Ataque russo a Kyiv deixa pelo menos 14 mortos e 48 feridos

Pelo menos 14 pessoas mortas, incluindo três menores de 2, 14 e 17 anos, 48 feridas, e pelo menos 10 desaparecidas sob escombros em Kyiv.
A Rússia escolhe os mísseis em vez da mesa de negociações
Zelensky interpreta o ataque como rejeição deliberada dos esforços diplomáticos em curso.
Mark

Por que é que este ataque em particular importa? Houve muitos outros.

Mimi

Porque aconteceu enquanto os EUA estão a tentar negociar a paz. Trump e Putin reuniram-se há semanas. Isto é uma resposta — ou um aviso.

Mark

Zelensky diz que a Rússia escolheu mísseis em vez de negociações. Mas talvez Putin esteja a negociar através dos mísseis.

Mimi

Exatamente. É uma forma de dizer: não vou parar enquanto não conseguir o que quero. Os ataques continuam porque a guerra não terminou.

Mark

A delegação da UE foi danificada. Isso é simbólico?

Mimi

Não é apenas simbólico. É uma mensagem direta a Bruxelas: isto é o que acontece quando se apoia a Ucrânia. Moscovo quer que a Europa sinta o custo.

Mark

Quantas pessoas desaparecidas ainda há?

Mimi

Pelo menos dez. As equipas de resgate continuam a escavar. Os números podem aumentar nos próximos dias.

Mark

E Trump? O que faz agora?

Mimi

Espera. Disse que quer uma resposta de Putin em duas semanas. Mas isto — este ataque — é a resposta de Putin. A questão é se Trump a compreende assim.

  • 598 drones e 31 mísseis russos disparados; 563 drones e 26 mísseis abatidos
  • Pelo menos 14 mortos, 48 feridos, 10 desaparecidos em Kyiv
  • Cerca de 100 edifícios danificados em sete distritos; delegação da UE atingida
  • Primeiro grande ataque combinado à capital em semanas, durante negociações de paz

Rússia disparou 598 drones e 31 mísseis contra a Ucrânia; Força Aérea ucraniana abateu 563 drones e 26 mísseis, mas ataques causaram 14 mortos e 48 feridos em Kyiv. Ataque atingiu centro da capital, danificou delegação da UE e cerca de 100 edifícios; autoridades esperam que números de vítimas aumentem enquanto equipas de resgate buscam sobreviventes.

Pelo menos 14 pessoas morreram e 48 ficaram feridas num ataque russo combinado com 598 drones e 31 mísseis contra Kyiv, o primeiro grande bombardeamento à capital ucraniana em semanas, ocorrendo durante esforços diplomáticos de paz liderados pelos EUA.

Kyiv acordou sob fogo na madrugada de 28 de agosto. O que começou como mais um ataque russo terminou como o bombardeamento mais intenso à capital ucraniana em semanas — uma ofensiva combinada de 598 drones e 31 mísseis que deixou pelo menos 14 pessoas mortas e 48 feridas, segundo as autoridades locais. Os números ainda podem subir. As equipas de resgate continuavam no terreno, escavando entre os escombros à procura de sobreviventes, com pelo menos dez pessoas dadas como desaparecidas.

Tymur Tkachenko, chefe da administração municipal de Kyiv, confirmou que entre os mortos estavam três crianças — com 2, 14 e 17 anos. O ataque anterior havia deixado 12 vítimas fatais. A Força Aérea ucraniana conseguiu abater ou bloquear 563 drones e 26 mísseis, mas o que passou pelas defesas foi suficiente para devastar a cidade. Cerca de 100 edifícios foram danificados em sete distritos diferentes. Um centro comercial no coração da capital foi atingido. Milhares de janelas explodiram. A delegação da União Europeia sofreu danos graves pela onda de choque.

O timing do ataque não era acidental. Ocorria semanas após Donald Trump e Vladimir Putin se terem reunido no Alasca para discutir um possível fim da guerra. Os esforços diplomáticos ganharam momentum após esse encontro, mas os detalhes permaneciam vagos. Trump havia expressado irritação com o atraso de Putin em responder a uma proposta de negociações diretas com Volodymyr Zelensky, e na sexta-feira anterior havia dito que esperava tomar decisões sobre os próximos passos dentro de duas semanas caso não houvesse avanço.

Zelensky interpretou o ataque como uma resposta clara. "Estes mísseis e drones russos são uma resposta a todos aqueles que apelaram para um cessar-fogo e verdadeira diplomacia," declarou. "A Rússia escolhe os mísseis balísticos em vez da mesa de negociações. Escolhe continuar a matar em vez de acabar com a guerra." Katarina Mathernova, embaixadora da UE na Ucrânia, foi mais direta: publicou fotografias dos danos na delegação europeia e escreveu que aquilo era "a verdadeira resposta de Moscovo aos esforços de paz". António Costa, presidente do Conselho Europeu, manifestou-se "horrorizado" com a ação "deliberada" da Rússia numa "noite de ataques mortíferos" contra civis.

O ataque atingiu o centro de Kyiv — uma das poucas vezes desde a invasão em larga escala de fevereiro de 2022 que os russos conseguiram bombardear o coração da capital com tal intensidade. A operadora ferroviária ucraniana registou danos nas infraestruturas nas regiões de Vinnytsia e Kyiv, forçando comboios a utilizar rotas alternativas e causando atrasos generalizados. A cidade inteira ficou marcada pelas cicatrizes do bombardeamento.

O que fica claro é que, enquanto os diplomatas negociam, a guerra continua sem trégua. O ataque de Kyiv é um sinal de que Moscovo não está disposta a fazer concessões enquanto as conversações avançam — ou talvez exatamente porque avançam. Trump aguarda agora uma resposta de Putin sobre as propostas de negociações diretas. Mas em Kyiv, as equipas de resgate continuam a procurar corpos sob os escombros, e as autoridades preparam-se para números de vítimas que ainda podem aumentar.

Estes mísseis e drones russos são uma resposta clara a todos aqueles que apelaram para um cessar-fogo e verdadeira diplomacia. A Rússia escolhe os mísseis balísticos em vez da mesa de negociações.
— Volodymyr Zelensky, Presidente da Ucrânia
Esta é a verdadeira resposta de Moscovo aos esforços de paz.
— Katarina Mathernova, embaixadora da UE na Ucrânia
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