Na tarde de 27 de julho, o Flamengo saiu de campo carregando não apenas o peso de um resultado, mas a inquietação de quem sente que as regras do jogo ainda não foram plenamente explicadas a ninguém. Marcos Braz Boto, dirigente do clube, ergueu a voz não para contestar árbitros individualmente, mas para pedir à CBF aquilo que toda comunidade precisa para confiar em qualquer sistema: critérios claros, aplicados de forma igual, visíveis a todos. No futebol como na vida, a legitimidade de uma decisão depende menos de sua correção técnica do que da transparência com que é comunicada.
Boto reclama de pênalti não marcado e pede clareza na regra do impedimento semiautomático
Tem que vir a comissão e dizer: a regra é sempre essa
O que exatamente Boto está pedindo? Que a CBF mude as regras ou que as explique melhor?
Os dois, na verdade. Mas principalmente que estabeleça um critério único e o comunique com clareza. Ele não quer surpresas — quer saber que a regra será a mesma em São Paulo, no Rio, em Minas Gerais, sempre.
E quanto ao impedimento semiautomático? Ele acha que a tecnologia está errada?
Não. Ele questiona se as pessoas conseguem verificar se a tecnologia está certa. A linha é traçada no momento do passe, mas as imagens que mostram para o público raramente deixam isso claro. É uma questão de transparência, não de competência.
Por que isso importa tanto? No fim, o gol foi anulado ou não foi.
Importa porque cria desconfiança. Se ninguém consegue ver exatamente quando a medição foi feita, fica parecendo que a decisão é arbitrária. E no futebol, a confiança nas regras é tudo.
A CBF respondeu a essas críticas?
Reconheceu que precisa melhorar a divulgação. Não é uma vitória completa, mas é um começo — admitir que há um problema de comunicação é o primeiro passo para resolvê-lo.
Boto culpou o árbitro Daronco?
Não, na verdade foi generoso com ele. Disse que a visão do árbitro talvez não fosse clara, mas que a do VAR tinha que ser. Ele entende que o problema é sistêmico, não pessoal.
The Pulse
- O Flamengo terminou a partida com duas decisões não resolvidas — um pênalti ignorado e um gol apagado pela tecnologia — e a sensação de que as regras mudam conforme o olhar de quem as aplica.
- Boto foi a público não para atacar o árbitro Anderson Daronco, mas para exigir da CBF um critério único e nacional sobre o uso do braço: ou é falta em todo o Brasil, ou não é em lugar nenhum.
- O gol de Samuel Lino, anulado pelo impedimento semiautomático, acendeu uma questão técnica mais profunda: as imagens divulgadas ao público não mostram com clareza o momento exato do passe, tornando impossível verificar a decisão.
- A CBF reconheceu que a estreia da tecnologia semiautomática gerou controvérsia e admitiu que precisa avançar na divulgação das jogadas — não uma confissão de erro, mas um aceno à necessidade de mais transparência.
- O pedido central do dirigente é simples e exigente ao mesmo tempo: que as regras sejam as mesmas para todos, em todos os campos, em todos os momentos — e que isso seja dito em voz alta.
Na tarde de 27 de julho, o Flamengo saiu de campo carregando não apenas o peso de um resultado, mas a inquietação de quem sente que as regras do jogo ainda não foram plenamente explicadas a ninguém. Marcos Braz Boto, dirigente do clube, ergueu a voz não para contestar árbitros individualmente, mas para pedir à CBF aquilo que toda comunidade precisa para confiar em qualquer sistema: critérios claros, aplicados de forma igual, visíveis a todos. No futebol como na vida, a legitimidade de uma decisão depende menos de sua correção técnica do que da transparência com que é comunicada.
O Flamengo encerrou a tarde de 27 de julho com duas feridas abertas: um pênalti não marcado e um gol anulado por impedimento semiautomático. Mais do que reclamar das decisões em si, o dirigente Boto foi a público para questionar a ausência de um padrão claro e comunicado que as sustente.
A primeira polêmica envolveu o árbitro Anderson Daronco, que interpretou que o braço do defensor estava recolhido ao corpo e não marcou a falta. O VAR concordou com o silêncio. Boto não pediu a reversão do lance, mas cobrou da CBF uma posição pública e definitiva: se o uso ostensivo do braço, mesmo próximo ao corpo, configura ou não infração em qualquer parte do Brasil. 'Tem que vir a comissão de arbitragem da CBF e dizer que não é falta em nenhum estado do Brasil', afirmou, defendendo que só a clareza institucional pode dar consistência às decisões em campo.
