A força vendedora predomina, buscando a extremidade de baixa
O Bitcoin recuou ao seu menor patamar em quase dois meses, tocando os US$ 59 mil numa segunda-feira marcada pela convergência de forças que raramente agem sozinhas: a retirada de capital institucional, a sombra de uma política monetária mais restritiva e o ressurgimento de um fantasma de uma década atrás. A queda não é apenas um número — é o reflexo de um mercado que, diante da incerteza, escolhe a cautela antes da confiança.
- O Bitcoin despencou 6% em 24 horas, atingindo US$ 59 mil e apagando semanas de recuperação em um único movimento de mercado.
- ETFs americanos de Bitcoin acumularam saídas de US$ 600 milhões pela segunda semana seguida, o pior desempenho desde o lançamento desses produtos em janeiro.
- O Federal Reserve sinalizou apenas um corte de juros em 2024, esvaziando as apostas de quem esperava um ambiente mais favorável a ativos de risco.
- A Mt. Gox anunciou pagamentos em Bitcoin a partir de julho, acendendo o temor de que credores, após uma espera de dez anos, despejem seus ativos no mercado de uma vez.
- Analistas apontam US$ 58 mil como suporte crítico — se rompido com força, o próximo alvo técnico seria US$ 54.829, o que sinalizaria o fim da tendência de alta iniciada no ano.
Na tarde de uma segunda-feira, o Bitcoin afundou para os US$ 59 mil — seu pior desempenho desde 3 de maio —, arrastado por três forças que se alimentavam mutuamente.
A primeira era institucional: os ETFs de Bitcoin negociados nos Estados Unidos registraram saídas de US$ 600 milhões pela segunda semana consecutiva, o desempenho mais fraco desde o lançamento desses produtos em janeiro. James Butterfill, da CoinShares, apontou o pessimismo em relação aos juros americanos como principal culpado. O Federal Reserve havia sinalizado apenas um corte de taxa para 2024, frustrando quem apostava em um afrouxamento mais agressivo — condição historicamente favorável a criptomoedas.
A segunda força vinha do passado. A Mt. Gox, exchange que colapsou após um roubo bilionário em 2014, confirmou que iniciaria pagamentos em Bitcoin e Bitcoin Cash a credores lesados a partir de julho. O temor era simples: investidores que esperaram uma década poderiam vender seus ativos assim que os recebessem, inundando o mercado com oferta repentina.
Às 14h, o Bitcoin era negociado a US$ 59.997, com queda de 6% nas últimas 24 horas e quase 9% na semana. Ethereum, BNB, Solana e XRP também recuavam. Apenas algumas moedas menores, como Injective e dogwifhat, nadavam contra a corrente.
No campo técnico, a analista Ana de Mattos, da Ripio, identificou US$ 58.360 como o próximo suporte relevante. Um rompimento dessa barreira abriria caminho para US$ 54.829, calculado por expansão de Fibonacci. Israel Buzaym, do Bitybank, reconhecia o risco, mas considerava improvável uma reversão completa da tendência de alta do ano. Os próximos meses — e especialmente o início dos pagamentos da Mt. Gox em julho — dirão se o mercado encontra chão ou continua a cavar.
Na tarde de segunda-feira, o Bitcoin desabou para os US$ 59 mil, marcando seu pior desempenho em quase dois meses. Era o nível mais baixo desde 3 de maio, um retrocesso que sinalizava uma mudança clara no sentido do mercado de criptomoedas.
Três forças convergentes empurravam o preço para baixo. Os fundos de índice de Bitcoin negociados nos EUA estavam sangrando capital — US$ 600 milhões saíram desses produtos na segunda semana consecutiva, de acordo com dados da CoinShares. Era o pior desempenho desde o lançamento desses veículos em janeiro. James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares, atribuiu boa parte dessa fuga ao pessimismo dos investidores em relação aos juros americanos. No início do mês, o Federal Reserve havia sinalizado que faria apenas um corte de taxa neste ano — bem menos do que muitos esperavam. Esse anúncio abafou as esperanças de quem apostava em uma queda mais agressiva dos juros, o que historicamente favorece ativos de risco como criptomoedas.
