Bancários vencem arrocho, mas rejeitam proposta sem ganho real

Um setor que lucrou R$ 182,4 bilhões não pode impor perdas aos seus trabalhadores
Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários, sobre a rejeição da proposta de reajuste sem ganho real.
Mark

Então os bancários venceram? Parece que conseguiram o que queriam.

Mimi

Venceram em parte. Afastaram um arrocho que teria custado caro — a proposta inicial era 2,99%, que representaria perda real de 1,09%. Mas a proposta de 4% que a Fenaban trouxe depois, embora recupere a inflação, não traz ganho real. É só reposição.

Luke

Espera. A Fenaban recuou de 2,99% para 4% na mesma noite? O que mudou entre a tarde e a noite?

Mimi

A rejeição do Comando Nacional na mesa, e a mobilização que vinha acontecendo — a paralisação do dia 20, as plenárias. Isso pressionou.

Luke

Mas isso é interpretação. O texto não diz explicitamente por que a Fenaban mudou de posição. Pode ter sido cálculo interno deles, pode ter sido pressão, pode ter sido outra coisa.

Mark

Entendi. Então o que os bancários querem agora?

Mimi

Querem um aumento que vá além da inflação. Ganho real. Não apenas recuperar o que perderam com o custo de vida.

Luke

E qual seria esse número? O texto não diz quanto eles estão pedindo.

Mimi

Não diz. Só diz que rejeitam 4% porque não é suficiente. A próxima rodada é em 28 de agosto.

Mark

Os bancos têm razão quando dizem que cada 1% custa R$ 1 bilhão?

Luke

Eles dizem isso. Mas é um argumento, não um fato verificado no texto. E mesmo que seja verdade, Juvandia Moreira contrapõe que os lucros seguem altos — R$ 182,4 bilhões no ano anterior.

Mimi

Exatamente. É um conflito de interpretação sobre o que o setor pode ou não pagar.

Mark

E os outros benefícios? VA, VR, PLR?

Mimi

VA e VR ficaram com índices menores — 2,99% e 4,13%. PLR ficou em 4%, igual aos salários. Mas a categoria quer ganho real em tudo.

Luke

Então a proposta não é uniforme. Alguns benefícios com 4%, outros com menos. Isso importa para quem recebe menos.

Mark

O que mais foi conquistado nessa rodada?

Mimi

Impediram a retirada de direitos como gratificação de caixa. Avançaram em direito à desconexão, requalificação profissional, indenização para demitidos por fechamento de agências.

Luke

Mas esses pontos não têm números. Não sabemos se foram avanços reais ou só promessas de continuar negociando.

Mimi

Verdade. O texto diz que avançaram, mas não detalha o que foi acordado.

  • A Fenaban chegou à 12ª rodada com uma proposta que absorvia apenas 72% da inflação — o que significaria perda real de mais de 1% para toda a categoria.
  • Mais de 400 mil bancários responderam com plenárias e uma paralisação em 20 de agosto, forçando os bancos a recuar para um reajuste de 4%, equivalente ao INPC.
  • O Comando Nacional rejeitou a nova proposta: repor a inflação não é valorização — é apenas não perder, e a categoria exige ganho real.
  • Além dos salários, os bancários venceram tentativas de congelar benefícios e retirar direitos como a gratificação de caixa, e avançaram em pautas sobre tecnologia e proteção ao emprego.
  • As negociações foram retomadas em 28 de agosto com mobilização mantida, e novas ações de pressão permanecem na mesa caso os bancos não apresentem proposta com aumento real.

No limiar da data-base de setembro, os bancários brasileiros recusaram uma proposta que devolvia apenas o que a inflação havia consumido — sem nada além disso. Após doze rodadas de negociação, a Fenaban recuou de propostas que imporiam perdas reais, mas não avançou o suficiente: oferecer 4% equivalente ao INPC é repor o passado, não construir o futuro. Em um setor que acumulou R$ 182,4 bilhões em lucros, a categoria exige que prosperidade compartilhada deixe de ser promessa e se torne cláusula assinada.

Na noite de 27 de agosto, na 12ª rodada da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026, o Comando Nacional conseguiu afastar o risco mais imediato: a imposição de um arrocho salarial. A Fenaban havia chegado às rodadas anteriores com propostas que traziam perdas reais e congelamento de benefícios. Desta vez, recuou — mas só até a metade do caminho.

A proposta apresentada na quinta-feira oferecia reajuste de 4% para salários e PLR, equivalente a 100% do INPC. Horas antes, a entidade havia proposto apenas 2,99%, baseado na inflação da alimentação em domicílio — o que representaria perda real de 1,09%. O recuo não foi espontâneo: mais de 400 mil bancários participaram de plenárias e de uma paralisação em 20 de agosto, mantendo pressão constante sobre os bancos.

