comprometeu dezenas de bilhões em operações questionáveis. O colapso das negociações, atribuído a divergências sobre os termos econômicos, revela a dificuldade de encontrar saídas para um problema cujas raízes tocam a confiança institucional, a governança pública e o bem-estar de milhares de cidadãos do Distrito Federal. O BRB segue em pé, mas carrega o fardo de reconstruir sua credibilidade enquanto investigações criminais avançam contra seu ex-presidente.

O Banco de Brasília e a gestora Quadra Capital encerraram nesta sexta-feira as negociações iniciadas em abril para transferir R$ 15 bilhões em créditos originários do Banco Master. As duas instituições não chegaram a um acordo sobre os parâmetros econômicos e financeiros da operação, e o encerramento foi descrito como consensual. Pelo modelo negociado, parte dos recursos seria transferida imediatamente ao BRB e o restante convertido em cotas de um fundo criado para monetizar esses ativos no mercado.

Com o cancelamento, o BRB optou por gerir diretamente esses créditos e conduzir a recolocação dos ativos por conta própria. Em comunicado, o banco afirmou que a decisão reflete atuação prudente e reiterou ter liquidez adequada e plena capacidade operacional — uma mensagem de tranquilidade em meio a um cenário de crise profunda.

Entre 2024 e 2025, o BRB realizou operações com o Banco Master que somaram R$ 30 bilhões. O próprio banco estima que R$ 8,8 bilhões desse total correspondem a títulos inexistentes, fraudados ou de recuperação muito difícil. O governo do Distrito Federal, acionista controlador, afirma conseguir recuperar R$ 2,2 bilhões, mas precisaria de empréstimo para cobrir os R$ 6,6 bilhões restantes.

A gravidade da situação é amplificada pelo papel central que o BRB ocupa na vida pública do DF: a instituição opera mais de trinta programas sociais, oferece crédito habitacional e processa a folha de pagamento de todo o funcionalismo distrital. Garantir seu funcionamento dentro das normas do sistema financeiro nacional é, portanto, uma obrigação do Executivo local — obrigação que as operações com o Master colocaram em xeque.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, apontando um esquema de fraudes bilionárias ligado a essas transações. Em abril deste ano, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso, acusado de ter autorizado negócios sem lastro e sem práticas adequadas de governança. As investigações seguem em curso enquanto o banco tenta, passo a passo, reconstruir sua credibilidade.

O Banco de Brasília e a gestora de ativos Quadra Capital encerraram, nesta sexta-feira, as negociações que começaram em abril para transferir R$ 15 bilhões em créditos originários do Banco Master. A operação não se concretizou por causa de divergências sobre os parâmetros econômicos e financeiros que as duas instituições consideravam adequados para o negócio.

Se tivesse sido concluída, a transação funcionaria assim: parte dos R$ 15 bilhões seria transferida imediatamente ao BRB, enquanto o restante seria convertido em cotas de um fundo de investimento criado especificamente para administrar e tentar monetizar esses ativos no mercado. O BRB informou que o encerramento foi consensual e ocorreu após o período de negociações previsto entre as partes chegar ao fim.

Com o cancelamento, o banco optou por manter a gestão direta desses créditos e conduzir pessoalmente o processo de recolocação dos ativos no mercado. Em comunicado, a instituição afirmou que essa escolha reforça sua atuação prudente e seu compromisso com a geração de valor para acionistas, clientes e demais públicos. O BRB reafirmou estar sólido, com liquidez adequada e plena capacidade operacional para executar sua estratégia de negócios.

Essas negociações ocorrem em um contexto de crise profunda. Entre 2024 e 2025, o BRB realizou operações com o Banco Master que somaram R$ 30 bilhões. Desse total, o próprio banco estimou que pelo menos R$ 8,8 bilhões em créditos são títulos inexistentes, fraudados ou de recuperação muito difícil. O governo do Distrito Federal, que é o acionista controlador do BRB, afirmou que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins, mas precisaria de um empréstimo para os R$ 6,6 bilhões restantes.

A importância do BRB para o DF vai além de suas operações bancárias convencionais. O governo utiliza a instituição para operar mais de trinta programas sociais, oferecer crédito habitacional e processar a folha de pagamento de todo o funcionalismo distrital. Por isso, cabe ao Executivo local garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro nacional — um compromisso que foi abalado pelas operações questionáveis com o Master.

Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, apontando um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias que incluía boa parte dessas transações. Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro adequado e sem seguir práticas apropriadas de governança corporativa. As investigações continuam em andamento, enquanto o banco tenta reconstruir sua credibilidade operacional e financeira.

A decisão pela descontinuidade das negociações resultou de divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados pelo Banco para a operação
— BRB, em comunicado oficial
O BRB optou por conduzir diretamente o processo de gestão e recolocação desses ativos no mercado, estratégia que reforça sua atuação prudente e seu compromisso com a geração de valor
— BRB, em comunicado oficial
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur G1 ↗
Nous contacter FAQ