Em Atlanta, a Argentina derrotou a Inglaterra por 2 a 1 e avançou à final da Copa — mas foi o que aconteceu depois do apito final que ecoou além das quatro linhas. Jogadores argentinos, incluindo Messi, ergueram uma faixa reivindicando soberania sobre as Malvinas, evocando uma guerra que custou quase novecentas vidas em 1982 e que permanece, décadas depois, como ferida aberta entre duas nações. O gesto transformou uma celebração esportiva em declaração política, desafiando tanto o apelo do próprio técnico quanto o código de conduta da Fifa, e nos lembra que o futebol, quando jogado entre certo
Argentinos exibem faixa sobre Malvinas após vitória sobre Inglaterra na semifinal
Misturar as duas coisas seria uma loucura
Por que Scaloni pediu especificamente para não misturar futebol com a história das Malvinas?
Porque aquele conflito ainda dói. Não é história antiga para a Argentina ou para a Inglaterra. Scaloni estava tentando proteger a partida de se tornar um proxy para uma ferida que nunca cicatrizou completamente.
Mas os jogadores fizeram exatamente o oposto. Por quê?
A vitória libera algo. Quando você ganha, especialmente contra um rival histórico, a emoção transborda. A faixa virou uma forma de celebração que tocava em algo maior que o futebol.
A Fifa vai punir isso?
Tecnicamente deveria. O código é claro. Mas a Fifa raramente age rápido em situações assim, e quando age, a punição costuma ser leve. Multas, talvez.
O que Scaloni vai dizer agora?
Provavelmente vai dizer que não controlava o que acontecia após o apito final. Que pediu respeito e seus jogadores fizeram uma escolha. Ele já fez seu trabalho.
Isso muda algo entre Argentina e Inglaterra?
Não muda nada que já não estivesse lá. Mas deixa claro que, para alguns, futebol e política nunca estão realmente separados.
The Pulse
- A vitória argentina sobre a Inglaterra foi apertada e real — mas foi uma faixa, não um gol, que dominou as manchetes horas depois.
- Lisandro Martínez, Lo Celso e Messi ergueram o pano com 'As Malvinas são argentinas' diante das câmeras e da torcida, ignorando o pedido explícito do técnico Scaloni feito na véspera.
- A Fifa, que proíbe materiais de natureza política nos estádios, se viu diante de uma violação protagonizada pelos próprios finalistas da competição — e permaneceu em silêncio.
- A imagem se espalhou imediatamente pela imprensa britânica, reacendendo uma disputa territorial que matou 649 argentinos e 255 britânicos há mais de quarenta anos.
- A Argentina segue para a final, mas carrega consigo uma pergunta sem resposta: onde termina a celebração esportiva e começa a provocação política num palco global?
Em Atlanta, a Argentina derrotou a Inglaterra por 2 a 1 e avançou à final da Copa — mas foi o que aconteceu depois do apito final que ecoou além das quatro linhas. Jogadores argentinos, incluindo Messi, ergueram uma faixa reivindicando soberania sobre as Malvinas, evocando uma guerra que custou quase novecentas vidas em 1982 e que permanece, décadas depois, como ferida aberta entre duas nações. O gesto transformou uma celebração esportiva em declaração política, desafiando tanto o apelo do próprio técnico quanto o código de conduta da Fifa, e nos lembra que o futebol, quando jogado entre certos adversários, raramente é apenas futebol.
A Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 numa semifinal disputada em Atlanta, garantindo vaga na final da Copa. Foi um duelo equilibrado, que poderia ter seguido outros caminhos — mas foi o que aconteceu após o apito final que definiu a noite.
Minutos depois da vitória, Lisandro Martínez e Giovani Lo Celso ergueram uma faixa com os dizeres 'As Malvinas são argentinas'. Lionel Messi estava ao lado. A imagem correu o mundo, especialmente os jornais ingleses.
