Bitcoin entra em bull market com maior subida semanal em mais de três anos

Capital que estava em renda fixa migra para ativos de risco
Quando o Tesouro duplica recompras de obrigações, as yields caem e o dinheiro flui para criptomoedas.
Mark

O que exatamente fez o bitcoin subir 23% em uma semana?

Mimi

A decisão do Tesouro norte-americano de duplicar as recompras de obrigações de longo prazo. Quando o Tesouro compra mais obrigações, as yields caem, e o capital que estava em renda fixa migra para ativos de risco como criptomoedas.

Mark

Mas por que o Tesouro fez isso agora?

Mimi

As yields estavam em máximos históricos — a obrigação americana a 30 anos estava em 5,31%, o maior nível desde 2007. O Tesouro estava preocupado com a liquidez nos setores de longo prazo e com os custos de empréstimo crescentes.

Mark

E o short squeeze que mencionou — o que foi?

Mimi

Investidores que tinham apostado na queda do bitcoin foram forçados a liquidar essas posições quando o preço começou a subir. Cerca de 2,7 mil milhões de dólares em posições curtas foram fechadas, o que amplificou ainda mais a subida.

Mark

Isso significa que o bitcoin vai continuar a subir?

Mimi

Não necessariamente. Lucy Gazmararian, uma especialista em criptomoedas, acredita que há uma última subida vindo, seguida de uma queda de 20%. O mercado funciona em ciclos, e as pessoas estão posicionadas para isso.

Mark

E o Clarity Act que mencionou?

Mimi

É o quadro regulatório norte-americano para criptomoedas. Se for aprovado nas próximas semanas, seria visto como um catalisador fundamental para o setor inteiro.

Mark

Então o bitcoin entrou em bull market, mas pode cair 20% em breve?

Mimi

Exatamente. Esta semana foi extraordinária, mas faz parte de um padrão maior. Os ciclos do bitcoin são bem conhecidos, e os investidores estão preparados para a próxima transição.

  • O bitcoin disparou de 62.836 para 77.723 dólares em apenas cinco dias, a maior subida semanal desde março de 2023, confirmando tecnicamente a entrada em bull market.
  • O Tesouro dos EUA duplicou o limite mínimo das recompras de obrigações de longo prazo para 4 mil milhões de dólares, derrubando yields que estavam em máximos históricos em vários países, da América do Norte ao Japão e à Europa.
  • Cerca de 2,7 mil milhões de dólares em posições curtas foram liquidadas forçadamente num short squeeze em cascata, amplificando a subida do bitcoin muito além do que o fluxo de capital por si só justificaria.
  • A aprovação iminente do Clarity Act — o quadro regulatório norte-americano para criptomoedas — é apontada como o próximo catalisador capaz de consolidar ou acelerar o movimento.
  • Vozes experientes do setor alertam que o mercado pode estar a viver os últimos momentos de uma subida antes de uma correção adicional de 20%, em linha com os ciclos históricos do bitcoin.

Em meados de agosto de 2026, o bitcoin protagonizou a sua maior subida semanal em mais de três anos, valorizando 23,6% e confirmando entrada oficial em bull market. O catalisador veio de Washington: o Tesouro norte-americano duplicou as recompras de obrigações de longo prazo, aliviando yields e libertando capital que fluiu para os mercados de criptomoedas. Como tantas vezes na história dos mercados, uma decisão de política fiscal num gabinete governamental reconfigurou, em dias, o apetite global pelo risco. A questão que permanece é se este movimento representa uma viragem duradoura ou apenas mais um capítulo num ciclo que os mais experientes já reconhecem de memória.

Na segunda-feira, 17 de agosto, o bitcoin abriu a semana em torno de 62.836 dólares. Cinco dias depois, tinha alcançado 77.723 dólares — uma valorização de 23,6% que representa a maior subida semanal desde março de 2023 e confirma, pelo critério técnico de uma alta superior a 20% a partir de um mínimo, a entrada oficial em bull market.

O gatilho veio de Washington. Na quarta-feira, o Tesouro norte-americano, liderado por Scott Bessent, anunciou a duplicação das suas operações de recompra de obrigações de longo prazo, elevando o limite mínimo por operação de 2 para 4 mil milhões de dólares. A medida, em vigor de setembro a novembro, foi justificada pela necessidade de proporcionar maior liquidez num segmento com forte procura dos participantes do mercado.

O efeito foi imediato. As yields das obrigações, que tinham atingido máximos históricos em vários países — 5,31% nas obrigações norte-americanas a 30 anos, o nível mais elevado desde 2007, com equivalentes recordes no Canadá, Japão, França e Alemanha — começaram a recuar. Com os títulos de dívida a tornarem-se menos atrativos, o capital procurou alternativas, e as criptomoedas foram as grandes beneficiárias.

