Em meados de agosto de 2026, o bitcoin protagonizou a sua maior subida semanal em mais de três anos, valorizando 23,6% e confirmando entrada oficial em bull market. O catalisador veio de Washington: o Tesouro norte-americano duplicou as recompras de obrigações de longo prazo, aliviando yields e libertando capital que fluiu para os mercados de criptomoedas. Como tantas vezes na história dos mercados, uma decisão de política fiscal num gabinete governamental reconfigurou, em dias, o apetite global pelo risco. A questão que permanece é se este movimento representa uma viragem duradoura ou apenas
Bitcoin entra em bull market com maior subida semanal em mais de três anos
Capital que estava em renda fixa migra para ativos de risco
O que exatamente fez o bitcoin subir 23% em uma semana?
A decisão do Tesouro norte-americano de duplicar as recompras de obrigações de longo prazo. Quando o Tesouro compra mais obrigações, as yields caem, e o capital que estava em renda fixa migra para ativos de risco como criptomoedas.
Mas por que o Tesouro fez isso agora?
As yields estavam em máximos históricos — a obrigação americana a 30 anos estava em 5,31%, o maior nível desde 2007. O Tesouro estava preocupado com a liquidez nos setores de longo prazo e com os custos de empréstimo crescentes.
E o short squeeze que mencionou — o que foi?
Investidores que tinham apostado na queda do bitcoin foram forçados a liquidar essas posições quando o preço começou a subir. Cerca de 2,7 mil milhões de dólares em posições curtas foram fechadas, o que amplificou ainda mais a subida.
Isso significa que o bitcoin vai continuar a subir?
Não necessariamente. Lucy Gazmararian, uma especialista em criptomoedas, acredita que há uma última subida vindo, seguida de uma queda de 20%. O mercado funciona em ciclos, e as pessoas estão posicionadas para isso.
E o Clarity Act que mencionou?
É o quadro regulatório norte-americano para criptomoedas. Se for aprovado nas próximas semanas, seria visto como um catalisador fundamental para o setor inteiro.
Então o bitcoin entrou em bull market, mas pode cair 20% em breve?
Exatamente. Esta semana foi extraordinária, mas faz parte de um padrão maior. Os ciclos do bitcoin são bem conhecidos, e os investidores estão preparados para a próxima transição.
Le Pouls
- O bitcoin disparou de 62.836 para 77.723 dólares em apenas cinco dias, a maior subida semanal desde março de 2023, confirmando tecnicamente a entrada em bull market.
- O Tesouro dos EUA duplicou o limite mínimo das recompras de obrigações de longo prazo para 4 mil milhões de dólares, derrubando yields que estavam em máximos históricos em vários países, da América do Norte ao Japão e à Europa.
- Cerca de 2,7 mil milhões de dólares em posições curtas foram liquidadas forçadamente num short squeeze em cascata, amplificando a subida do bitcoin muito além do que o fluxo de capital por si só justificaria.
- A aprovação iminente do Clarity Act — o quadro regulatório norte-americano para criptomoedas — é apontada como o próximo catalisador capaz de consolidar ou acelerar o movimento.
- Vozes experientes do setor alertam que o mercado pode estar a viver os últimos momentos de uma subida antes de uma correção adicional de 20%, em linha com os ciclos históricos do bitcoin.
Em meados de agosto de 2026, o bitcoin protagonizou a sua maior subida semanal em mais de três anos, valorizando 23,6% e confirmando entrada oficial em bull market. O catalisador veio de Washington: o Tesouro norte-americano duplicou as recompras de obrigações de longo prazo, aliviando yields e libertando capital que fluiu para os mercados de criptomoedas. Como tantas vezes na história dos mercados, uma decisão de política fiscal num gabinete governamental reconfigurou, em dias, o apetite global pelo risco. A questão que permanece é se este movimento representa uma viragem duradoura ou apenas mais um capítulo num ciclo que os mais experientes já reconhecem de memória.
Na segunda-feira, 17 de agosto, o bitcoin abriu a semana em torno de 62.836 dólares. Cinco dias depois, tinha alcançado 77.723 dólares — uma valorização de 23,6% que representa a maior subida semanal desde março de 2023 e confirma, pelo critério técnico de uma alta superior a 20% a partir de um mínimo, a entrada oficial em bull market.
O gatilho veio de Washington. Na quarta-feira, o Tesouro norte-americano, liderado por Scott Bessent, anunciou a duplicação das suas operações de recompra de obrigações de longo prazo, elevando o limite mínimo por operação de 2 para 4 mil milhões de dólares. A medida, em vigor de setembro a novembro, foi justificada pela necessidade de proporcionar maior liquidez num segmento com forte procura dos participantes do mercado.
O efeito foi imediato. As yields das obrigações, que tinham atingido máximos históricos em vários países — 5,31% nas obrigações norte-americanas a 30 anos, o nível mais elevado desde 2007, com equivalentes recordes no Canadá, Japão, França e Alemanha — começaram a recuar. Com os títulos de dívida a tornarem-se menos atrativos, o capital procurou alternativas, e as criptomoedas foram as grandes beneficiárias.
