A Apple encerrou o seu terceiro trimestre fiscal com receitas globais de 109,42 mil milhões de dólares — um crescimento de 16% que, noutras circunstâncias, seria celebrado sem reservas. Mas a grandeza dos números totais não conseguiu esconder as fissuras: a China ficou aquém das expectativas e a divisão de serviços, tida como o futuro da empresa, também decepcionou. É o retrato de uma gigante que avança, mas cujos alicerces mais ambicionados ainda não sustentam o peso que lhes foi atribuído.
Apple supera receitas globais, mas China e serviços desiludem
O iPhone mantém-se como o motor que funciona, mesmo com escassez de componentes
Porque é que a China e os serviços decepcionaram quando o iPhone teve um desempenho tão forte?
A Apple tem apostado em diversificar as suas receitas há anos — o iPhone sozinho não é suficiente. Mas estes dois negócios, que deveriam ser o futuro, estão a crescer mais lentamente do que o esperado. Na China, há pressão competitiva local e talvez sinais de desaceleração económica. Nos serviços, o crescimento tem limites porque depende da base instalada de utilizadores.
O reembolso de tarifas de 2 mil milhões dólares — isso é dinheiro que não vai voltar a aparecer?
Exatamente. Esse foi um ganho único. Sem ele, a margem bruta seria mais fraca. Quando se olha para a sustentabilidade dos resultados, é preciso separar o que é operacional do que é extraordinário.
Tim Cook está a sair. Isso é uma mudança importante?
É simbólico. Cook liderou a Apple durante 14 anos, através de crises e expansões. John Ternus vem da engenharia, do lado do hardware. Pode significar um recentramento na inovação de produtos em vez de na expansão de serviços.
Os aumentos de preço nos iPhones — isso não vai afastar clientes?
Essa é a aposta. A Apple acredita que a marca é forte o suficiente para suportar preços mais altos. Mas há um limite. Se os preços subirem muito, mesmo os clientes leais começam a questionar se vale a pena.
Então o crescimento de 16% é bom ou é preocupante?
É bom em termos absolutos. Mas o mercado olha para tendências. Se a China continua fraca e os serviços desaceleram, enquanto o iPhone depende de aumentos de preço para manter margens, há questões sobre o que vem a seguir.
Der Puls
- O iPhone cresceu 22% e o lucro por ação superou estimativas, mas as ações caíram 3% — o mercado puniu as fraquezas, não celebrou as forças.
- A China entregou 18,8 mil milhões em vez dos 19,6 esperados, alimentando receios sobre a desaceleração num dos mercados mais estratégicos da empresa.
- Os serviços — a aposta no futuro digital da Apple — ficaram 700 milhões abaixo das projeções, questionando a velocidade da transição para receitas recorrentes.
- A escassez de chips já encareceu Macs e iPads, e Tim Cook confirmou que os iPhones serão os próximos — uma ameaça direta ao motor que ainda mantém tudo a funcionar.
- Cook despede-se em agosto deixando a empresa acima dos 5 biliões de capitalização bolsista, mas o seu sucessor, John Ternus, herda pressões de preços e cadeia de fornecimento que não têm solução imediata.
A Apple encerrou o seu terceiro trimestre fiscal com receitas globais de 109,42 mil milhões de dólares — um crescimento de 16% que, noutras circunstâncias, seria celebrado sem reservas. Mas a grandeza dos números totais não conseguiu esconder as fissuras: a China ficou aquém das expectativas e a divisão de serviços, tida como o futuro da empresa, também decepcionou. É o retrato de uma gigante que avança, mas cujos alicerces mais ambicionados ainda não sustentam o peso que lhes foi atribuído.
A Apple apresentou resultados do terceiro trimestre fiscal que revelam uma empresa a duas velocidades: números globais sólidos, mas com pontos de fraqueza nos mercados e divisões que mais importam para o futuro.
As receitas totais de 109,42 mil milhões de dólares superaram as previsões dos analistas, e o lucro por ação de 2,02 dólares ficou bem acima das estimativas de 1,89 dólares. O iPhone foi o grande motor, com vendas a crescerem 22% para 54,25 mil milhões. Tim Cook classificou este como o melhor trimestre de junho da história da empresa, com crescimento de dois dígitos em múltiplas categorias e em todas as regiões geográficas.
