Brasil terá ressaca em 2027 após orgia fiscal, alerta gestor da Verde

Toda festa de estímulos termina em ressaca, e ninguém quer acordar
Parreiras prevê que a contínua injeção de estímulos fiscais levará a uma desaceleração econômica severa em 2027.
Mark

Quando você diz que o Brasil vai ter uma ressaca em 2027, está falando de uma recessão ou de algo menos grave?

Mimi

É mais uma desaceleração forte do que uma recessão clássica. Mas a palavra ressaca é proposital — você acorda com dor de cabeça, náusea, arrependimento. A economia vai desacelerar porque os estímulos vão secar, e aí o governo vai reagir estimulando mais, criando um ciclo.

Mark

Por que você acha que nenhum governo vai fazer um ajuste fiscal voluntário?

Mimi

Porque ajuste fiscal é impopular. Significa cortar gastos, aumentar impostos, ou ambos. Nenhum político quer fazer isso em ano de eleição ou logo depois. Só uma crise força a mão — quando o mercado diz não, quando a moeda desaba, quando não há saída.

Mark

Mas e se a direita ganhar? Você não acha que haveria mais disposição para ajuste?

Mimi

Talvez o mercado fique menos pessimista, talvez haja alguma desindexação. Mas não vai ser o ajuste estrutural que precisamos. O populismo fiscal é bipartidário no Brasil.

Mark

Você mencionou que o Brasil está perdendo o bonde da IA. Como isso se conecta com os estímulos fiscais?

Mimi

São dois problemas que se reforçam. Enquanto o governo fica preso em ciclos de estímulo e desaceleração, não consegue aprovar as reformas e investimentos que a IA exige. Data-centers, infraestrutura, legislação — tudo fica travado no Congresso.

Mark

As empresas brasileiras não conseguem compensar essa falta de apoio macro?

Mimi

As empresas são eficientes e vão acompanhar a tecnologia de qualquer forma. Mas há um teto. Sem data-centers aqui, sem energia dedicada, sem um ambiente regulatório claro, o Brasil fica como espectador de uma revolução que deveria estar liderando.

Mark

Então em 2027, o Brasil acorda com ressaca fiscal e percebe que também perdeu a corrida da IA?

Mimi

Exatamente. E aí o governo vai estimular ainda mais para tentar compensar, aprofundando o problema.

  • O governo atual anuncia novos programas de estímulo quase diariamente, numa escala comparável apenas ao período de reeleição de Dilma Rousseff, sem qualquer sinal de freio voluntário.
  • A tensão central é que nenhum governo — de direita ou de esquerda — está disposto a pagar o preço político de um ajuste fiscal real, perpetuando o ciclo.
  • Quando a desaceleração de 2027 chegar, a resposta provável será mais estímulo, aprofundando o buraco em vez de sair dele.
  • Paralelamente, o Brasil perde a janela da inteligência artificial: energia limpa existe, mas a incapacidade legislativa impede a aprovação dos projetos necessários para atrair data-centers.
  • O país está escorregando para o grupo de nações que ficam de fora da transformação tecnológica, enquanto empresas brasileiras individualmente tentam acompanhar o ritmo por conta própria.

Em meio a uma festa de estímulos fiscais sem perspectiva de encerramento voluntário, o Brasil caminha para uma ressaca econômica em 2027 — não por acidente, mas por escolha repetida de todos os lados do espectro político. Luiz Parreiras, gestor da Verde Asset, observa que o populismo fiscal não tem cor partidária, e que o ajuste só virá quando uma crise o impuser. Enquanto isso, o país assiste à revolução da inteligência artificial de fora, incapaz de converter sua energia limpa abundante em atração de investimentos tecnológicos — uma perda que pode ser mais duradoura do que qualquer ciclo econômico.

Luiz Parreiras, gestor da Verde Asset, saiu da Expert XP 2026 com uma previsão direta: o Brasil vai enfrentar uma ressaca econômica severa em 2027, e ninguém no governo parece disposto a evitá-la. O diagnóstico é que o governo atual vive uma festa contínua de estímulos fiscais — programas novos anunciados quase diariamente — e esses incentivos só vão parar quando uma crise forçar a mão do próximo governo. O PT governa dessa forma desde o primeiro mandato de Lula, e o nível atual de distribuição de estímulos lembra o período de reeleição de Dilma Rousseff.

