Um bloco de gelo massivo se desprendeu de uma geleira e caiu verticalmente, pulverizando-se em mistura perigosa que avançou pelos vales em alta velocidade. O aumento de temperaturas no Himalaia, acelerado pelas mudanças climáticas, pode ter enfraquecido a geleira e contribuído para o desprendimento catastrófico.
Avalanche de gelo de 600 metros pode ter causado inundações mortais no Nepal e Tibete
O gelo simplesmente é pulverizado e vira água
Como os cientistas conseguem saber que foi realmente uma avalanche de gelo e não apenas um terremoto?
Os instrumentos sísmicos captaram um sinal muito diferente de um terremoto típico. Primeiro veio o deslocamento da massa — aquele sinal forte — e depois o fluxo. Quando combinam isso com as imagens de satélite que mostram o bloco desaparecido da geleira, fica claro que foi o movimento do gelo, não a terra se movimentando.
E por que o gelo se desprendeu agora? Geleiras existem há milhares de anos.
As temperaturas no Himalaia estão subindo. As imagens mostram que a cobertura de neve diminuiu no dia anterior. Quando o gelo fica mais quente, ele enfraquece, perde a coesão. É como um bloco que estava preso por congelamento e de repente a cola derrete.
Mas os cientistas têm certeza de que foi o aquecimento climático?
Não têm certeza ainda. Eles dizem que é cedo para determinar uma causa precisa. O que sabem é que as condições estão mudando e que isso está criando novas formas de desastre. Pode ter sido o aquecimento, pode ter sido uma combinação de fatores.
Isso pode acontecer de novo?
Sim. E provavelmente vai. Em todo o Himalaia há outras geleiras em condições semelhantes. O que preocupa os cientistas é que a quantidade de água neste evento foi muito maior do que em desastres glaciais recentes parecidos. Pode haver algo mais acontecendo que eles ainda não entendem.
Quantas pessoas morreram?
Centenas desaparecidas no Nepal e no Tibete. Não há um número final ainda. Mas em 2021, um evento similar na Índia matou mais de 100 pessoas. Este pode ser maior.
Der Puls
- Bloco de gelo com 600 metros de largura desprendido de geleira no Himalaia
- Queda vertical de 1.200 metros, de altitude de cerca de 5.200 metros
- Centenas de pessoas desaparecidas no Nepal e Tibete
- Evento ocorreu na quarta-feira por volta das 8h40 no horário local
- Comparação com avalanche de 2021 na Índia que matou mais de 100 pessoas
Um bloco de gelo massivo se desprendeu de uma geleira e caiu verticalmente, pulverizando-se em mistura perigosa que avançou pelos vales em alta velocidade. O aumento de temperaturas no Himalaia, acelerado pelas mudanças climáticas, pode ter enfraquecido a geleira e contribuído para o desprendimento catastrófico.
Bloco de gelo de 600 metros desprendido de geleira no Himalaia caiu 1.200 metros e provocou inundações mortais no Nepal e Tibete. Cientistas apontam aquecimento climático como possível acelerador do colapso.
Na quarta-feira de manhã, um bloco de gelo com aproximadamente 600 metros de largura se desprendeu de uma geleira no Himalaia e caiu mais de um quilômetro até o fundo de um vale, transformando-se em uma mistura devastadora de gelo, água e rochas que avançou em alta velocidade pelos rios da fronteira entre Nepal e Tibete. A análise de imagens de satélite feita por geólogos e glaciologistas sugere que este desprendimento — conhecido como avalanche de gelo — foi provavelmente a causa das inundações mortais que atingiram a região naquela manhã, deixando centenas de pessoas desaparecidas.
Daniel Shugar, geólogo da Universidade de Calgary no Canadá, examinou as imagens de satélite e descreveu o cenário encontrado no fundo do vale como o local de uma explosão: apenas fragmentos de uma geleira que se despedaçou após cair de uma altitude de cerca de 5.200 metros. O bloco se desprendeu de forma abrupta, liberando uma quantidade colossal de energia potencial armazenada na montanha. Quando o gelo colidiu com o fundo do vale, foi pulverizado pela força do impacto, transformando-se em um fluxo perigoso que se moveu em direção noroeste pelo vale até o rio Bhote Koshi.
Simon Cook, glaciologista da Universidade de Dundee na Escócia, explicou o mecanismo por trás da destruição: o gelo simplesmente é pulverizado pelo impacto e se transforma em água, criando um fluxo que se desloca em velocidade extrema. Este fenômeno não é isolado — Cook comparou o evento ao colapso de uma geleira no Himalaia indiano em 2021, que provocou grandes inundações no estado de Uttarakhand e matou mais de 100 pessoas. O padrão se repete em uma região que está aquecendo rapidamente, criando novas condições perigosas para que avalanches liberem enormes volumes de água.
Os dados sísmicos confirmam a sequência dos eventos. Kristen Cook, geomorfóloga da Universidade Grenoble Alpes na França, analisou os registros de instrumentos sísmicos locais e identificou um sinal forte por volta das 8h40 no horário local — não um terremoto, mas o deslocamento repentino de uma massa descendo a encosta. Logo depois veio um "sinal de fluxo", indicando a inundação em movimento. O Serviço Geológico dos Estados Unidos inicialmente registrou um terremoto de magnitude 4,4 naquele momento, mas posteriormente determinou que o próprio deslizamento havia provocado o sinal sísmico, equivalente a uma magnitude de 5,2.
O aquecimento climático emerge como possível acelerador do colapso. Imagens de satélite mostram uma redução da cobertura de neve no dia anterior ao evento, sugerindo temperaturas mais altas que podem ter enfraquecido a geleira. Shugar ressalva, porém, que os dados meteorológicos completos ainda não estão disponíveis e que a compreensão científica ficará mais clara nos próximos dias. Ele também observa algo perturbador: a quantidade de água vista nos vídeos do desastre é impressionante, uma ordem de grandeza maior do que a de outros desastres glaciais recentes do mesmo tipo. Isso levanta a possibilidade de que outros fatores ainda desconhecidos possam ter contribuído para a magnitude da inundação.
Em todo o Himalaia, o derretimento acelerado das geleiras está criando um novo cenário de risco. As condições que permitiram este desprendimento catastrófico podem se repetir em outras regiões, liberando volumes imensos de água que descem pelos vales com força destrutiva. Os cientistas ainda trabalham para determinar uma causa precisa, mas o padrão é claro: um planeta mais quente está desestabilizando as montanhas, e as populações abaixo delas enfrentam um perigo crescente e ainda pouco compreendido.
Bemerkenswerte Zitate
Parece que uma geleira na região basicamente se desprendeu de forma repentina, permitindo que ela caísse pouco mais de um quilômetro na vertical até o fundo do vale— Daniel Shugar, geólogo da Universidade de Calgary
A quantidade de água nos vídeos é impressionante, uma ordem de grandeza maior do que a de outros desastres glaciais recentes desse tipo— Daniel Shugar