O verde luminoso que parece pintar a noite de dentro para fora
A 150 milhões de quilômetros de distância, o Sol atravessa o pico de seu vigésimo quinto ciclo de atividade e lança para o espaço jatos de plasma que, dias depois, acendem o céu noturno em verde e vermelho. Foi assim que Alexis Rottini, brasileiro vivendo em Minnesota, encontrou-se diante de uma aurora boreal no início de julho de 2026 — não por acaso, mas guiado por um aplicativo que traduziu a física solar em uma simples notificação. O episódio é um lembrete de que os fenômenos mais antigos do cosmos agora chegam ao alcance de qualquer pessoa com uma câmera e curiosidade.
- O Sol está no auge do Ciclo Solar 25, disparando ejeções de massa coronal com intensidade crescente — e a Terra está no caminho.
- Uma tempestade solar no início de julho transformou o céu de Minnesota em um espetáculo de cores que poucos brasileiros já viram ao vivo.
- Rottini não estava monitorando o espaço: foi um alerta no celular que o tirou da rotina e o colocou diante de um dos fenômenos mais raros visíveis a olho nu.
- As imagens que ele compartilhou mostram verdes luminosos e vermelhos pulsantes — cores produzidas quando partículas solares colidem com oxigênio e nitrogênio na alta atmosfera.
- Com o ciclo solar ainda em curso por mais alguns anos, aplicativos de monitoramento continuam a democratizar o acesso a esses espetáculos para quem souber prestar atenção.
Alexis Rottini estava em Stephen, Minnesota, quando o céu noturno se transformou. O brasileiro, radicado nos Estados Unidos, pegou sua câmera e registrou uma aurora boreal em plena intensidade — aquele verde luminoso que parece pintar a noite de dentro para fora, pontuado por tons de vermelho que pulsam contra a escuridão.
Tudo começou com uma notificação. Rottini não acompanhava as previsões de tempestades solares anunciadas para o início de julho, mas um aplicativo de monitoramento o avisou: as condições estavam certas. O fim de semana do Dia da Independência americano seria iluminado não só por fogos de artifício, mas por um espetáculo vindo do espaço.
O fenômeno tem origem a 150 milhões de quilômetros daqui. O Sol atravessa ciclos de atividade de onze anos e está agora no pico do Ciclo Solar 25. Nessa fase, manchas solares concentram energia em densidades extremas até que as linhas magnéticas se emaranham e estalam, lançando jatos massivos de plasma — as chamadas ejeções de massa coronal. Quando apontam para a Terra, essas partículas chegam em poucos dias.
A magnetosfera desvia a maioria delas, mas algumas penetram a atmosfera pelas regiões polares, onde as linhas magnéticas convergem. Ao colidir com moléculas de oxigênio e nitrogênio na alta atmosfera, essas partículas produzem luz. O verde vem do oxigênio; o vermelho, o azul e o violeta dependem da molécula atingida e da energia envolvida.
O que torna a história de Rottini especialmente significativa é o papel da tecnologia. Décadas atrás, testemunhar uma aurora exigia estar no lugar certo por pura sorte. Hoje, um aplicativo avisa quando o momento chegou — democratizando um dos espetáculos mais antigos do céu. Com o Ciclo Solar 25 ainda em curso, haverá mais oportunidades para quem souber ouvir o alerta.
Alexis Rottini estava em Stephen, Minnesota, quando o céu noturno se transformou. O brasileiro, que vive nos Estados Unidos, pegou sua câmera e capturou o que poucos conseguem documentar: uma aurora boreal em toda sua intensidade, aquele verde luminoso que parece pintar a noite de dentro para fora. As imagens que ele compartilhou mostram o fenômeno em sua plenitude, com cores que variam entre o verde predominante e tons de vermelho que pulsam contra a escuridão.
Tudo começou com uma notificação no celular. Rottini não estava acompanhando as previsões de tempestades solares que os astrônomos vinham anunciando para o início de julho. Mas um aplicativo que monitora a formação de auroras e alerta seus usuários o avisou: as condições estavam certas. O fim de semana do Dia da Independência americano, celebrado em 4 de julho, seria iluminado não apenas pelos fogos de artifício tradicionais, mas por um espetáculo que vem do espaço.
O que Rottini capturou é resultado de um processo que começa a 150 milhões de quilômetros de distância. O Sol passa por ciclos de atividade que duram onze anos. Atualmente, ele está no auge do que os cientistas chamam de Ciclo Solar 25 — o vigésimo quinto ciclo que foi acompanhado de perto pela comunidade científica moderna. Nesse pico de atividade, a superfície solar fica repleta de manchas, regiões onde a energia se concentra em densidades extremas. Quando as linhas magnéticas que atravessam essas manchas se emaranham demais, elas podem simplesmente estalar.
