Brasil tem 21 milhões de toneladas de terras-raras, segunda maior reserva global, mas produz menos de 1% do total mundial atualmente. Vantagem competitiva brasileira: minerais encontrados em forma de argila pela erosão natural, reduzindo custos de produção em relação a outros países.
Brasil aposta em terras-raras para se tornar potência global em tecnologias do futuro
Não podemos perder a chance de consolidar essa indústria
Por que agora? O Brasil sempre teve essas reservas. Por que os investidores estrangeiros acordaram para isso em 2025?
A transição energética acelerou. Veículos elétricos, painéis solares, turbinas eólicas — tudo precisa de terras-raras. E a China controla quase tudo. Países e empresas estão desesperados para diversificar suas fontes.
Mas espera. O Brasil produz menos de 1% do total global. Essas empresas — Meteoric, St George — elas vão realmente conseguir escalar? Ou são promessas?
A Meteoric começa as obras em 2026. A St George tem planta-piloto em 2027. Não são números de hoje, mas são cronogramas concretos.
E a vantagem da argila — ela é real? Reduz custos de verdade?
Sim. Outros países precisam triturar rocha. Aqui a natureza já fez isso. Meteoric fala em 9 dólares por quilo de custo.
Mas quem verifica esses números? São projeções da própria empresa. E quanto aos impactos ambientais? A reportagem não menciona isso.
Verdade. Não há detalhes sobre licenças ambientais, impacto em comunidades locais, nada disso.
E o MagBras — esse consórcio vai realmente conectar pesquisa com indústria?
É novo, criado em outubro. Vale, WEG, Stellantis estão dentro. Mas é cedo para saber se funciona.
E esses 2 bilhões de dólares em investimentos até 2029? De onde vem esse número? Quem o confirmou?
A reportagem não especifica a fonte. Parece ser uma projeção do governo ou do setor.
Então o Brasil tem a oportunidade, mas ainda está montando a máquina?
Exatamente. Tem reserva, tem interesse estrangeiro, tem pesquisa dispersa. Agora precisa conectar tudo e escalar.
Il Polso
- Brasil possui 21 milhões de toneladas de terras-raras, segunda maior reserva global
- Produz menos de 1% do total mundial atualmente
- Meteoric investirá 440 milhões de dólares em projeto em Caldas, Minas Gerais
- Minerais encontrados em forma de argila, reduzindo custos de produção
- 2 bilhões de dólares em investimentos previstos de 2025 a 2029
Brasil tem 21 milhões de toneladas de terras-raras, segunda maior reserva global, mas produz menos de 1% do total mundial atualmente. Vantagem competitiva brasileira: minerais encontrados em forma de argila pela erosão natural, reduzindo custos de produção em relação a outros países.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras-raras e atrai investimentos estrangeiros para explorar esses minerais essenciais à transição energética e tecnologias futuras, buscando reduzir dependência da China.
O Brasil possui a segunda maior reserva de terras-raras do planeta — 21 milhões de toneladas de um grupo de dezessete elementos químicos que se tornaram vitais para o futuro. Turbinas eólicas, veículos elétricos, microchips, baterias: todos dependem desses minerais. Mas há um problema incômodo. Enquanto o país guarda essa riqueza no subsolo, produz menos de 1% do total global. A China, que fica atrás apenas do Brasil em reservas comprovadas, controla quase toda a cadeia produtiva mundial — da extração ao produto final. Agora, porém, o Brasil está acordando para essa oportunidade, e investidores estrangeiros começam a notar.
A vantagem competitiva brasileira é geológica e elegante. Em outros lugares, as terras-raras aparecem presas em rochas que precisam ser trituradas, processadas, refinadas antes de qualquer uso. Aqui, a erosão natural já fez esse trabalho. Os minerais existem na forma de argila, prontos para as próximas etapas. Isso reduz custos de produção de forma significativa — um chamariz irresistível para as empresas. A Serra Verde, controlada pela americana Denham Capital, foi a pioneira. Desde janeiro de 2024, extrai terras-raras em Minaçu, Goiás, embora sua produção ainda seja modesta: apenas 20 toneladas no ano passado.
