Na primavera de 2022, a Apple revelou que o caminho para além dos limites físicos da miniaturização não passa por construir chips maiores, mas por unir dois chips como se fossem um só. O M1 Ultra, nascido da fusão de dois processadores M1 Max através da tecnologia UltraFusion, reúne 114 mil milhões de transístores e apresenta-se ao mundo como uma resposta engenhosa a uma das questões mais persistentes da engenharia moderna. É um momento em que a indústria tecnológica não quebra uma barreira — contorna-a.
Apple cria M1 Ultra ao juntar dois processadores M1 Max com tecnologia UltraFusion
Dois chips que o software vê como um só
Porque é que a Apple não construiu simplesmente um chip maior, em vez de juntar dois?
Porque não consegue. Há limites físicos reais na litografia — quanto mais pequeno o processo, mais difícil fica fazer chips maiores. A Apple estava a bater contra essa parede. A UltraFusion é uma forma elegante de contornar o problema.
Mas se são dois chips, não deveria haver latência, atrasos na comunicação entre eles?
Teoricamente sim, mas a UltraFusion foi desenhada para minimizar isso. A largura de banda entre os dois M1 Max é tão grande que, na prática, o software vê isto como um único processador. Não há fragmentação visível.
Qual é o risco desta abordagem? Parece demasiado simples.
O risco é a complexidade escondida. Se um dos chips falhar, o que acontece? A Apple teve de resolver esses problemas de fiabilidade. Mas se funcionou bem o suficiente para colocar num produto, significa que resolveram.
E isto muda alguma coisa para quem compra um computador?
Muda tudo. Antes, um Mac de secretária tinha limites claros. Agora, com o M1 Ultra, tens um computador que consegue fazer coisas que antes precisavas de máquinas muito mais caras e volumosas. É uma mudança real de paradigma.
A TSMC fabrica isto a 5 nanómetros. Isso é importante?
Muito. Significa que apesar de ser dois chips, a densidade de transístores é extraordinária. 114 mil milhões de transístores num espaço muito pequeno. Isso é o que permite que tudo isto funcione sem consumir energia desmesurada.
El Pulso
- A miniaturização dos chips aproxima-se dos seus limites físicos, e a Apple enfrentava a impossibilidade de continuar a crescer apenas tornando os processadores mais densos.
- A solução UltraFusion une dois chips M1 Max numa única entidade funcional, criando uma tensão criativa entre o que é fisicamente dois e o que o software percebe como um.
- Com 20 núcleos de CPU, 64 de GPU, 32 de motor neural e 128 GB de RAM unificada a 800 GB/s, o M1 Ultra posiciona-se como uma ferramenta para as tarefas mais exigentes do mercado.
- O Mac Studio torna-se o primeiro produto a incorporar este chip, sinalizando uma reconfiguração da forma como a Apple concebe a computação de secretária.
Na primavera de 2022, a Apple revelou que o caminho para além dos limites físicos da miniaturização não passa por construir chips maiores, mas por unir dois chips como se fossem um só. O M1 Ultra, nascido da fusão de dois processadores M1 Max através da tecnologia UltraFusion, reúne 114 mil milhões de transístores e apresenta-se ao mundo como uma resposta engenhosa a uma das questões mais persistentes da engenharia moderna. É um momento em que a indústria tecnológica não quebra uma barreira — contorna-a.
Na apresentação de primavera de 2022, a Apple revelou o M1 Ultra — não um chip inteiramente novo, mas uma fusão inteligente de dois processadores M1 Max, ligados pela tecnologia proprietária UltraFusion. A ideia central é simples na sua elegância: em vez de tentar construir um único chip ainda mais denso, os engenheiros de Cupertino uniram dois chips já existentes, contornando as limitações físicas que há décadas travam a evolução da microeletrónica.
