A cada ciclo agrícola, o Brasil reafirma seu lugar como celeiro do mundo — e a safra 2025/26 não foge à regra. A Conab projeta uma colheita de 354,4 milhões de toneladas de grãos, crescimento modesto de 0,6%, sustentado pela expansão de 3% na área plantada e pela persistência de uma demanda internacional que não arrefece. No Rio Grande do Sul, a recuperação após secas e ciclones transforma adversidade em resiliência, lembrando que a agricultura é, antes de tudo, um ato de fé renovado a cada estação.
Brasil projeta safra de 354,4 milhões de toneladas; RS cresce 13,3% com 40,7 milhões
O produtor brasileiro continua firme, mesmo com adversidades
Por que um crescimento de 0,6% no Brasil inteiro é considerado positivo quando o Rio Grande do Sul cresce 13,3%?
Porque o Brasil é imenso e diverso. Mato Grosso e Paraná têm dinâmicas diferentes do Sul. Um crescimento de 0,6% agregado significa que mesmo com pressões em algumas regiões, o país mantém estabilidade. No RS, o 13,3% é recuperação — o estado estava machucado pelas secas e agora respira.
A soja cresce 34,9% no Rio Grande do Sul, mas a área plantada cresce apenas 1%. Como isso é possível?
Produtividade. Os agricultores estão colhendo muito mais por hectare. Significa que as condições melhoraram — menos seca, menos doença — e as plantas estão respondendo melhor. É o que a Conab chama de segunda maior produtividade da série histórica.
E o arroz? Por que cai quando a soja sobe?
Escolha econômica. Quando a soja fica mais atrativa — preço melhor, perspectiva melhor — o produtor muda o que planta. O arroz exige mais água, mais cuidado. Em um contexto de instabilidade climática, é risco maior.
A Conab menciona que o estado tem a maior área plantada mas é apenas o terceiro produtor. Isso não é contraditório?
Não. Significa que Mato Grosso e Paraná têm produtividade maior por hectare. Mais terra não garante mais colheita se a terra é menos fértil ou as condições são mais adversas. O RS tem volume, mas não tem eficiência máxima — ainda.
O que muda se os preços das commodities caírem nos próximos meses?
Tudo. O produtor que expandiu área com base nessa projeção fica exposto. Por isso Pretto fala em 'maior planejamento'. Não é só plantar e colher. É proteger-se contra o que não se controla.
The Pulse
- A Conab confirmou na terça-feira uma safra recorde de 354,4 milhões de toneladas, sinalizando crescimento contínuo mesmo sob pressão climática e volatilidade de preços.
- Agricultores brasileiros ampliam a área cultivada em 3%, chegando a 84,1 milhões de hectares, apostando em demanda externa robusta para justificar a expansão.
- O Rio Grande do Sul surpreende com alta de 13,3% na produção, mas o avanço vem marcado por semanas de seca seguidas por um ciclone — a recuperação é real, porém frágil.
- A soja gaúcha lidera com crescimento de 34,9% na produção, enquanto arroz e trigo recuam, revelando um setor que se reorganiza conforme os sinais do mercado e do clima.
- O desafio estrutural permanece: oscilações imprevisíveis de commodities exigem planejamento cada vez mais sofisticado dos produtores para garantir viabilidade nas próximas safras.
A cada ciclo agrícola, o Brasil reafirma seu lugar como celeiro do mundo — e a safra 2025/26 não foge à regra. A Conab projeta uma colheita de 354,4 milhões de toneladas de grãos, crescimento modesto de 0,6%, sustentado pela expansão de 3% na área plantada e pela persistência de uma demanda internacional que não arrefece. No Rio Grande do Sul, a recuperação após secas e ciclones transforma adversidade em resiliência, lembrando que a agricultura é, antes de tudo, um ato de fé renovado a cada estação.
Na terça-feira, a Conab divulgou suas projeções para a safra 2025/26: o Brasil deve colher 354,4 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 0,6% sobre o ciclo anterior. Não é um salto espetacular, mas em um setor pressionado por preços voláteis e clima imprevisível, qualquer avanço consistente é tratado como conquista.
O principal motor do crescimento é a expansão da área plantada, que sobe 3% e alcança 84,1 milhões de hectares. Soja, milho e sorgo lideram esse movimento, impulsionados também por uma demanda internacional que segue aquecida. O presidente da Conab, Edegar Pretto, destacou que, apesar das adversidades, o produtor brasileiro mantém o rumo.