O movimento foi ainda amplificado por um short squeeze: cerca de 2,7 mil milhões de dólares em posições curtas foram liquidadas forçadamente à medida que o preço subia, criando uma espiral ascendente que acelerou a valorização do bitcoin.

No horizonte próximo, a aprovação do Clarity Act — o quadro regulatório norte-americano para criptomoedas, que a Casa Branca e o setor tentam fazer avançar nas próximas semanas — é apontada como um catalisador potencialmente decisivo. Mas a fundadora da Token Bay Capital, Lucy Gazmararian, oferece uma leitura mais cautelosa: o mercado, segundo ela, está posicionado para uma última subida antes de uma correção de cerca de 20%, um padrão que os participantes mais experientes reconhecem como parte integrante dos ciclos históricos do bitcoin. O que parece uma vitória pode ser apenas um capítulo numa história que ainda não terminou.

Na segunda-feira, 17 de agosto, o bitcoin começou uma semana extraordinária. A criptomoeda abriu em torno de 62.836 dólares. Cinco dias depois, na quinta-feira, tinha alcançado 77.723 dólares — um salto de 23,6% que marca a maior subida semanal em mais de três anos, desde março de 2023. Com esse movimento, o bitcoin confirmou oficialmente sua entrada em bull market, o termo técnico para quando um ativo sobe mais de 20% a partir de um mínimo.

O catalisador foi uma decisão do Tesouro norte-americano anunciada na quarta-feira. Os EUA duplicaram o tamanho de suas operações de recompra de obrigações de longo prazo — aquelas com prazos entre 10 e 30 anos. O limite mínimo por operação passou de 2 mil milhões de dólares para 4 mil milhões. A medida entra em vigor a 9 de setembro e permanecerá ativa até 4 de novembro, cobrindo todo o trimestre de refinanciamento. O Tesouro, sob liderança de Scott Bessent, explicou que o aumento reflete o desejo de proporcionar maior apoio à liquidez nos setores de longo prazo, onde há forte demanda consistente dos participantes do mercado.

Esta ação teve um efeito imediato nos mercados de renda fixa. As yields das obrigações — os juros pagos por esses títulos — começaram a recuar. Na segunda-feira anterior, antes do anúncio, as obrigações estavam em máximos em vários países. A yield das obrigações norte-americanas a 30 anos tinha atingido 5,31%, o maior nível desde 2007 e uma deterioração de 40 pontos base desde junho. No Canadá, as obrigações de mesma maturidade estavam no patamar mais elevado desde 2010. No Japão, renovavam máximos do século. Na Europa, a França via suas obrigações a 30 anos no nível mais alto desde 2008, refletindo ansiedade com negociações orçamentárias e eleições de 2027. A Alemanha enfrentava yields em máximos de 2011.

Quando o Tesouro anunciou a duplicação das recompras, o cenário inverteu-se. A queda nas yields abriu espaço para uma realocação de capital. Investidores começaram a sair de obrigações e a entrar em criptomoedas. Mas o movimento foi amplificado por um fenômeno conhecido como short squeeze. Aproximadamente 2,7 mil milhões de dólares em posições curtas — apostas que lucram quando o preço cai — foram liquidadas forçadamente, conforme os investidores tentavam limitar perdas diante da subida acelerada do bitcoin. Essa liquidação em cascata impulsionou ainda mais o preço para cima.

Max Stuedlein, chefe de parcerias da Sygnum APAC, interpretou a decisão do Tesouro como uma resposta a preocupações com rendimentos de longo prazo num contexto em que os custos de empréstimo têm aumentado. As preocupações giram em torno dos níveis de dívida dos Estados Unidos e do efeito de deslocamento causado pelas emissões de dívida de grandes empresas de tecnologia.

Além do movimento nas obrigações, há outro fator em jogo: a aprovação do Clarity Act. Este é o quadro regulatório norte-americano para criptomoedas, e tanto a Casa Branca quanto responsáveis do setor estão tentando aprová-lo nas próximas semanas. Se aprovado, seria visto como um catalisador fundamental para o setor inteiro.

Mas nem todos veem apenas céu azul adiante. Lucy Gazmararian, fundadora e managing partner da Token Bay Capital, oferece uma perspectiva cíclica. Ela acredita que o mercado está posicionado para uma última subida seguida de uma queda adicional de 20%, em linha com ciclos históricos do bitcoin. Segundo ela, o mercado estava fortemente alavancado em posições curtas que foram dizimadas nesta semana. Os participantes compreendem bem os ciclos do bitcoin e se posicionam nos últimos meses antes das transições de alta para baixa e vice-versa. O que parecia uma vitória definitiva pode ser apenas um capítulo numa história mais longa.

O aumento dos tamanhos das operações de recompra reflete o desejo do Tesouro de proporcionar um maior apoio à liquidez nos setores de longo prazo
— Tesouro norte-americano
Estamos à espera de uma última subida e de uma queda adicional de 20%, em linha com os ciclos anteriores
— Lucy Gazmararian, Token Bay Capital
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