Quando uma empresa poderosa decide, em silêncio, o ritmo com que os objetos do cotidiano envelhecem, ela interfere não apenas no bolso dos consumidores, mas na sua autonomia sobre o que possuem. Em Portugal, a Deco Proteste abriu uma ação coletiva contra a Apple, acusando-a de ter deliberadamente desacelerado iPhones por meio de atualizações do iOS sem informar os utilizadores — prática que teria forçado milhares de portugueses a gastar dinheiro que não planejavam gastar. O processo busca cerca de 7 milhões de euros em compensações e integra um padrão global de litígios que questiona até onde
Apple é processada por Deco Proteste por desacelerar iPhones propositalmente
Força milhares de usuários a substituir a bateria ou comprar novo smartphone
Por que a Deco Proteste focou especificamente nos modelos iPhone 6 e 6S?
Porque foram os primeiros a sofrer significativamente com o iOS 11. Quando essa atualização foi lançada, esses modelos ficaram notavelmente mais lentos. A agência conseguiu estabelecer uma correlação clara entre a atualização e a queda de desempenho.
A Apple sabia que isso aconteceria?
Segundo a Deco Proteste, sim. A agência afirma que a Apple tinha conhecimento de que a atualização causaria impactos consideráveis no desempenho. Mesmo assim, encorajou os usuários a instalar.
E por que isso importa legalmente?
Porque não informar os usuários sobre uma mudança que vai prejudicar seus dispositivos viola direitos do consumidor. As pessoas não puderam fazer uma escolha informada — e não puderam voltar atrás depois de descobrir o problema.
Quanto dinheiro estamos falando aqui?
Cerca de 7 milhões de euros para Portugal. Mas isso é apenas um país. A Itália já multou a Apple em 10 milhões de euros pela mesma coisa. E há mais de 60 processos em andamento globalmente desde 2018.
Qual é a defesa da Apple?
A empresa diz que reduz o desempenho para preservar a vida útil da bateria — que é uma questão real. Mas a questão é: por que não avisar os usuários? Por que não deixá-los escolher?
Isso vai mudar algo?
Provavelmente vai custar dinheiro à Apple. Mas se a empresa continuar fazendo isso, continuará sendo processada. O padrão está claro agora.
El Pulso
- A Deco Proteste acusa a Apple de ter sabido, com antecedência, que o iOS 11 degradaria o desempenho de modelos como o iPhone 6 e 6S — e ainda assim incentivou a atualização sem oferecer retorno.
- Cerca de 115 mil consumidores portugueses teriam sido forçados a trocar baterias ou comprar novos dispositivos por causa de um lentidão que não era falha do hardware, mas escolha da empresa.
- A compensação estimada é de 60 euros por pessoa — calculada sobre o custo de reparação da bateria mais 10% do valor original do aparelho —, totalizando quase 7 milhões de euros.
- A Apple já admitiu a prática, chamando-a de 'gerenciamento de desempenho', mas a justificativa técnica não apaga o facto de que os utilizadores não foram informados nem consultados.
- A Itália multou a Apple em 10 milhões de euros pela mesma conduta em 2020, e a empresa acumula mais de 60 processos desde 2018, revelando um padrão sistemático de litígios em escala global.
Quando uma empresa poderosa decide, em silêncio, o ritmo com que os objetos do cotidiano envelhecem, ela interfere não apenas no bolso dos consumidores, mas na sua autonomia sobre o que possuem. Em Portugal, a Deco Proteste abriu uma ação coletiva contra a Apple, acusando-a de ter deliberadamente desacelerado iPhones por meio de atualizações do iOS sem informar os utilizadores — prática que teria forçado milhares de portugueses a gastar dinheiro que não planejavam gastar. O processo busca cerca de 7 milhões de euros em compensações e integra um padrão global de litígios que questiona até onde vai o direito de uma fabricante gerir, à revelia dos seus clientes, a vida útil dos seus próprios produtos.
A Apple volta a ser alvo de uma ação coletiva por redução intencional de desempenho em iPhones — desta vez em Portugal, onde a Deco Proteste, agência nacional de defesa do consumidor, apresentou um processo alegando que a empresa desacelerou deliberadamente dispositivos por meio de atualizações do iOS sem avisar os utilizadores. O foco recai sobre os modelos iPhone 6, 6 Plus, 6S e 6S Plus, afetados após a chegada do iOS 11.
