Avibras confirma venda ao Grupo J&F, mas operação depende de aprovação do Cade

A Avibras enfrentou greve de funcionários que durou mais de três anos durante período de crise financeira e paralisação.
A operação ainda não está fechada; tudo depende agora de aprovação do Cade
A Avibras confirmou a venda ao Grupo J&F, mas a transferência de controle permanece condicional a análise regulatória.
Mark

Por que uma empresa de defesa como a Avibras chegou a esse ponto de crise tão profunda?

Mimi

A combinação de fatores foi devastadora. Recuperação judicial em 2022, paralisação das operações, uma greve que durou três anos inteiros. Isso não é só uma crise financeira — é um colapso operacional que deixa cicatrizes.

Mark

E como Joesley Batista entra nessa história?

Mimi

Ele vê oportunidade onde outros veem risco. Participa de uma captação de R$ 300 milhões, sinaliza confiança. Depois, seu grupo compra a empresa inteira. É um movimento que diz: essa empresa vale a pena.

Mark

Mas por que o Cade importa tanto aqui?

Mimi

Porque estamos falando de defesa nacional. Quando o controle de uma empresa estratégica muda de mãos, o Estado precisa verificar se não há problemas de concentração de poder, se não há riscos à segurança. O Cade é o guardião disso.

Mark

A visita de Lula em julho foi coincidência ou estava tudo já combinado?

Mimi

Provavelmente não era coincidência. O governo sinalizava apoio, promovia encomendas. Isso cria ambiente favorável para investidores como a J&F entrarem. É política e negócio se tocando.

Mark

E os funcionários que viveram a greve de três anos? O que muda para eles?

Mimi

Essa é a pergunta que fica no ar. A empresa volta a funcionar, tem novo dono com recursos, mas não sabemos ainda qual será a estratégia de pessoal, de investimento em produção. Tudo depende do que vem depois.

  • A Avibras, criadora do sistema de foguetes Astros e do míssil MTC-300, passou anos paralisada por crise financeira, recuperação judicial e uma greve que durou mais de três anos.
  • O Grupo J&F, por meio da Globe Investimentos, comprou 100% das ações da Nova AVB S.A. — mas a transferência de controle só será efetiva após o aval do Cade.
  • Uma captação de R$ 300 milhões, liderada pelo Fundo Brasil Crédito com participação de Joesley Batista, viabilizou o retorno das operações em maio de 2026.
  • O presidente Lula visitou a fábrica em julho e sinalizou intenção de ampliar encomendas governamentais, elevando o peso político da transação.
  • Com a entrada no setor de defesa, o Grupo J&F diversifica radicalmente seu portfólio, que até então se concentrava em alimentos, energia, mineração e serviços financeiros.

Em Jacareí, interior de São Paulo, uma das mais simbólicas fabricantes de armamentos do Brasil muda de mãos — ou quase. O Grupo J&F, dos irmãos Batista, adquiriu a totalidade da Avibras, empresa que atravessou recuperação judicial, greve prolongada e silêncio fabril antes de voltar a funcionar em 2026. A operação, ainda pendente de aprovação do Cade, revela como o capital privado orbita ao redor da soberania nacional quando o Estado hesita em sustentar sozinho sua indústria de defesa.

A Avibras, fabricante de equipamentos militares sediada em Jacareí, confirmou nesta sexta-feira sua venda ao Grupo J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A operação transfere 100% das ações da Nova AVB S.A. — controladora da Avibras Aeroco — para a Globe Investimentos, braço de investimentos do grupo. O valor não foi divulgado, e a conclusão depende de aprovação do Cade.

A compra encerra um ciclo amargo para a empresa. Após entrar em recuperação judicial em 2022, a Avibras viu suas operações paralisarem e seus funcionários cruzarem os braços por mais de três anos. Durante a reestruturação, o Fundo Brasil Crédito criou a Nova AVB para concentrar os ativos produtivos, enquanto os passivos permaneceram na estrutura anterior. Em maio de 2026, a fábrica voltou a funcionar, impulsionada por uma captação de R$ 300 milhões da qual Joesley Batista participou.

