Em São Paulo, pela primeira vez, o Datafolha perguntou aos consumidores qual cerveja artesanal preferem — e a resposta chegou como um espelho fiel do mercado: Baden Baden e Colorado empataram tecnicamente no topo. Nascidas no interior paulista e depois absorvidas por gigantes globais como Heineken e Ambev, as duas marcas revelam como identidades regionais podem sobreviver — e prosperar — dentro de estruturas corporativas multinacionais. O empate não é uma indecisão do público, mas o retrato de duas filosofias distintas que encontraram, cada uma à sua maneira, o caminho para o coração do consum
Baden Baden e Colorado lideram preferência de cerveja artesanal em São Paulo
Ambas nasceram longe da capital e cresceram o suficiente para chamar atenção de gigantes
Por que essas duas marcas especificamente? O que as diferencia de outras cervejas artesanais que existem em São Paulo?
Ambas têm algo que a maioria das outras não tem: uma história de crescimento que começou pequeno e se tornou grande. Elas não foram criadas por multinacionais. Foram criadas por pessoas em cidades do interior e depois foram notadas pelos grandes grupos. Isso deixa uma marca na identidade da cerveja.
Mas se foram compradas por Ambev e Heineken, elas ainda são realmente artesanais?
Essa é a pergunta certa. Tecnicamente, talvez não. Mas para o consumidor que respondeu a pesquisa, o que importa é o gosto, a história e o que a cerveja representa. A Colorado mantém sua ligação com ingredientes brasileiros. A Baden Baden segue inovando para São Paulo especificamente. A origem corporativa é menos relevante que a experiência.
A Colorado usa rapadura e mel de laranjeira. A Baden Baden usa casca de laranja e faz parcerias com chocolatarias. Qual dessas estratégias funciona melhor?
Ambas funcionam, mas de formas diferentes. A Colorado está dizendo: somos brasileiros, usamos o que o Brasil tem. A Baden Baden está dizendo: somos sofisticados, fazemos colaborações interessantes. São duas linguagens diferentes falando para dois públicos que se sobrepõem.
E o empate técnico? Isso significa que São Paulo está dividido?
Não exatamente. Significa que São Paulo tem espaço para ambas. Quando duas marcas empatam dentro da margem de erro, o que você está vendo é estabilidade, não conflito. Cada uma conquistou seu lugar.
The Pulse
- Pela primeira vez na história do especial O Melhor de São Paulo, o Datafolha mediu preferências em cervejas artesanais — e o resultado surpreendeu ao não eleger um único vencedor.
- Baden Baden (7%) e Colorado (5%) dividem o primeiro lugar dentro da margem de erro, criando uma disputa que expõe tensões entre autenticidade artesanal e escala industrial.
- São Paulo concentra mais de 40% das vendas da Baden Baden, tornando a capital o principal campo de testes para lançamentos sazonais como a Língua de Gato e a Coffee.
- A Colorado aposta em ingredientes brasileiros — rapadura, mel de laranjeira, casca de laranja — como estratégia de diferenciação, espalhando essa identidade pelas unidades do Bar do Urso na cidade.
- As duas marcas seguem caminhos paralelos: uma seduz pelo calendário de inovações sazonais, a outra pela brasilidade incorporada às receitas, e ambas prosperam simultaneamente no mesmo mercado.
Em São Paulo, pela primeira vez, o Datafolha perguntou aos consumidores qual cerveja artesanal preferem — e a resposta chegou como um espelho fiel do mercado: Baden Baden e Colorado empataram tecnicamente no topo. Nascidas no interior paulista e depois absorvidas por gigantes globais como Heineken e Ambev, as duas marcas revelam como identidades regionais podem sobreviver — e prosperar — dentro de estruturas corporativas multinacionais. O empate não é uma indecisão do público, mas o retrato de duas filosofias distintas que encontraram, cada uma à sua maneira, o caminho para o coração do consumidor paulistano.
São Paulo ganhou uma nova categoria de pesquisa. Pela primeira vez, o Datafolha incluiu no especial O Melhor de São Paulo — Cozinha uma pergunta sobre cervejas artesanais. A resposta veio em empate técnico: Baden Baden e Colorado dividiram o primeiro lugar, com 7% e 5% respectivamente — próximos demais para declarar um vencedor único.
A trajetória das duas marcas é curiosamente paralela. Ambas nasceram no interior paulista — a Colorado em Ribeirão Preto, a Baden Baden em Campos do Jordão — e cresceram até atrair gigantes globais. A Ambev incorporou a Colorado; a Heineken absorveu a Baden Baden. Apesar das aquisições, as duas mantiveram identidades reconhecíveis.