Essas explosões são eventos cataclísmicos em escala solar. O Sol dispara jatos massivos de plasma — partículas carregadas, principalmente elétrons e prótons — para fora de sua superfície em eventos conhecidos como ejeções de massa coronal. Os cientistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA classificam essas explosões em uma escala que vai de A até X, com cada nível sendo dez vezes mais intenso que o anterior, medido pela quantidade de radiação em raios-X que liberam. Quando um desses jatos aponta na direção da Terra, começa uma jornada de alguns dias pelo espaço.
A magnetosfera terrestre — aquele escudo magnético invisível que envolve o planeta — desvia a maioria dessas partículas. Mas nem todas conseguem ser bloqueadas. Algumas penetram a atmosfera seguindo as linhas magnéticas do planeta, e é justamente nas regiões polares, onde essas linhas convergem, que elas conseguem chegar mais facilmente. Quando essas partículas carregadas colidem com as moléculas de oxigênio e nitrogênio que flutuam na alta atmosfera, ocorre uma reação que produz luz. É assim que nasce a aurora.
O verde que Rottini fotografou vem principalmente do oxigênio. Mas auroras não são monótonas. Dependendo de qual molécula é atingida e de quanta energia a partícula solar carrega, o céu pode exibir vermelho, azul, violeta ou rosa. O fenômeno é visível a olho nu em latitudes extremas — tanto no norte, onde é chamada de aurora boreal, quanto no sul, onde recebe o nome de aurora austral. Para alguém como Rottini, em Minnesota, a oportunidade de capturar essas imagens é rara o suficiente para justificar acordar no meio da noite e apontar uma câmera para o céu.
O que torna a história de Rottini particularmente interessante é como a tecnologia moderna transformou a observação de auroras. Décadas atrás, você precisaria ser astrônomo ou simplesmente estar no lugar certo na hora certa. Agora, um aplicativo no seu telefone pode avisar quando as condições estão favoráveis. Isso democratizou o acesso a um dos espetáculos mais antigos do céu — um fenômeno que povos indígenas observavam há milhares de anos e que agora pode ser capturado por qualquer pessoa com uma câmera e uma notificação no celular. O Ciclo Solar 25 ainda tem alguns anos pela frente, o que significa que haverá mais oportunidades como essa.
Notable Quotes
Rottini não sabia da tempestade solar, mas ficou sabendo da possibilidade do fenômeno através de um aplicativo que monitora a formação de aurora— Olhar Digital
The Hearth Conversation Another angle on the story
Como Alexis soube que deveria sair de casa naquela noite?
Um aplicativo no celular dele enviou um alerta. Ele não estava acompanhando as previsões de tempestades solares, mas o app monitora as condições em tempo real e notifica quando a aurora pode ser visível.
E por que Minnesota especificamente? Isso é um lugar privilegiado para ver auroras?
Minnesota fica em uma latitude bastante ao norte, perto o suficiente do Ártico para estar dentro da zona onde as partículas solares conseguem penetrar a atmosfera com mais facilidade. Não é o Alasca, mas é definitivamente um bom lugar.
Você mencionou que o verde é a cor mais comum. Por que o oxigênio produz verde e não outra cor?
É uma questão de física quântica. Quando um elétron do oxigênio é atingido por uma partícula solar e volta ao seu estado normal, ele libera energia em um comprimento de onda específico — aquele verde que vemos. O vermelho vem do oxigênio também, mas em altitudes diferentes. O azul e o violeta vêm do nitrogênio.
O Sol está em um ciclo de atividade agora. Isso significa que vamos ver mais auroras nos próximos anos?
Sim. O Ciclo Solar 25 ainda está em seu auge, então haverá mais tempestades solares. Mais tempestades significam mais oportunidades para auroras. Mas também significam mais radiação no espaço, o que pode afetar satélites e comunicações.
Então há um lado negativo nisso tudo?
Há. As mesmas explosões que criam auroras bonitas podem danificar infraestrutura. Satélites podem falhar, redes elétricas podem sofrer, comunicações podem ser interrompidas. A aurora é bonita, mas é também um sinal de que algo poderoso está acontecendo.
E as fotos de Alexis — elas são raras?
Não são impossíveis, mas são especiais. Você precisa estar no lugar certo, na hora certa, com uma câmera em mãos, e com céu claro. A maioria das pessoas nunca vê uma aurora na vida. Alexis teve sorte e também teve a tecnologia para saber quando tentar.