Bolsonaro ataca Moraes, Fux e Barroso e questiona lisura das eleições

Moraes está fazendo tudo de errado e não vai ter sucesso
Bolsonaro acusa o ministro de perseguição ilegal em entrevista de rádio, sem apresentar provas.
Mark

Por que Bolsonaro escolheu atacar Moraes especificamente neste momento?

Mimi

Porque Moraes está prestes a assumir a presidência do TSE — o órgão que vai conduzir as eleições. Para Bolsonaro, isso representa uma ameaça direta.

Luke

Mas é importante notar que Bolsonaro não apresenta provas de que os inquéritos de Moraes são ilegais. Ele faz a acusação, mas o fundamento jurídico não está ali.

Mark

E quanto à citação de Lindôra Araújo? Isso não valida a posição de Bolsonaro?

Mimi

Lindôra pediu o arquivamento de uma investigação específica contra Bolsonaro. Bolsonaro interpretou isso como validação de sua tese mais ampla sobre perseguição.

Luke

Mas um arquivamento em um caso não prova que todos os inquéritos de Moraes carecem de fundamento. São coisas diferentes.

Mark

Qual é o significado dos atos de 7 de Setembro que ele está convocando?

Mimi

São uma repetição da estratégia de 2021 — usar a rua como forma de pressão sobre as instituições. Desta vez com um desfile cívico-militar.

Luke

O que não sabemos ainda é se isso vai acontecer como descrito, qual será a escala, e como as instituições vão responder. Bolsonaro fez promessas sobre esses atos antes.

Mark

Bolsonaro está questionando a lisura das eleições?

Mimi

Sim, mas de forma indireta — atacando o sistema eletrônico, pedindo voto impresso, questionando se outros países usam nosso sistema.

Luke

O ponto é que ele não apresenta evidências de fraude. Está criando dúvida sobre o processo sem fundamentação técnica ou factual.

  • Alexandre de Moraes será empossado presidente do TSE no dia 16 de agosto de 2022
  • Bolsonaro acusa inquéritos de Moraes de serem 'completamente ilegais e imorais'
  • Presidente convoca atos de 7 de Setembro com desfile cívico-militar em Copacabana
  • Bolsonaro chama Luís Roberto Barroso de 'criminoso' por rejeitar voto impresso

Bolsonaro afirma que inquéritos de Moraes são 'completamente ilegais e imorais', citando pedido de arquivamento de investigação contra ele pela vice-procuradora-geral da República. Presidente critica ministro Fux por defender lisura das urnas eletrônicas e chama Barroso de 'criminoso' por rejeitar proposta de voto impresso do governo.

Bolsonaro acusa Alexandre de Moraes de perseguição ilegal e ataca ministros Fux e Barroso, questionando sem provas a integridade do sistema eleitoral brasileiro antes de sua posse no TSE.

Jair Bolsonaro subiu ao microfone de uma rádio de Porto Alegre na terça-feira para fazer o que vinha fazendo há meses: atacar ministros do Supremo Tribunal Federal. Desta vez, seu alvo principal era Alexandre de Moraes, que em poucos dias assumiria a presidência do Tribunal Superior Eleitoral — o órgão responsável por conduzir as eleições brasileiras. Bolsonaro disse ser vítima de perseguição e acusou Moraes de incriminá-lo ilegalmente. O que o presidente não apresentou foram provas de suas acusações contra a integridade do processo eleitoral que em breve seria administrado por seu adversário.

Na entrevista à Rádio Guaíba, Bolsonaro descreveu os inquéritos de Moraes como "completamente ilegais, imorais" e uma "perseguição implacável". Citou então uma decisão recente da vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, que havia pedido o arquivamento de uma investigação contra ele relacionada a violação de sigilo de inquérito da Polícia Federal. Bolsonaro interpretou essa decisão como validação de sua posição, dizendo que Araújo havia declarado que o inquérito de Moraes "não tem fundamento". O presidente havia vazado investigações da PF em uma transmissão ao vivo para fazer críticas ao sistema eletrônico de votação — críticas que também careciam de fundamentação. Agora cobrava a conclusão do caso, questionando se havia interferência dentro da corporação policial.

Mas Bolsonaro não parou em Moraes. Também atacou Luiz Fux, presidente do Supremo, por ter defendido a lisura das urnas eletrônicas durante seu discurso de abertura do semestre judiciário no dia anterior. Bolsonaro sugeriu que Fux deveria estar respondendo no inquérito sobre fake news de Moraes se esse fosse "um inquérito sério". Depois questionou retoricamente qual país desenvolvido adotava o sistema eleitoral brasileiro, chamando-o de "maravilha" que ninguém desejava. Luís Roberto Barroso, outro ministro do STF, recebeu tratamento ainda mais duro: Bolsonaro o chamou de "criminoso" por ter articulado junto a parlamentares a rejeição à proposta de voto impresso que o governo defendia.

Essas acusações não eram isoladas. Faziam parte de uma estratégia maior de mobilização. Bolsonaro convocou seus apoiadores para os atos de 7 de Setembro, descrevendo-os como "pela última vez" uma ida às ruas para "mostrar para aqueles surdos ministros do STF que o povo tem que ser nosso norte". Revelou que os atos teriam, pela primeira vez, um desfile cívico-militar em Copacabana, no Rio de Janeiro, com duração máxima de uma hora e participação de tropas das Forças Armadas. Disse que não haveria intenção de "protesto para fechar isso, fechar aquilo", mas que "moralmente tem instituições se fechando". A transparência eleitoral seria uma das frases mais exibidas nos atos, afirmou.

Essa convocação ecoava os eventos de 7 de Setembro de 2021, que haviam marcado um dos pontos mais altos de confronto entre Bolsonaro e as instituições brasileiras. Na Avenida Paulista, o presidente havia declarado que não mais cumpriria decisões de Moraes — uma ameaça que o mundo político viu como potencial crime de responsabilidade passível de impeachment. Pressionado pela reação, Bolsonaro havia publicado uma carta à nação escrita pelo ex-presidente Michel Temer para diminuir a tensão. Agora, com eleições se aproximando e Moraes prestes a assumir o comando do processo eleitoral, o presidente voltava a convocar a rua como arena de confronto, mantendo viva a questão sobre a aceitação dos resultados que em breve seriam produzidos.

Inquéritos do Alexandre de Moraes são completamente ilegais, imorais. É uma perseguição implacável por parte dele
— Jair Bolsonaro, em entrevista à Rádio Guaíba
Vamos pela última vez às ruas para mostrar para aqueles surdos ministros do STF que o povo tem que ser nosso norte
— Jair Bolsonaro, convocando apoiadores para 7 de Setembro
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