Para a Heineken, São Paulo representa mais de 40% do volume total de vendas da Baden Baden, o que explica os investimentos pesados na capital e o uso da cidade como laboratório de inovações sazonais. Na Páscoa, a marca lançou a Língua de Gato, em parceria com a Kopenhagen. No inverno, apresentou a Coffee, uma cerveja escura pensada para os meses frios.
A Colorado encontrou seu diferencial na cozinha brasileira. Ingredientes como rapadura, mel de laranjeira e casca de laranja entram nas receitas da Indica, da Appia e da Ribeirão Lager. Essa identidade foi consolidada pelo Bar do Urso, franquia espalhada pela cidade que trabalha quase exclusivamente com os rótulos da marca.
O empate técnico não é uma falha da pesquisa — é um reflexo honesto de um mercado onde duas estratégias distintas conseguem prosperar lado a lado, cada uma mantendo suas raízes visíveis mesmo dentro de estruturas corporativas globais.
São Paulo acaba de ganhar uma nova categoria de pesquisa. Pela primeira vez, o Datafolha incluiu no especial O Melhor de São Paulo — Cozinha uma pergunta simples mas reveladora: qual é sua cerveja artesanal preferida? A resposta veio em forma de empate técnico. Baden Baden e Colorado dividiram o primeiro lugar dentro da margem de erro, com 7% e 5% respectivamente — números que, à primeira vista, parecem próximos demais para declarar um vencedor.
O que torna essa disputa particularmente curiosa é a trajetória compartilhada das duas marcas. Ambas nasceram longe da capital, em cidades do interior paulista. A Colorado começou em Ribeirão Preto. A Baden Baden emergiu de Campos do Jordão. Ambas cresceram o suficiente para chamar a atenção de gigantes globais. A Ambev incorporou a Colorado a seu portfólio. Depois, a Heineken absorveu a Baden Baden, transformando-a em parte de sua estratégia internacional.
Para Marina Awada, gerente de marcas superpremium do grupo Heineken, São Paulo não é apenas um mercado importante — é o mercado. A capital representa mais de 40% do volume total de vendas da Baden Baden, um número que explica por que a marca investe tão pesadamente aqui. Não é coincidência que a cidade seja o laboratório onde a cervejaria testa suas inovações sazonais.
A Colorado, por sua vez, encontrou seu diferencial em um lugar inesperado: na cozinha brasileira. Alexandre Esber, professor da Academia da Cerveja — instituição de educação cervejeira administrada pela Ambev — aponta que a marca se destaca justamente por incorporar ingredientes tipicamente nacionais às suas receitas. Essa escolha não é meramente estética. A Ambev consolidou essa identidade ao espalhar pela cidade várias unidades do Bar do Urso, uma franquia que trabalha quase exclusivamente com os rótulos da Colorado. Ali, o consumidor encontra a Indica, uma IPA que leva rapadura; a Appia, uma wheat beer com mel de laranjeira; e a Ribeirão Lager, uma cerveja aromática que traz casca de laranja em sua composição.
A Baden Baden segue uma estratégia ligeiramente diferente. Seu quarteto principal — Cristal, Golden, Witbier e IPA — forma a base sólida da marca. Mas é nos lançamentos sazonais que a cervejaria aposta para manter a atenção do consumidor paulistano. Na Páscoa, ela apresentou a Língua de Gato, resultado de uma parceria com a Kopenhagen. No inverno, lançou a Coffee, uma cerveja escura pensada especificamente para os meses mais frios.
O que essa pesquisa revela é menos sobre qual cerveja é objetivamente melhor e mais sobre como duas empresas que começaram como empreendimentos regionais conseguiram se transformar em referências nacionais — e depois internacionais. Ambas mantêm suas raízes visíveis: a Colorado através de ingredientes brasileiros, a Baden Baden através de inovações que falam diretamente ao gosto paulistano. O empate técnico, portanto, não é uma falha da pesquisa. É um reflexo honesto de um mercado onde duas estratégias diferentes conseguem prosperar lado a lado.
Notable Quotes
São Paulo é uma das principais praças para Baden Baden, além de ter um papel estratégico para a marca, representando mais de 40% do seu volume— Marina Awada, gerente de marcas superpremium do grupo Heineken
A Colorado se destaca por incorporar ingredientes tipicamente brasileiros às receitas— Alexandre Esber, professor da Academia da Cerveja