No encerramento de um ciclo breve mas significativo, o técnico interino Bellão deixou o comando do Botafogo com a dignidade de quem cumpriu o que foi pedido: três jogos sem derrota, uma vitória por 3 a 2 sobre o Grêmio e sete pontos de distância da zona de risco. Com Tite prestes a assumir, Bellão não se despediu como quem perde um posto, mas como quem entrega uma casa em ordem — carregando dezenove anos de trajetória e a consciência de que servir bem, mesmo por pouco tempo, também é uma forma de grandeza.
Bellão celebra vitória sobre Grêmio antes de entregar Botafogo a Tite
Estou transbordando de alegria com essa oportunidade
Bellão realmente acreditava que aquele jogo contra o Grêmio era uma final?
Para ele, era. Ele falou na preleção que não era jogo de seis pontos, era de sete — porque vencer significava se afastar sete pontos do adversário. Depois de semanas ouvindo críticas sobre não estar ganhando, aquela vitória tinha peso diferente.
Mas ele estava saindo do cargo de qualquer forma. O jogo importava para o Botafogo, claro, mas para Bellão pessoalmente, era seu último como técnico principal. Isso muda a perspectiva.
Ele defendeu muito suas escolhas táticas durante a coletiva. Por quê?
Porque havia recebido críticas sobre a linha de cinco, sobre adaptar Edenílson para lateral, sobre não ter posse de bola. Bellão queria deixar claro que cada decisão tinha lógica, que era resposta ao que o adversário fazia, não capricho.
Mas a defesa dele foi longa e detalhada demais. Quando um técnico precisa explicar tanto suas escolhas em uma coletiva, é sinal de que as críticas o atingiram. Ele estava ferido.
Ele mencionou ter dezenove anos de carreira. Isso importa?
Para ele, importa muito. Disse que não merecia ser chamado de estagiário, que havia trabalhado em clubes grandes, que havia treinado Rivaldo. Era uma forma de dizer: eu tenho credibilidade, eu sei o que estou fazendo.
Verdade, mas a questão é se dezenove anos de carreira — principalmente em bases — o preparavam para gerir uma reestruturação de elenco em Série A durante uma crise. Experiência não é a mesma coisa que sucesso naquele contexto específico.
Como ele vê a chegada de Tite?
Com alegria genuína. Disse que está transbordando de felicidade, que é uma honra trabalhar com um terceiro campeão do mundo. Trocou ideias com Tite sobre o plano de jogo, e o técnico gostou.
Mas há algo de bittersweet nisso. Bellão sai do cargo no momento em que a equipe começa a melhorar — três jogos invictos, vitória importante. Ele não vai colher o que plantou.
Ele prometeu ficar como auxiliar técnico?
Sim. Disse que quer ser participativo na transição, que quer manter o legado que deixou, especialmente na base. Quer ajudar Tite a conhecer o Botafogo e os jogadores.
A questão é se Tite vai querer isso. Às vezes, um novo técnico prefere limpar a casa, trazer sua própria comissão. Bellão pode estar sendo otimista demais sobre seu papel futuro.
Der Puls
- O Botafogo venceu o Grêmio por 3 a 2 num jogo que Bellão descreveu como decisivo para afastar o clube da zona de rebaixamento e consolidar três partidas sem derrota.
- Bellão precisou fazer ajustes táticos em tempo real durante a partida — mudando para linha de cinco e depois reposicionando Danilo Pereira — para conter os cruzamentos que eram a principal arma do adversário.
- O técnico rebateu com firmeza as críticas que recebeu durante sua passagem, rejeitando o rótulo de 'estagiário' e defendendo dezenove anos de carreira, incluindo trabalho nas bases de Botafogo e Athletico Paranaense.
- Com Tite chegando para assumir o comando, Bellão aceita o papel de auxiliar na transição e descreve a oportunidade de trabalhar com um terceiro campeão do mundo como motivo de alegria genuína.