O Rio Grande do Sul concentra a história mais expressiva do ciclo. O estado projeta 40,7 milhões de toneladas — alta de 13,3% —, mantendo-se como terceiro maior produtor nacional, com a maior área plantada do país: 10,53 milhões de hectares. A recuperação é notável considerando que o estado enfrentou semanas de seca seguidas por um ciclone com chuvas intensas.
A soja gaúcha é o destaque: ocupará 7,2 milhões de hectares e deve produzir 22,4 milhões de toneladas, crescimento de 34,9%. O milho também surpreende, com a maior expansão de área em duas décadas e produção estimada em 5,4 milhões de toneladas. Em sentido contrário, arroz e trigo recuam — o primeiro com queda de 12,2% na produção, o segundo de 6,3% —, refletindo ajustes às condições de mercado e clima.
O panorama geral é de um setor em constante adaptação. A Conab segue monitorando os impactos climáticos, e o desafio estrutural permanece: commodities que oscilam sem aviso exigem planejamento cada vez mais refinado. O Brasil planta, colhe e aposta que a próxima safra será melhor que a anterior.
Os números chegaram na terça-feira, como chegam sempre: projeções da Conab, a estatal que mapeia o que o Brasil vai colher. Desta vez, a mensagem era de crescimento contido mas consistente. O país deve recolher 354,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, um aumento de 0,6% sobre o ciclo anterior. Não é explosivo. Mas em um setor que vive sob pressão constante de preços voláteis e clima imprevisível, até crescimento modesto conta como vitória.
O motor desse avanço é simples: mais terra plantada. Os agricultores brasileiros vão expandir suas operações em 3%, levando a área total cultivada para 84,1 milhões de hectares. Soja, milho e sorgo lideram essa expansão. Por trás dos números está também a aposta em demanda internacional mais robusta — mercados externos que continuam comprando o que o Brasil produz, mesmo com as flutuações que caracterizam o comércio global de commodities. Edegar Pretto, presidente da Conab, resumiu o sentimento: apesar das adversidades climáticas e das variações de preço, o produtor brasileiro segue firme.
Mas é no Rio Grande do Sul que a história fica mais interessante. O estado projeta colher 40,7 milhões de toneladas, um salto de 13,3% em relação ao ano anterior. Permanece como terceiro maior produtor nacional, atrás apenas de Mato Grosso e Paraná, mas com uma peculiaridade: detém a maior área plantada do país, 10,53 milhões de hectares. Esse crescimento, porém, não é fruto de condições ideais. O estado enfrentou semanas de seca seguidas por um ciclone que trouxe chuvas intensas. A produtividade segue limitada por essas instabilidades recorrentes. Ainda assim, a recuperação esperada é significativa.
A soja é o destaque gaúcho. Ocupará 7,2 milhões de hectares — um crescimento de 1% — e deve produzir 22,4 milhões de toneladas, um aumento impressionante de 34,9%. É o carro-chefe da produção de grãos do estado, e os números refletem uma recuperação importante após as pressões climáticas. O milho também surpreende: a área cultivada crescerá 14,2%, o maior incremento em duas décadas, impulsionado pela segunda maior produtividade da série histórica gaúcha. A produção deve alcançar 5,4 milhões de toneladas.
O arroz, tradicional no estado, segue trajetória diferente. A área destinada ao cultivo deve encolher 5%, chegando a 919,7 mil hectares, e a produção cairá 12,2% para 7,7 milhões de toneladas. O trigo também recua: produção estimada em 3,7 milhões de toneladas, queda de 6,3%, com área reduzida em 13,7%. O feijão, por sua vez, cresce modestamente: 45,5 mil hectares plantados (aumento de 7,1%) e 76,6 mil toneladas de produção (elevação de 4,2%).
O quadro geral revela um setor em movimento, ajustando-se a sinais de mercado e limitações ambientais. A Conab continua monitorando os impactos das variações climáticas — a falta de chuva seguida pelo ciclone deixou marcas — mas as perspectivas apontam para recuperação. O desafio permanece o mesmo: preços de commodities que oscilam sem aviso, exigindo dos produtores um planejamento cada vez mais sofisticado. O Brasil segue plantando, colhendo e apostando que a próxima safra será melhor que a anterior.
Notable Quotes
Mesmo com as adversidades climáticas e variações de preços, o produtor brasileiro continua firme— Edegar Pretto, presidente da Conab
A Conab vem acompanhando os impactos da falta de chuva nas últimas semanas e, agora, os efeitos do ciclone, que trouxe fortes precipitações. Ainda assim, as perspectivas apontam para uma recuperação importante no Estado— Edegar Pretto, presidente da Conab