Mas a China entregou apenas 18,8 mil milhões em vez dos 19,6 mil milhões esperados, e os serviços — a divisão que a Apple tem cultivado como o seu futuro — ficaram em 30,7 mil milhões, 700 milhões abaixo das projeções. Estas duas decepções foram suficientes para fazer as ações recuarem cerca de 3% após o fecho do mercado.
O contexto agrava as preocupações. A escassez de chips de memória e processadores já forçou aumentos de preço nos Macs e iPads, e Cook admitiu que os iPhones serão os próximos a ser afetados. O crescimento expressivo nas vendas de smartphones pode estar a aproximar-se do seu pico antes de uma desaceleração induzida por preços mais elevados.
Cook parte em agosto deixando a Apple como apenas a segunda empresa da história a ultrapassar os 5 biliões de dólares em capitalização bolsista. O seu sucessor, John Ternus, assume o comando numa posição de força — mas com pressões reais na cadeia de fornecimento e num mercado chinês que ainda não deu sinais claros de recuperação.
A Apple divulgou resultados do terceiro trimestre fiscal que pintam um retrato dividido: números globais robustos ofuscados por fraquezas em dois dos seus pilares mais críticos. As receitas totais atingiram 109,42 mil milhões de dólares, ultrapassando as expectativas dos analistas em 570 milhões. O crescimento homólogo de 16% reflete uma empresa ainda em expansão. Mas quando se olha para onde esse dinheiro vem, a história fica mais complicada.
A China, mercado que representa uma fatia substancial do negócio global da Apple, trouxe apenas 18,8 mil milhões em vendas. Os analistas esperavam 19,6 mil milhões. É um desvio pequeno em termos percentuais, mas significativo o suficiente para gerar preocupação num mercado sensível a sinais de desaceleração. Os serviços — aquela divisão que a empresa tem cultivado como o seu futuro, oferecendo subscrições e conteúdo digital — chegaram aos 30,7 mil milhões, ficando 700 milhões abaixo das projeções de 31,4 mil milhões. Estas duas decepções foram suficientes para fazer as ações caírem cerca de 3% após o encerramento do mercado.
O iPhone, porém, mantém-se como o motor que funciona. As vendas do smartphone cresceram 22%, atingindo 54,25 mil milhões de dólares, superando as estimativas de 53,6 mil milhões. Mesmo com a escassez de componentes que tem afetado a indústria, e com aumentos de preço já implementados nos Macs e iPads no mês anterior, os consumidores continuam a comprar. Tim Cook, o CEO que se despede no final de agosto, aproveitou para sublinhar que este foi o melhor trimestre de junho da história da empresa, com crescimento de dois dígitos em iPhone, Mac e Serviços, e em todos os segmentos geográficos.
O lucro por ação atingiu 2,02 dólares, superando as estimativas de 1,89 dólares e o resultado de 1,57 dólares do trimestre homólogo. O lucro líquido subiu para 29,8 mil milhões, comparado com 23,4 mil milhões no mesmo período do ano anterior. A margem bruta expandiu-se para 50,1%, impulsionada em parte por um reembolso de tarifas no valor de cerca de dois mil milhões de dólares — uma vitória legal que a empresa conseguiu quando o Supremo Tribunal dos EUA considerou ilegais certas tarifas da administração Trump.
Cook deixa a empresa numa posição de força. A Apple ultrapassou recentemente a capitalização bolsista de 5 biliões de dólares, tornando-se apenas a segunda empresa a atingir esse marco, atrás apenas da Nvidia. Será substituído por John Ternus, que liderava a divisão de hardware. Mas a transição ocorre num momento em que a empresa enfrenta pressões reais. A escassez de chips de memória e processadores não é um problema passageiro — Cook já reconheceu que os aumentos de preço que chegaram aos computadores também chegarão aos iPhones. Isto significa que o crescimento de 22% nas vendas de smartphones pode estar próximo do seu pico, antes de uma possível desaceleração causada por preços mais altos. O mercado está atento.
Bemerkenswerte Zitate
A Apple orgulha-se de apresentar o melhor trimestre de junho de sempre, com crescimento de dois dígitos das receitas do iPhone, Mac e Serviços, e em todos os segmentos geográficos— Tim Cook, CEO da Apple