Em um mundo onde a responsabilização do poder é cada vez mais desigual, o Brasil ocupa a 75ª posição entre 172 países no Atlas da Impunidade da Eurasia Group, com 42,76 pontos em uma escala de zero a cem. O estudo revela que a violência permanece como a ferida mais profunda do país, enquanto a erosão da liberdade de imprensa ameaça corroer os próprios instrumentos que tornam a justiça possível. É um retrato de fragilidades institucionais que não afetam apenas estatísticas — afetam a vida concreta de milhões de pessoas que exercem o poder sem encontrar limites efetivos.
Brasil ocupa 75ª posição em ranking global de impunidade, aponta Eurasia Group
Abusos ocultos e cidadãos sem meios para desafiar o poder
Por que a violência aparece como o ponto mais crítico no caso brasileiro, enquanto a degradação ambiental fica bem melhor colocada?
Porque violência é um sintoma direto da ausência de responsabilização. Quando não há consequências reais para quem exerce poder de forma abusiva, a violência prospera. Degradação ambiental, por sua vez, é mais visível, mais documentada, e há pressão internacional maior sobre isso.
O Brasil melhorou sua pontuação desde 2020, mas piorou sua posição no ranking. Como isso é possível?
Porque outros países melhoraram mais rápido. O Brasil saiu de 44,53 para 42,76 pontos — uma melhora real. Mas enquanto isso, nações que estavam piores começaram a fortalecer suas instituições com mais vigor. É como correr mais rápido, mas os outros correm ainda mais.
A liberdade de imprensa aparece como o indicador que mais se deteriorou. Por quê isso importa tanto para a impunidade?
Porque sem imprensa livre, os abusos ficam invisíveis. Se ninguém pode denunciar, se a informação é controlada, então não há pressão pública para responsabilizar ninguém. A impunidade prospera na escuridão.
O estudo menciona que a distância entre países está aumentando. O que isso significa na prática?
Significa que alguns países estão construindo instituições fortes e democracias resilientes, enquanto outros — como o Brasil — ficam presos em um padrão onde a responsabilização permanece fraca. A desigualdade institucional global está se aprofundando.
Se o Brasil melhorou em pontos, há razão para otimismo?
Há razão para atenção, não otimismo. A melhora é real, mas modesta. E ela não se reflete em mudanças estruturais visíveis nas áreas que mais importam — violência, governança, direitos humanos. Sem fortalecer essas instituições de verdade, qualquer melhora é superficial.
O Pulso
- O Brasil figura na metade superior de um ranking global de impunidade, sinalizando que o exercício do poder sem responsabilização ainda é uma realidade estrutural no país.
- O indicador de conflito e violência coloca o Brasil em 19º lugar mundial — o pior desempenho entre todas as dimensões analisadas, com 61,09 pontos em uma escala de cem.
- A liberdade de imprensa foi o indicador que mais se deteriorou no estudo, e sua erosão é apontada como fator direto na perpetuação da impunidade, pois oculta abusos e priva cidadãos de meios para contestar o poder.
- Apesar de uma leve melhora na pontuação desde 2020 — de 44,53 para 42,76 pontos —, o Brasil oscilou entre a 61ª e a 75ª posição, refletindo também o avanço de outras nações no fortalecimento institucional.
- A desigualdade global na responsabilização está se ampliando, e o Brasil enfrenta o desafio de fortalecer instituições democráticas, mecanismos de controle e liberdade de imprensa para não ficar para trás.
Em um mundo onde a responsabilização do poder é cada vez mais desigual, o Brasil ocupa a 75ª posição entre 172 países no Atlas da Impunidade da Eurasia Group, com 42,76 pontos em uma escala de zero a cem. O estudo revela que a violência permanece como a ferida mais profunda do país, enquanto a erosão da liberdade de imprensa ameaça corroer os próprios instrumentos que tornam a justiça possível. É um retrato de fragilidades institucionais que não afetam apenas estatísticas — afetam a vida concreta de milhões de pessoas que exercem o poder sem encontrar limites efetivos.
A Eurasia Group, consultoria especializada em risco político e econômico, publicou seu Atlas da Impunidade posicionando o Brasil na 75ª colocação entre 172 países avaliados. Com 42,76 pontos em uma escala de zero a cem — onde pontuações mais altas indicam maior impunidade —, o país se situa na metade superior do ranking global, revelando fragilidades institucionais que afetam diretamente a população.
