Uma segunda tempestade que se alimenta da primeira
Quando o Sol atinge o pico do seu ciclo magnético de onze anos, a Terra torna-se palco de fenómenos que normalmente pertencem ao Ártico. Esta quarta-feira, uma segunda 'tempestade canibal' geomagnética de nível G4-G5 — entre as mais poderosas das últimas duas décadas — trouxe auroras boreais aos céus de Portugal, lembrando que a nossa estrela não é apenas fonte de luz e calor, mas também de forças que moldam o espaço entre ela e nós. O espetáculo continua disponível a quem olhar para o horizonte nas próximas horas, com menos intensidade mas com a mesma origem extraordinária.
- Uma segunda tempestade solar 'canibal' amplificou os efeitos da primeira, elevando a intensidade geomagnética a níveis G4-G5, entre os mais extremos registados em vinte anos.
- Pouco depois da meia-noite de terça-feira, auroras boreais iluminaram o horizonte português num fenómeno que, nestas latitudes, é exceção e não regra.
- Quem não viu o espetáculo na noite anterior ainda tem oportunidade: as auroras deverão reaparecer esta quarta-feira, embora com menor brilho, dependendo das condições meteorológicas.
- Nas latitudes mais a norte, as perturbações eletromagnéticas podem afetar comunicações e sistemas GPS, mas em Portugal os impactos práticos deverão ser residuais.
- O fenómeno insere-se no período de máxima atividade magnética do Sol, confirmado pela NOAA e pela NASA em outubro de 2024, que se estenderá até ao final deste ano e torna estas tempestades mais frequentes.
Pouco depois da meia-noite de terça-feira, uma das maiores tempestades solares do ano varreu a atmosfera terrestre e trouxe um espetáculo raro a Portugal: uma aurora boreal que iluminou o horizonte. O fenómeno promete regressar esta quarta-feira, com menos intensidade, e quem não o viu ainda tem oportunidade de o fazer nas próximas horas, desde que o tempo coopere.
A origem está numa 'tempestade canibal' geomagnética — uma segunda perturbação solar que se alimenta da primeira e potencia o seu efeito. Classificada entre os níveis G4 e G5 pela NOAA, esta poderá ser uma das mais intensas dos últimos vinte anos. José Afonso, presidente da Sociedade Portuguesa de Astronomia, recorda que uma tempestade semelhante ocorreu há cerca de um ano, mas sublinha que ambas se situam no mesmo patamar de excepcionalidade.
A explicação está no ciclo natural do Sol. A nossa estrela encontra-se atualmente no seu período de máxima atividade magnética, um estado que ocorre a cada onze anos e durante o qual os polos magnéticos solares se invertem. Em outubro de 2024, a NOAA e a NASA confirmaram esta fase, que se estenderá até ao final deste ano, tornando as tempestades solares mais frequentes do que em períodos de menor atividade.
As tempestades de nível G4 ocorrem, em média, cem vezes por ciclo solar; as G5 apenas quatro. Quanto aos impactos práticos, não são esperadas interferências significativas em Portugal, embora nas latitudes mais a norte possam surgir dificuldades nas comunicações e nos sistemas de GPS. Para os observadores portugueses, o que importa é a janela que ainda existe para ver as auroras — um espetáculo que, se o céu deixar, deverá manter-se visível nas próximas horas.
Pouco depois da meia-noite de terça-feira, uma das maiores tempestades solares do ano varreu a atmosfera terrestre, trazendo consigo um espetáculo raro aos céus de Portugal: uma aurora boreal que iluminou o horizonte e que promete regressar esta quarta-feira, embora com menos intensidade. Quem não conseguiu apanhar o fenómeno na noite anterior ainda tem oportunidade de o fazer nas próximas horas, desde que o tempo coopere e o olhar esteja virado para o céu.
O que se passou é resultado de uma tempestade eletromagnética de grande magnitude, alimentada por uma segunda onda de perturbação solar que o Serviço Geológico Britânico classificou como uma "tempestade canibal" — uma segunda tempestade que se alimenta da primeira, potenciando o seu efeito. Fenómenos deste tipo são habituais nas regiões polares, mas a sua visibilidade em latitudes mais meridionais, como Portugal, Espanha ou Reino Unido, marca a exceção e não a regra. De acordo com as previsões dos especialistas, esta poderá ser uma das mais intensas dos últimos vinte anos.
