Em Cartagena, na Espanha, a seleção brasileira feminina transformou um amistoso preparatório em ato de consciência coletiva: antes de golpear a Rússia por 3 a 0, as atletas publicaram um manifesto contra o assédio sexual e entraram em campo segurando uma faixa com as palavras 'Assédio Não'. O futebol foi o palco, mas a mensagem era para além dos gramados — um lembrete de que corpos que competem por medalhas também carregam, fora dali, o peso de uma violência cotidiana que exige nome e denúncia.
Brasil vence Rússia 3 a 0 com protestos contra assédio dentro e fora de campo
Nossa luta pelo respeito vai além dos gramados
Por que as jogadoras decidiram fazer esse protesto justamente em um amistoso preparatório?
Porque o momento importa. Elas estavam reunidas, tinham visibilidade, e a questão do assédio é urgente. Não é algo que espera pela data certa.
Mas a gente sabe se houve assédio específico dentro da confederação ou da seleção que as motivou? O manifesto fala de um problema geral no Brasil.
O manifesto é sobre o problema estrutural. Não precisa haver um caso específico para que atletas mulheres digam que estão cansadas.
E como a confederação reagiu ao protesto?
A fonte não registra reação oficial. O que sabemos é que as jogadoras entraram em campo com a faixa e o manifesto foi publicado.
Isso é importante notar — não temos a posição da confederação ou do técnico Pia Sundhage sobre o protesto.
Verdade. Mas o fato de as atletas terem feito isso, com o técnico presente, sugere que havia espaço para isso acontecer.
E o impacto? Alguém respondeu ao manifesto?
A reportagem não cobre o que veio depois. Sabemos que aconteceu, mas não sabemos as consequências ou repercussões.
O que importa é que ficou registrado. Elas colocaram o assédio na conversa em um momento em que o Brasil inteiro estava vendo futebol feminino.
Le Pouls
- Horas antes do apito inicial, as jogadoras lançaram um manifesto coletivo nomeando o assédio moral e sexual como violência real e convocando mulheres e homens a denunciarem.
- As onze titulares entraram em campo segurando uma faixa com 'Assédio Não', transformando o aquecimento olímpico em protesto político visível.
- Dentro das quatro linhas, o Brasil dominou a Rússia com intensidade desde os primeiros minutos, sufocando a saída de bola adversária e criando chances consecutivas.
- Bruna Benites marcou dois gols de cabeça em cobranças de escanteio, e Andressa Alves fechou a goleada de 3 a 0 no segundo tempo, consolidando a vitória técnica e simbólica.
- A seleção segue para o duelo contra o Canadá antes de embarcar a Tóquio, onde estreia contra a China em 21 de julho — mas a mensagem de Cartagena já viajou mais longe do que qualquer voo.
Em Cartagena, na Espanha, a seleção brasileira feminina transformou um amistoso preparatório em ato de consciência coletiva: antes de golpear a Rússia por 3 a 0, as atletas publicaram um manifesto contra o assédio sexual e entraram em campo segurando uma faixa com as palavras 'Assédio Não'. O futebol foi o palco, mas a mensagem era para além dos gramados — um lembrete de que corpos que competem por medalhas também carregam, fora dali, o peso de uma violência cotidiana que exige nome e denúncia.
A seleção brasileira feminina chegou ao Estádio Municipal de Cartagonova, em Cartagena, na Espanha, com mais do que um plano tático. Horas antes do amistoso contra a Rússia, disputado em 11 de junho, as jogadoras publicaram um manifesto conjunto contra o assédio sexual — um texto que nomeava a violência, reconhecia as vítimas e convocava outras pessoas a denunciarem. "Nossa luta pelo respeito e igualdade vai além dos gramados", dizia o comunicado. Ao entrar em campo, as onze titulares seguravam uma faixa com as palavras 'Assédio Não', tornando o protesto visível para quem assistia.
