Brasileiro que sobreviveu à primeira torre do 11 de Setembro relembra o terror

Milhares de pessoas morreram nos ataques do 11 de Setembro; Larry Pinto de Faria Jr. escapou por pouco do colapso da Torre Sul, que poderia tê-lo matado.
Se tivesse caído na minha direção, eu teria morrido
Larry descrevendo o momento em que viu a Torre Sul desabar enquanto corria pelas ruas de Manhattan.
Mark

Como é que você consegue descer 25 andares de um prédio que está sendo atingido por um avião e não entrar em pânico?

Mimi

Acho que ninguém sabia realmente o que estava acontecendo. Você ouve um barulho, sente o prédio balançar, mas sua mente não consegue processar a escala disso. A evacuação foi quase automática, como se as pessoas estivessem em piloto automático.

Luke

Mas ele diz que foi "muito tranquilo". Isso é possível? Ou é a memória suavizando as coisas 25 anos depois?

Mimi

Talvez os dois. Mas há algo real ali — ele diz que ninguém passou na frente de ninguém, que não havia pânico. Pode ser que o pânico real só tenha vindo quando ele saiu para a rua e viu a Torre Sul desabar.

Mark

E nesse momento, quando ele viu o prédio caindo, ele estava perto o suficiente para morrer?

Mimi

Muito perto. Ele diz que se o prédio tivesse caído em sua direção, ele teria morrido. Mas caiu sobre si mesmo, então ele só foi atingido pela nuvem de fumaça.

Luke

Ele estava a quantos metros? O relato não especifica. Sabemos que ele correu, mas não sabemos exatamente de onde.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que ele estava entre milhares de pessoas sendo evacuadas para o sul da ilha, e que a proximidade era real o suficiente para que ele sentisse que sua vida estava em risco.

Mark

E depois? Como ele conseguiu sair de Manhattan?

Mimi

Passou mais de uma hora incomunicável com a família. Depois conseguiu atravessar a Ponte do Brooklyn para Nova Jersey, onde morava.

Luke

Mais de uma hora — mas quanto tempo exatamente? E como ele conseguiu atravessar a ponte? Havia controle? Caos total?

Mimi

O relato não detalha isso. Sabemos que ao final do dia ele estava em casa, mas os detalhes da travessia não estão ali.

Mark

Então ele foi um dos poucos brasileiros que estava lá naquele dia?

Mimi

Aparentemente sim. Economista trabalhando no World Trade Center — não era comum ter brasileiros naquela posição naquela época.

  • Um impacto devastador sacudiu 110 andares e Larry, sem ainda compreender o que acontecia, decidiu no instante seguinte que o prédio não sobreviveria — e que ele precisava sair.
  • A descida pelos 25 andares foi estranhamente silenciosa, quase solene, como se o pânico tivesse sido suspenso por alguma força coletiva invisível.
  • Ao pisar na rua, a realidade explodiu: a Torre Sul desabou diante de seus olhos, e Larry correu pela vida enquanto uma nuvem de fumaça e escombros engolia Manhattan.
  • Por mais de uma hora, sua família não sabia se ele estava vivo — as linhas telefônicas estavam mortas e a cidade, em colapso total.
  • Ao final do dia, Larry atravessou a Ponte do Brooklyn e chegou a Nova Jersey, carregando consigo uma história que pouquíssimos brasileiros podem contar em primeira pessoa.

Vinte e cinco anos atrás, um economista gaúcho chamado Larry Pinto de Faria Jr. desceu calmamente 25 andares da Torre Norte do World Trade Center enquanto a história se reescrevia ao seu redor. Ele saiu para as ruas de Manhattan e viu a Torre Sul desabar — um colapso que, metros a mais em outra direção, teria sido o seu fim. A sobrevivência de Larry é um fragmento humano dentro de uma tragédia de escala civilizacional: a lembrança de que, naquele dia, cada passo dado foi, ao mesmo tempo, ordinário e milagroso.

Um estrondo violento. Cento e dez andares balançando. Larry Pinto de Faria Jr., economista gaúcho, estava no 25º andar da Torre Norte do World Trade Center quando sentiu o impacto do Boeing 767 em 11 de setembro de 2001. Um colega ao lado murmurou algo sobre uma bomba, lembrando do ataque de 1993. Ninguém ali imaginava estar dentro de um momento que reescreveria a história. Larry olhou para o chefe e disse o que sabia ser verdade: "Vamos embora que isso vai cair."

A evacuação pelos 25 andares foi, surpreendentemente, calma. Ninguém corria, ninguém gritava. Larry compararia depois àquela sensação silenciosa de uma derrota do Inter no Beira-Rio — todo mundo quieto, ninguém passando na frente do outro. Durante a descida, um cliente mencionou "um aviãozinho". Larry sabia que era mais do que isso.