- O Botafogo é entregue ao novo técnico em posição confortável na tabela, com uma equipe que, segundo Bellão, aprendeu a finalizar melhor e a ocupar espaços dentro da área com mais eficiência.
No encerramento de um ciclo breve mas significativo, o técnico interino Bellão deixou o comando do Botafogo com a dignidade de quem cumpriu o que foi pedido: três jogos sem derrota, uma vitória por 3 a 2 sobre o Grêmio e sete pontos de distância da zona de risco. Com Tite prestes a assumir, Bellão não se despediu como quem perde um posto, mas como quem entrega uma casa em ordem — carregando dezenove anos de trajetória e a consciência de que servir bem, mesmo por pouco tempo, também é uma forma de grandeza.
Bellão saiu da coletiva com o sorriso de quem venceu um jogo que carregava peso de final. O Botafogo havia derrotado o Grêmio por 3 a 2, abrindo sete pontos de vantagem sobre o adversário na tabela e completando três partidas sem derrota. Para um técnico que havia assumido o clube em momento de crise, aquela vitória era também uma despedida digna — porque Tite chegaria para assumir o comando, e Bellão passaria a ocupar um papel de apoio na transição.
Durante a coletiva, o técnico explicou com precisão as escolhas táticas que havia feito ao longo da partida. A linha de cinco não era capricho: quando o Grêmio colocou dois centroavantes com a entrada de Braithwaite, defender com apenas quatro zagueiros tornou-se inviável. Bellão ajustou. Depois, quando o adversário passou a explorar cruzamentos pelos lados, reposicionou Danilo Pereira numa linha de quatro. O jogador teve dificuldade no início, mas nos últimos cinco minutos o Botafogo conseguiu bloquear melhor. Das dez finalizações do time, sete foram no gol — um número que o deixava satisfeito.
Bellão também respondeu às críticas que havia recebido. Não aceitava ser chamado de estagiário. Tinha dezenove anos de carreira, havia trabalhado em clubes grandes, treinado Rivaldo em 2015 e contribuído para as bases de dois dos clubes com mais gols de jovens na Série A. Aceitava crítica, mas não aceitava ser diminuído. A adaptação de Edenílson para a lateral, por exemplo, não era invenção — era resposta a um momento de reestruturação do elenco, com saídas e chegadas simultâneas.
Ao final, Bellão falou sobre seu pai, que havia ido ao estádio para vê-lo trabalhar, e sobre Paulo e Felipão, que o apoiaram quando era jovem e passava por dificuldades. Sem aquele suporte, não estaria ali. E agora teria a chance de trabalhar com Tite, um terceiro campeão do mundo. Disse que estava transbordando de alegria. Conheceu Tite pessoalmente no jogo, trocou ideias sobre o plano de jogo, e prometeu contribuir na transição. O Botafogo estava bem posicionado. Ele entregava a equipe em ordem.
Bellão saiu da coletiva de imprensa com o sorriso largo de quem acaba de vencer um jogo que importava demais. O Botafogo havia derrotado o Grêmio por 3 a 2, e para o técnico interino, aquela vitória carregava peso de final — não apenas pelos três pontos, mas pelos sete que o time agora colocava entre si e o adversário na tabela. Depois de semanas ouvindo críticas sobre a falta de vitórias, Bellão podia finalmente falar de algo diferente: três jogos sem perder, uma equipe que começava a respirar melhor, um clube que olhava para cima em vez de para baixo.
Mas havia outra coisa no ar naquela coletiva. Bellão sabia que aquele era seu último jogo como treinador principal do Botafogo. Tite chegava para assumir o comando, e ele passaria a ocupar um papel de transição, de apoio, de quem fica para ajudar o novo técnico a conhecer o clube, os jogadores, o que funciona e o que não funciona. Havia alegria naquilo também — a chance de trabalhar com um terceiro campeão do mundo, depois de Paulo e Felipão. Mas havia também a consciência de que um ciclo terminava.