José Afonso, presidente da Sociedade Portuguesa de Astronomia, coloca o evento em perspetiva: a tempestade solar que ocorreu há um ano poderá ter sido ligeiramente mais poderosa, mas a de agora situa-se no mesmo patamar de intensidade. O que explica esta sequência de eventos extraordinários é o ciclo natural do Sol. Atualmente, a nossa estrela encontra-se no seu período de máxima atividade magnética, um estado que ocorre aproximadamente a cada onze anos. Durante este período, os polos magnéticos solares invertem-se — um processo comparável ao que aconteceria na Terra se o Pólo Norte e o Pólo Sul trocassem de lugar — e o Sol transita de um estado calmo para um estado tempestuoso e turbulento.
Em outubro de 2024, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a NASA confirmaram que o Sol tinha entrado nesta fase de máxima atividade, um ciclo que se estenderá até ao final deste ano. A consequência prática é que as tempestades solares ocorrem com maior frequência do que em períodos de menor atividade magnética. Estas explosões solares libertam material que, quando encontra a Terra, gera auroras boreais ou perturbações eletromagnéticas. Normalmente, a duração destes eventos é de algumas horas, embora possam deixar marcas significativas.
A escala de intensidade utilizada pela NOAA para classificar o clima espacial vai de G1, para tempestades menores, até G5, o nível máximo onde as tempestades são consideradas extremas. Na noite de terça-feira, a aurora chegou perto de G5, enquanto as previsões para hoje apontam para um pico próximo de G4. Para contextualizar: as tempestades de nível G4 ocorrem, em média, cem vezes ao longo de um ciclo solar de onze anos, enquanto as G5 acontecem apenas quatro vezes no mesmo período.
Quanto aos impactos práticos, não é esperado que as interferências eletromagnéticas causem problemas significativos em Portugal, mas nas latitudes mais a norte, especialmente perto de centrais elétricas, poderão surgir dificuldades nas comunicações e nos sistemas de GPS. As comunicações aéreas poderão também sofrer alguma perturbação, embora os protocolos de segurança estejam preparados para lidar com estas situações. O que realmente interessa aos observadores portugueses é a possibilidade de ver as auroras boreais novamente — um espetáculo que, se as condições meteorológicas permitirem, deverá manter-se visível nas próximas horas, ainda que com menos brilho do que na noite anterior.
Citações Notáveis
Podemos dizer que é uma das mais poderosas dos últimos anos— José Afonso, presidente da Sociedade Portuguesa de Astronomia
Durante este ano o sol está no seu pico máximo de atividade— José Afonso, presidente da Sociedade Portuguesa de Astronomia
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Porque é que uma tempestade solar consegue chegar até Portugal, sendo que estas coisas normalmente só se veem nos polos?
O que está a acontecer agora é excepcional. O Sol está no seu pico máximo de atividade, um ciclo que ocorre a cada onze anos. Quando isso acontece, a intensidade das tempestades é tão grande que consegue alcançar latitudes muito mais a sul do que o habitual.
E esta história de "tempestade canibal" — o que significa exatamente?
É uma segunda tempestade que se alimenta da primeira, amplificando o efeito. Não é uma coisa que aconteça frequentemente, mas quando acontece, pode ser uma das mais poderosas de duas décadas.
Qual é a diferença entre o que se viu ontem e o que se espera para hoje?
Ontem a tempestade chegou quase ao nível máximo, perto de G5. Hoje deverá atingir G4, que é ainda muito intenso, mas um passo abaixo. A aurora deverá ser visível, mas com menos brilho.
Há algum risco real para as pessoas em Portugal?
Não diretamente. As perturbações eletromagnéticas podem afetar comunicações e GPS, mas isso é mais provável nas latitudes norte. Em Portugal, o maior risco é simplesmente perder o espetáculo se o tempo não cooperar.
Quando é que isto volta a acontecer?
Não tão cedo. Estamos no pico de um ciclo de onze anos, portanto eventos desta magnitude são raros. Quando o ciclo terminar, teremos de esperar mais uma década para ver algo parecido.