Mesmo assim, o Comando Nacional rejeitou a proposta de 4%. Repor a inflação não é valorização — é apenas não perder. Para as coordenadoras Neiva Ribeiro e Juvandia Moreira, um setor que lucrou R$ 182,4 bilhões no ano anterior tem plenas condições de oferecer ganho real aos seus trabalhadores. Os banqueiros argumentam que cada 1% de reajuste representa R$ 1 bilhão em custos, mas esse argumento soa frágil diante dos números do setor.

Além da pauta salarial, a negociação avançou em outros pontos relevantes: o Comando impediu a retirada da gratificação de caixa, venceu tentativas de congelamento de verbas e obteve avanços em cláusulas sobre tecnologia, direito à desconexão e proteção a bancários demitidos por fechamento de agências.

As negociações foram retomadas em 28 de agosto. A mobilização segue ativa, e o Sindicato mantém a categoria informada por seus canais. O que está em jogo agora é se a força acumulada nas ruas e nas plenárias será suficiente para transformar a resistência em um acordo que vá, de fato, além da inflação.

Na noite de 27 de agosto, durante a 12ª rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026, o Comando Nacional dos Bancários conseguiu afastar uma ameaça que pairava sobre a categoria há semanas: a imposição de um arrocho salarial. A Fenaban, entidade que representa os bancos, havia chegado à mesa com propostas anteriores que traziam perdas reais, congelamento de benefícios e retirada de direitos. Desta vez, recuou — mas apenas parcialmente.

A proposta que a Fenaban apresentou na noite de quinta-feira oferecia reajuste de 4% para salários e participação nos lucros (PLR), equivalente a 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (INPC). À primeira vista, parecia uma concessão. Os banqueiros argumentam que cada 1% de reajuste representa um acréscimo de R$ 1 bilhão nos custos salariais — uma conta que, segundo a presidenta do Sindicato dos Bancários e coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, não justifica impor perdas aos trabalhadores quando o setor segue lucrativo. De fato, os bancos faturaram R$ 182,4 bilhões no ano anterior.

Mas havia um problema na proposta: ela não trazia ganho real. O Comando Nacional rejeitou o oferecimento porque, embora recuperasse a inflação, não avançava além dela. Para os vales-alimentação e refeição, a Fenaban propôs índices ainda menores — 2,99% para alimentação em domicílio e 4,13% para refeição fora de casa. Horas antes, a entidade havia apresentado uma versão ainda mais dura: 2,99% para todos os salários, baseado na inflação apenas da alimentação em domicílio. Aquela proposta teria representado uma perda real de 1,09% para a categoria, absorvendo apenas 72% da inflação total estimada.

O recuo da Fenaban não foi espontâneo. Neiva Ribeiro e Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional, atribuem a mudança à mobilização da categoria. Mais de 400 mil bancários de bancos públicos e privados participaram de plenárias, de uma paralisação no dia 20 de agosto, e mantiveram pressão constante. Os sindicatos também explodiram uma estratégia dos banqueiros: adiar as negociações para datas cada vez mais próximas da data-base (1º de setembro), aproveitando o fim da ultratividade — a regra que permitia manter acordos antigos vigentes até que novos fossem fechados, eliminada pela reforma trabalhista de 2017.

Além da pauta econômica, a negociação avançou em outros pontos. O Comando Nacional conseguiu impedir a retirada de direitos como a gratificação de caixa, que os banqueiros alegam estar em extinção. Também venceu a tentativa de congelamento de verbas. A mesa evoluiu em cláusulas sobre normas regulamentadoras, gestão ética da tecnologia, direito à desconexão, requalificação e realocação profissional, e indenização adicional para bancários demitidos por fechamento de agências — uma questão que permanecia pendente sobre proteção ao emprego.

Mas a rejeição à proposta de 4% deixa claro que o Comando Nacional não se contenta com a reposição da inflação. A categoria espera valorização real — um aumento que vá além de apenas recuperar o que foi perdido pelo custo de vida. Neiva Ribeiro foi direto: um setor que lucrou R$ 182,4 bilhões tem todas as condições de valorizar seus trabalhadores. As negociações foram retomadas em 28 de agosto, e a mobilização continua. O Sindicato mantém os bancários informados por site e redes sociais, sinalizando que novas ações de pressão podem ser convocadas. O que está em jogo agora é se a categoria conseguirá transformar sua força de mobilização em um acordo que traga, de fato, ganho real aos salários e benefícios.

Vencemos o intuito dos bancos de impor um arrocho salarial, apesar da estratégia dos banqueiros de postergar as negociações para uma data cada vez mais próxima da nossa data-base. Porém, o índice ainda não é suficiente para valorizar os trabalhadores de um dos setores mais lucrativos da economia.
— Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários
A Fenaban fica argumentando que cada 1% de reajuste significa acréscimo de R$ 1 bilhão nos custos salariais. Mas esse cálculo não justifica impor arrocho salarial, porque do outro lado os lucros seguem altos.
— Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários
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