A cada nova temporada europeia, o futebol recoloca diante de si a velha pergunta sobre a excelência: quem foi, de fato, o melhor? Em 2026/2027, essa pergunta chega sem resposta óbvia — Mbappé liderou artilharias sem erguer taças, Messi encantou sem vencer, e Rodri emerge como símbolo de uma Espanha campeã. A Bola de Ouro, premiação com mais de sete décadas de história, será entregue em Londres em outubro, mas o verdadeiro dilema não é a ausência de um favorito: é um calendário que embaralha memórias e compromete a justiça da avaliação.
Bola de Ouro 2026: sem favorito claro e calendário incoerente
Ninguém se destacou de forma indiscutível nesta temporada
Por que não há um favorito claro este ano? Não deveria haver sempre alguém que se destaca?
Porque ninguém venceu de verdade. Mbappé marcou muitos gols, mas seus times não ganharam. Messi jogou bem, mas a Argentina perdeu. Rodri foi eleito craque da Copa, mas não tem os números de gol que costumam impressionar.
Espera aí — Mbappé foi artilheiro de três competições diferentes. Como isso não é destaque indiscutível?
Porque artilharia não é o mesmo que vencer. Ele marcou 25 gols no Espanhol, mas o Real Madrid não foi campeão. Na Champions, 15 gols, mas o time não venceu. Na Copa, 10 gols, mas a França não conquistou o título.
Então o prêmio deveria ir para quem vence, não para quem marca mais?
Não exatamente. Historicamente, a Bola de Ouro considera performance individual e coletiva. Este ano, ninguém teve ambas em nível excepcional.
Mas há outro problema aqui que parece mais grave — a votação acontece enquanto a temporada 2026/2027 está em andamento. Como isso não distorce tudo?
Exatamente. Os eleitores podem votar em quem está jogando bem agora, não em quem foi melhor na temporada que deveria contar.
E a Fifa? Ela não tem o mesmo problema?
Pior. A Fifa vota meses depois, quando a temporada já terminou há muito tempo. E agora mudou tudo — não é mais The Best, é algo novo que ninguém sabe direito o que é.
O calendário inteiro está errado. Deveria haver premiação na semana seguinte ao fim da temporada, quando tudo ainda está claro na memória.
Isso nunca vai mudar?
Provavelmente não. Há razões políticas e comerciais por trás disso. A Fifa se aliou a Dubai. Não é só sobre futebol.
Der Puls
- A temporada 2026/2027 começa sem um herdeiro natural do troféu máximo do futebol mundial — nenhum jogador dominou 2025/2026 de forma suficientemente clara para ser apontado como favorito indiscutível.
- Mbappé foi artilheiro em três competições distintas, mas não venceu nenhuma delas; Messi brilhou na Copa sem erguer a taça; e Rodri, capitão da Espanha campeã, surge como o nome mais consistente do ciclo.
- A votação da Bola de Ouro ocorrerá com a nova temporada já em andamento, criando o risco real de que os eleitores premiem quem está bem agora, e não quem foi melhor no período que deveria ser avaliado.
- A premiação da Fifa enfrenta ainda mais turbulência: realizada meses após o fim da temporada e rebatizada por razões políticas e comerciais após aliança com Dubai, ela perdeu o nome The Best e ainda não tem formato definido.
- Críticos e observadores convergem para a mesma conclusão: premiar o melhor jogador de uma temporada muito depois de ela ter terminado é fundamentalmente incoerente — e prejudica tanto quem vota quanto quem assiste.
A cada nova temporada europeia, o futebol recoloca diante de si a velha pergunta sobre a excelência: quem foi, de fato, o melhor? Em 2026/2027, essa pergunta chega sem resposta óbvia — Mbappé liderou artilharias sem erguer taças, Messi encantou sem vencer, e Rodri emerge como símbolo de uma Espanha campeã. A Bola de Ouro, premiação com mais de sete décadas de história, será entregue em Londres em outubro, mas o verdadeiro dilema não é a ausência de um favorito: é um calendário que embaralha memórias e compromete a justiça da avaliação.
A temporada europeia 2026/2027 mal começou, e os grandes clubes já retomam a corrida pelos títulos de maio. Com eles, voltam também os jogadores que descansaram após a Copa do Mundo — alguns mais merecidamente que outros.
No horizonte, a Bola de Ouro. A premiação septuagenária da France Football será entregue no dia 26 de outubro, pela primeira vez em Londres, numa homenagem a Stanley Matthews, o primeiro vencedor do troféu e cavaleiro da Coroa Britânica. Mas quem a receberá permanece em aberto.