A relevância estratégica da Avibras vai além do balanço financeiro. A empresa é responsável pelo sistema de foguetes Astros e pelo desenvolvimento do míssil tático MTC-300, projetos centrais para as Forças Armadas brasileiras. Em julho, o presidente Lula visitou a fábrica e anunciou intenção de ampliar encomendas, reforçando o interesse do governo na sobrevivência da companhia.

Para o Grupo J&F, a aquisição representa uma virada de portfólio: o conglomerado, conhecido por atuar em alimentos, energia e mineração, adentra agora o setor de defesa. A Globe Investimentos já havia participado de operações como a entrada na Usiminas. A Avibras prometeu manter o mercado informado sobre os desdobramentos — mas, até o Cade se pronunciar, a empresa permanece em compasso de espera.

A Avibras, fabricante brasileira de equipamentos militares sediada em Jacareí, no interior de São Paulo, confirmou nesta sexta-feira que foi vendida ao Grupo J&F, a holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. A transação envolve a transferência de 100% das ações da Nova AVB S.A., empresa que controla a Avibras Aeroco, para a Globe Investimentos S.A., veículo do grupo dos irmãos. O anúncio veio por meio de comunicado ao mercado, mas com uma ressalva importante: a operação ainda não está fechada. Tudo depende agora de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, e da conclusão de trâmites regulatórios necessários para que a transferência de controle se torne efetiva. O valor da transação não foi divulgado.

A compra chega após anos de turbulência na empresa. A Avibras entrou em recuperação judicial em 2022, período marcado por paralisação das operações e uma greve de funcionários que se estendeu por mais de três anos. Durante a reestruturação, o Fundo Brasil Crédito liderou um processo que criou a Nova AVB, estrutura pensada para concentrar os ativos industriais e tecnológicos da companhia, enquanto a antiga estrutura empresarial permaneceu com os passivos ligados ao processo de recuperação judicial. Em maio deste ano, a unidade de Jacareí voltou a funcionar após esse longo período de dificuldades.

A retomada ganhou impulso com uma captação de R$ 300 milhões destinada à recuperação da empresa. Joesley Batista participou dessa rodada de investimentos, coordenada pelo Fundo Brasil Crédito e que reuniu investidores privados. O montante individual investido por Joesley não foi revelado, mas sua participação sinalizava confiança no potencial da companhia. Esse financiamento foi crucial para viabilizar o retorno das atividades.

A Avibras é considerada estratégica para a defesa nacional. Entre seus principais projetos estão o sistema de foguetes Astros, amplamente conhecido na indústria militar brasileira, e o desenvolvimento do MTC-300, um míssil tático de cruzeiro. A empresa mantém contratos e projetos de interesse das Forças Armadas e possui histórico consolidado de exportação de equipamentos de defesa. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a fábrica e sinalizou que o governo federal pretendia ampliar as encomendas para a Avibras e fortalecer a indústria nacional de defesa.

Com essa aquisição, o Grupo J&F expande sua atuação para além dos setores tradicionais em que atua — alimentos, energia, mineração e serviços financeiros. A Globe Investimentos, veículo utilizado pelo grupo em outros investimentos, já havia participado de operações como a participação na Usiminas. A entrada no segmento de defesa representa uma diversificação significativa do portfólio do grupo.

O próximo passo é a análise do Cade. A operação foi notificada ao órgão regulador, mas a aprovação ainda é necessária para que a transferência de controle se torne definitiva. A Avibras afirmou que continuará informando o mercado sobre eventuais desdobramentos da operação. Até lá, a empresa permanece em situação de transição, com sua estrutura operacional recuperada mas seu futuro proprietário ainda não confirmado pelas autoridades.

O governo federal vai ampliar as encomendas para a Avibras e fortalecer a indústria nacional de defesa
— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à fábrica em julho
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