BCE sobe juros enquanto EUA enfrentam inflação e guerra comercial com Canadá

As taxas de juro são a ferramenta preferencial contra a inflação
Kevin Warsh, presidente da Reserva Federal, reafirmou o compromisso com o combate aos preços em Jackson Hole.
Mark

Porque é que esta semana é tão importante para os mercados?

Mimi

Porque temos decisões monetárias em ambos os lados do Atlântico — o BCE em Berlim e a Fed a preparar-se para a próxima semana — e os dados de inflação americana vão ser cruciais para confirmar se há espaço para subidas de juros.

Luke

Mas o mercado já está a precificar uma subida de juros. Quanto dessa expectativa é baseada em dados concretos e quanto é especulação sobre o que Warsh disse em Jackson Hole?

Mimi

Warsh foi bastante claro — disse que as taxas de juro são a ferramenta preferencial. Isso não é especulação, é uma declaração direta de um responsável da Fed.

Luke

Certo, mas as yields das Treasuries já subiram para máximos de outubro de 2023. Se a inflação em agosto ficar inalterada, como o mercado espera, isso justifica mais subidas ou é apenas o mercado a antecipar?

Mimi

É uma boa pergunta. Se a inflação não desacelerar, a Fed terá argumentos para subir. Mas se desacelerar mais do que esperado, pode haver espaço para parar.

Mark

E quanto à situação comercial com o Canadá? Isso afeta os preços?

Mimi

Potencialmente, sim. Tarifas de 50% sobre aço, alumínio e eletrónica podem aumentar custos para os produtores americanos, o que pode pressionar a inflação.

Luke

Mas isso é um efeito secundário. O impacto imediato é sobre o comércio bilateral. Não sabemos ainda se vai haver mais escalada ou negociação.

Mark

E a Alemanha? O Ifo reviu em alta as projeções. Isso muda algo para o BCE?

Mimi

Muda o contexto. Se a economia europeia está a recuperar, há menos pressão para o BCE ser demasiado agressivo com as subidas de juros.

Luke

Mas o BCE já decidiu subir em junho. Esta reunião é apenas para confirmar a trajetória. A questão é se vai ser um aumento único ou o início de um ciclo mais longo.

Mark

E Portugal? O que significa a emissão de dívida esta semana?

Mimi

Portugal vai captar entre 1.500 e 1.750 milhões de euros em dívida a quatro, oito e nove anos. É uma operação de refinanciamento regular.

Luke

Mas o timing é importante. Com as yields a subirem, o custo de emissão pode ser mais elevado do que seria há algumas semanas.

  • O BCE prepara-se para subir juros em 25 pontos-base em Berlim, continuando o ciclo de aperto iniciado em junho após a escalada dos preços da energia.
  • As yields das Treasuries americanas a dez anos atingiram máximos desde outubro de 2023, criando pressão sobre a emissão de dívida soberana de ambos os lados do Atlântico.
  • A guerra comercial EUA-Canadá escala com tarifas recíprocas de até 50% sobre centenas de produtos, somando mais de 27 mil milhões de dólares canadianos em bens afetados.
  • Portugal vai ao mercado na quarta-feira para captar até 1.750 milhões de euros em obrigações do Tesouro, testando o apetite dos investidores num contexto de juros altos.
  • Os dados de inflação americana de agosto, esperados na sexta-feira, tornam-se o indicador mais observado da semana antes da reunião decisiva da Fed.

Numa semana densa de sinais monetários, o Banco Central Europeu reúne-se em Berlim com a expectativa de apertar ainda mais as condições de crédito na Zona Euro, enquanto nos Estados Unidos os mercados aguardam dados de inflação que poderão confirmar uma nova subida de juros pela Fed. Portugal e os EUA emitem dívida num ambiente de yields elevadas, e a guerra comercial entre Washington e Ottawa ganha novos contornos com tarifas recíprocas que chegam a 50%. O mundo financeiro navega, uma vez mais, entre a disciplina dos preços e o custo do crescimento.

A semana abre com o feriado do Dia do Trabalhador a encerrar as bolsas americanas, mas o intervalo é breve. O calendário que se segue está carregado de decisões que vão definir o rumo dos mercados nas próximas semanas.

Na Europa, o instituto Ifo reviu em alta as projeções para a Alemanha, esperando agora um crescimento de 1,4% em 2026 — o dobro do que previa anteriormente. A recuperação é puxada pela produção automóvel e de equipamentos de transporte, e novos dados industriais de julho darão pistas sobre se o impulso se mantém.

A tensão comercial entre os EUA e o Canadá aprofunda-se. Depois de Washington impor tarifas de 50% sobre produtos canadianos, Ottawa respondeu na mesma moeda: a partir de terça-feira, mais de 700 produtos norte-americanos — aço, alumínio, mobiliário, eletrónica — ficam sujeitos a taxas equivalentes, num total que ultrapassa os 27 mil milhões de dólares canadianos.

