Brasil é mercado número 1 em personalização de produtos, diz presidente da OKX

Wall Street pode levar a indústria para a direção errada
Fang expressa preocupação com a dominância institucional no mercado de criptomoedas e o risco de repetir problemas do sistema financeiro tradicional.
Mark

Por que o Brasil é tão importante para a OKX em relação à personalização de produtos?

Mimi

Porque temos aqui uma comunidade que entende criptomoedas mas também tem necessidades muito específicas. Temos equipe local que consegue identificar oportunidades que uma empresa centralizada em outro lugar não veria. O OKX Pay nasceu dessa escuta.

Mark

Você trabalhou em Wall Street por oito anos. O que mudou em você quando descobriu o bitcoin?

Mimi

Percebi que tudo o que aprendi sobre dinheiro era apenas uma versão possível. O bitcoin me mostrou que moeda pode existir sem um banco central imprimindo, sem intermediários decidindo quem pode ou não fazer transações. Isso é radicalmente diferente.

Mark

Mas você lidera uma corretora centralizada. Como concilia isso com a defesa da autocustódia?

Mimi

Não é contradição, é evolução. Começamos centralizados porque era necessário. Mas conforme entendemos melhor o espaço, investimos pesadamente em DeFi e em carteiras de autocustódia. A OKX Wallet tem 5 milhões de usuários ativos. Oferecemos as duas opções.

Mark

Qual é exatamente o risco que você vê com a entrada de gigantes como BlackRock?

Mimi

O risco é a sobrefinancialização. Wall Street tem expertise em criar produtos cada vez mais complexos, mais intermediários, mais afastados das pessoas. Se o cripto virar apenas um ativo financeiro sofisticado, perdemos o propósito original.

Mark

Como se evita isso?

Mimi

Continuando a construir localmente, com comunidades de varejo, com pessoas que realmente usam criptomoedas para resolver problemas. Se apenas instituições dominarem a narrativa, o setor perde sua alma.

  • A OKX lança no Brasil o OKX Pay e um cartão de débito em criptomoedas, oferecendo rendimento de até 10% ao ano em stablecoins atreladas ao dólar — uma proposta direta para quem busca proteção cambial.
  • A entrada de gigantes como BlackRock no mercado cripto desde 2024 acende um alerta: a 'sobrefinancialização' do setor pode reproduzir os mesmos excessos de intermediários que motivaram a criação do bitcoin.
  • Hong Fang defende a autocustódia de criptoativos mesmo liderando uma corretora centralizada, e a OKX investe em sua própria carteira descentralizada com mais de 5 milhões de usuários ativos para sustentar essa posição.
  • O Brasil foi escolhido como mercado número um em personalização justamente por ter estrutura local completa — compliance, jurídico e atendimento — capaz de traduzir demandas específicas da comunidade em produtos reais.
  • O setor vive um momento de definição: a adoção institucional traz legitimidade, mas ameaça desviar as criptomoedas de seu propósito original de servir pessoas, não intermediários.

Em um setor cada vez mais disputado entre gigantes institucionais e comunidades locais, a OKX escolheu o Brasil como laboratório principal de personalização de produtos cripto. Hong Fang, presidente global da corretora, chegou ao país para lançar uma plataforma de pagamentos em criptomoedas que promete rendimento dolarizado a usuários comuns — enquanto alerta que a entrada de Wall Street no setor pode repetir os vícios do sistema financeiro que as criptomoedas nasceram para superar. É uma tensão antiga: entre a legitimidade que vem da escala e a liberdade que vem da descentralização.

Hong Fang, presidente global da OKX, veio ao Brasil com uma missão dupla: lançar novos produtos e reafirmar que este é o país onde a corretora mais investe em adaptar suas soluções às necessidades locais. A visita marcou o lançamento do OKX Pay e de um cartão de débito internacional em criptomoedas, com rendimento de até 10% ao ano para quem mantém saldo em stablecoins dolarizadas — uma proposta pensada para um mercado onde a busca por proteção cambial é constante.

A trajetória de Fang é reveladora. Oito anos no Goldman Sachs e uma formação em Chicago lhe deram domínio do sistema financeiro tradicional — mas foi o estudo aprofundado do bitcoin que mudou sua visão sobre o que o dinheiro pode ser. Ao perceber que a moeda emitida por bancos centrais é apenas uma entre muitas formas históricas de organizar valor, ela abraçou a ideia de uma moeda sem intermediários como algo genuinamente revolucionário.

Há uma tensão aparente em sua posição: defende a autocustódia de criptoativos — o controle direto das próprias chaves privadas — enquanto lidera uma corretora centralizada. Ela resolve essa contradição pela lógica da evolução: a OKX investiu na OKX Wallet, carteira descentralizada com mais de 5 milhões de usuários ativos, porque as maiores inovações do setor acontecem nas finanças descentralizadas.

