Desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina, mais de 32 mil empresas desapareceram dos registros oficiais, levando o país ao menor número de empregadores desde 2007. O desaparecimento dessas empresas não é apenas uma estatística: representa 121 mil trabalhadores formais que perderam seus vínculos com a economia registrada em apenas um mês. O projeto de estabilização macroeconômica prometido por Milei encontrou, no caminho, o peso humano do ajuste — e a distância entre a teoria e a vida cotidiana de empresários e trabalhadores argentinos segue se alargando.
Argentina perde 32 mil empresas em 18 meses sob governo Milei
Dezoito meses de queda contínua, sem precedentes desde 2007
Trinta e duas mil empresas em dezoito meses — isso é muito? Como colocamos esse número em perspectiva?
A Argentina começou esse período com cerca de 480 mil empregadores registrados. Perder 32 mil significa uma redução de aproximadamente 6,7%. Mas o que importa mais é a consistência: não foi um choque único, foi queda mês após mês, durante um ano e meio inteiro.
Preciso questionar uma coisa aqui. A fonte diz que nem todas essas empresas necessariamente fecharam. Mudanças societárias, reorganizações, alterações no quadro de funcionários — tudo isso afeta os números. Então não sabemos exatamente quantas empresas realmente encerraram operações.
Verdade. Mas mesmo que parte desses 32 mil seja reorganização, a perda de 121 mil empregos formais é inegável. Pessoas perderam seus empregos registrados. Isso é concreto.
E por que isso está acontecendo? Milei não prometeu melhorar a economia?
Prometeu. Mas o ajuste fiscal e a redução do Estado criaram pressões imediatas: custos operacionais altos, crédito caro, tributação pesada, valorização do dólar que encareceu importações. As empresas estão sendo espremidas.
O Banco Mundial reduziu a projeção de crescimento de 3,6% para 2,1%. Mas quem fez a projeção de 3,6% originalmente? Quando? Porque se foi há um ano, talvez o Banco Mundial tenha sido otimista demais desde o início.
Boa pergunta. A fonte não especifica quando essa projeção de 3,6% foi feita. Mas o fato é que agora, com dados reais de atividade econômica caindo 2,9% mês a mês, a realidade está abaixo das expectativas.
Então Milei está fracassando?
Não é tão simples. Milei pode argumentar que está fazendo o que prometeu — cortando gastos e reduzindo a inflação. Os efeitos recessivos podem ser considerados necessários por seus apoiadores. A questão é se a população aguenta esse ajuste.
E há um detalhe importante: a fonte não menciona a inflação. Não sabemos se Milei conseguiu reduzir a inflação enquanto destruía empregos. Se a inflação caiu significativamente, alguns podem dizer que o trade-off valeu a pena. Se não caiu, então o governo está apenas causando recessão sem ganho.
Então o que vem a seguir?
Tudo depende de quando a economia começa a se recuperar. Se o crescimento voltar em 2027, 2028, a narrativa pode mudar. Se a contração continuar, a pressão política sobre Milei vai aumentar muito.
Der Puls
- Em 18 meses consecutivos, a Argentina perdeu 32 mil empresas dos registros oficiais, atingindo o menor patamar de empregadores desde 2007 — uma erosão silenciosa, mas constante, da base produtiva do país.
- Só em junho de 2026, aproximadamente 121 mil empregos formais no setor privado foram destruídos, reduzindo o total de trabalhadores registrados de 6,2 milhões para 6,1 milhões.
- Custos operacionais elevados, crédito caro, carga tributária pesada e a valorização cambial formam uma combinação que sufoca empresas que dependem de importações ou carregam dívidas em dólares.
- O Banco Mundial cortou sua projeção de crescimento do PIB argentino para 2026 de 3,6% para 2,1%, enquanto analistas do mercado já trabalham com estimativas ainda mais modestas, entre 1,2% e 1,5%.
- O que foi anunciado como um projeto de estabilização fiscal transformou-se, na prática, em um ciclo recessivo cujos efeitos colaterais superam as previsões iniciais de muitos economistas.
Desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina, mais de 32 mil empresas desapareceram dos registros oficiais, levando o país ao menor número de empregadores desde 2007. O desaparecimento dessas empresas não é apenas uma estatística: representa 121 mil trabalhadores formais que perderam seus vínculos com a economia registrada em apenas um mês. O projeto de estabilização macroeconômica prometido por Milei encontrou, no caminho, o peso humano do ajuste — e a distância entre a teoria e a vida cotidiana de empresários e trabalhadores argentinos segue se alargando.