A segunda pressão vinha de um fantasma do passado. A Mt. Gox, a exchange que sofreu um roubo de US$ 9 bilhões em 2014 e permaneceu falida desde então, anunciou que começaria a pagar os investidores prejudicados a partir de julho. O administrador da falência, Nobuaki Kobayashi, confirmou que os pagamentos seriam feitos em Bitcoin e Bitcoin Cash. A notícia despertou temores de que esses investidores, finalmente recebendo seus ativos após uma década, pudessem vendê-los imediatamente — gerando uma onda de oferta no mercado.
Às 14h, o Bitcoin era negociado a US$ 59.997, com queda de 6% nas últimas 24 horas. Na semana, o ativo acumulava perdas de quase 9%. O Ethereum caía 6,3%, enquanto outras criptomoedas como BNB, Solana e XRP também registravam quedas entre 2% e 4%. Apenas algumas moedas menores conseguiam ganhos — Injective subia 4,1%, e dogwifhat avançava 3,7% — mas a tendência geral era de sangramento.
Analistas técnicos apontavam para um próximo ponto crítico. Ana de Mattos, analista da Ripio, observava que o Bitcoin havia retornado a uma faixa de negociação lateral que vinha sendo respeitada desde 12 de março. A força vendedora era predominante, e o preço buscava a extremidade inferior dessa zona, em torno de US$ 58.360. Se essa barreira cedesse com força, o próximo alvo seria US$ 54.829, calculado através de uma expansão de Fibonacci. Israel Buzaym, diretor de comunicação do Bitybank, concordava que US$ 58 mil era o próximo nível a ser testado, mas oferecia uma perspectiva menos pessimista: uma queda abaixo desse patamar significaria uma reversão da tendência de alta que começou no ano, algo que ele considerava improvável.
O mercado mais amplo de criptomoedas refletia a mesma turbulência. ORDI despencava 12,5%, Gnosis caía 10,7%, e Uniswap recuava 9,2%. Apenas um punhado de ativos menores conseguia flutuar contra a corrente. A combinação de saídas de fundos institucionais, incerteza macroeconômica e o fantasma da Mt. Gox criava um cenário onde cada notícia parecia empurrar o preço para baixo. Os próximos dias e semanas — especialmente quando os pagamentos da Mt. Gox começassem em julho — poderiam determinar se o Bitcoin encontraria suporte em US$ 58 mil ou se mergulharia ainda mais fundo.
Citações Notáveis
Acreditamos que isso é uma reação ao pessimismo entre os investidores quanto à perspectiva de cortes nas taxas de juros pelo Fed este ano— James Butterfill, chefe de research da CoinShares
Uma queda abaixo desse patamar significaria uma reversão da tendência de alta iniciada este ano, o que, na minha opinião, é improvável— Israel Buzaym, diretor de comunicação do Bitybank
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que os ETFs de Bitcoin estão perdendo tanto dinheiro agora?
Os investidores estão assustados com a perspectiva de juros mais altos por mais tempo. Quando o Federal Reserve sinalizou que faria apenas um corte este ano, em vez de vários, muita gente que havia apostado em Bitcoin pensando que os juros cairiam começou a sair. É uma reação de medo.
E a Mt. Gox? Por que uma exchange que faliu há dez anos ainda importa?
Porque há dez anos ela desapareceu com US$ 9 bilhões em Bitcoin de seus usuários. Agora, finalmente, esses investidores vão receber seus ativos de volta. A pergunta que assusta o mercado é: eles vão vender tudo imediatamente? Se fizerem isso em massa, pode haver uma enxurrada de oferta.
Os analistas parecem divididos sobre o fundo do poço.
Não exatamente. Todos concordam que US$ 58 mil é o próximo suporte importante. O que muda é a confiança. Alguns acham que se cair abaixo disso, pode despencar até US$ 54,8 mil. Outros acham que US$ 58 mil vai segurar e que uma queda maior seria uma reversão completa da tendência do ano.
Qual é o cenário mais provável?
Honestamente, depende do que acontecer com os pagamentos da Mt. Gox em julho. Se forem graduais e os investidores não venderem tudo de uma vez, o mercado pode se estabilizar. Se houver uma venda em pânico, aí sim podemos ver quedas maiores.
Então estamos em um ponto de inflexão?
Sim. O Bitcoin está testando um nível que não via desde maio. Se segurar aqui, pode ser o começo de uma recuperação. Se não segurar, o mercado pode entrar em um modo de pânico que leva a quedas muito maiores.