Durante a coletiva, Bellão defendeu suas escolhas táticas com a precisão de quem sabe exatamente o que fez e por quê. A linha de cinco que o Grêmio havia visto em campo não era capricho seu, explicou. Era resposta. Quando o adversário colocou dois centroavantes com a entrada de Braithwaite, defender aquela configuração com apenas quatro zagueiros virou quase impossível. Bellão ajustou. Manteve três volantes e dois atacantes para não recuar demais, mas quando o Grêmio começou a lateralizar o jogo e colocar dois homens pelo lado para explorar os cruzamentos — a grande força deles — precisou fazer novo ajuste. Puxou Danilo Pereira para uma linha de quatro. O jogador teve dificuldade no começo, mas depois entendeu. Nos últimos cinco minutos, o Botafogo conseguiu bloquear melhor os cruzamentos.
O técnico também falou sobre as finalizações. Havia trabalhado muito com a equipe para melhorar a qualidade dos chutes, não apenas a quantidade. Naquele jogo contra o Grêmio, o Botafogo teve dez finalizações e sete foram no gol — um número que o deixava satisfeito. Montoro recebeu a bola em regiões mais livres e depois pisou na área. Danilo, que havia sido criticado por lateralizar demais o jogo, conseguiu entrar mais na área no segundo tempo. Vitinho recebeu a bola dentro da área nos gols dois e três. Eram ajustes pequenos que faziam diferença grande.
Mas a coletiva também foi o palco para Bellão responder às críticas que havia recebido durante sua passagem. Ele não aceitava ser chamado de estagiário. Tinha dezenove anos de carreira, havia trabalhado em clubes grandes, havia treinado Rivaldo em 2015 no Mogi Mirim. O Botafogo e o Athletico Paranaense tinham a maior quantidade de gols marcados por jovens na Série A — e ele havia trabalhado nas bases dos dois clubes. Como poderia ser um estagiário? Disse que as pessoas não estudavam sua trajetória o suficiente, que faltava respeito pelo que ele já havia construído. Aceitava crítica, mas não aceitava ser diminuído.
Ele também explicou por que havia adaptado Edenílson para a lateral. Edenílson havia jogado de lateral e de ponta por muito tempo em sua carreira. Não era invenção. Era adaptação necessária num momento em que o clube passava por reestruturação, com saídas e chegadas de jogadores. Naquele contexto, algumas soluções vinham de ajustes táticos, não de incompetência. Arthur Cabral era um grande finalizador — Bellão tinha certeza disso. Quando assumiu o Botafogo, foi em momentos de crise, e precisou primeiro estruturar a defesa antes de poder pensar em posse de bola. O Grêmio havia tido mais posse naquele jogo, e tudo bem. A vitória era o que importava.
Ao final, Bellão falou sobre seu pai, que havia ido ao jogo para vê-lo trabalhar. Falou sobre Paulo e Felipão, pessoas que o ajudaram quando era jovem, quando ficou meses sem receber salário, quando sua esposa estava grávida. Sem aquele suporte, não estaria ali, vivendo um jogo de Série A contra um técnico campeão do mundo. E agora teria a chance de trabalhar com Tite, um terceiro campeão do mundo. Disse que estava transbordando de alegria com essa oportunidade. Conheceu Tite pessoalmente no jogo, trocou ideias sobre o plano de jogo, e o técnico gostou. Bellão prometeu contribuir, aprender, ser participativo na transição. O Botafogo estava em boa posição na tabela. Ele entregava a equipe bem. E agora vinha a próxima fase.
Bemerkenswerte Zitate
Era uma final para a gente. Não era jogo de seis pontos, era jogo de sete pontos porque a gente se distanciaria sete pontos do adversário— Bellão
É uma alegria imensa poder passar esse passo para o professor Tite, com a equipe bem, lá em cima, na primeira página do campeonato— Bellão