Asteróide que matou dinossauros pode ter originado as florestas tropicais

Os ecossistemas são substituídos, não recuperados
Conclusão de investigadores sobre como as florestas tropicais responderam ao impacto do asteróide há 66 milhões de anos.
Mark

Como é que os cientistas conseguem saber o que as florestas pareciam há 66 milhões de anos?

Mimi

Através de fósseis. Pólenes e folhas preservadas no solo colombiano contam uma história muito clara sobre que plantas existiam antes e depois do impacto.

Mark

E a mudança foi imediata ou gradual?

Mimi

Imediata em termos geológicos. A diversidade caiu 45% logo após o impacto. Mas a transformação completa – as angiospermas a dominarem – levou milhões de anos.

Mark

Porque é que os dinossauros importam para isto? Já estavam extintos.

Mimi

Exatamente. Mas enquanto existiram, comeram e pisaram a vegetação baixa, mantendo as florestas abertas. Sem eles, a floresta pôde crescer densa.

Mark

Então o asteróide matou os dinossauros e criou a Amazónia?

Mimi

Não exatamente criou. Transformou o que já existia. As florestas tropicais já lá estavam, mas eram completamente diferentes – mais abertas, com outras plantas dominantes.

Mark

O que é que isto nos diz sobre o futuro?

Mimi

Que os ecossistemas sob perturbação rápida não voltam ao que eram. Transformam-se em algo novo. E esse processo é lento.

  • O impacto de um asteróide de 12 quilómetros eliminou 45% da diversidade vegetal tropical de forma quase instantânea, numa extinção que atingiu especialmente as plantas com sementes.
  • As florestas que existiam antes — abertas, dominadas por coníferas e samambaias — desapareceram para sempre, deixando um vazio ecológico de proporções inimagináveis.
  • Nos seis milhões de anos seguintes, as angiospermas aproveitaram o espaço, as cinzas fertilizantes e a ausência dos dinossauros para crescer e fechar a copa das florestas.
  • A estrutura física das florestas tropicais foi completamente reconfigurada: o solo sombreado e húmido que define a Amazónia moderna é uma consequência direta dessa reorganização pós-impacto.
  • Investigadores alertam que perturbações rápidas e massivas não produzem recuperação — produzem substituição, um processo que exige milhões de anos e que não tem retorno.

Há 66 milhões de anos, quando um asteróide encerrou a era dos dinossauros, também lançou os alicerces de uma das maiores florestas do mundo. Um estudo publicado na revista Science revela que o impacto catastrófico sobre a Península de Yucatán não apenas destruiu ecossistemas tropicais sul-americanos — transformou-os irreversivelmente, substituindo coníferas por plantas com flores e tecendo, ao longo de milhões de anos, a estrutura densa e sombria que hoje chamamos de Amazónia. A catástrofe, afinal, foi também uma semente.

Há 66 milhões de anos, um asteróide com 12 quilómetros de largura colidiu com a Terra perto da atual Península de Yucatán. O evento ficou conhecido pelo fim dos dinossauros — mas um novo estudo sugere que foi também o momento em que nasceram as florestas tropicais tal como as conhecemos.

Uma equipa de investigadores analisou mais de 50 mil registos de pólenes fósseis e seis mil folhas fósseis recolhidas na Colômbia para reconstruir o que aconteceu às florestas tropicais da América do Sul após o impacto. Antes do asteróide, essas florestas eram dominadas por coníferas e samambaias, com árvores espaçadas que deixavam o solo exposto à luz solar — um ambiente radicalmente diferente do atual.

O impacto destruiu cerca de 45% da diversidade vegetal, com extinções generalizadas entre as plantas com sementes. Mas nos seis milhões de anos seguintes, as angiospermas — plantas com flores — começaram a dominar e a transformar não apenas as espécies presentes, mas a própria estrutura física das florestas. A copa tornou-se densa, bloqueando a luz e criando o ambiente sombreado e húmido que caracteriza a Amazónia moderna.

Os cientistas apontam três fatores que podem ter agido em conjunto: os dinossauros mantinham as florestas abertas ao pisarem e consumirem a vegetação baixa; as cinzas do impacto enriqueceram os solos, favorecendo as plantas com flores de crescimento mais rápido; e a extinção preferencial das coníferas abriu espaço para as angiospermas se expandirem. Mónica Carvalho, do Smithsonian Tropical Research Institution, sintetizou a conclusão: sob perturbações rápidas, os ecossistemas tropicais não recuperam — são substituídos, num processo que demora muito tempo. A Amazónia moderna é, portanto, um legado indireto da catástrofe que eliminou os dinossauros.

Há 66 milhões de anos, uma rocha do espaço com 12 quilómetros de largura colidiu com a Terra perto do que hoje é a Península de Yucatán, no México. O impacto foi catastrófico para os dinossauros. Mas um novo estudo sugere que também foi o momento em que nasceram as florestas tropicais tal como as conhecemos hoje.

Uma equipa de investigadores examinou mais de 50 mil registos de pólenes fósseis e mais de seis mil folhas fósseis recolhidas na Colômbia para compreender como aquele asteróide transformou as florestas tropicais da América do Sul. O que encontraram foi uma história de destruição seguida de reinvenção radical. Antes do impacto, as florestas eram dominadas por plantas com cones, as coníferas, e por samambaias. As árvores eram espaçadas, deixando o solo da floresta exposto à luz solar, criando um ambiente muito diferente do que existe agora.

O asteróide mudou tudo isto. A diversidade de plantas caiu cerca de 45% imediatamente após o impacto, com extinções generalizadas particularmente entre as plantas com sementes. Mas nos seis milhões de anos que se seguiram, enquanto as florestas se recuperavam, as angiospermas – plantas com flores – começaram a dominar. Esta transição não foi apenas uma mudança de espécies. Alterou completamente a estrutura física das florestas. A copa tornou-se densa e espessa, bloqueando a luz solar e criando o ambiente sombreado e húmido que caracteriza as florestas tropicais modernas.

Os cientistas propõem três explicações para esta transformação, e acreditam que todas podem ter funcionado em conjunto. Os dinossauros, antes da sua extinção, podem ter mantido as florestas abertas ao alimentarem-se e pisarem a vegetação dos níveis mais baixos. As cinzas do impacto podem ter enriquecido os solos tropicais, dando uma vantagem às plantas com flores de crescimento mais rápido. E a extinção preferencial das coníferas pode ter deixado espaço para as angiospermas assumirem o controlo.

O que torna este estudo particularmente relevante é o que revela sobre como os ecossistemas respondem a perturbações rápidas e massivas. Mónica Carvalho, do Smithsonian Tropical Research Institution no Panamá, resumiu a conclusão da equipa de forma clara: sob distúrbios rápidos, os ecossistemas tropicais não apenas recuperam. São substituídos, e o processo leva muito tempo. A Amazónia moderna, com toda a sua complexidade e biodiversidade, é portanto um legado indireto do evento que eliminou os dinossauros. O estudo foi publicado na revista científica Science em abril de 2021.

Sob distúrbios rápidos, os ecossistemas tropicais não apenas recuperam. São substituídos e o processo leva muito tempo.
— Mónica Carvalho, Smithsonian Tropical Research Institution
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