Quando chegou às ruas de Manhattan, a realidade se impôs com brutalidade. Não era um pequeno avião. A Torre Sul também havia sido atingida — e então, enquanto caminhava, ele a viu desabar. O pavor que não veio durante a descida chegou agora, completo. Ele correu. Se o edifício tivesse tombado em sua direção, teria morrido. Caiu sobre si mesmo, e Larry foi alcançado apenas pela nuvem de poeira que varreu a ilha.

Por mais de uma hora, sua família não sabia se ele estava vivo. As linhas telefônicas estavam saturadas, a cidade em caos. Ao final do dia, ele atravessou a Ponte do Brooklyn e chegou à sua casa em Nova Jersey. Vinte e cinco anos depois, Larry Pinto de Faria Jr. permanece como um dos pouquíssimos brasileiros que estavam dentro das Torres Gêmeas naquele dia — e viveu para contar.

Um estrondo violento. Cento e dez andares balançando sob os pés. Larry Pinto de Faria Jr., economista gaúcho, estava no 25º andar da Torre Norte do World Trade Center quando sentiu o impacto do Boeing 767 atingindo o prédio em 11 de setembro de 2001. Naquele primeiro momento, a magnitude do que estava acontecendo permanecia invisível. Um colega ao seu lado reclamou: "Outra bomba no prédio", lembrando do ataque com caminhão-bomba que havia atingido o estacionamento das Torres Gêmeas oito anos antes, em 1993. Algo estava errado — isso era claro — mas ninguém naquele andar imaginava estar vivenciando um ataque terrorista que reescreveria a história.

Larry tentava processar o que seus sentidos captavam. "Pelo barulho que foi, pelo que balançou, bem que poderia ter sido uma bomba muito forte. Eu não tinha noção, naquele primeiro impacto", recordaria depois. A caneta caiu da mesa. O prédio inteiro tremeu de um jeito que nenhum edifício deveria tremer. Ele se virou para seu chefe e disse o óbvio: "Vamos embora que isso vai cair. Não tem como um prédio desse tamanho aguentar o balanço que fez."

A evacuação começou. O que surpreendeu Larry, olhando para trás, foi a calma que tomou conta das pessoas descendo pelos 25 andares. Ninguém corria. Ninguém gritava. "A descida foi muito tranquila, muito tranquila", lembrou. "Me lembrou uma derrota do Inter no Beira-Rio. Descemos todos sem falar com ninguém, todo mundo quietinho, sem nenhuma pessoa passar na frente da outra. Não tinha pânico." Durante a descida, um cliente o informou que "um aviãozinho que bateu lá em cima". Larry sabia que era mais do que isso.

Quando chegou ao térreo e saiu para as ruas de Manhattan, a realidade se impôs com força brutal. Não era um pequeno avião. Era um avião de grande porte. E a Torre Sul também havia sido atingida. Então, enquanto ele caminhava pelas ruas, viu a segunda torre desabar. O pânico que não havia vindo durante a descida veio agora, completo e visceral. "Medo mesmo, pavor, eu só tive em um momento. Quando eu saí caminhando, só olhei para cima e vi aquela torre grande caindo no meio dos escombros. Comecei a correr, porque estava muito próximo do prédio." Se o edifício tivesse caído em sua direção, ele teria morrido. Mas caiu sobre si mesmo, e Larry foi atingido apenas pela nuvem de fumaça e poeira que se expandiu pela ilha.

Ele continuou se deslocando para o sul de Manhattan, junto com milhares de outras pessoas que evacuavam dos prédios próximos às Torres Gêmeas. Naquele momento, começaram a chegar informações fragmentadas sobre outros ataques em curso. Um avião havia sido derrubado na Pensilvânia. Havia aviões desaparecidos cujo paradeiro ninguém conhecia. O Pentágono havia sido atingido. "Pensei, os caras estão atacando os Estados Unidos. Tem 10 mil pessoas aqui nessa praça onde estou. Se jogar um avião aqui, mata todo mundo. Era um formigueiro de gente", recordou.

A Torre Norte havia sido atingida às 9h46 da manhã, horário local. A Torre Sul, às 10h03. Larry passou mais de uma hora incapaz de comunicar à sua família que estava vivo e seguro. As linhas telefônicas estavam saturadas. A cidade inteira estava em caos. Ao final do dia, ele conseguiu atravessar a Ponte do Brooklyn e chegar à sua casa em Nova Jersey, do outro lado do East River. Vinte e cinco anos depois, em 2026, Larry Pinto de Faria Jr. permanecia como um dos poucos brasileiros que estavam dentro das Torres Gêmeas naquele dia e viveu para contar a história.

Pelo barulho que foi, pelo que balançou, bem que poderia ter sido uma bomba muito forte. Eu não tinha noção, naquele primeiro impacto
— Larry Pinto de Faria Jr., descrevendo o momento do impacto
A descida foi muito tranquila, muito tranquila... Descemos todos sem falar com ninguém, todo mundo quietinho, sem nenhuma pessoa passar na frente da outra. Não tinha pânico
— Larry Pinto de Faria Jr., sobre a evacuação do prédio
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