BRB afasta cinco funcionários em investigação sobre prejuízos bilionários do caso Master

Sinais claros que não foram considerados no processo decisório
O BRB tinha indicadores de alerta sobre o Banco Master, mas continuou operando mesmo assim.
Mark

Por que o BRB afastou apenas cinco funcionários se a Polícia Federal identificou seis ex-dirigentes nas aprovações?

Mimi

Os cinco afastados agora são aqueles citados nas investigações internas do banco. Os seis ex-dirigentes já haviam sido afastados da diretoria anterior — essa é uma ação adicional, focada especificamente nos processos internos em andamento.

Luke

Mas a gente não sabe quem são esses cinco. O banco não divulgou nomes nem cargos. Como avaliamos se a medida é proporcional ou se há pessoas sendo protegidas?

Mark

Qual é a diferença prática entre um afastamento cautelar e uma demissão?

Mimi

O afastamento cautelar é preventivo — tira a pessoa da função enquanto a investigação ocorre, mas não antecipa uma conclusão sobre culpa. É uma proteção do processo, não uma punição.

Luke

Certo, mas o BRB deixou bem claro que isso não representa antecipação de juízo. Então tecnicamente essas pessoas ainda podem ser inocentadas.

Mark

E quanto aos R$ 17,5 bilhões? Esse valor foi totalmente perdido?

Mimi

Foram carteiras operadas com o Banco Master. O Master foi liquidado pelo Banco Central. O governo do DF está tentando reaver parte desses valores para cobrir o rombo no BRB.

Luke

Mas "tentar reaver" é diferente de conseguir. A gente não sabe quanto será recuperado, nem em quanto tempo. Esse é um número que pode mudar significativamente.

Mark

Os acionistas já autorizaram ações na Justiça contra os ex-gestores?

Mimi

Sim, em agosto. O banco tem 90 dias para definir a lista de quem vai processar.

Luke

Então estamos em um ponto de transição — investigações internas em curso, processo judicial ainda por ser definido, e a recuperação dos valores ainda incerta.

  • Cinco funcionários do BRB foram afastados cautelarmente enquanto investigações internas apuram sua participação em operações fraudulentas com o Banco Master, sem que seus nomes ou cargos tenham sido divulgados.
  • A Polícia Federal constatou que o banco ignorou sistematicamente alertas prudenciais, financeiros e reputacionais sobre o Banco Master, continuando a operar com a instituição mesmo diante de sinais de risco formalmente registrados.
  • Seis ex-dirigentes da diretoria colegiada foram identificados nas aprovações unânimes que viabilizaram as operações — incluindo o ex-presidente e cinco diretores executivos, todos já afastados da gestão atual.
  • O Banco Central liquidou o Banco Master, mas o rombo permanece: o governo do DF tenta recuperar os valores perdidos enquanto o BRB tem 90 dias para definir quais ex-gestores serão acionados judicialmente.

Em meio ao maior escândalo financeiro de sua história, o Banco de Brasília afastou preventivamente cinco funcionários enquanto investigações internas revelam uma rede de operações bilionárias com o Banco Master conduzidas à sombra de alertas ignorados. A Polícia Federal identificou seis ex-dirigentes que, em reuniões unânimes, aprovaram decisões que comprometeram carteiras de R$ 17,5 bilhões — um caso que levanta questões profundas sobre os limites entre negligência, cumplicidade e responsabilidade institucional. O que está em julgamento não é apenas o destino de indivíduos, mas a integridade dos mecanismos que deveriam proteger o dinheiro público.

O Banco de Brasília atravessa o momento mais grave de sua história institucional. Cinco funcionários foram afastados preventivamente pelo conselho de administração como medida cautelar dentro das investigações internas sobre as operações com o Banco Master, a instituição do empresário Daniel Vorcaro. O banco não revelou identidades nem cargos, mantendo o processo sob sigilo enquanto as apurações avançam.

O que as investigações revelaram é perturbador: o BRB tinha acesso a indicadores claros de risco sobre o Banco Master — alertas prudenciais, financeiros e reputacionais formalmente incorporados ao seu ambiente informacional — e os ignorou. As operações continuaram, envolvendo carteiras de R$ 17,5 bilhões, segundo relatório da Polícia Federal.