No plano maior do setor, Fang admite sentimentos mistos diante da entrada de gigantes como BlackRock no mercado cripto. A adoção institucional traz escala e legitimidade, mas carrega o risco de repetir os vícios do sistema financeiro tradicional: excesso de intermediários, perda de foco nas pessoas, o que ela chama de 'sobrefinancialização'. Sua aposta é que construir no nível local, com comunidades de varejo, é o antídoto para que as criptomoedas não se tornem apenas mais um instrumento nas mãos de grandes instituições.

Hong Fang, presidente global da corretora de criptomoedas OKX, chegou ao Brasil com uma mensagem clara: este é o mercado onde sua empresa mais investe em adaptar produtos às necessidades locais. Durante visita para lançar a plataforma OKX Pay e um cartão de débito internacional em criptomoedas, Fang explicou que essa capacidade de personalização é justamente o que pode diferenciar a OKX de seus concorrentes em um setor cada vez mais disputado.

A executiva traz uma trajetória incomum para alguém que hoje lidera uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo. Passou oito anos no Goldman Sachs e estudou na Universidade de Chicago, onde aprendeu as estruturas tradicionais do sistema financeiro. Mas foi o bitcoin que mudou sua perspectiva sobre o que o dinheiro deveria ser. Conforme estudou a tecnologia em detalhe, percebeu que a moeda impressa por bancos centrais é apenas uma forma de organizar valor — e que durante 95% da história humana, as pessoas usaram outras formas de troca. Essa compreensão a levou a abraçar a ideia de uma moeda sem intermediários e sem censura como algo fundamentalmente revolucionário.

Há uma tensão interessante na posição de Fang. Ela defende a autocustódia de criptoativos — a ideia de que cada pessoa deveria controlar suas próprias chaves privadas — mesmo liderando uma corretora centralizada que custodia os ativos de seus clientes. Essa aparente contradição resolve-se em sua visão de evolução. A OKX começou puramente centralizada, mas conforme cresceu, Fang e sua equipe perceberam que o futuro estava em ativos registrados em blockchain. Por isso investiram em criar a OKX Wallet, uma carteira de autocustódia que hoje tem mais de 5 milhões de usuários ativos. As maiores inovações, em sua opinião, acontecem no ambiente das finanças descentralizadas, o que justifica esse duplo investimento.

No Brasil especificamente, a aposta é o OKX Pay, um produto global de pagamentos que permite aos usuários brasileiros depositar dinheiro, comprar stablecoins — criptomoedas cujo valor está atrelado a moedas tradicionais como o dólar — e fazer transferências para contatos usando moedas digitais, funcionando de forma similar ao PIX. O diferencial é que quem mantém saldo em stablecoins recebe rendimento, chegando a 10% ao ano no caso do USDG, uma stablecoin de dólar emitida pela Paxos. Fang vê as stablecoins como ferramentas que aumentam a confiança das pessoas nas criptomoedas, e o Brasil como um mercado ideal para impulsionar esses novos usos.

A estrutura local da OKX facilita essa personalização. A empresa tem diretor, compliance, jurídico, atendimento a clientes e auditoria interna baseados no Brasil, o que permite montar produtos que realmente atendam à demanda específica da comunidade. No caso brasileiro, a oportunidade identificada foi criar uma conta de pagamentos dolarizada com rendimento em dólar — algo que faz sentido em um país onde muitas pessoas buscam proteção cambial.

Mas Fang também expressa preocupação com uma tendência maior no setor. Desde 2024, gigantes de Wall Street como a BlackRock entraram no mercado de criptomoedas, trazendo adoção institucional em escala sem precedentes. Quando perguntada sobre isso, ela é honesta: tem sentimentos mistos. A narrativa institucional provavelmente continuará dominando o setor, mas há um risco real de que o mercado cripto repita os mesmos problemas do sistema financeiro tradicional — excesso de intermediários, perda de foco nas pessoas, o que ela chama de "sobrefinancialização".

Sua preocupação é que Wall Street possa levar a indústria para a direção errada. Por isso, defende que é preciso continuar construindo no nível local, com as comunidades de varejo, para evitar que as criptomoedas se tornem apenas mais um instrumento financeiro sofisticado nas mãos de grandes instituições. É uma tensão que define o momento atual do setor: entre a legitimidade que vem da adoção institucional e o risco de perder a essência descentralizada que motivou a criação das criptomoedas.

Conforme olhei para o bitcoin em detalhe, percebi que o dinheiro não precisa ser só aquele impresso por bancos centrais
— Hong Fang, presidente global da OKX
A minha preocupação é que Wall Street possa levar a indústria para a direção errada. É preciso continuar construindo no nível local, com a comunidade do varejo
— Hong Fang
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