Bolsas de NY fecham em queda com dados dos EUA e expectativas sobre Nvidia

O que realmente importa é o que a empresa não mostra no balanço
Analistas explicam por que os resultados esperados da Nvidia podem não ser suficientes para mover o mercado.
Mark

Por que a Nvidia caiu novamente se a empresa costuma surpreender positivamente nos resultados?

Mimi

Porque o mercado já precificou essas surpresas. Quando uma empresa bate expectativas oito vezes seguidas, as pessoas param de se surpreender — elas já embutiram isso no preço.

Mark

Então o que importa agora para a Nvidia?

Mimi

Os compromissos que ela não mostra no balanço. Quantos bilhões ela prometeu gastar em energia, em suprimentos, em infraestrutura? Isso muda tudo.

Mark

E se ela não divulgar isso?

Mimi

Aí o mercado fica no escuro sobre o tamanho real do risco. É como comprar uma casa sem saber quanto custa a manutenção.

Mark

Mas a Abercrombie & Fitch subiu 36%. Nem tudo está ruim então?

Mimi

Não, mas é diferente. Ela surpreendeu de verdade. A Nvidia? Ela precisa provar que ainda tem espaço para crescer além do que já esperamos.

  • A Nvidia acumulou sua oitava queda em nove pregões, sinalizando que o otimismo em torno da empresa pode já estar refletido nos preços — e que o mercado exige mais do que bons resultados para avançar.
  • O índice PCE de julho subiu acima do esperado, reacendendo dúvidas sobre a trajetória da inflação americana e complicando as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
  • Investidores se dividem sobre outubro: enquanto setembro parece encaminhado para manutenção dos juros, o mês seguinte permanece em aberto, sustentando uma névoa de incerteza sobre os ativos.
  • Em contraste com a contenção geral, a Abercrombie & Fitch disparou 36% após resultados que superaram expectativas, lembrando que, mesmo em dias de cautela, há espaço para surpresas positivas.
  • A Meta fechou o dia em alta de 1,07%, impulsionada por um acordo bilionário com 48 estados americanos e por medidas de proteção a menores — sinalizando que regulação, quando bem gerida, pode ser recebida como alívio.

Em meio à espera pelos resultados da Nvidia e à resistência da inflação americana, as bolsas de Nova York encerraram a terça-feira com recuos discretos — um silêncio que, nos mercados, costuma falar mais alto do que o ruído. O Dow Jones cedeu 0,21%, o S&P 500 caiu 0,02% e o Nasdaq perdeu 0,08%, numa sessão em que a cautela substituiu a convicção. É o momento em que o mercado, diante do desconhecido, escolhe esperar antes de agir.

As bolsas de Nova York fecharam a terça-feira com perdas modestas, num pregão dominado pela espera: de um lado, os resultados da Nvidia, que seriam divulgados após o fechamento; de outro, os sinais contraditórios da economia americana. O Dow Jones recuou 0,21%, o S&P 500 caiu 0,02% e o Nasdaq perdeu 0,08% — quedas pequenas, mas suficientes para revelar o estado de ânimo do mercado.

A Nvidia foi o centro das atenções mesmo antes de abrir seus números. A ação caiu 1,59% durante o pregão, acumulando a oitava baixa em nove sessões. Analistas do Bank of America Securities explicaram o movimento: os ganhos esperados para o segundo trimestre fiscal provavelmente já estão embutidos nos preços. O que o mercado realmente aguardava era informação sobre os compromissos fora do balanço da empresa — aqueles ligados a suprimentos, energia e demanda de inteligência artificial. Esses dados, segundo os analistas, permitiriam uma precificação mais precisa de uma empresa que, na visão deles, está atualmente descontada.

No restante do setor de tecnologia, Intel subiu 0,9% enquanto Broadcom e Salesforce oscilaram pouco. O destaque positivo do dia veio de fora da tecnologia: a Abercrombie & Fitch disparou 36% após resultados e projeções que superaram amplamente as expectativas. A Meta também avançou 1,07%, beneficiada pelo fechamento de um acordo de 18 bilhões de dólares com 48 estados e pela adoção de limites de tempo para menores em sua plataforma.