Segundo a agência, a Apple tinha conhecimento prévio dos impactos da atualização e ainda assim encorajou a sua instalação, sem oferecer a possibilidade de reversão quando os problemas se tornaram evidentes. O resultado foi que milhares de consumidores, ao perceberem os seus iPhones mais lentos, acabaram por substituir baterias ou adquirir novos aparelhos — despesas que não estavam planeadas.
A compensação pedida é de aproximadamente 60 euros por pessoa, valor calculado com base no custo de reparação da bateria acrescido de 10% do preço original do dispositivo. Multiplicado pelos 115 mil portugueses estimados como lesados, o total chega a quase 7 milhões de euros.
O caso não surge no vazio. A Euroconsumers, da qual a Deco Proteste faz parte, tenta obter respostas da Apple desde 2017. A Itália já havia multado a empresa em 10 milhões de euros pela mesma prática em 2020, e desde 2018 acumulam-se mais de 60 processos judiciais sobre o tema em todo o mundo. A própria Apple admitiu a redução de desempenho, justificando-a como medida para preservar a bateria — uma explicação técnica que pouco consola quem foi levado a gastar dinheiro sem ter sido informado da escolha que estava a ser feita por si.
A Apple enfrenta mais uma acusação de manipular intencionalmente o desempenho de seus iPhones através de atualizações de software. Desta vez, a denúncia vem de Portugal, onde a Deco Proteste — a agência nacional de defesa do consumidor — abriu uma ação coletiva contra a empresa de Cupertino, alegando que a fabricante reduz deliberadamente a velocidade dos dispositivos sem avisar os usuários.
Segundo a Deco Proteste, a Apple age com conhecimento prévio. A agência afirma que a empresa sabia que a atualização para iOS 11 causaria impactos significativos no desempenho dos aparelhos, particularmente nos modelos iPhone 6, 6 Plus, 6S e 6S Plus. Mesmo ciente disso, a empresa encorajou os usuários a instalar a atualização — e não ofereceu a possibilidade de voltar para versões anteriores após os problemas se tornarem evidentes. O resultado foi previsível: milhares de consumidores, percebendo que seus iPhones ficaram lentos, optaram por substituir a bateria ou comprar um novo aparelho.
A estratégia da Deco Proteste para quantificar o dano é direta. A compensação por consumidor seria calculada como o custo de uma reparação de bateria mais 10% do valor original de compra do equipamento. Isso resulta em aproximadamente 60 euros por pessoa. Multiplicado pelos 115 mil portugueses que a agência estima ter sido prejudicados, o valor total chegaria a quase 7 milhões de euros — mais de 48 milhões de reais.
Este não é um caso isolado. A Euroconsumers, organização europeia da qual a Deco Proteste faz parte, vem tentando obter respostas da Apple desde 2017, sem sucesso. No ano anterior ao processo português, a Itália já havia multado a Apple em 10 milhões de euros pela mesma prática, após sua agência de proteção ao consumidor confirmar a redução intencional de desempenho. Em 2018, a empresa já acumulava mais de 60 processos judiciais relacionados ao mesmo tema. Desde então, esse número cresceu significativamente.
A própria Apple já havia admitido, anos atrás, que reduz a capacidade de processamento dos iPhones — mas justificou a prática dizendo que era necessária para prolongar a duração da bateria. A empresa chamou isso de "gerenciamento de desempenho". Para os consumidores que viram seus aparelhos ficarem inutilizáveis após uma atualização, a explicação técnica pouco importa. O que importa é que foram levados a gastar dinheiro que não planejavam gastar.
O caso português é significativo porque estabelece um padrão. A Apple não enfrenta apenas ações isoladas de consumidores individuais — está sendo processada sistematicamente por agências de defesa do consumidor em múltiplos países, todas alegando a mesma prática. Cada vitória legal, cada multa imposta, adiciona pressão sobre a empresa para mudar seu comportamento. Mas enquanto isso não acontece, novos processos continuam sendo abertos.
Citas Notables
Manipula deliberadamente, e sem informar os seus utilizadores, o desempenho dos seus dispositivos mais populares— Deco Proteste
A Apple estava ciente de que a atualização teria impactos consideráveis no desempenho do iPhone— Deco Proteste