Banco Inter recomenda compra de IPCA+ para lucrar com queda de juros

A assimetria joga a favor de quem compra agora
Winalda explica por que os ganhos em queda de juros superam as perdas em alta de juros.
Mark

Por que agora é o momento certo para comprar IPCA+? O que mudou?

Mimi

Os juros estão em patamares historicamente altos — acima de 8% de remuneração real — e o Banco Central está sinalizando que vai começar a cortar. Quando os juros caem, os títulos comprados a taxas altas se valorizam. É como ter comprado um ativo que fica mais valioso conforme o cenário muda.

Luke

Mas isso depende de os juros realmente caírem, certo? Se o Banco Central mudar de ideia e manter ou aumentar os juros, o investidor que vender antes do vencimento perde dinheiro.

Mimi

Verdade. Por isso Winalda enfatiza que quem pode carregar até o vencimento tem a rentabilidade garantida. A queda de juros é o cenário de upside, mas o ganho base já está contratado.

Mark

Quanto tempo leva para recuperar o investimento se os juros subirem?

Luke

A simulação mostra que se os juros subirem 2 pontos percentuais, um título com vencimento em 2051 perde 38%. Mas se você segura até 2051, recebe a inflação mais 8% ao ano. O problema é que 25 anos é muito tempo para a maioria dos investidores.

Mimi

Exatamente. Por isso existem duas estratégias: quem quer ganho rápido aposta na queda de juros e vende antecipadamente; quem quer rentabilidade garantida segura até o fim.

Mark

E os CDBs híbridos? Por que não são tão bons?

Luke

O spread está muito apertado. Os bancos pagam 8,7% enquanto o Tesouro paga 8%. Historicamente, crédito privado deveria pagar muito mais para compensar o risco.

Mimi

Além disso, bancos grandes têm menos volatilidade na marcação a mercado, então o potencial de ganho rápido é menor. O Tesouro público não tem risco de crédito, então oferece melhor relação risco-retorno neste momento.

Mark

Então a recomendação é: compre IPCA+ e segure?

Luke

A recomendação é: se você pode esperar o ciclo de cortes de juros se desenrolar, IPCA+ tem a melhor relação risco-retorno. Mas isso assume que os juros vão cair. Se não caírem, você ainda ganha a inflação mais 8%, mas perde a oportunidade de ganho de capital.

  • Os juros brasileiros em patamar historicamente elevado criam uma tensão rara: títulos IPCA+ pagando acima de 8% ao ano, nível visto apenas nas crises de 2008 e 2016.
  • A proximidade de um ciclo de cortes na Selic transforma essa tensão em oportunidade — quem compra agora pode lucrar tanto carregando o título até o vencimento quanto vendendo antecipadamente se os juros caírem.
  • Simulações do Inter revelam uma assimetria poderosa: queda de 2 pontos percentuais nos juros pode gerar retorno de 62% em um título com vencimento em 2051, enquanto uma alta equivalente causaria perda de 38%.
  • O risco real não está nos juros, mas no comportamento do investidor: papéis longos oscilam no curto prazo, e vender em momento de pânico pode transformar uma oportunidade histórica em prejuízo desnecessário.
  • Diante de CDBs híbridos com spread insuficiente para compensar o risco adicional, o Banco Inter aponta o Tesouro IPCA+ como a melhor relação risco-retorno disponível na renda fixa atual.

Em um momento em que os juros brasileiros permanecem em patamares historicamente elevados, o Banco Inter convida investidores a refletirem sobre a natureza cíclica do dinheiro: o que hoje parece risco pode ser, amanhã, a semente de um ganho expressivo. A recomendação de alocar em títulos IPCA+ de longo prazo não é apenas uma estratégia financeira — é uma aposta na direção do tempo, na crença de que o Banco Central caminha para cortes na Selic e de que a paciência, bem posicionada, tem preço. Com remuneração real acima de 8%, esses papéis oferecem uma rara janela de assimetria favorável ao investidor comum.

O Banco Inter está recomendando que investidores direcionem recursos para títulos públicos atrelados à inflação de longo prazo — os chamados IPCA+ — em um momento em que esses papéis oferecem remuneração real acima de 8% ao ano. Segundo Rafael Winalda, estrategista do banco, esse patamar é historicamente raro e comparável apenas ao observado durante a crise do subprime em 2008 e a crise política de 2016, quando a média histórica costuma ficar próxima de 6%.

A lógica da recomendação repousa sobre duas estratégias complementares. A primeira é direta: comprar o título e carregá-lo até o vencimento, garantindo a inflação mais a taxa real contratada. A segunda é mais sofisticada e potencialmente mais lucrativa: comprar agora e vender antes do vencimento caso os juros caiam — movimento que valoriza os papéis adquiridos a taxas mais altas, gerando ganhos de capital pela chamada marcação a mercado.

As simulações do Inter reforçam o argumento. Em um horizonte de 25 anos, R$ 1 mil investidos em IPCA+ 8% se transformariam em R$ 32,3 mil — contra R$ 12,6 mil no Ibovespa e R$ 18 mil na Selic. Mas é na assimetria dos cenários que está o ponto central da tese: uma queda de 2 pontos percentuais nos juros poderia gerar retorno de 62% em um título com vencimento em 2051, enquanto uma alta de igual magnitude causaria perda de 38%.