Seis ex-integrantes da diretoria colegiada foram identificados nas aprovações que tornaram essas operações possíveis. Entre eles, o ex-presidente Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa e cinco diretores executivos, todos já afastados da gestão atual. As deliberações foram aprovadas por unanimidade em reuniões que incluíram decisões sobre continuidade das operações, novas aquisições e flexibilização de alertas de risco. O diretor jurídico foi excluído da lista por não ter direito a voto ou estar ausente nas deliberações relevantes.

Em agosto, os acionistas autorizaram o BRB a processar judicialmente os ex-gestores considerados responsáveis. O banco tem 90 dias para definir essa lista. O Banco Central já liquidou o Banco Master. O que resta é a tarefa de responsabilizar os envolvidos e tentar recuperar, ao menos em parte, o que foi perdido.

O Banco de Brasília tomou uma decisão que marca um ponto de inflexão na investigação sobre o maior escândalo financeiro da instituição. Cinco funcionários foram afastados preventivamente de suas funções, uma medida autorizada pelo conselho de administração como resposta às apurações internas sobre as operações com o Banco Master, a instituição do empresário Daniel Vorcaro que deixou um rastro de prejuízos bilionários.

O banco não divulgou os nomes nem os cargos desses cinco empregados, mantendo a investigação sob sigilo enquanto o processo interno segue seu curso. Em comunicado oficial, o BRB reforçou que os afastamentos são cautelares, uma proteção processual que não antecipa conclusões sobre o mérito das investigações. A decisão reflete a gravidade do que os investigadores encontraram: uma rede de operações que envolveu carteiras de R$ 17,5 bilhões, segundo relatório da Polícia Federal.

O que emergiu das apurações é um quadro de negligência sistemática. A Polícia Federal constatou que o BRB possuía sinais claros de alerta sobre o Banco Master — indicadores prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes que estavam formalmente incorporados ao seu ambiente informacional. Mas esses sinais não foram considerados no processo decisório. O banco continuou operando com a instituição de Vorcaro mesmo diante de evidências que deveriam ter disparado mecanismos de proteção.

Seis ex-dirigentes da diretoria colegiada foram identificados como participantes das aprovações que permitiram essas operações. Os peritos da Polícia Federal encontraram documentação que vinculava esses gestores às decisões, aprovadas por unanimidade em reuniões onde deliberaram sobre continuidade das operações, novas aquisições, flexibilização de alertas de risco e complementação posterior de documentos. Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, que era presidente; Cristiane Maria Lima Bukowitz, diretora executiva de gestão de pessoas; Dario Oswaldo Garcia Junior, diretor executivo de finanças e controladoria; Luana de Andrade Ribeiro, diretora executiva de controle e riscos; Diogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor executivo de atacado e governo; e José Maria Correa Dias Junior, diretor executivo de tecnologia — todos já foram afastados da atual diretoria.

O diretor jurídico Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo não foi vinculado às aprovações porque, conforme as atas analisadas, não tinha direito a voto ou estava ausente nas deliberações. A distinção importa: ela marca a diferença entre estar presente e estar responsável.

Em agosto, os acionistas do BRB já haviam autorizado o banco a acionar na Justiça os ex-gestores que fossem considerados responsáveis pelos prejuízos. O banco tem 90 dias, contados a partir dessa aprovação, para definir a lista de nomes que será levada aos tribunais. Enquanto isso, o governo do Distrito Federal trabalha para reaver parte dos valores perdidos, tentando cobrir o rombo deixado no BRB. O Banco Central já liquidou o Banco Master, encerrando a instituição que foi o centro dessa operação. O que resta agora é a longa tarefa de responsabilização e recuperação.

O Banco reforça que os afastamentos são cautelares e não representam antecipação de juízo em relação ao mérito das investigações
— Banco de Brasília, em nota oficial
O BRB dispunha de sinais prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes sobre o Banco Master, formalmente incorporados ao seu ambiente informacional, mas não demonstrou sua consideração no processo decisório
— Relatório da Polícia Federal
Want the full story? Read the original at G1 ↗
Contact Us FAQ