Desde a posse de Javier Milei, em dezembro de 2023, mais de 32 mil empresas desapareceram dos registros oficiais argentinos. Segundo o jornal La Nación, o total de empregadores registrados atingiu em julho de 2026 seu nível mais baixo desde 2007. O país começou esse período com 480 mil empregadores; dezoito meses depois, esse número havia encolhido de forma consistente, com perdas acumuladas mês após mês.
O recuo não é apenas contábil. Em junho de 2026, o setor privado argentino perdeu cerca de 121 mil empregos formais em relação ao mesmo período do ano anterior, reduzindo o total de trabalhadores registrados de 6,216 milhões para 6,096 milhões. São postos com carteira assinada e vínculos previdenciários que simplesmente deixaram de existir na economia formal.
As empresas enfrentam uma combinação de pressões simultâneas: custos operacionais em alta, crédito caro, carga tributária elevada, queda nos investimentos públicos e uma valorização cambial que encarece importações e dívidas em dólares. Nenhum desses problemas é inédito na Argentina, mas sua intensidade sob o atual governo tem se mostrado mais severa do que o esperado.
Os dados macroeconômicos confirmam o cenário. O indicador mensal de atividade econômica registrou queda de 2,9% em julho na comparação com junho. O Banco Mundial reduziu sua projeção de crescimento do PIB argentino para 2026 de 3,6% para 2,1%, enquanto analistas do mercado financeiro trabalham com estimativas ainda menores. O ajuste fiscal prometido por Milei foi implementado — mas seus efeitos colaterais sobre empresas e trabalhadores revelam o custo humano de uma estabilização que ainda não encontrou seu equilíbrio.
Desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023, mais de 32 mil empresas desapareceram dos registros oficiais do país. O número, divulgado pelo jornal La Nación, representa uma queda contínua e sem precedentes recentes: em julho deste ano, o total de empregadores registrados atingiu seu patamar mais baixo desde 2007. A Argentina começou esse período com 480 mil empregadores. Dezoito meses depois, esse número havia encolhido significativamente.
A deterioração não ocorre de forma uniforme. Entre junho e julho de 2026, apenas um mês, foram 948 registros a menos. Mas o padrão é consistente: mês após mês, o país acumula perdas. É importante notar que nem todas essas empresas necessariamente fecharam as portas de forma definitiva. A Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), que mantém esses registros, contabiliza como empregador qualquer empresa com ao menos um trabalhador registrado no sistema. Mudanças na estrutura societária, alterações no quadro de funcionários ou reorganizações internas também afetam os números oficiais. Ainda assim, a tendência aponta para um encolhimento real da base empresarial.
O desaparecimento de empresas dos registros caminha junto com a destruição de postos de trabalho. Em junho de 2026, o setor privado argentino perdeu aproximadamente 121 mil empregos formais em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O total de trabalhadores registrados caiu de 6,216 milhões para 6,096 milhões. Esses são empregos com carteira assinada, vinculados ao sistema previdenciário, que desapareceram da economia formal.
As empresas argentinas enfrentam uma combinação de pressões que explica parte dessa contração. Os custos operacionais subiram. O crédito ficou caro. A carga tributária permanece pesada. Os investimentos em obras públicas caíram. E há um fator cambial: a valorização do dólar aumenta os custos em moeda estrangeira para empresas que dependem de importações ou têm dívidas em dólares. Nenhum desses problemas é novo na Argentina, mas sua intensidade sob o governo Milei tem se mostrado desafiadora.
Os indicadores macroeconômicos reforçam a dificuldade. O Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE), divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos, registrou queda de 2,9% em julho na comparação com junho, considerando dados com ajuste sazonal. O Banco Mundial, que havia projetado crescimento de 3,6% para o PIB argentino em 2026, reduziu essa previsão para 2,1%. Analistas do mercado financeiro agora projetam expansão entre 1,2% e 1,5% para o ano.
Milei chegou ao poder com promessas claras: reduzir a inflação, cortar gastos públicos e reorganizar as contas do país. As medidas de ajuste fiscal e a redução da participação estatal na economia foram implementadas. Mas os efeitos colaterais — a contração empresarial, o desemprego, a queda na atividade — têm se mostrado mais severos do que o esperado por muitos analistas. O que começou como um projeto de estabilização macroeconômica transformou-se em um período de ajuste recessivo, com consequências diretas para empresários e trabalhadores.
Bemerkenswerte Zitate
A redução não significa necessariamente que todas essas empresas tenham encerrado definitivamente suas atividades; mudanças societárias e reorganizações também podem afetar os números— Dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT)