Há histórias em que um filme de animação planta uma semente que quinze anos depois ainda floresce no tatame. Emilly Amorim, vinte anos, estudante de educação física na UFPR e atleta da seleção brasileira, compete nos Jogos Universitários Brasileiros em Natal buscando seu segundo título consecutivo no karatê — esporte que, segundo ela própria, moldou não apenas sua carreira, mas sua personalidade inteira. Sua trajetória é um lembrete de que persistência não é um talento inato, mas uma escolha repetida diante de cada derrota.
Atleta-estudante da UFPR busca bicampeonato no karatê nos JUBs de Natal
Persistência. Não parar só porque eu caí. Levanta, vamos continuar.
O que fez você continuar no karatê por tanto tempo, desde os cinco anos?
Acho que foi a forma como o esporte me moldou desde criança. Não era só sobre lutar — era sobre aprender respeito, disciplina, como competir de verdade. Meus pais me colocaram num projeto social e aquilo virou a base de tudo em mim.
Você mencionou que ficou em segundo lugar vários anos antes de entrar na seleção. Como você lidou com isso?
Chorava, sim. Mas meu sensei me ensinou que se você continuar tentando, uma hora vai dar certo. Isso virou meu mantra para tudo na vida, não só para o karatê.
E agora você trabalha com crianças neurodivergentes no karatê. Por que isso é importante para você?
Tive uma experiência muito boa com uma criança assim e me apaixonei. Comecei a fazer cursos para entender melhor como ajudá-las a se desenvolver. É diferente, mas é tão gratificante quanto competir.
Como você consegue equilibrar faculdade, trabalho e treinos?
Organizo tudo por semestres. Quando saem os horários da faculdade, eu me encaixo em volta deles. Treino, trabalho e estudo todos os dias, sem falta. Domingo eu descaso um pouco.
E esse Joca que você quer ganhar — é realmente importante?
Parece pequeno, mas é simbólico. Já tenho medalhas de ouro e bronze, mas nunca tive um Joca. Este ano as lutas são mais difíceis, mas quero levar um pra casa.
El Pulso
- Emilly disputa nesta quinta-feira a categoria até 50 kg nos JUBs, enfrentando cinco lutas — duas a mais do que no ano passado, quando conquistou o ouro.
- A pressão do bicampeonato se soma a uma rotina que não dá trégua: faculdade no sexto período, treinos diários e trabalho com crianças neurodivergentes, tudo encaixado sem faltar um dia.
- Por anos ela ficou em segundo lugar nas seletivas para a seleção brasileira, chorando mas sem parar — até que, aos 16 anos, finalmente entrou e realizou o sonho da primeira viagem internacional sozinha.
- Agora ela transforma essa mesma persistência em ferramenta pedagógica, ensinando karatê e cross training a crianças neurodivergentes num projeto de iniciação esportiva.
- O horizonte é ambicioso: pós-graduação, licenciatura e muitos anos ainda nos JUBs — e, por enquanto, levar para casa o boneco Joca, mascote desta edição.
Há histórias em que um filme de animação planta uma semente que quinze anos depois ainda floresce no tatame. Emilly Amorim, vinte anos, estudante de educação física na UFPR e atleta da seleção brasileira, compete nos Jogos Universitários Brasileiros em Natal buscando seu segundo título consecutivo no karatê — esporte que, segundo ela própria, moldou não apenas sua carreira, mas sua personalidade inteira. Sua trajetória é um lembrete de que persistência não é um talento inato, mas uma escolha repetida diante de cada derrota.
Emilly Amorim tinha cinco anos quando Kung Fu Panda a fez imitar personagens pela casa do interior do Paraná. Seus pais a matricularam num projeto social, e quinze anos depois ela ainda está no tatame — agora como estudante de educação física na UFPR, atleta da seleção brasileira e competidora nos Jogos Universitários Brasileiros em Natal.
Aos 20 anos, ela disputa a categoria até 50 quilos em busca do segundo título consecutivo nos JUBs. É sua terceira participação: já somou bronze e ouro, e desta vez quer também o boneco do mascote Joca, entregue aos vencedores. "Estou bastante animada, esse ano está bem mais difícil — vou ter que fazer cinco lutas — mas minha expectativa ainda é alta", conta.
