Aos 39 anos, Lionel Messi conduziu a Argentina a mais uma final de Copa do Mundo, virando sobre a Inglaterra por 2 a 1 em Atlanta numa partida que revelou tanto a resiliência argentina quanto a fragilidade tática de quem recua quando deveria avançar. A seleção de Scaloni sofreu, se organizou e encontrou no vacilo adversário o caminho que a razão sozinha talvez não abrisse. É a terceira final em quatro Copas — uma sequência que coloca esta geração no panteão das maiores da história do futebol.
Argentina vira sobre Inglaterra com coragem e Messi decisivo; Tuchel entrega jogo
Encontra um problema, mas também encontra coragem para resolvê-lo
Por que a Inglaterra recuou tanto depois de marcar? Parecia uma decisão estranha.
Tuchel estava preocupado em não levar o segundo gol. Mas quando você recua demais contra uma equipe como a Argentina, você entrega a iniciativa. Cada bola rebatida voltava aos argentinos, e começava tudo de novo.
Messi tinha 39 anos. Como ele conseguiu ser tão decisivo numa semifinal tão física?
Ele não se desgasta à toa. Parece controlar o esforço para quando se faz necessário. Naquela partida, explorou os espaços pela direita e criou situações sucessivas. A defesa inglesa apenas rebatia.
E Scaloni? O que ele fez diferente?
Fez o oposto de Tuchel. Empilhou atacantes para buscar a reação, mesmo sabendo que poderia deixar o time aberto. Assumiu risco enquanto a Inglaterra se fechava cada vez mais.
Leandro Paredes apareceu bastante na análise. Qual foi seu papel?
Controlou Kane com precisão. Com Kane pouco à frente da linha defensiva, Paredes conseguiu organizar a defesa e dar segurança para os atacantes avançarem.
A Argentina chegou a uma terceira final em quatro Copas. Isso é histórico?
Iguala a sequência do Brasil de Pelé entre 1958 e 1970. É uma marca de consistência extraordinária, especialmente considerando que a Argentina quase não chegava a semifinais antes.
The Pulse
- A Inglaterra abriu o placar e, em vez de pressionar, recuou drasticamente — entregando o jogo aos argentinos sem que eles precisassem forçar a porta.
- Tuchel encheu o time de zagueiros enquanto a Argentina acumulava rebotes e segundas bolas, transformando uma vantagem em armadilha.
- Messi, num nível brutal para uma semifinal física, atraiu três marcadores no lance do empate e cruzou com a direita para o gol da virada.
- Scaloni fez o movimento oposto ao rival: empilhou atacantes, assumiu risco e apostou na coragem onde o adversário apostou no medo.
- A Argentina chega à final contra a Espanha carregando a mesma marca de sempre — encontra o problema, mas também encontra a saída.
Aos 39 anos, Lionel Messi conduziu a Argentina a mais uma final de Copa do Mundo, virando sobre a Inglaterra por 2 a 1 em Atlanta numa partida que revelou tanto a resiliência argentina quanto a fragilidade tática de quem recua quando deveria avançar. A seleção de Scaloni sofreu, se organizou e encontrou no vacilo adversário o caminho que a razão sozinha talvez não abrisse. É a terceira final em quatro Copas — uma sequência que coloca esta geração no panteão das maiores da história do futebol.
A Argentina chegou à final da Copa do Mundo 2026 com uma virada sobre a Inglaterra que resumiu a identidade de Scaloni: capacidade de sofrer, inteligência tática e coragem nos momentos em que o adversário vacila. O placar de 2 a 1 esconde uma partida que começou equilibrada e terminou completamente dominada pelos argentinos.
Os primeiros 45 minutos foram de tensão quase palpável. Os dois sistemas se anularam, a intensidade física foi extraordinária e havia receio de que a Argentina não acompanhasse o ritmo inglês. Mas Scaloni encontrou combinações pelo centro que permitiram à equipe respirar com a bola. O clima em Atlanta era de Libertadores — provocações, reações, arbitragem permissiva.
A Inglaterra abriu o placar numa jogada construída por Kane e finalizada por Gordon. Parecia que os ingleses assumiriam o controle. Não foi o que aconteceu. Depois do gol, Tuchel mandou o time recuar drasticamente, e cada bola rebatida voltava aos argentinos. Os espaços de Messi pela direita nunca foram fechados. As substituições do técnico alemão agravaram tudo — ele encheu o time de zagueiros quando já estava dominado.