Mbappé terminou 2025/2026 como artilheiro do Espanhol, da Champions e da Copa do Mundo, assumindo a liderança histórica das artilharias mundiais com 22 gols. Ainda assim, não venceu nenhum desses torneios. Messi fez uma Copa espetacular pelo Inter Miami, mas ficou como vice-artilheiro e também sem taça. A Espanha levou o título, e seu capitão, o volante Rodri — agora no Barcelona e eleito craque do Mundial —, emerge como o candidato mais sólido. Kvaratskhelia, favorito antes da Copa com dez gols e seis assistências na Champions, perdeu força porque a Geórgia não se classificou. Kane e Olise, do Bayern, também figuram entre os cotados.
O problema central, porém, é estrutural. A votação da Bola de Ouro — conduzida por cem jornalistas — acontecerá com a temporada 2026/2027 já em curso. Embora esse período não faça parte do critério oficial, a influência do presente sobre a memória dos eleitores é um risco concreto.
A premiação da Fifa vai além: sempre realizada meses após o fim da temporada avaliada, ela perdeu recentemente o nome The Best após uma aliança com o Conselho de Esportes de Dubai. O novo formato ainda é desconhecido. O que permanece certo é que chegará tarde — e premiar o melhor jogador de uma temporada quando ela já é passado distante é, no mínimo, uma incoerência difícil de justificar.
A temporada europeia 2026/2027 começou há pouco, e os grandes clubes já estão em movimento rumo aos títulos que disputarão até maio. Com eles, os jogadores mais em evidência retomam suas rotinas após o descanso que se seguiu à Copa do Mundo — descanso que foi mais merecido para alguns que para outros.
Em meio a esse calendário acelerado, a Bola de Ouro reaparece. A premiação septuagenária da revista France Football, entregue desde 1956, será realizada no fim de outubro — dia 26 — e desta vez deixará a França para acontecer em Londres. O evento homenageará Stanley Matthews, o primeiro vencedor do troféu, que jogou até os 50 anos e recebeu o título de "sir" da Coroa Britânica em 1965 pelos serviços prestados ao futebol.
Mas quem a levará? Essa é a pergunta que fica em suspenso. Numa temporada em que ninguém se destacou de forma indiscutível, apostar em um nome é exercício arriscado. Mbappé, do Real Madrid, terminou 2025/2026 em alta — foi artilheiro do Campeonato Espanhol com 25 gols, da Champions League com 15 e da Copa do Mundo com 10. Passou a liderar a artilharia histórica das Copas com 22 gols. Ainda assim, não conquistou o topo do pódio em nenhum desses campeonatos. Messi, do Inter Miami, fez uma Copa espetacular e tem muito mais fama e popularidade que Mbappé, mas terminou como vice-artilheiro com oito gols — e não ergueu a taça. A Espanha venceu na decisão.
Esse título espanhol, aliás, fortalece o capitão de La Roja: o volante Rodri, novo reforço do Barcelona, eleito o craque do Mundial. Ele é conhecido pela liderança e regularidade. Antes da Copa, o georgiano Kvaratskhelia parecia ser o favorito — dez gols e seis assistências na Champions, melhor jogador do PSG no bicampeonato do clube parisiense. Mas a Geórgia não foi à competição. Dois jogadores do Bayern de Munique que estiveram lá, o inglês Kane e o francês Olise, também estão bem cotados.
O problema real, porém, não é a falta de um favorito claro. É o calendário. A votação da Bola de Ouro — realizada por cem jornalistas — ocorrerá com a temporada 2026/2027 ainda em andamento. Embora essa temporada não seja considerada no período de avaliação oficial, há possibilidade real de ela influenciar os eleitores a votar em quem está bem no momento presente, não em quem foi melhor na temporada que deveria contar. É um embaralhamento de memória que pode acontecer.
Pior ainda é o que ocorre com a eleição do melhor do mundo da Fifa — que conta com votos de jornalistas, técnicos, jogadores e torcedores. Ela sempre acontece muitos meses depois do término da temporada que deveria ser avaliada. A última edição foi em dezembro. E foi a última com o nome The Best. A Fifa, por razões políticas e comerciais, aliou-se no final do ano passado ao Conselho de Esportes de Dubai para reformular a premiação e enterrou uma marca consolidada. Não se sabe o que virá, nem quando será.
O que é certo: será tarde. Há algo fundamentalmente incoerente em premiar o melhor jogador de uma temporada meses depois dela ter terminado, quando esse jogador pode não ser mais o melhor. Seria muito mais sensato que a laureação acontecesse na semana seguinte ao encerramento da temporada — quando a avaliação ainda seria fresca e justa. Do jeito que está, o calendário não facilita nada: nem para quem vota, nem para quem vê a premiação.
Bemerkenswerte Zitate
Numa temporada em que ninguém se destacou de forma indiscutível, apostar em um nome é exercício arriscado— análise do calendário de premiações
Seria muito mais sensato que a laureação acontecesse na semana seguinte ao encerramento da temporada— crítica ao calendário das premiações