Em Cherniguiv, cidade ucraniana sitiada a norte de Kiev, a guerra revelou nesta quarta-feira o seu rosto mais cruel: cinco corpos retirados dos escombros de um prédio residencial — três deles de crianças — e dez civis abatidos enquanto esperavam em fila para comprar pão. Estes acontecimentos não são anomalias, mas o padrão de uma ofensiva que, desde 24 de fevereiro, já ceifou a vida de mais de cem crianças e destruiu hospitais em todo o país. A humanidade observa, condena e sanciona, mas em Cherniguiv a morte não aguarda pela diplomacia.
Ataque russo em Cherniguiv mata cinco, incluindo três crianças
Socorristas retiraram cinco corpos dos escombros, incluindo três crianças
Porque é que Cherniguiv se tornou um alvo tão persistente?
Fica a norte de Kiev e perto da Bielorrússia, que é aliada da Rússia. É estratégica — controlar essa zona dá à Rússia uma posição de força.
E o ataque ao prédio residencial — foi bombardeamento aéreo ou algo diferente?
O texto não especifica o método. Sabemos que a Força Aérea russa bombardeia intensamente a cidade, mas neste caso concreto não há detalhe sobre se foi um míssil, uma bomba, ou outra coisa.
Os disparos contra a fila de pão parecem deliberados.
Sim. O Ministério Público abriu investigação por "homicídios premeditados". Não é uma morte colateral — é pessoas desarmadas, numa fila, a tentar comprar comida. Isso muda a natureza do crime.
Qual é o padrão que vê em tudo isto?
Que a guerra não está apenas a destruir edifícios. Está a destruir a vida quotidiana — a capacidade de sair de casa, de comprar pão, de estar seguro num prédio residencial. E está a matar muitas crianças.
Os números que o ministro da Defesa deu — cento e três crianças mortas — como é que se verifica algo assim?
Não se verifica facilmente durante uma guerra. Mas é um número que vem de uma fonte oficial ucraniana, e é consistente com o padrão de ataques a civis que estamos a ver.
The Pulse
- Socorristas retiraram cinco corpos dos escombros de um prédio residencial destruído por ataque russo em Cherniguiv, três deles pertencentes a crianças.
- No mesmo dia e na mesma cidade, soldados russos abriram fogo sobre civis desarmados que faziam fila para comprar pão, matando pelo menos dez pessoas.
- O Ministério Público ucraniano abriu investigação formal por 'homicídios premeditados', documentando os disparos como crime deliberado contra a população civil.
- Os números acumulados da invasão apontam para 103 crianças mortas, mais de cem hospitais danificados e quase cinco milhões de deslocados desde 24 de fevereiro.
- A comunidade internacional respondeu com sanções e envio de armamento, mas Cherniguiv permanece sob cerco intenso, com bombardeamentos aéreos e ataques directos a civis.
Em Cherniguiv, cidade ucraniana sitiada a norte de Kiev, a guerra revelou nesta quarta-feira o seu rosto mais cruel: cinco corpos retirados dos escombros de um prédio residencial — três deles de crianças — e dez civis abatidos enquanto esperavam em fila para comprar pão. Estes acontecimentos não são anomalias, mas o padrão de uma ofensiva que, desde 24 de fevereiro, já ceifou a vida de mais de cem crianças e destruiu hospitais em todo o país. A humanidade observa, condena e sanciona, mas em Cherniguiv a morte não aguarda pela diplomacia.
Os socorristas que vasculhavam os escombros de um edifício residencial em Cherniguiv, no norte da Ucrânia, encontraram cinco corpos na quarta-feira, 16 de março — três deles de crianças. O prédio havia sido atingido por um ataque russo, e os serviços de emergência confirmaram a descoberta através do Telegram.
Horas depois, na mesma cidade estratégica próxima da fronteira com a Bielorrússia, tropas russas abriram fogo sobre civis que aguardavam em fila para comprar pão. Pelo menos dez pessoas foram mortas. O Ministério Público ucraniano abriu de imediato uma investigação formal por 'homicídios premeditados' cometidos com armas de fogo.
Cherniguiv tornou-se um dos epicentros mais sangrentos do conflito desde o início da invasão, a 24 de fevereiro. As Forças Armadas ucranianas divulgaram fotografias do edifício destruído, documentando a escala da devastação que a Força Aérea russa tem imposto à cidade semana após semana.
O ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, revelou que 103 crianças foram mortas desde o início da ofensiva, com mais de cem hospitais danificados ou destruídos. O conflito já provocou pelo menos 726 mortos e mais de 1.170 feridos, enquanto cerca de 4,8 milhões de pessoas fugiram — três milhões delas para países vizinhos, segundo as Nações Unidas. A comunidade internacional condena e sanciona, mas em Cherniguiv a morte chegava tanto do céu como das ruas, onde civis desarmados tentavam apenas alimentar-se.
Os socorristas que trabalhavam entre os escombros de um edifício residencial em Cherniguiv, no norte da Ucrânia, encontraram cinco corpos — três deles de crianças. O prédio havia sido atingido por um ataque russo. Os serviços de emergência confirmaram a descoberta através de um comunicado na rede social Telegram nesta quarta-feira, 16 de março.
No mesmo dia, na mesma cidade estratégica situada a norte de Kiev e próxima da fronteira com a Bielorrússia, tropas russas abriram fogo contra um grupo de civis que aguardava em fila para comprar pão. Pelo menos dez pessoas foram mortas nesse incidente. As autoridades ucranianas registaram o acontecimento e o Ministério Público ucraniano determinou a abertura de uma investigação formal por "homicídios premeditados" cometidos com "armas de fogo".
Cherniguiv tornou-se um dos pontos mais críticos do conflito desde que a Rússia iniciou a sua ofensiva militar na Ucrânia a 24 de fevereiro. A cidade, de importância estratégica, tem sido alvo de bombardeamentos intensos pela Força Aérea russa ao longo das semanas de invasão. As Forças Armadas ucranianas divulgaram fotografias do edifício destruído, documentando a extensão da destruição.
Os números do conflito revelam uma dimensão humanitária devastadora. Segundo o ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov, cento e três crianças foram mortas desde o início da invasão. Mais de uma centena de hospitais foram danificados ou completamente destruídos. A ofensiva russa já provocou, até essa data, pelo menos setecentos e vinte e seis mortos e mais de mil cento e setenta feridos, incluindo dezenas de crianças. O deslocamento populacional é igualmente massivo: cerca de quatro milhões e oitocentas mil pessoas fugiram, das quais três milhões atravessaram as fronteiras para países vizinhos, de acordo com os dados mais recentes das Nações Unidas.
A comunidade internacional respondeu com condenações generalizadas da invasão. Vários países enviaram armamento para a Ucrânia e reforçaram as sanções económicas e políticas contra Moscovo. Mas em Cherniguiv, enquanto os socorristas continuavam a trabalhar nos escombros, a realidade era a de uma cidade sob cerco, onde a morte chegava tanto nos bombardeamentos aéreos como nos disparos contra civis desarmados que tentavam apenas alimentar-se.
Notable Quotes
Ao limpar os escombros de um prédio, os socorristas retiraram cinco corpos, incluindo os de três crianças— Serviços de emergência ucranianos
Cento e três crianças foram mortas desde o início do conflito e mais de uma centena de hospitais foram danificados ou destruídos— Oleksii Reznikov, ministro da Defesa ucraniano