Atrelado de droga desaparecido da PJ encontrado em camião da Construbarcelos

Um atrelado com precursores químicos desapareceu e reapareceu a 350 km ligado a uma empresa amiga do ministro
A descoberta levanta questões sobre segurança em instalações policiais e possíveis conflitos de interesse.
Mark

Como é que um veículo apreendido pela polícia simplesmente desaparece das suas instalações?

Mimi

É a questão central. O atrelado estava guardado no Seixal desde 2024, e em 2025 deixou de estar lá. Ninguém sabe explicar como saiu.

Mark

E foi encontrado onde, exatamente?

Mimi

A 350 quilómetros de distância, em Barcelos, acoplado a um camião de uma empresa de construção. Uma empresa que, coincidentemente, tinha feito dezenas de contratos com a própria PJ.

Mark

Coincidência ou não?

Mimi

Essa é a pergunta que a investigação está a tentar responder. O que torna isto mais complicado é que a empresa tem ligações ao ministro da Administração Interna.

Mark

Que tipo de ligações?

Mimi

Comerciais e pessoais. Tem obras na propriedade do ministro, e há relatos de que ele terá pedido materiais das Infraestruturas de Portugal para construir móveis para a sua quinta.

Mark

Tudo isto aconteceu enquanto ele era diretor da PJ?

Mimi

Sim. Quando o pedido foi feito, em 2025, Neves ainda dirigia a polícia. Agora é ministro.

Mark

E o empresário foi detido?

Mimi

Não. A polícia abriu um inquérito, mas João Carvalho não foi detido.

  • Um atrelado carregado com substâncias químicas controladas evaporou-se de instalações policiais sem que ninguém, aparentemente, desse pela falta durante meses.
  • Quando equipas de televisão avistaram o veículo abandonado em Barcelos, a PJ deslocou-se ao local — mas o atrelado já tinha sido removido antes da chegada dos inspetores.
  • A empresa onde o veículo foi encontrado, a Construbarcelos, tem 17 contratos com a PJ no valor de 2,3 milhões de euros, tornando a coincidência institucionalmente explosiva.
  • O ministro Luís Neves surge no centro das ligações: a Construbarcelos tem obras na sua propriedade alentejana e o seu nome aparece associado a pedidos de material público para uso pessoal.
  • A investigação interna aberta pela PJ ainda não produziu detenções e permanece por esclarecer se o Ministério Público foi sequer notificado conforme a lei exige.

Um atrelado com precursores químicos apreendido pela Polícia Judiciária desapareceu das suas instalações e foi encontrado, anos depois, a 350 quilómetros de distância, numa empresa com contratos milionários com a própria PJ e ligações ao ministro da Administração Interna. O caso convoca questões antigas sobre a custódia de bens apreendidos, a integridade das instituições e os laços entre o poder público e o interesse privado. A investigação em curso procura responder não apenas ao paradeiro de um veículo, mas à geometria das relações que tornaram possível o seu desaparecimento.

Em 2025, um atrelado azul carregado com bidões de amoníaco e outros precursores químicos — apreendido anos antes durante a operação 'Pacoba', que desmantelou um dos maiores laboratórios de cocaína da Europa — desapareceu das instalações da Polícia Judiciária no Seixal. O veículo foi encontrado esta semana a 350 quilómetros de distância, em Barcelos, acoplado a um camião da Construbarcelos.

A empresa não é desconhecida da PJ: celebrou 17 contratos com a instituição no valor de aproximadamente 2,3 milhões de euros. Equipas de televisão tinham avistado o atrelado, com sinais evidentes de abandono, nas instalações do empresário João Carvalho. Quando a PJ se deslocou ao local na quinta-feira seguinte, o veículo já tinha sido removido. Nenhuma detenção foi ainda efetuada.

O caso adquire contornos mais complexos pelas ligações entre a Construbarcelos e o ministro da Administração Interna, Luís Neves. A empresa tem obras em curso numa propriedade alentejana do ministro. Além disso, a imprensa revelou que Neves terá solicitado, ainda enquanto diretor nacional da PJ, material das Infraestruturas de Portugal — madeiras de linhas férreas desativadas — para construir mobiliário na sua quinta, num pedido alegadamente combinado durante um almoço na sede da PJ.

Permanece por esclarecer se a localização do atrelado foi comunicada ao Ministério Público conforme os procedimentos legais impõem. A investigação em curso deverá determinar como substâncias químicas controladas saíram de instalações policiais e foram parar a uma empresa com relações comerciais significativas com a própria instituição que as havia apreendido.

Um atrelado carregado com precursores químicos desapareceu das instalações da Polícia Judiciária no Seixal em 2025, três anos depois de ter sido apreendido no âmbito de uma grande operação contra o tráfico de droga. Esta semana, a PJ localizou o veículo a 350 quilómetros de distância, em Barcelos, acoplado a um camião da Construbarcelos — uma empresa que celebrou 17 contratos com a própria PJ no valor de aproximadamente 2,3 milhões de euros.

O atrelado azul continha bidões selados com amoníaco e outros precursores químicos utilizados na fabricação de drogas sintéticas. Equipas de televisão observaram o veículo no fim de semana anterior nas instalações do empresário João Carvalho, apresentando sinais evidentes de abandono. Quando a PJ se deslocou para o local na quinta-feira seguinte, o atrelado já tinha sido removido. A polícia abriu um inquérito para investigar as circunstâncias que levaram o veículo até às instalações da Construbarcelos e ainda não deteve o empreiteiro.

O contexto desta descoberta envolve ligações comerciais e pessoais entre a empresa e o ministro da Administração Interna, Luís Neves. A Construbarcelos tem obras em curso numa propriedade alentejana do ministro. Além disso, segundo informações reveladas pela imprensa, Neves terá solicitado material das Infraestruturas de Portugal — incluindo madeiras provenientes do desmantelamento de linhas férreas — para construir uma mesa e bancos na sua quinta. O pedido foi formulado em 2025, quando Neves ainda era diretor nacional da PJ. A alegada combinação terá ocorrido durante um almoço na sede da PJ com altos dirigentes das Infraestruturas de Portugal.

O atrelado havia sido apreendido durante a operação "Pacoba", uma megaoperação de combate ao tráfico de droga. Em dezembro de 2024, a PJ anunciou o desmantelamento do maior laboratório industrial de extração e transformação de cocaína detetado em Portugal — um dos maiores da Europa. O processo-crime relacionado com essa investigação continua em fase de investigação.

Permanece por esclarecer se a deteção do veículo nas instalações do empreiteiro foi formalmente comunicada ao Ministério Público, conforme os procedimentos exigem. A investigação em curso pela PJ deverá determinar como um atrelado contendo substâncias químicas controladas desapareceu de instalações policiais e acabou ligado a uma empresa com relações comerciais significativas com a instituição que o havia apreendido.

Gostava muito de ter umas sulipas dessas para fazer uma mesa e uns bancos corridos para uma quinta minha
— Luís Neves, durante almoço na sede da PJ com dirigentes das Infraestruturas de Portugal
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