Já no fim da partida, Samuel Lino marcou um gol que a tecnologia semiautomática desfez. O sistema identificou Wallace Yan em posição de impedimento no momento do passe. A comemoração foi interrompida, mas a explicação oferecida ao público deixou lacunas. Boto levantou uma questão técnica precisa: as imagens divulgadas raramente mostram o instante exato em que a linha de impedimento é traçada, tornando impossível para qualquer pessoa verificar se a decisão foi correta. Ele não afirmou que o gol era válido — pediu apenas que houvesse transparência suficiente para que alguém pudesse saber.
A CBF, que já havia reconhecido a repercussão gerada pela estreia do impedimento semiautomático, concordou que pode melhorar a divulgação das jogadas. Não foi uma admissão de erro, mas um reconhecimento de que a distância entre o que a máquina enxerga e o que o torcedor consegue compreender precisa ser reduzida. Para Boto, o caminho não passa por desculpas, mas por critérios iguais, aplicados de forma igual, explicados de forma igual — para todos, sempre.
O Flamengo saiu de campo na tarde de 27 de julho com duas feridas abertas: um pênalti que não foi marcado e um gol que foi anulado. Ambas as decisões deixaram o clube rubro-negro questionando não apenas o que aconteceu naquele jogo específico, mas a própria clareza das regras que governam o futebol brasileiro.
A primeira controvérsia envolveu o árbitro Anderson Daronco e uma jogada interpretativa. Um jogador do Flamengo foi derrubado na área, mas Daronco entendeu que o braço do defensor estava recolhido junto ao corpo e, portanto, não havia falta. O VAR não interferiu. Boto, diretor do clube, saiu em defesa pública da reclamação, mas sua crítica não era apenas sobre aquele lance específico. Ele pediu que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) viesse a público e estabelecesse um critério único e imutável: se um jogador usa o braço ostensivamente para tirar vantagem, mesmo que próximo ao corpo, isso é ou não é falta em todo o Brasil, em qualquer parte do campo, em qualquer circunstância. "Tem que vir a comissão de arbitragem da CBF e dizer que não é falta em nenhum estado do Brasil", disse Boto, argumentando que essa clareza ajudaria tanto o árbitro quanto o VAR a tomar decisões consistentes.
Mas havia ainda a questão do impedimento semiautomático. Já no final da partida, Samuel Lino marcou um gol que foi anulado pela tecnologia. O sistema detectou que Wallace Yan estava um pouco adiantado no momento do passe. A comemoração rubro-negra foi interrompida, e o gol foi cancelado.
Aqui, Boto levantou uma questão técnica que toca no cerne da transparência: quando exatamente a linha de impedimento é traçada? A regra diz que o impedimento deve ser medido no momento do passe, mas as imagens divulgadas ao público raramente mostram esse instante com clareza. "Uma imagem que mostra a altura da bola sair, e depois traçada", descreveu Boto, apontando a lacuna entre o que a tecnologia faz e o que as pessoas conseguem ver e compreender. Ele não questionava se a decisão estava correta ou não, mas sim se havia transparência suficiente para que alguém pudesse verificar. "Ontem só mostrou os dois jogadores (na área), não temos certeza (do momento)", disse o dirigente, pedindo que a CBF esclarecesse publicamente como e quando a medição é feita, e talvez até reconhecesse que falta um software melhor para tornar isso visível.
O cerne da reclamação de Boto não era apenas sobre duas decisões ruins. Era sobre a falta de um padrão claro e comunicado. "O que se pede são critérios iguais", afirmou, deixando claro que o Flamengo aceitaria qualquer regra, desde que fosse a mesma para todos, em todos os momentos, em todos os campos. Isso depende da comissão de arbitragem da CBF, ressaltou.
A confederação, por sua vez, já havia reconhecido que a primeira rodada com impedimento semiautomático gerou repercussão e concordava que poderia avançar no trabalho de divulgação das jogadas. Não era uma admissão de erro, mas um reconhecimento de que a comunicação precisava melhorar. O futebol brasileiro estava diante de uma tecnologia nova, e a lacuna entre o que a máquina via e o que as pessoas conseguiam entender estava gerando frustração. Boto pediu que essa lacuna fosse fechada, não com desculpas, mas com transparência e consistência.
Notable Quotes
Tem que vir a comissão de arbitragem da CBF e dizer que não é falta em nenhum estado do Brasil e em nenhuma parte do campo— Boto, diretor do Flamengo
O que se pede são critérios iguais. E isso depende da comissão de arbitragem da CBF— Boto, diretor do Flamengo