No jogo, o Brasil não deixou dúvidas sobre sua superioridade. Desde os primeiros minutos, a marcação agressiva na saída de bola russa criou oportunidades claras, especialmente pelo lado direito com Tamires. Aos 41 minutos do primeiro tempo, após cruzamento de Andressinha e desvio de Ludmila, Bruna Benites empurrou para abrir o placar. Na segunda etapa, a zagueira voltou a marcar em novo escanteio, e Andressa Alves — que havia entrado no lugar de Marta — fechou a conta aos 36 minutos, sacramentando a goleada de 3 a 0.
O resultado era importante: parte da Data Fifa de junho, o amistoso servia de preparação para as Olimpíadas de Tóquio. O próximo compromisso seria contra o Canadá, na segunda-feira, antes do embarque para o Japão, onde a estreia olímpica está marcada para 21 de julho diante da China. Mas o que Cartagena deixou de mais duradouro não foi a goleada — foi a imagem de atletas que usaram o maior palco disponível para dizer, em voz alta e com faixa nas mãos, que o respeito às mulheres não pode esperar o apito final.
A seleção brasileira feminina entrou em campo em Cartagena, na Espanha, com uma mensagem que transcendia o futebol. No amistoso contra a Rússia, disputado no Estádio Municipal de Cartagonova no dia 11 de junho, as onze titulares seguravam uma faixa com as palavras "Assédio Não" — um protesto que havia começado horas antes, quando o grupo publicou um manifesto conjunto contra o assédio sexual. O resultado do jogo foi uma goleada de 3 a 0, com dois gols da zagueira Bruna Benites e um de Andressa, mas a vitória foi apenas parte da história que as atletas queriam contar.
O manifesto divulgado pelas jogadoras antes da partida colocava em palavras o que o protesto visual reforçaria: a realidade cotidiana de milhares de brasileiras e brasileiros que enfrentam assédio moral e sexual. O comunicado não era genérico. Nomeava a violência, reconhecia as vítimas e, crucialmente, chamava outras mulheres e homens a denunciarem. "Nossa luta pelo respeito e igualdade vai além dos gramados", afirmava o texto, transformando um amistoso de preparação olímpica em um espaço de reivindicação política.
No campo, o Brasil dominou desde o início. Nos primeiros dez minutos, a marcação agressiva na saída de bola russa, especialmente pelo lado direito com Tamires, criou oportunidades claras. Aos 16 minutos, Bruna Benites cabeceou perigosamente após escanteio. A Rússia ofereceu pouca resistência ofensiva — sua melhor chance veio aos 21 minutos, quando Ruzina quase aproveitou uma saída precipitada da goleira Bárbara. Mas o Brasil abriu o placar aos 41 minutos do primeiro tempo. Após cruzamento de Andressinha, Ludmila desviou para trás e Bruna Benites empurrou a bola para dentro.
No segundo tempo, com a vantagem consolidada, a seleção comandada por Pia Sundhage aumentou o controle e o risco nas jogadas. Aos sete minutos, Debinha desperdiçou uma oportunidade de ampliar. Mas aos 18 minutos, em nova cobrança de escanteio, Bruna Benites marcou seu segundo gol do dia. Pouco depois, Andressa Alves, que havia entrado no lugar de Marta, fechou a conta aos 36 minutos da segunda etapa, selando a vitória por 3 a 0.
O jogo foi o primeiro da Data Fifa de junho, que ocorria entre os dias 7 e 15 na Espanha. Para o Brasil, era um teste importante antes das Olimpíadas de Tóquio. A próxima parada seria contra o Canadá na segunda-feira, dia 14, o último compromisso antes de embarcar para o Japão. A estreia olímpica estava marcada para 21 de julho contra a China, seguida de confrontos contra Holanda e Zâmbia nos dias 24 e 27. Mas naquele dia em Cartagena, o que ficaria na memória não era apenas a goleada — era a mensagem que as atletas carregaram para dentro do estádio e que ecoaria além dele.
Citations marquantes
Todos os dias no Brasil, milhares de pessoas são acometidas e desrespeitadas com cenas de assédio, seja moral ou sexual, especialmente nós, mulheres. Dizer não ao abuso são mais do que palavras, são atitudes.— Manifesto conjunto da seleção feminina