Mas o movimento real vem de empresas maiores com apetite maior. A australiana Meteoric investirá 440 milhões de dólares — cerca de 2,4 bilhões de reais — em um projeto no município mineiro de Caldas. O empreendimento processará 1,5 bilhão de toneladas de argila para extrair 6 milhões de toneladas de terras-raras, o que equivale a 15% das reservas comprovadas da China. A operação durará várias décadas. Marcelo de Carvalho, executivo-chefe da Meteoric no Brasil, descreve a matemática: custo de produção de 9 dólares por quilo, venda a até 40 dólares por quilo. "É um excelente negócio", afirma. As obras devem começar em meados de 2026. Mas a Meteoric não quer apenas extrair. Quer "verticalizar a operação", avançando nas etapas seguintes da cadeia produtiva.
Essa ambição reflete uma estratégia mais ampla. A produção de terras-raras envolve quatro fases distintas: mineração (gerando o concentrado mineral com os dezessete elementos misturados), separação (extraindo cada elemento), transformação em ligas metálicas, e por fim uso em produtos finais como ímãs para turbinas ou microchips. A China domina todas essas etapas. O Brasil — e outros países — quer mudar isso. A St George Mining, outra australiana, firmou acordo com o Centro Federal de Tecnologia de Minas Gerais para construir uma planta-piloto em Araxá, onde possui jazida de nióbio e terras-raras. A produção começará em 2027. John Prineas, fundador da empresa, promete atender indústrias brasileiras que querem fabricar ímãs, baterias e outros artigos, integrando cadeias produtivas locais e globais.
Em outubro de 2025, nasceu o MagBras, um consórcio que reúne pesquisadores brasileiros e grandes empresas como Vale, WEG e Stellantis. Seu objetivo é criar as condições para que o Brasil domine o ciclo completo de produção. O país já acumula conhecimento disperso: alguns institutos já separam terras-raras a partir de concentrados, outros sabem transformá-las em ligas metálicas, há quem já fabrique ímãs. Faltava conectar essas peças. André Pimenta de Faria, um dos idealizadores do consórcio e coordenador do centro de inovação e tecnologia para ímãs de terras-raras do Senai, resume: "Com o MagBras, conectaremos pesquisadores com a demanda industrial".
O poder público também acordou. O Conselho Nacional de Política Mineral, criado em 2022, permaneceu inativo até 16 de outubro de 2025, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, enfim o instalaram. Composto por dezoito ministérios, o CNPM tem a missão de transformar as grandes reservas de minerais críticos em riqueza para o país. Na Câmara, o deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) finaliza o parecer do Projeto de Lei nº 2.780/24, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto prevê mecanismos de financiamento para mineradoras que não conseguem oferecer garantias reais aos bancos — incluindo um fundo garantidor de crédito. Os incentivos também beneficiarão quem utilizar os minerais em seus produtos, em diferentes etapas da cadeia. A lei não fará distinção entre empresas nacionais e estrangeiras. "Precisamos atrair o capital externo para investir em terras-raras aqui", diz Jardim.
Havilá Nóbrega, secretário-executivo do conselho de mineração da Confederação Nacional da Indústria, resume o desafio: "Não podemos perder a chance de consolidar essa indústria no país. Temos vantagens comparativas relevantes." De 2025 a 2029, o Brasil deve receber mais de 2 bilhões de dólares em investimentos para projetos de terras-raras. Se o país conseguir transformar reserva em produção, e produção em domínio da cadeia, pode garantir um lugar de destaque na economia global que se forma agora.
Citazioni salienti
É um excelente negócio— Marcelo de Carvalho, executivo-chefe da Meteoric no Brasil
Não podemos perder a chance de consolidar essa indústria no país. Temos vantagens comparativas relevantes.— Havilá Nóbrega, secretário-executivo do conselho de mineração da CNI