O gesto contrariou diretamente o técnico Lionel Scaloni, que na véspera havia pedido que ninguém misturasse o jogo com a Guerra das Malvinas. 'Foi um período muito triste da nossa história', disse ele em coletiva. 'Misturar as duas coisas seria uma loucura.' Suas palavras não foram suficientes para conter os próprios jogadores.
A Fifa agora enfrenta uma situação delicada. Seu Código de Conduta proíbe faixas de natureza política nos estádios — e a mensagem exibida toca numa disputa territorial que permanece viva na memória de ambas as nações. A entidade não se pronunciou.
A Guerra das Malvinas, travada em 1982 pela soberania do arquipélago no Atlântico Sul, terminou com vitória britânica e 649 mortos argentinos e 255 britânicos. O arquipélago segue sob controle do Reino Unido. A faixa não resolveu nada — mas reabriu tudo.
A Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1 em uma semifinal disputada em Atlanta na noite de quarta-feira, garantindo sua presença na final da Copa. O resultado foi equilibrado, um duelo que poderia ter seguido diferentes caminhos, mas terminou com os sul-americanos avançando. Minutos depois, quando a euforia tomava conta do campo, jogadores argentinos ergueram uma faixa com os dizeres "As Malvinas são argentinas", uma referência direta ao conflito armado de 1982 que dividiu os dois países. Lisandro Martínez e Giovani Lo Celso seguravam a faixa enquanto sorriam e acenavam para a torcida. Lionel Messi estava ao lado deles. A imagem se espalhou rapidamente pelos jornais ingleses.
O gesto veio como uma provocação clara, apesar dos esforços do técnico Lionel Scaloni para evitar exatamente isso. Na véspera da partida, Scaloni havia pedido explicitamente que as pessoas não fizessem paralelos entre a Guerra das Malvinas e o confronto futebolístico que se aproximava. "É uma partida de futebol. Não posso misturar as coisas, especialmente por respeito ao que aconteceu há tantos anos", disse ele em coletiva de imprensa em Atlanta. "Foi um período muito triste da nossa história, e não há muito o que possamos fazer a respeito. Essa é a realidade."
Scaloni reforçou o argumento minutos depois: "E é uma partida de futebol, é só isso. Portanto, misturar as duas coisas seria uma loucura. Lembramos daquelas pessoas, sem dúvida, mas isto é uma partida de futebol. Não devemos nos confundir quanto aos tempos em que vivemos". Sua tentativa de manter o evento no campo estritamente esportivo não impediu que seus próprios jogadores cruzassem essa linha após a vitória.
O incidente coloca a Fifa em posição delicada. O Código de Conduta de Estádios da entidade proíbe explicitamente "faixas, bandeiras, panfletos, vestimentas e outros materiais de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória" dentro dos estádios. A faixa exibida pelos argentinos se enquadra claramente nessa categoria, pois toca em uma disputa territorial que permanece viva na memória coletiva de ambas as nações. A Fifa não respondeu imediatamente a pedidos de comentário sobre o ocorrido.
O conflito que a faixa evoca deixou cicatrizes profundas. A Guerra das Malvinas, desencadeada pela reivindicação argentina de soberania sobre o arquipélago no Atlântico Sul, terminou com vitória britânica e um custo humano significativo: 649 argentinos e 255 britânicos morreram. O arquipélago permanece sob controle do Reino Unido, conhecido internacionalmente como Ilhas Falkland, mas chamado de Malvinas pela Argentina.
Não ficou claro de onde a faixa havia surgido ou se havia sido planejada com antecedência. O gesto, porém, marca um momento em que a celebração esportiva transbordou para território político, exatamente o que o técnico argentino havia tentado evitar. A Argentina agora segue para a final da Copa, mas deixa para trás uma questão sobre os limites entre competição futebolística e expressão política em um palco global.
Notable Quotes
É uma partida de futebol. Não posso misturar as coisas, especialmente por respeito ao que aconteceu há tantos anos. Foi um período muito triste da nossa história.— Lionel Scaloni, técnico da Argentina