Messi, aos 39 anos, foi o personagem central. Participou das jogadas dos dois gols e atuou num nível impressionante numa semifinal extremamente física. No empate, atraiu três defensores e liberou Enzo Fernández. Na virada, cruzou com a direita para Lautaro. Parecia administrar sua própria energia para os momentos decisivos.
A Argentina chega assim à terceira final em quatro Copas, igualando a sequência histórica do Brasil de Pelé entre 1958 e 1970. Enfrentará a Espanha numa decisão que promete ser tão tensa quanto a semifinal recém-disputada.
A Argentina chegou à final da Copa do Mundo 2026 com uma virada sobre a Inglaterra que resumiu tudo aquilo que define a seleção de Lionel Scaloni: capacidade de sofrer, inteligência tática e coragem quando o adversário vacila. O placar de 2 a 1 esconde uma partida que começou equilibrada e terminou completamente dominada pelos argentinos, num cenário onde as decisões de Thomas Tuchel — mais do que qualquer outro fator — abriram as portas para a classificação.
Os primeiros 45 minutos foram de tensão quase palpável. Inglaterra e Argentina se anularam mutuamente, com sistemas de marcação tão bem montados que poucas oportunidades reais surgiram. A intensidade física foi extraordinária, e havia receio de que os argentinos não conseguissem acompanhar o ritmo inglês. Mas Scaloni encontrou combinações pelo centro que permitiram sua equipe respirar com a bola, mesmo sob pressão constante. O clima em Atlanta era de Libertadores — provocações argentinas, reações inglesas, arbitragem permissiva — e a sensação era de que qualquer faísca poderia explodir tudo.
A Inglaterra abriu o placar numa jogada que começou com Harry Kane saindo da área para construir. A bola saiu de Pickford, Kane recuou como opção e lançou para Gordon, que se antecipou a Molina com ajuda de Rogers no cruzamento. Parecia um gol que colocaria os ingleses no controle. Não foi. Depois de marcar, a Inglaterra recuou drasticamente — uma estratégia que se revelaria desastrosa. Com Kane e Bellingham pouco presentes à frente da linha defensiva, cada bola rebatida voltava aos argentinos, gerando novo ataque imediatamente. Tuchel não conseguiu diminuir os espaços de Messi pela direita, e o empate virou questão de tempo.
As alterações do técnico alemão agravaram tudo. Ele pediu para tomar o empate, segundo os analistas, enchendo o time de zagueiros quando já estava completamente dominado. Todos os rebotes e segundas bolas ficaram com a Argentina. Scaloni fez o movimento oposto: empilhou atacantes para buscar a reação, mesmo sabendo que poderia deixar o time aberto numa eventual prorrogação. Enquanto a Inglaterra se fechava cada vez mais, os argentinos assumiam risco. Leandro Paredes controlou Kane com precisão, e a defesa inglesa simplesmente não conseguiu afastar o perigo.
Messi, aos 39 anos, foi o personagem central da virada. Participou das jogadas dos dois gols e atuou num nível brutal numa semifinal extremamente física. Quando a Inglaterra montou cinco defensores, apareceram espaços fora do bloco, sobretudo pela direita. Messi explorou aquele setor — às vezes recebendo, às vezes atraindo marcadores e cedendo a De Paul. No empate, levou três defensores e liberou Enzo Fernández. Depois, cruzou com a direita para o gol de Lautaro. Parecia administrar sua própria energia para os momentos decisivos, não se desgastando à toa.
A Argentina chega assim à terceira final em quatro Copas, igualando a sequência histórica do Brasil de Pelé entre 1958 e 1970. Enfrentará a Espanha — atual campeã da Europa — numa decisão que promete ser tão tensa quanto a semifinal que acabou de jogar. A seleção argentina provou novamente que naquilo que no futebol se convencionou chamar de raça, ela é imbatível. Sempre encontra um problema, mas também encontra coragem para resolvê-lo.
Notable Quotes
Tuchel pediu para tomar o empate, enchendo o time de zagueiros quando já estava completamente dominado— Análise dos colunistas do GLOBO
A bola puniu a covardia inglesa, depois de Tuchel optar por alterações que deixaram sua equipe limitada a se defender— Ana Thaís Matos, colunista do GLOBO