Winalda alerta, porém, que títulos mais longos são mais sensíveis às oscilações diárias. O investidor precisa ter estômago para resistir à volatilidade de curto prazo e não desfazer a posição em momentos de pânico — caso contrário, corre o risco de transformar uma oportunidade histórica em prejuízo. Quanto aos CDBs híbridos, o estrategista reconhece que também se beneficiam de uma queda de juros, mas pondera que o spread atual entre crédito privado e Tesouro está estreito demais para justificar o risco adicional. Por ora, o IPCA+ público segue como a escolha mais equilibrada no cardápio da renda fixa brasileira.

O Banco Inter está recomendando que investidores coloquem dinheiro em títulos públicos atrelados à inflação de longo prazo — os chamados IPCA+ — apostando que os juros brasileiros estão prestes a cair depois de um período em que atingiram patamares historicamente elevados. A tese é simples: se o Banco Central realmente começar a cortar a taxa Selic nos próximos meses, como sinalizou, os papéis comprados hoje a taxas altas vão se valorizar, gerando ganhos expressivos para quem os vender antes do vencimento. E mesmo para quem simplesmente carregar o título até o fim, a remuneração garantida está acima da média histórica.

Rafael Winalda, estrategista do Inter, observa que este é exatamente o tipo de momento em que as decisões sobre alocação em renda fixa ganham peso real. Os títulos IPCA+ com vencimento entre cinco e dez anos estão oferecendo remuneração real acima de 8% — um nível raro. Historicamente, essa remuneração real costuma ficar perto de 6%, então o patamar atual é comparável apenas ao que se viu durante a crise do subprime em 2008 e a crise política de 2016. Isso cria uma oportunidade dupla: o investidor pode ganhar tanto com a inflação futura quanto com a eventual queda dos juros.

Para entender por que isso funciona, é preciso pensar em duas estratégias diferentes. A primeira é simples: compre o papel e segure até o vencimento, recebendo a inflação mais aquela taxa real de 8% ao ano. A segunda é mais sofisticada: compre agora e venda antes do vencimento se os juros caírem. Quando as taxas futuras caem, os títulos comprados a taxas mais altas se valorizam no mercado — é como se você tivesse comprado um ativo que fica mais valioso conforme o cenário muda. Winalda chama isso de "marcação a mercado", e é onde estão os ganhos de capital mais expressivos.

O banco analisou simulações de retorno acumulado ao longo dos últimos 25, 10 e 5 anos. Um investimento em IPCA+ 8% teria superado com folga o Tesouro Selic, os títulos prefixados e até mesmo o Ibovespa. Na janela de dez anos, o rendimento superaria 200%; em 25 anos, ultrapassaria 3.000%, considerando apenas o ganho no vencimento sem contar a valorização por marcação a mercado. Para colocar em números concretos: R$ 1 mil investidos em um IPCA+ 8% com juros semestrais virariam R$ 32,3 mil em 25 anos, enquanto no Ibovespa virariam R$ 12,6 mil e na Selic apenas R$ 18 mil.

Mas o ponto crucial da tese está na assimetria dos cenários. Se os juros caírem 2 pontos percentuais — saindo de IPCA+ 8% para IPCA+ 6% — um título com vencimento em 2051 pode entregar um retorno próximo de 62%. Por outro lado, se os juros subirem na mesma magnitude, a perda seria de cerca de 38%. Para um papel intermediário com vencimento em 2036, a mesma queda de 2 pontos geraria retorno de 21,9%, enquanto uma alta resultaria em desvalorização de 18,1%. Winalda argumenta que essa assimetria joga a favor de quem compra agora, especialmente em um cenário onde o Banco Central está sinalizando cortes.

Há um detalhe importante: títulos mais longos, embora ofereçam maior potencial de retorno na marcação a mercado, são mais sensíveis às oscilações diárias. Quem carrega até o vencimento tem a rentabilidade contratada garantida, mas precisa resistir aos "sustos" do mercado e não vender em momentos de pânico. Winalda ressalva que o cuidado é não sair do investimento no prejuízo por causa de volatilidade de curto prazo.

Quanto aos CDBs híbridos — títulos de crédito privado que também oferecem inflação mais uma taxa prefixada — Winalda reconhece que também se beneficiam de uma queda de juros, mas pondera que a análise é mais complexa. O spread entre o que os bancos pagam e o que o Tesouro paga está muito apertado: a taxa média para crédito bancário está em torno de 8,7%, enquanto o Tesouro paga 8%. Esse diferencial deveria estar perto de 1% para compensar o risco adicional, mas não está. Além disso, bancos maiores e mais consolidados oferecem menor volatilidade na marcação a mercado, o que reduz o potencial de ganhos expressivos em uma venda antecipada. Para Winalda, neste momento, o IPCA+ público oferece a melhor relação risco-retorno no menu de renda fixa disponível.

Para quem pode levar o papel até o vencimento, ou pelo menos esperar o ciclo de cortes se desenrolar, o título IPCA+ de vencimento mais longo continua sendo a aposta com melhor relação risco-retorno do menu de renda fixa hoje
— Rafael Winalda, estrategista do Banco Inter
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