Há 66 milhões de anos, quando um asteróide encerrou a era dos dinossauros, também lançou os alicerces de uma das maiores florestas do mundo. Um estudo publicado na revista Science revela que o impacto catastrófico sobre a Península de Yucatán não apenas destruiu ecossistemas tropicais sul-americanos — transformou-os irreversivelmente, substituindo coníferas por plantas com flores e tecendo, ao longo de milhões de anos, a estrutura densa e sombria que hoje chamamos de Amazónia. A catástrofe, afinal, foi também uma semente.
Asteróide que matou dinossauros pode ter originado as florestas tropicais
Os ecossistemas são substituídos, não recuperados
Como é que os cientistas conseguem saber o que as florestas pareciam há 66 milhões de anos?
Através de fósseis. Pólenes e folhas preservadas no solo colombiano contam uma história muito clara sobre que plantas existiam antes e depois do impacto.
E a mudança foi imediata ou gradual?
Imediata em termos geológicos. A diversidade caiu 45% logo após o impacto. Mas a transformação completa – as angiospermas a dominarem – levou milhões de anos.
Porque é que os dinossauros importam para isto? Já estavam extintos.
Exatamente. Mas enquanto existiram, comeram e pisaram a vegetação baixa, mantendo as florestas abertas. Sem eles, a floresta pôde crescer densa.
Então o asteróide matou os dinossauros e criou a Amazónia?
Não exatamente criou. Transformou o que já existia. As florestas tropicais já lá estavam, mas eram completamente diferentes – mais abertas, com outras plantas dominantes.
O que é que isto nos diz sobre o futuro?
Que os ecossistemas sob perturbação rápida não voltam ao que eram. Transformam-se em algo novo. E esse processo é lento.
Der Puls
- O impacto de um asteróide de 12 quilómetros eliminou 45% da diversidade vegetal tropical de forma quase instantânea, numa extinção que atingiu especialmente as plantas com sementes.
- As florestas que existiam antes — abertas, dominadas por coníferas e samambaias — desapareceram para sempre, deixando um vazio ecológico de proporções inimagináveis.
- Nos seis milhões de anos seguintes, as angiospermas aproveitaram o espaço, as cinzas fertilizantes e a ausência dos dinossauros para crescer e fechar a copa das florestas.
- A estrutura física das florestas tropicais foi completamente reconfigurada: o solo sombreado e húmido que define a Amazónia moderna é uma consequência direta dessa reorganização pós-impacto.
- Investigadores alertam que perturbações rápidas e massivas não produzem recuperação — produzem substituição, um processo que exige milhões de anos e que não tem retorno.
Há 66 milhões de anos, quando um asteróide encerrou a era dos dinossauros, também lançou os alicerces de uma das maiores florestas do mundo. Um estudo publicado na revista Science revela que o impacto catastrófico sobre a Península de Yucatán não apenas destruiu ecossistemas tropicais sul-americanos — transformou-os irreversivelmente, substituindo coníferas por plantas com flores e tecendo, ao longo de milhões de anos, a estrutura densa e sombria que hoje chamamos de Amazónia. A catástrofe, afinal, foi também uma semente.
Há 66 milhões de anos, um asteróide com 12 quilómetros de largura colidiu com a Terra perto da atual Península de Yucatán. O evento ficou conhecido pelo fim dos dinossauros — mas um novo estudo sugere que foi também o momento em que nasceram as florestas tropicais tal como as conhecemos.
Uma equipa de investigadores analisou mais de 50 mil registos de pólenes fósseis e seis mil folhas fósseis recolhidas na Colômbia para reconstruir o que aconteceu às florestas tropicais da América do Sul após o impacto. Antes do asteróide, essas florestas eram dominadas por coníferas e samambaias, com árvores espaçadas que deixavam o solo exposto à luz solar — um ambiente radicalmente diferente do atual.
O impacto destruiu cerca de 45% da diversidade vegetal, com extinções generalizadas entre as plantas com sementes. Mas nos seis milhões de anos seguintes, as angiospermas — plantas com flores — começaram a dominar e a transformar não apenas as espécies presentes, mas a própria estrutura física das florestas. A copa tornou-se densa, bloqueando a luz e criando o ambiente sombreado e húmido que caracteriza a Amazónia moderna.
Os cientistas apontam três fatores que podem ter agido em conjunto: os dinossauros mantinham as florestas abertas ao pisarem e consumirem a vegetação baixa; as cinzas do impacto enriqueceram os solos, favorecendo as plantas com flores de crescimento mais rápido; e a extinção preferencial das coníferas abriu espaço para as angiospermas se expandirem. Mónica Carvalho, do Smithsonian Tropical Research Institution, sintetizou a conclusão: sob perturbações rápidas, os ecossistemas tropicais não recuperam — são substituídos, num processo que demora muito tempo. A Amazónia moderna é, portanto, um legado indireto da catástrofe que eliminou os dinossauros.
Há 66 milhões de anos, uma rocha do espaço com 12 quilómetros de largura colidiu com a Terra perto do que hoje é a Península de Yucatán, no México. O impacto foi catastrófico para os dinossauros. Mas um novo estudo sugere que também foi o momento em que nasceram as florestas tropicais tal como as conhecemos hoje.
Uma equipa de investigadores examinou mais de 50 mil registos de pólenes fósseis e mais de seis mil folhas fósseis recolhidas na Colômbia para compreender como aquele asteróide transformou as florestas tropicais da América do Sul. O que encontraram foi uma história de destruição seguida de reinvenção radical. Antes do impacto, as florestas eram dominadas por plantas com cones, as coníferas, e por samambaias. As árvores eram espaçadas, deixando o solo da floresta exposto à luz solar, criando um ambiente muito diferente do que existe agora.
O asteróide mudou tudo isto. A diversidade de plantas caiu cerca de 45% imediatamente após o impacto, com extinções generalizadas particularmente entre as plantas com sementes. Mas nos seis milhões de anos que se seguiram, enquanto as florestas se recuperavam, as angiospermas – plantas com flores – começaram a dominar. Esta transição não foi apenas uma mudança de espécies. Alterou completamente a estrutura física das florestas. A copa tornou-se densa e espessa, bloqueando a luz solar e criando o ambiente sombreado e húmido que caracteriza as florestas tropicais modernas.
Os cientistas propõem três explicações para esta transformação, e acreditam que todas podem ter funcionado em conjunto. Os dinossauros, antes da sua extinção, podem ter mantido as florestas abertas ao alimentarem-se e pisarem a vegetação dos níveis mais baixos. As cinzas do impacto podem ter enriquecido os solos tropicais, dando uma vantagem às plantas com flores de crescimento mais rápido. E a extinção preferencial das coníferas pode ter deixado espaço para as angiospermas assumirem o controlo.
O que torna este estudo particularmente relevante é o que revela sobre como os ecossistemas respondem a perturbações rápidas e massivas. Mónica Carvalho, do Smithsonian Tropical Research Institution no Panamá, resumiu a conclusão da equipa de forma clara: sob distúrbios rápidos, os ecossistemas tropicais não apenas recuperam. São substituídos, e o processo leva muito tempo. A Amazónia moderna, com toda a sua complexidade e biodiversidade, é portanto um legado indireto do evento que eliminou os dinossauros. O estudo foi publicado na revista científica Science em abril de 2021.
Bemerkenswerte Zitate
Sob distúrbios rápidos, os ecossistemas tropicais não apenas recuperam. São substituídos e o processo leva muito tempo.— Mónica Carvalho, Smithsonian Tropical Research Institution