Área queimada no Brasil cai 31% em 2025; Cerrado concentra 69% do total

intervalos tão curtos reduzem o tempo de recuperação e aumentam o risco de novos incêndios
Pesquisador do IPAM explica por que queimadas repetidas em curto prazo degradam a Amazônia.
Mark

Por que a Amazônia melhorou tanto em um ano, saindo de 15,8 milhões para 3,1 milhões de hectares?

Mimi

Não está claro no relatório o que causou essa queda específica. Pode ser uma combinação de fatores — menos seca, mais chuva, operações de combate mais eficazes. Mas o importante é que a melhora não significa que o problema desapareceu.

Mark

E por que o Cerrado continua sendo o bioma mais queimado se a Amazônia teve números piores em 2024?

Mimi

Porque o Cerrado é naturalmente mais propenso ao fogo — a vegetação evoluiu para conviver com ele. Mas isso não torna as queimadas menos preocupantes. Elas continuam destruindo habitat e afetando a biodiversidade.

Mark

Esse padrão de incêndios repetidos no mesmo lugar — é porque não há prevenção ou porque a vegetação não consegue se recuperar?

Mimi

Provavelmente os dois. Se o fogo volta em dois anos, a floresta não teve tempo de se regenerar. Mas também significa que essas áreas continuam vulneráveis, talvez porque as condições que causaram o primeiro incêndio ainda existem.

Mark

A Caatinga foi o único bioma acima da média. Isso significa que está piorando?

Mimi

Está acima de sua própria média histórica, sim. Mas com 505 mil hectares, é bem menor que o Cerrado. Ainda assim, é um sinal de que nem todos os biomas estão melhorando junto.

Mark

Se 24% do território brasileiro já queimou em 41 anos, quanto tempo leva para um bioma se recuperar completamente?

Mimi

Depende do bioma. Na Amazônia, se o fogo volta em dois anos, a floresta não tem chance de se recuperar completamente. Pode levar décadas ou séculos em alguns casos. É por isso que o pesquisador alerta que a floresta fica cada vez mais vulnerável.

  • Após o ano mais devastador da Amazônia em décadas, o Brasil reverteu a trajetória e registrou em 2025 a menor área queimada de toda a série histórica.
  • O Cerrado, no entanto, concentrou 69% de toda a área atingida, e a Caatinga foi o único bioma a terminar o ano acima de sua própria média histórica.
  • Pesquisadores alertam para um padrão alarmante: 64% das áreas que já queimaram no Brasil foram atingidas mais de uma vez, muitas vezes em intervalos de apenas dois a quatro anos.
  • Na Amazônia, onde a vegetação não é adaptada ao fogo, a recorrência acelerada aumenta a intensidade dos incêndios e compromete progressivamente a regeneração florestal.
  • O desafio agora não é apenas manter a queda nos números anuais, mas quebrar o ciclo de queimadas repetidas que está transformando ecossistemas inteiros em paisagens cada vez mais vulneráveis.

Em 2025, o Brasil registrou a menor área queimada desde o início das medições sistemáticas, com 12,7 milhões de hectares consumidos pelo fogo — 31% abaixo da média histórica. A Amazônia, que um ano antes havia vivido seu pior momento em décadas, protagonizou uma recuperação notável, atingindo o melhor desempenho em 41 anos. O alívio, porém, é temperado por uma inquietação mais profunda: a terra que queima tende a queimar de novo, e os intervalos cada vez mais curtos entre os incêndios ameaçam a capacidade dos ecossistemas de se renovar.

O Brasil queimou menos em 2025 do que em qualquer ano desde que passou a medir sistematicamente suas queimadas. Segundo o Relatório Anual do Fogo do MapBiomas, 12,7 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas — uma queda de 31% em relação à média histórica de 18,4 milhões registrada desde 1985. O dado é ainda mais expressivo por vir logo após 2024, quando a Amazônia sozinha havia queimado 15,8 milhões de hectares, o pior número da série.

A recuperação foi liderada pela própria Amazônia, que passou de um cenário catastrófico para o melhor desempenho em quatro décadas: apenas 3,1 milhões de hectares atingidos em 2025. Essa virada puxou os índices nacionais para baixo e ofereceu um respiro em um bioma onde a vegetação não evoluiu para conviver com o fogo, tornando cada queimada potencialmente mais destrutiva.

Mas o quadro não é uniforme. O Cerrado concentrou 8,7 milhões dos 12,7 milhões de hectares queimados no país — 69% do total. A Caatinga foi o único bioma a encerrar o ano acima de sua média histórica, com 505 mil hectares. O Pantanal, por sua vez, registrou a maior redução proporcional em relação às últimas quatro décadas.