O karatê é, para ela, muito mais do que esporte. "Ele me moldou. Não sei o que seria de mim nem da minha personalidade sem o karatê", reflete. Sua rotina é de precisão: cada semestre organizado em torno da faculdade, com treinos e trabalho encaixados sem faltar um dia — exceto o domingo, reservado para descanso. O trabalho também orbita o karatê: ela atua num projeto de iniciação esportiva para crianças neurodivergentes, ensinando cross training e karatê após se apaixonar pela experiência com uma dessas crianças.
A lição mais funda, porém, não veio de nenhum troféu. Durante anos, Emilly ficou em segundo lugar nas seletivas para a seleção brasileira. Chorava, mas continuava. O conselho do sensei virou mantra: se você continuar tentando, uma hora vai dar certo. "Persistência. Não parar só porque eu caí. Levanta, vamos continuar."
Para o futuro, os planos são ambiciosos e todos passam pelo karatê: formatura no próximo ano, pós-graduação, licenciatura e muitos anos ainda competindo nos JUBs. A criança que imitava personagens de animação tornou-se a atleta que ensina outras crianças a encontrar força no esporte — enquanto ainda busca o próprio caminho.
Emilly Amorim tinha cinco anos quando viu Kung Fu Panda e começou a imitar os personagens pela casa. Seus pais a matricularam num projeto social no interior do Paraná, e quinze anos depois, ela ainda está no tatame — agora como estudante de educação física na Universidade Federal do Paraná, atleta da seleção brasileira e competidora nos Jogos Universitários Brasileiros em Natal.
Aos 20 anos, Emilly disputa a categoria até 50 quilos nesta quinta-feira, em busca de seu segundo título consecutivo nos JUBs. É sua terceira participação na competição. Já conquistou uma medalha de bronze e outra de ouro, mas há algo que ainda a motiva especialmente: o boneco do mascote Joca, entregue aos vencedores nesta edição. "Estou bastante animada, esse ano está bem mais difícil. No ano passado foram três lutas, este ano vou ter que fazer cinco, mas a minha expectativa ainda é alta: quero levar um Joca pra casa", diz.
O karatê não é apenas um esporte em sua vida — é a estrutura sobre a qual ela construiu tudo. "O karatê foi a base de tudo, eu aprendi respeito, saber competir, que é muito importante pra uma criança, então o karatê me moldou, eu não sei o que é que seria de mim nem da minha personalidade sem o karatê", reflete. Aos 16 anos, entrou na seleção brasileira, realizando um sonho que a levou também à sua primeira viagem internacional sozinha, um momento que marcou tanto ela quanto sua família.
Sua rotina é de precisão militar. Estudante do sexto período, ela organiza cada semestre em torno dos horários da faculdade, encaixando treinos, trabalho e aulas sem faltar um dia — com exceção do domingo, quando consegue descansar. O trabalho também gira em torno do karatê: ela atua em um projeto de iniciação esportiva para crianças neurodivergentes, ensinando cross training, cross kids e karatê. "Eu tive uma experiência muito boa com uma criança neurodivergente com o karatê e eu me apaixonei. Então comecei a fazer cursos, entender melhor como lidar com crianças assim, como ajudá-las a se desenvolver melhor."
Mas a lição mais profunda que o karatê lhe ensinou não está em nenhum troféu. Durante anos, ela ficou em segundo lugar nas seletivas para a seleção brasileira. Chorava, mas continuava. Seu sensei lhe disse algo que ela carrega para tudo na vida: se você continuar tentando, uma hora vai dar certo. "Persistência. Não parar só porque eu caí. Levanta, vamos continuar. Se cair de novo, levanta de novo."
Para o futuro, seus planos são ambiciosos e todos envolvem o karatê. Quer se formar no próximo ano, entrar num programa de pós-graduação, iniciar a licenciatura e continuar lutando — muitos e muitos anos nos JUBs. A vida que começou com uma criança imitando personagens de desenho animado agora é a vida de uma atleta-estudante que ensina outras crianças a encontrar força no esporte, enquanto busca seu próprio caminho.
Citas Notables
O karatê foi a base de tudo, eu aprendi respeito, saber competir, que é muito importante pra uma criança, então o karatê me moldou— Emilly Amorim
A seleção brasileira foi a conquista mais importante que eu tive, tanto pra mim, quanto pra minha família— Emilly Amorim