Parreiras ressalta que essa dinâmica não é exclusiva da esquerda. Direita e esquerda praticam o mesmo populismo fiscal, apenas com tons diferentes. Uma eventual vitória da direita nas próximas eleições pode aliviar um pouco o pessimismo do mercado, mas não será suficiente para destravar os juros ou promover o ajuste estrutural necessário. E quando a desaceleração de 2027 chegar, a resposta provável de qualquer governo será estimular ainda mais a economia — aprofundando o ciclo em vez de rompê-lo.

Há, porém, uma preocupação que Parreiras considera ainda mais grave no longo prazo. O mundo está sendo reconfigurado pela inteligência artificial, e o Brasil está ficando para trás. Parreiras se diz mais otimista do que a maioria sobre o potencial da IA — os ganhos de eficiência e produtividade que ele observa nas empresas são, na sua visão, genuinamente transformadores. O problema é que o Brasil não consegue converter sua vantagem em energia limpa em atração de investimentos em data-centers, porque falta capacidade legislativa para aprovar o que é necessário no Congresso.

A divisão entre países dentro e fora do processo de IA está se tornando nítida, e o Brasil está caindo para o segundo grupo. As empresas brasileiras, supereficientes por natureza, vão acompanhar a evolução tecnológica individualmente — mas o problema é estrutural e macro. Em 2027, quando a ressaca fiscal bater, o país pode descobrir que perdeu não apenas um ano de crescimento, mas uma posição relevante na história tecnológica que está sendo escrita agora.

Luiz Parreiras, gestor de fundos na Verde Asset, saiu de um debate na Expert XP 2026 com uma previsão que não deixa margem para otimismo: o Brasil vai acordar em 2027 com uma ressaca econômica severa, e ninguém no governo parece disposto a evitar isso.

O problema, na visão de Parreiras, é simples e brutal. O governo atual está em uma festa de estímulos fiscais contínuos — programas novos anunciados quase diariamente, como ele ironizou, parecendo uma sessão de cinema da tarde. Esses incentivos só vão parar quando uma crise forçar a mão do próximo governo. Sem essa pressão externa, não há ajuste estrutural à vista. O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, governa dessa forma desde seu primeiro mandato, e agora está distribuindo estímulos em escala comparável apenas ao período de reeleição de Dilma Rousseff — um sinal de que o padrão se repetiu.

Parreiras observa que essa dinâmica não é exclusiva da esquerda. Tanto a direita quanto a esquerda praticam o mesmo populismo fiscal, apenas com tons diferentes. Se um candidato de direita vencer as próximas eleições, o mercado pode ficar um pouco menos pessimista e talvez haja alguma desindexação, mas isso não será suficiente para destravar os juros ou fazer o ajuste necessário. A festa continua, apenas com decorações diferentes.

O resultado previsível é uma desaceleração econômica forte em 2027. E quando isso acontecer, Parreiras aposta que o governo — seja qual for — reagirá estimulando ainda mais a economia, aprofundando o ciclo. É um padrão que se repete porque ninguém quer pagar o preço político de um ajuste real.

Mas há outro problema que preocupa Parreiras, talvez ainda mais grave a longo prazo. Enquanto o Brasil se debate com seus estímulos fiscais, o mundo está vivendo uma transformação impulsionada pela inteligência artificial. Parreiras é otimista demais com a IA — ele diz que furou a ponta dos otimistas — porque vê ganhos de eficiência e produtividade que são realmente relevantes nas empresas. Os ciclos de investimento seguidos de colheita de frutos são normais nesses processos de renovação tecnológica, e essa é uma força avassaladora.

O problema é que o Brasil está perdendo esse bonde. Apesar de ter energia limpa abundante, o país não consegue atrair investimentos em data-centers porque não consegue aprovar as coisas necessárias no Congresso. Há uma divisão clara entre países que estão dentro do processo de IA e países que estão fora, e o Brasil está caindo para o segundo grupo.

Parreiras reconhece que as empresas brasileiras são supereficientes e vão acompanhar a evolução tecnológica de qualquer forma. O problema é macro. As decisões do governo, a falta de competência em certas áreas, a incapacidade legislativa — tudo isso está conspirando para que o Brasil perca uma boa colocação na história que está sendo escrita agora. Em 2027, quando a ressaca fiscal bater, o país pode descobrir que perdeu mais do que apenas um ano de crescimento econômico.

Talvez o mercado fique um pouco menos pessimista com relação a um ajuste fiscal se um candidato de direita ganhar, mas não acho que vai haver um ajuste necessário para destravar os juros
— Luiz Parreiras, gestor da Verde Asset
Todo dia tem um programa de estímulos novo, parece filme da Sessão da Tarde
— Luiz Parreiras, sobre os estímulos fiscais do governo
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