Mesmo diante de um novo ciclo de afrouxamento monetário, o Brasil permanece isolado no topo do ranking global de juros reais — uma posição que revela as tensões profundas entre o controle da inflação, o custo do crédito e as ambições de crescimento de uma das maiores economias do mundo. O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano em setembro de 2026, mas o corte, longe de aproximar o país da normalidade global, ampliou a distância em relação à Rússia, segunda colocada no levantamento da plataforma MoneYou. Há algo de paradoxal nessa liderança: ela atrai capital estrangeiro ao mesmo tempo em que
Brasil mantém maior juro real do mundo após corte da Selic para 13,75%
Brasil amplia distância no ranking de juros reais globais
Por que o Brasil mantém juros reais tão mais altos que o resto do mundo? Isso não deveria estar caindo mais rápido?
O Copom vem cortando gradualmente — esse foi um corte de 0,25 ponto — mas a inflação ainda está pressionando. Quando você desconta a inflação da taxa nominal, o resultado real continua muito elevado.
Mas qual é exatamente a inflação que estão usando no cálculo? O levantamento do MoneYou usa qual metodologia? Isso importa bastante.
E qual é o impacto prático disso para quem está tomando empréstimo?
Fica mais caro. Uma pessoa que quer financiar um carro ou uma empresa que quer expandir paga juros muito mais altos do que em outros países. Isso desestimula investimento.
Certo, mas também atrai capital estrangeiro. Tem dois lados. A pergunta é: qual lado está ganhando agora?
E a Rússia, que é o segundo lugar — como ela consegue ter juros reais tão altos também?
Provavelmente por razões similares: pressão inflacionária, incerteza econômica. Mas o Brasil abriu ainda mais distância, segundo o MoneYou.
Novamente: qual é a fonte dessa comparação? Estamos falando de metodologias comparáveis entre países? Porque juros reais podem ser calculados de formas diferentes.
Faz sentido. Então o que muda agora com esse novo corte?
Continua o mesmo padrão — o Brasil segue liderando, mas a tendência é de redução gradual. A questão é se conseguem trazer os juros reais para um patamar mais próximo do resto do mundo sem descontrolar a inflação.
Le Pouls
- O Brasil cortou os juros, mas continuou mais distante do que nunca dos padrões praticados pelas grandes economias globais.
- A Rússia, segunda colocada no ranking de juros reais, ficou ainda mais para trás após o novo ajuste da Selic — o que revela a magnitude da excepcionalidade brasileira.
- Consumidores e empresas seguem presos em um ambiente de crédito caro, onde financiar projetos ou o consumo cotidiano tem um custo substancialmente mais alto do que em qualquer outro país monitorado.
- Poupadores encontram retornos atrativos na renda fixa, criando uma divisão clara entre quem se beneficia dos juros altos e quem sofre com eles.
- O Banco Central avança em seu ciclo gradual de cortes, mas o patamar de 13,75% ainda está muito longe de aliviar de forma significativa as condições monetárias do país.
Mesmo diante de um novo ciclo de afrouxamento monetário, o Brasil permanece isolado no topo do ranking global de juros reais — uma posição que revela as tensões profundas entre o controle da inflação, o custo do crédito e as ambições de crescimento de uma das maiores economias do mundo. O Copom reduziu a Selic para 13,75% ao ano em setembro de 2026, mas o corte, longe de aproximar o país da normalidade global, ampliou a distância em relação à Rússia, segunda colocada no levantamento da plataforma MoneYou. Há algo de paradoxal nessa liderança: ela atrai capital estrangeiro ao mesmo tempo em que pesa sobre o bolso de quem precisa de crédito para viver e produzir.
O Banco Central do Brasil reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros para 13,75% ao ano na reunião do Copom de setembro de 2026. A decisão, embora parte de um ciclo de afrouxamento monetário em curso, não alterou a posição do Brasil no cenário global — pelo contrário, ampliou-a.
Segundo levantamento da plataforma MoneYou, o Brasil segue como o país com a maior taxa de juros real do mundo, e a distância em relação à Rússia, segunda colocada no ranking, aumentou após o corte. A taxa real — que desconta a inflação — é o termômetro mais preciso do custo efetivo do dinheiro em uma economia, e o Brasil permanece em um patamar muito acima das demais nações monitoradas.
Essa liderança tem duas faces. Para poupadores, os juros elevados tornam as aplicações de renda fixa especialmente atraentes, e o capital estrangeiro em busca de retorno encontra no Brasil um destino favorável. Para empresas e consumidores, porém, o custo de tomar empréstimos permanece alto, freando investimentos e o consumo.
O ciclo de cortes da Selic sinaliza uma intenção gradual de normalização, mas o patamar atual ainda está muito distante do que se pratica nas grandes economias. Nos próximos meses, essa encruzilhada — entre atrair capital e liberar o crescimento interno — continuará definindo o horizonte econômico do país.
O Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros em um quarto de ponto percentual na reunião do Copom, levando a Selic para 13,75% ao ano. A decisão, tomada em setembro de 2026, mantém o país em uma posição singular no cenário econômico global: mesmo com o corte, o Brasil segue com a taxa de juros real mais elevada do mundo, segundo levantamento da plataforma MoneYou.
O que torna esse dado particularmente relevante é que a redução não apenas não alterou a posição brasileira no topo do ranking internacional, como ampliou ainda mais a distância entre o Brasil e o segundo colocado. A Rússia, que ocupa a segunda posição, ficou ainda mais distante da liderança brasileira após o novo corte da Selic.
A taxa de juros real — aquela que leva em conta a inflação — é um indicador crucial para entender o custo do dinheiro em uma economia. Juros reais elevados significam que empresas e consumidores pagam mais caro para tomar empréstimos, o que afeta tanto o crédito quanto os investimentos. Para o Brasil, manter a taxa mais alta do mundo tem implicações diretas no comportamento de poupadores, que encontram retornos atraentes em aplicações de renda fixa, e de tomadores, que enfrentam condições mais caras para financiar projetos e consumo.
A sequência de cortes da Selic vem ocorrendo há alguns meses, refletindo uma estratégia do Banco Central de aliviar gradualmente as condições monetárias. Ainda assim, o patamar de 13,75% permanece substancialmente acima das taxas praticadas em outras grandes economias, consolidando a posição brasileira como o país com o juro real mais elevado entre as nações monitoradas.
Esse cenário coloca o Brasil em uma encruzilhada econômica: de um lado, juros altos atraem investidores estrangeiros em busca de retornos; de outro, encarecem o crédito doméstico e podem desestimular a expansão econômica. A manutenção dessa liderança pouco invejável no ranking global de juros reais continuará moldando as decisões de consumidores, empresas e investidores nos próximos meses.
Citations marquantes
O Brasil ampliou a distância para a Rússia no ranking de juros reais— Levantamento do MoneYou