A UltraFusion cria uma ponte invisível entre as duas metades do processador. Para o software — e para o utilizador — tudo funciona como se existisse apenas um chip. O resultado é um processador com 114 mil milhões de transístores, fabricado a 5 nanómetros pela TSMC, capaz de ser até oito vezes mais poderoso que o M1 original. Os números são expressivos: 20 núcleos de CPU, 64 núcleos de GPU, 32 núcleos de motor neural e suporte para até 128 GB de memória unificada com largura de banda de 800 GB/s.
Johny Srouji, vice-presidente sénior de Tecnologias de Hardware, descreveu o chip como um "game changer" — e desta vez o argumento tem fundamento técnico real. Fazer dois chips funcionarem como um, sem complexidade adicional para programadores ou utilizadores, é um feito de engenharia com consequências práticas imediatas.
O primeiro produto a receber o M1 Ultra foi o Mac Studio, um computador de secretária compacto que marca uma nova fase na visão da Apple para a computação desktop. O que a empresa demonstrou, acima de tudo, é que quando uma parede parece intransponível, por vezes basta encontrar a porta ao lado.
Na apresentação de primavera de 2022, a Apple revelou uma solução engenhosa para um problema que tem perseguido os fabricantes de chips há décadas: como ultrapassar os limites físicos da miniaturização. A resposta veio sob a forma do M1 Ultra, um processador que não é exatamente novo, mas sim uma fusão inteligente de dois chips já existentes.
O caminho até aqui começou meses antes. Em outubro, a Apple tinha apresentado o M1 Pro, com 33,7 mil milhões de transístores, seguido pelo M1 Max, que chegava aos 57 mil milhões. Ambos foram marcos significativos. Mas a empresa queria ir mais longe, e em vez de tentar construir um único chip ainda mais denso — o que esbarra em limitações reais de física e engenharia — os engenheiros de Cupertino fizeram algo mais direto: pegaram em dois M1 Max e ligaram-nos.
Esta abordagem, batizada de UltraFusion, é a chave para compreender o que torna o M1 Ultra diferente. A tecnologia cria uma ponte entre as duas metades do processador, uma zona de união que permanecia escondida até então. Do ponto de vista do software, tudo funciona como se fosse um único chip — não há fragmentação, não há complexidade visível para o utilizador. O resultado é um processador com 114 mil milhões de transístores, fabricado a 5 nanómetros pela TSMC, capaz de ser até oito vezes mais poderoso que o M1 original.
Os números revelam a ambição. O M1 Ultra integra 20 núcleos de CPU — 16 de alto desempenho e 4 eficientes em termos energéticos. A unidade gráfica (GPU) oferece 64 núcleos de processamento. Há ainda 32 núcleos dedicados a um motor neural, infraestrutura pensada para algoritmos de inteligência artificial. O chip suporta até 128 gigabytes de memória unificada, com uma largura de banda de 800 gigabytes por segundo — números que falam de um dispositivo construído para tarefas exigentes.
Johny Srouji, vice-presidente sénior do departamento de Tecnologias de Hardware da Apple, descreveu o novo processador como um "game changer", uma expressão que a empresa usa para lançamentos que pretendem quebrar paradigmas. Desta vez, o argumento tem peso: conseguir que dois chips funcionem como um, sem overhead de software, é um feito de engenharia que simplifica a vida dos programadores e dos utilizadores.
O primeiro produto a receber o M1 Ultra foi o Mac Studio, um computador de secretária compacto e potente que marca uma mudança na forma como a Apple pensa a computação de desktop. As melhorias estendem-se por todos os domínios — poder de processamento puro, capacidades gráficas, aceleração de hardware para formatos como ProRes, e muito mais. Tudo isto num chip que, apesar de ser tecnicamente dois processadores, o sistema operativo vê como um só.
O que a Apple fez com o M1 Ultra é contornar uma limitação que parecia imutável: o tamanho máximo de um chip que se pode fabricar de forma económica e fiável. Em vez de bater contra essa parede, a empresa encontrou uma porta ao lado. E ao fazer isso, redefiniu o que é possível esperar de um computador de secretária.
Citas Notables
Outro game changer, um lançamento capaz de quebrar o paradigma atual— Johny Srouji, vice-presidente sénior de Tecnologias de Hardware da Apple