Na quarta-feira, Portugal vai ao mercado para três leilões de obrigações do Tesouro com maturidades em 2030, 2034 e 2035, procurando captar entre 1.500 e 1.750 milhões de euros. No mesmo dia, os EUA emitem dívida a dez anos num ambiente de pressão crescente: as yields das Treasuries chegaram recentemente aos 4,746%, máximos desde outubro de 2023, impulsionadas pelas declarações do presidente da Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, que reforçou o compromisso com o combate à inflação.

O BCE reúne-se em Berlim com o mercado a antecipar uma subida de 25 pontos-base — expectativa validada pelo governador do Bundesbank, Joachim Nagel. Em junho, o banco central tinha já aumentado as taxas pela primeira vez desde 2023, levando o juro dos depósitos para 2,25%, em resposta à escalada dos preços da energia ligada ao conflito no Médio Oriente.

O desfecho da semana pertence aos dados de inflação americana de agosto, esperados na sexta-feira. Depois de dois meses consecutivos de abrandamento, com a taxa a fixar-se em 3,4% em julho, o mercado antecipa pouca variação. Mas o número assume peso crítico: a reunião da Fed está marcada para a semana seguinte, e os investidores usarão esta leitura para calibrar as suas apostas sobre uma nova subida de juros.

A semana que se abre traz uma sequência de decisões monetárias e económicas que vão moldar os mercados europeus e americanos. Nos Estados Unidos, o feriado do Dia do Trabalhador encerra as bolsas e interrompe a negociação de dívida soberana na segunda-feira, criando um intervalo antes de uma série de movimentos importantes. A próxima pausa no calendário só chega no Dia de Ação de Graças, a 26 de novembro, deixando a semana repleta de acontecimentos que os investidores acompanham com atenção.

Na Europa, o clima económico muda de tom. O instituto Ifo reviu em alta as suas projeções para a Alemanha, esperando agora um crescimento de 1,4% este ano, face aos 0,8% que tinha previsto anteriormente. Se esta estimativa se confirmar, marca o fim de anos de estagnação económica no país. A recuperação assenta em grande medida na produção automóvel e de equipamentos de transporte, que acelerou no segundo trimestre após três meses de contração no início do ano. Novos dados da produção industrial de julho serão conhecidos durante a semana, oferecendo pistas sobre se o impulso se mantém.

A tensão comercial entre Estados Unidos e Canadá intensifica-se. Depois de Washington ter imposto tarifas de 50% sobre produtos canadianos avaliados em 20 mil milhões de dólares, Ottawa respondeu na mesma moeda. A partir de terça-feira, entram em vigor taxas de até 50% sobre mais de 700 produtos norte-americanos — aço, alumínio, mobiliário, eletrónica — afetando no total produtos correspondentes a 27,6 mil milhões de dólares canadianos. O conflito comercial torna-se cada vez mais concreto, com ambos os lados a escalarem as medidas de retaliação.

Portugal vai ao mercado de dívida na quarta-feira para três leilões de obrigações do Tesouro com maturidades em 2030, 2034 e 2035. A IGCP, a agência responsável pela gestão da dívida pública, anunciou que o objetivo é captar entre 1.500 e 1.750 milhões de euros em nova dívida a quatro, oito e nove anos. No mesmo dia, os Estados Unidos emitem dívida na maturidade de referência de dez anos, num contexto de pressão nos mercados de obrigações soberanas. As yields das Treasuries nesta maturidade atingiram recentemente máximos de outubro de 2023, nos 4,746%. A escalada foi acelerada pelos comentários de Kevin Warsh, presidente da Reserva Federal, em Jackson Hole, que reforçou o compromisso com o combate à inflação e identificou as taxas de juro como a "ferramenta preferencial". Isto levou os investidores a aumentarem as probabilidades de uma subida de juros este mês. No mesmo dia, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, elevou o programa de recompra de dívida de dois para quatro mil milhões de dólares.

O Banco Central Europeu reúne-se em Berlim para decidir a trajetória da política monetária. O mercado espera uma subida de juros de 25 pontos-base, uma expectativa validada na semana anterior pelo governador do Bundesbank, Joachim Nagel. Em junho, o BCE tinha aumentado as taxas de referência na Zona Euro pela primeira vez desde 2023, respondendo à escalada dos preços da energia devido ao conflito no Médio Oriente. Esse aumento de 25 pontos-base levou o juro aplicável aos depósitos para 2,25%, onde se mantém desde então.

Nos Estados Unidos, a inflação ganha destaque especial. Depois de ter abrandado pelo segundo mês consecutivo em julho, fixando-se em 3,4%, o mercado espera que em agosto fique praticamente inalterada. Este indicador, que será conhecido na sexta-feira, assume importância crítica antes da reunião da Fed marcada para a próxima semana. Os investidores têm vindo a aumentar as probabilidades de uma subida de juros, transformando os dados de inflação numa leitura que pode confirmar ou desmentir essas expectativas.

As taxas de juro são a ferramenta preferencial para domar a inflação
— Kevin Warsh, presidente da Reserva Federal
O BCE deverá aumentar as taxas de referência na Zona Euro em 25 pontos-base
— Joachim Nagel, governador do Bundesbank
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