Houthis lançaram mísseis balísticos e drones contra o aeroporto de Áden na quarta-feira, forçando cancelamento de voos e desvio de aeronaves. Os combates se intensificam em torno do Estreito de Bab el-Mandeb, rota marítima crítica para exportações de energia após restrições no Estreito de Ormuz.
Ataque houthi ao aeroporto de Áden intensifica conflito no Iêmen
Doze anos de guerra fragmentaram o país mais empobrecido do mundo árabe
Por que esse ataque ao aeroporto de Áden importa agora, neste momento específico?
Porque coincide com uma contra-ofensiva governamental para recuperar território estratégico ao redor do Estreito de Bab el-Mandeb. Os houthis estão respondendo com força, sinalizando que não vão ceder facilmente.
Mas precisamos ser claros: o comunicado houthi menciona um ataque a Riad, mas a Arábia Saudita não confirmou imediatamente. Sabemos que o míssil foi interceptado, mas não temos confirmação independente sobre o que exatamente foi atingido.
E quanto ao controle territorial? O governo realmente chegou a Mocha?
Eles afirmaram isso na segunda-feira, mas oficiais militares no local e analistas dizem que foi precipitado. Os combates continuam em Dhubab, com as forças tentando avançar nas colinas.
Exatamente. Há uma diferença entre chegar a um lugar e mantê-lo. A Brigada dos Gigantes está liderando, mas não sabemos se conseguem sustentar esse avanço contra a resistência houthi.
Qual é a importância estratégica real do Bab el-Mandeb?
É uma rota marítima crucial para exportações de energia global. Com restrições no Estreito de Ormuz, esse corredor ficou ainda mais vital. Quem controla essas águas controla fluxos de comércio internacional.
Verdade, mas também é importante notar que o conflito no Iêmen é mais antigo que a tensão EUA-Irã recente. Doze anos de guerra, uma crise humanitária massiva. O Bab el-Mandeb é importante, mas não é a causa raiz.
Qual é o próximo passo provável?
Depende se as forças governamentais conseguem consolidar ganhos territoriais. Se conseguirem, podem avançar pela costa. Se não, voltamos a um impasse.
E precisamos lembrar que um acordo de trégua mediado pela ONU em 2022 não levou a nada duradouro. Não há razão para acreditar que essa contra-ofensiva resultará em paz real.
O Pulso
- Mísseis balísticos e drones houthis atingiram o Aeroporto Internacional de Áden na quarta-feira
- Forças governamentais iemenitas com apoio aéreo saudita tentam recapturar Mocha e Dhubab
- Combates se concentram ao redor do Estreito de Bab el-Mandeb, rota marítima crítica para exportações de energia
- Conflito no Iêmen dura doze anos e resultou em uma das piores crises humanitárias do mundo
Houthis lançaram mísseis balísticos e drones contra o aeroporto de Áden na quarta-feira, forçando cancelamento de voos e desvio de aeronaves. Os combates se intensificam em torno do Estreito de Bab el-Mandeb, rota marítima crítica para exportações de energia após restrições no Estreito de Ormuz.
Rebeldes houthis atacaram o aeroporto internacional de Áden com mísseis e drones, além de mirar Riad com armas, escalando a guerra no Iêmen entre forças alinhadas ao Irã e governo apoiado pela Arábia Saudita.
Na quarta-feira, mísseis balísticos e drones carregados de explosivos atingiram o Aeroporto Internacional de Áden, no Iêmen, forçando as autoridades a cancelar pousos e desviar aeronaves em segurança. Um projétil caiu próximo à pista minutos antes de uma aeronave vinda do Cairo tocar o solo; a torre aérea desviou o voo para Jeddah e retirou duas outras aeronaves da área por temor a novos ataques. O Ministério dos Transportes iemenita confirmou o ataque. Não houve relato imediato de vítimas ou danos estruturais graves, mas o incidente marcou uma escalada significativa em um conflito que já dura doze anos.
Os responsáveis foram os houthis, grupo rebelde alinhado ao Irã que controla grande parte do norte do Iêmen e a capital Sanaa desde 2014. Yahya Saree, porta-voz militar houthi, declarou que o grupo havia disparado múltiplos drones contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita. A coalizão militar liderada pelos sauditas informou ter interceptado e destruído um míssil balístico houthi ao norte de Riad e afirmou estar rastreando plataformas de lançamento em Sanaa com intenção de destruí-las, mas não forneceu detalhes sobre possíveis vítimas ou danos causados pelo ataque.
O ataque ocorre em momento de intensificação dos combates ao redor do Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota marítima que se tornou ainda mais vital para as exportações globais de energia após restrições comerciais no Estreito de Ormuz decorrentes da tensão entre Estados Unidos e Irã. Nos últimos dias, as forças governamentais iemenitas, com apoio aéreo da coalizão saudita, lançaram uma contra-ofensiva para recuperar território estratégico próximo ao estreito e nas imediações de Mocha, localidade que os houthis haviam capturado em setembro. O governo iemenita alegou ter chegado a Mocha na segunda-feira, mas oficiais militares no terreno e analistas descrevem a afirmação como prematura.
Os combates se concentram principalmente no distrito de Dhubab, que oferece vista para Bab el-Mandeb. As forças pró-governo, incluindo a Brigada dos Gigantes — um grupo salafista sunita conservador que lidera a contra-ofensiva — tentam avançar nas colinas estratégicas a leste da planície costeira. Hussam Radman, pesquisador do Sanaa Center, instituto especializado em assuntos iemenitas, explicou que o controle dessas regiões montanhosas permitiria às forças governamentais progredir mais facilmente pelo restante da costa. Os houthis alegam ter repelido os ataques, embora fontes militares e governamentais iemenitas confirmem confrontos violentos em curso.
O Aeroporto Internacional de Áden funciona como principal porta de entrada internacional para as regiões do Iêmen fora do controle houthi, tornando-o alvo estratégico. O ataque reflete a disposição do grupo em atingir infraestruturas críticas não apenas no Iêmen, mas também na Arábia Saudita aliada dos Estados Unidos. Nos últimos anos, os houthis atacaram repetidamente refinarias de petróleo, oleodutos e aeroportos sauditas.
Este conflito representa uma ramificação da tensão mais ampla entre Washington e Teerã, mas suas raízes são profundas no Iêmen. Desde que a coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio em 2014, temendo a influência iraniana e o caos nas fronteiras, o país mergulhou em uma das piores crises humanitárias do mundo. Um acordo de trégua mediado pela ONU em 2022 interrompeu grande parte dos combates intensos, mas não resultou em acordo duradouro. Agora, com a retomada das operações militares em escala crescente, a sustentabilidade do avanço governamental permanece incerta, e o futuro do país mais empobrecido do mundo árabe segue fragmentado entre forças rivais.
Citações Notáveis
O grupo havia atacado o Aeroporto Internacional Rei Khalid em Riad com vários drones— Yahya Saree, porta-voz militar houthi
O controle dessas regiões montanhosas permitiria às forças governamentais avançar mais facilmente pelo restante da costa— Hussam Radman, pesquisador do Sanaa Center