Ao fundo, a política monetária americana seguia como pano de fundo de tudo. O PCE de julho — referência preferida do Federal Reserve para medir a inflação — subiu acima do esperado, alimentando incertezas sobre outubro. Setembro parecia encaminhado para manutenção dos juros, mas o mês seguinte permanecia em disputa. Com inflação resistente e Nvidia prestes a falar, o mercado escolheu a postura mais antiga de todas: esperar.

As bolsas de Nova York encerraram a sessão de terça-feira com perdas modestas, refletindo uma mistura de cautela diante de dados econômicos americanos e antecipação sobre os resultados que a Nvidia divulgaria após o fechamento do pregão. O Dow Jones recuou 0,21%, terminando em 53.464,59 pontos. O S&P 500 caiu 0,02%, chegando a 7.675,80 pontos. O Nasdaq, mais sensível aos movimentos de tecnologia, perdeu 0,08%, encerrando em 26.130,20 pontos. Nenhuma queda dramática, mas o tom geral foi de contenção.

A Nvidia, empresa sob comando de Jensen Huang que costuma ditar o ritmo dos mercados de tecnologia, caiu 1,59% durante o pregão — sua oitava queda em nove sessões consecutivas. Analistas do Bank of America Securities ofereceram uma explicação para esse movimento: os ganhos que o mercado espera da empresa provavelmente já estão embutidos nos preços atuais. A instituição esperava que o segundo trimestre fiscal trouxesse o desempenho acima do esperado nas vendas, com revisões para cima nas projeções, impulsionado pela aceleração da plataforma Vera Rubin. Mas isso, segundo os analistas, é apenas o começo da história.

O que realmente importa, apontaram os especialistas do Bank of America, é se a Nvidia divulgaria informações sobre seus compromissos fora do balanço patrimonial — aqueles destinados a garantir suprimentos, energia, modelos e demanda. Esses números, ainda que não eliminem completamente os riscos ligados à expansão da infraestrutura de inteligência artificial, permitiriam ao mercado precificar a empresa de forma mais adequada. Os analistas sugeriram que a avaliação atual da Nvidia está descontada, considerando o que sabem sobre seus compromissos reais.

Entre outras ações de tecnologia, a Intel subiu 0,9%, enquanto a Broadcom cedeu 0,32%. A Salesforce ficou praticamente estável, com queda de apenas 0,03%, aguardando seu próprio balanço. Fora do setor de tecnologia, a Abercrombie & Fitch protagonizou o movimento mais expressivo do dia, disparando 36% após divulgar resultados do segundo trimestre fiscal e projeções de lucro que superaram as expectativas do mercado. A Meta, por sua vez, encerrou a sessão com valorização de 1,07%, beneficiada pelo fechamento de um acordo de 18 bilhões de dólares com 48 estados americanos e pela adoção de um limite de tempo para menores de idade em sua plataforma.

O pano de fundo para toda essa movimentação foi a incerteza sobre a política monetária americana. O mercado precificava como cenário mais provável que o Federal Reserve manteria a taxa básica de juros inalterada em seu encontro de setembro. Porém, havia divisão entre os investidores sobre qual seria a postura do banco central em outubro. Essa incerteza foi alimentada pela divulgação do índice de preços de gastos com consumo — o PCE, referência importante para a política monetária norte-americana — que subiu acima do esperado em julho. Com inflação mostrando sinais de resistência e a Nvidia prestes a revelar seus números, o mercado permanecia em modo de espera, equilibrando esperança e cautela.

Espera-se que o segundo trimestre fiscal traga o habitual desempenho acima do esperado nas vendas, impulsionado pela aceleração da plataforma Vera Rubin
— Bank of America Securities
A quantificação dessas obrigações não elimina os riscos associados à expansão da infraestrutura de IA, mas permite que o mercado precifique adequadamente a empresa
— Analistas do Bank of America Securities
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