O movimento foi ainda amplificado por um short squeeze: cerca de 2,7 mil milhões de dólares em posições curtas foram liquidadas forçadamente à medida que o preço subia, criando uma espiral ascendente que acelerou a valorização do bitcoin.
No horizonte próximo, a aprovação do Clarity Act — o quadro regulatório norte-americano para criptomoedas, que a Casa Branca e o setor tentam fazer avançar nas próximas semanas — é apontada como um catalisador potencialmente decisivo. Mas a fundadora da Token Bay Capital, Lucy Gazmararian, oferece uma leitura mais cautelosa: o mercado, segundo ela, está posicionado para uma última subida antes de uma correção de cerca de 20%, um padrão que os participantes mais experientes reconhecem como parte integrante dos ciclos históricos do bitcoin. O que parece uma vitória pode ser apenas um capítulo numa história que ainda não terminou.
Na segunda-feira, 17 de agosto, o bitcoin começou uma semana extraordinária. A criptomoeda abriu em torno de 62.836 dólares. Cinco dias depois, na quinta-feira, tinha alcançado 77.723 dólares — um salto de 23,6% que marca a maior subida semanal em mais de três anos, desde março de 2023. Com esse movimento, o bitcoin confirmou oficialmente sua entrada em bull market, o termo técnico para quando um ativo sobe mais de 20% a partir de um mínimo.
O catalisador foi uma decisão do Tesouro norte-americano anunciada na quarta-feira. Os EUA duplicaram o tamanho de suas operações de recompra de obrigações de longo prazo — aquelas com prazos entre 10 e 30 anos. O limite mínimo por operação passou de 2 mil milhões de dólares para 4 mil milhões. A medida entra em vigor a 9 de setembro e permanecerá ativa até 4 de novembro, cobrindo todo o trimestre de refinanciamento. O Tesouro, sob liderança de Scott Bessent, explicou que o aumento reflete o desejo de proporcionar maior apoio à liquidez nos setores de longo prazo, onde há forte demanda consistente dos participantes do mercado.
Esta ação teve um efeito imediato nos mercados de renda fixa. As yields das obrigações — os juros pagos por esses títulos — começaram a recuar. Na segunda-feira anterior, antes do anúncio, as obrigações estavam em máximos em vários países. A yield das obrigações norte-americanas a 30 anos tinha atingido 5,31%, o maior nível desde 2007 e uma deterioração de 40 pontos base desde junho. No Canadá, as obrigações de mesma maturidade estavam no patamar mais elevado desde 2010. No Japão, renovavam máximos do século. Na Europa, a França via suas obrigações a 30 anos no nível mais alto desde 2008, refletindo ansiedade com negociações orçamentárias e eleições de 2027. A Alemanha enfrentava yields em máximos de 2011.
Quando o Tesouro anunciou a duplicação das recompras, o cenário inverteu-se. A queda nas yields abriu espaço para uma realocação de capital. Investidores começaram a sair de obrigações e a entrar em criptomoedas. Mas o movimento foi amplificado por um fenômeno conhecido como short squeeze. Aproximadamente 2,7 mil milhões de dólares em posições curtas — apostas que lucram quando o preço cai — foram liquidadas forçadamente, conforme os investidores tentavam limitar perdas diante da subida acelerada do bitcoin. Essa liquidação em cascata impulsionou ainda mais o preço para cima.
Max Stuedlein, chefe de parcerias da Sygnum APAC, interpretou a decisão do Tesouro como uma resposta a preocupações com rendimentos de longo prazo num contexto em que os custos de empréstimo têm aumentado. As preocupações giram em torno dos níveis de dívida dos Estados Unidos e do efeito de deslocamento causado pelas emissões de dívida de grandes empresas de tecnologia.
Além do movimento nas obrigações, há outro fator em jogo: a aprovação do Clarity Act. Este é o quadro regulatório norte-americano para criptomoedas, e tanto a Casa Branca quanto responsáveis do setor estão tentando aprová-lo nas próximas semanas. Se aprovado, seria visto como um catalisador fundamental para o setor inteiro.
Mas nem todos veem apenas céu azul adiante. Lucy Gazmararian, fundadora e managing partner da Token Bay Capital, oferece uma perspectiva cíclica. Ela acredita que o mercado está posicionado para uma última subida seguida de uma queda adicional de 20%, em linha com ciclos históricos do bitcoin. Segundo ela, o mercado estava fortemente alavancado em posições curtas que foram dizimadas nesta semana. Os participantes compreendem bem os ciclos do bitcoin e se posicionam nos últimos meses antes das transições de alta para baixa e vice-versa. O que parecia uma vitória definitiva pode ser apenas um capítulo numa história mais longa.
Citations marquantes
O aumento dos tamanhos das operações de recompra reflete o desejo do Tesouro de proporcionar um maior apoio à liquidez nos setores de longo prazo— Tesouro norte-americano
Estamos à espera de uma última subida e de uma queda adicional de 20%, em linha com os ciclos anteriores— Lucy Gazmararian, Token Bay Capital