O pior desempenho brasileiro aparece na dimensão de conflito e violência: 19º lugar mundial, com 61,09 pontos. Em contraste, a degradação ambiental é o campo de melhor resultado, com o país ocupando a 155ª posição e 36,80 pontos. Nas demais dimensões — governança sem responsabilização, exploração econômica e violações de direitos humanos —, o Brasil figura entre a 81ª e a 113ª posição, desenhando um quadro de fragilidades distribuídas em múltiplas frentes.
O estudo destaca a erosão da liberdade de imprensa como o indicador de maior deterioração entre todos os analisados. Para os pesquisadores, esse processo compromete o próprio ambiente de informação do qual depende a responsabilização, deixando abusos encobertos e cidadãos sem instrumentos para contestar o poder. O enfraquecimento das liberdades civis e da cultura democrática é apontado como agravante central.
Ao longo dos últimos anos, a pontuação brasileira oscilou modestamente — de 44,53 em 2020 para 42,76 na edição mais recente —, mas a posição no ranking variou entre 61º e 75º lugar, refletindo também mudanças no desempenho das demais nações. Os autores alertam que a diferença entre países com maior e menor responsabilização continua crescendo, tornando o fortalecimento institucional um desafio urgente para o Brasil e para o mundo.
Um levantamento recém-publicado pela Eurasia Group, consultoria especializada em risco político e econômico, posiciona o Brasil na 75ª colocação entre 172 países avaliados em seu Atlas da Impunidade. A métrica mede algo fundamental: até que ponto a população sofre as consequências do exercício do poder sem que existam mecanismos reais de responsabilização. Com 42,76 pontos em uma escala que vai de zero a cem, o país situa-se na metade superior do ranking global — quanto maior a pontuação, maior o nível de impunidade.
O diagnóstico mais preocupante emerge quando se examina a dimensão de conflito e violência. Nesse critério específico, o Brasil aparece em 19º lugar com 61,09 pontos, revelando uma fragilidade muito mais aguda do que em outras áreas medidas. É o pior desempenho entre as cinco dimensões analisadas pelo estudo. Em contraste, a degradação ambiental apresenta o melhor resultado: o país ocupa a 155ª posição com 36,80 pontos, sugerindo um cenário relativamente mais controlado nesse aspecto.
Os pesquisadores também avaliaram governança, exploração econômica e direitos humanos. Na governança sem responsabilização, o Brasil fica em 113º lugar com 39,57 pontos. Em exploração econômica, aparece na 86ª posição com 39,96 pontos. Quanto a violações de direitos humanos, figura em 81º lugar com 36,37 pontos. Esses números, tomados em conjunto, desenham um quadro de fragilidades institucionais distribuídas em múltiplas frentes.
A Eurasia Group identifica a insuficiência de mecanismos de responsabilização como o fator central associado aos elevados níveis de impunidade em diferentes partes do mundo. Mas há um agravante específico: o enfraquecimento das liberdades civis, da cultura democrática e da liberdade de imprensa contribuem diretamente para perpetuar esse cenário. O estudo aponta que a erosão da liberdade de imprensa foi o indicador que apresentou a maior deterioração entre todos os analisados. Segundo os autores, esse processo "degrada o ambiente de informação do qual depende a responsabilização, deixando abusos ocultos e cidadãos sem meios para desafiar o poder sem controle".
Ao longo dos últimos anos, a trajetória brasileira no levantamento mostra oscilações modestas. Em 2020, o país registrava 44,53 pontos. Em 2022, o índice subiu ligeiramente para 44,86 pontos. Na edição mais recente, referente a 2025, o Brasil alcançou 42,76 pontos — uma redução, portanto. Apesar dessa melhora na pontuação, a posição no ranking variou entre 61º e 75º lugar durante o período, refletindo também mudanças no desempenho das demais nações avaliadas.
Um fenômeno mais amplo preocupa os autores do estudo: a diferença entre países com menores níveis de impunidade e aqueles onde a responsabilização é mais frágil continua crescendo. "A grande divergência na responsabilização global está se ampliando", afirmam, evidenciando que a desigualdade institucional entre as nações se intensifica. Para os pesquisadores, o fortalecimento das instituições democráticas, dos mecanismos de controle e da liberdade de imprensa permanece como um dos principais desafios para reduzir a impunidade em escala global — e, por extensão, para o Brasil.
Citações Notáveis
A grande divergência na responsabilização global está se ampliando— Eurasia Group
Degrada o ambiente de informação do qual depende a responsabilização, deixando abusos ocultos e cidadãos sem meios para desafiar o poder sem controle— Pesquisadores da Eurasia Group