O que mais preocupa os pesquisadores, porém, é o padrão de recorrência. Entre 1985 e 2025, 64% de toda a área que já queimou no Brasil foi atingida mais de uma vez. Na Amazônia, 31,6% das áreas com queimadas repetidas voltaram a pegar fogo em apenas dois anos. O pesquisador Luiz Felipe Martenexen, do MapBiomas Fogo e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, alerta que esses intervalos curtos impedem a floresta de se recuperar, tornando os incêndios subsequentes mais intensos e a vegetação progressivamente mais vulnerável.

Ao longo de 41 anos, 208,4 milhões de hectares — 24% do território brasileiro — foram atingidos pelo fogo ao menos uma vez. Amazônia e Cerrado concentram juntos cerca de 86% dessa área acumulada. O desempenho de 2025 mostra que reduzir as queimadas é possível, mas o verdadeiro desafio está em romper o ciclo de incêndios repetidos que vai transformando ecossistemas inteiros.

O Brasil queimou menos em 2025 do que em qualquer ano desde que começou a medir sistematicamente. Segundo o Relatório Anual do Fogo do MapBiomas, 12,7 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas no ano passado — uma queda de 31% em relação à média histórica de 18,4 milhões de hectares que vem sendo registrada desde 1985. A notícia é especialmente significativa porque vem após 2024, quando a Amazônia sozinha registrou 15,8 milhões de hectares queimados, o pior número da série histórica.

A recuperação foi liderada pela Amazônia, que passou de um cenário catastrófico para o melhor desempenho em quatro décadas. Em 2025, apenas 3,1 milhões de hectares da floresta foram atingidos pelo fogo — a menor extensão observada em 41 anos. Essa melhora dramática puxou os números nacionais para baixo e ofereceu um respiro em um bioma onde a vegetação não evoluiu para conviver com o fogo, tornando cada queimada potencialmente mais degradante que em outros ecossistemas.

Mas a história não é uniforme entre os biomas brasileiros. O Cerrado permanece como a região mais afetada pelo fogo, concentrando 8,7 milhões dos 12,7 milhões de hectares queimados no país — o equivalente a 69% de toda a área atingida. A Caatinga foi o único bioma que terminou 2025 acima de sua própria média histórica, com 505 mil hectares queimados. O Pantanal, por sua vez, registrou 121 mil hectares e experimentou a maior redução proporcional em relação à sua média das últimas quatro décadas.

O que preocupa os pesquisadores, porém, vai além dos números anuais. O MapBiomas identificou um padrão perturbador: entre 1985 e 2025, 64% de toda a área que já queimou no Brasil foi atingida mais de uma vez. Entre essas áreas recorrentes, 52% voltaram a pegar fogo em um intervalo de até quatro anos. Na Amazônia, a recorrência é ainda mais acelerada — 31,6% das áreas que queimaram mais de uma vez voltaram a ser atingidas em apenas dois anos.

Luiz Felipe Martenexen, pesquisador da equipe MapBiomas Fogo e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, alerta que esses intervalos curtos entre incêndios reduzem drasticamente o tempo disponível para a floresta se recuperar. Em um bioma onde a vegetação não é adaptada ao fogo, esse ciclo acelerado aumenta o risco de novos incêndios mais intensos e degradantes, comprometendo progressivamente a regeneração e tornando a floresta cada vez mais vulnerável. No Cerrado, 66% de toda a área queimada desde 1985 registrou mais de uma ocorrência no período analisado.

Os números acumulados revelam a escala do problema. Ao longo dos últimos 41 anos, 208,4 milhões de hectares — equivalente a 24% de todo o território brasileiro — foram atingidos pelo fogo ao menos uma vez. Amazônia e Cerrado concentram juntos cerca de 86% dessa área acumulada. A maior parte das queimadas ocorreu sobre vegetação nativa: 71,5% do total acumulado desde 1985. Mas essa distribuição varia significativamente entre os biomas. Na Amazônia e na Mata Atlântica, mais da metade da área queimada está em terrenos modificados pela ação humana, como pastagens. No Cerrado, na Caatinga, no Pantanal e no Pampa, o fogo atingiu predominantemente áreas de vegetação nativa.

O desempenho de 2025 oferece um sinal de que é possível reduzir o impacto das queimadas, mas a recorrência dos incêndios nos mesmos locais aponta para um desafio que vai além dos números anuais. A questão agora é se o Brasil conseguirá não apenas manter essa redução, mas também quebrar o ciclo de queimadas repetidas que está transformando ecossistemas inteiros.

Na Amazônia, intervalos tão curtos entre os eventos reduzem o tempo de recuperação da floresta e aumentam o risco de novos incêndios, mais intensos e degradantes
— Luiz Felipe Martenexen, pesquisador MapBiomas Fogo e IPAM
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